Arquivos mensais: julho 2009

Sol na Macambira convidada a participar de Projeto em Sp…



A banda Sol na Macambira nasceu no ano de 2005, na cidade de Juazeiro do Norte na região do Cariri-Ce, terra onde bebeu da fonte de suas inspirações musicais, por este a banda Sol na Macambira traz em suas canções toda a mistura da música nordestina, hora em um clima de essência Armorial e logo em seguida com o mais forte sotaque cabaçal. Além de estar fincada nas raízes carirenses a banda tem um propósito mais amplo musicalmente, esta faz de suas canções um instrumento de estudo, divulgação e critica à exploração do homem do sertão, por tal motivo não leva nas malas apenas o carimbo e o nome “Cariri”, e sim, a história de seu povo, suas crenças e toda a garra dessa gente.
Encharcado de regionalidade, esta por sua vez brinca de reisado, canta cirandas, recita poemas, conta histórias de seus antepassados e ainda trata de temas corriqueiros e atuais, muitas vezes abordados de maneira cômica e em outras vezes comovente.
(Jornal do cariri julho de 2008).

Sua rítmica configura-se na fusão entre a música cabaçal o baião e as batidas de maracatu, ritmo que há pouco mais de meio século perdeu seu espaço no cotidiano da região, por este motivo além de seus objetivos profissionais, a Sol na Macambira assume a responsabilidade de levar tais manifestações de cunho afro brasileiro e indígena por onde passa, realizando a cada Show, debates, oficinas e mini cursos de percussão, construção e pratica instrumental. A base de tudo isso, não está apenas na influência ou na convivência com todos esses aspectos, mas também da necessidade de divulgação do nordeste Cariri, este relicário tão precioso e tão desconhecido por muitos.

Os instrumentos que compõem seu show não poderiam ser diferentes, pois encantam com os Pífanos, Rabecas e tambores, sempre ritmados pelas batidas do maracatu, pela levada das cirandas e pelo calor do baião. Atualmente trabalha na divulgação do seu repertório de músicas autorais através de shows e oficinas e participando de festivais de musica onde em 2006 teve uma das suas composições premiada na mostra SESC da música cearense, em 2008 no festival cariri da canção onde uma de suas canções (Oração de Sidha) fora selecionada entre as principais bandas da região do cariri e classificando-se junto a 10 outras bandas tais como Dr. Raiz e Liberdade e Raiz para a gravação de um DVD, em 2009 é convidada a participar do projeto Violas causos e crendices em Votorantin-SP, vai de encontro à gravação do seu primeiro CD, ministra oficinas na região e participa de projetos sociais no Lar Assistencial Francisco de Assis (LAFA) lugar onde nasceu e permanece ate hoje.

Componentes: Jean Alex S. Alencar, José Evânio Soares, Isac José da Silva, Maria Sidáliada Silva, Maricélio Silva, Cícero Carlos da Silva, Wandenberg Caetano.

Os melhores programas da TV brasileira de todos os tempos

Em quase 55 anos de história, a TV brasileira já passou muuuita coisa legal. Para apontar dez programas inesquecíveis, ouvimos quatro especialistas no tema: Leila Reis, colunista do jornal O Estado de S. Paulo; Patrícia Kogut, jornalista de O Globo; José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-vice-presidente de operações da TV Globo; e o pesquisador Ricardo Xavier, o Rixa, roteirista do programa Vídeo Show e autor do livro Almanaque da TV. Nossos jurados avaliaram três critérios:
1 – A inovação do programa (o humor revolucionário da TV Pirata, por exemplo);
2 – A qualidade técnica (como o padrão de noticiário criado pelo Jornal Nacional);
3 – A importância histórica (como a do Globo Repórter, que influenciou muitos outros documentários jornalísticos).
Mesmo assim, muita coisa boa ficou de fora. No nosso site da internet, você confere a votação completa de cada entrevistado – e participa da nossa enquete opinando se a gente cometeu alguma injustiça.
Plim, plim!
Dos dez programas desta lista, oito são da Globo
O CÉU É O LIMITE
EMISSORA – Tupi
ANO – 1956
POR QUE É BOM – Esse programa do tipo Show do Milhão transformava os participantes em celebridades, uma novidade para a época. Inspirado no game show americano The 000 Question (“A Pergunta de 64 000 Dólares”), ele não trazia inovações, mas fez muito sucesso
VOCÊ SABIA? – O apresentador J. Silvestre confirmava as questões corretas com a frase “Resposta absolutamente certa!”. Virou um bordão histórico
JORNAL NACIONAL
EMISSORA – Globo
ANO – 1969
POR QUE É BOM – Foi o primeiro telejornal ao vivo e em rede. No começo, ele ainda não era “nacional” – só era exibido para Brasília e oito estados do centro-sul. Na década de 1970, passou a atingir todo o país e tornou-se uma referência copiada por outras emissoras
VOCÊ SABIA? – O primeiro programa, de apenas 15 minutos, foi apresentado por Hilton Gomes e Cid Moreira. Cid, aliás, ficou à frente do JN durante 27 anos, até 1996
GLOBO REPÓRTER
EMISSORA – Globo
ANO – 1973
POR QUE É BOM – Inspirado no programa 60 Minutos, da emissora americana CBS, o Globo Repórter trouxe ao Brasil o formato de reportagens longas com linguagem e tecnologia cinematográfica, como nos documentários
VOCÊ SABIA? – A canção-tema do programa é “Freedom of Expression”, composta pelo desconhecido grupo JB Pickers. Ela aparece na trilha do filme cult Corrida contra o Destino, de 1971
O BEM-AMADO
EMISSORA – Globo
ANO – 1973
POR QUE É BOM – Escrita por Dias Gomes, O Bem-Amado foi a primeira novela em cores da TV brasileira e pioneira em utilizar elementos da cultura nacional na caracterização dos personagens. O sotaque baiano do prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) fez escola
VOCÊ SABIA? – A novela é uma adaptação da peça Odorico, o Bem-Amado, do próprio Dias Gomes. O autor incluiu novos personagens e tramas para preencher os 175 capítulos
ROQUE SANTEIRO
EMISSORA – Globo
ANO – 1985
POR QUE É BOM – Com uma novela repleta de personagens bizarros – tinha até lobisomem! -, Dias Gomes usou o humor para criticar a Igreja, o coronelismo e a corrupção dos políticos. O último capítulo atingiu quase 100% de audiência, um recorde até hoje
VOCÊ SABIA? – A primeira versão de Roque Santeiro, de 1975, foi proibida de ir ao ar pela censura quando já tinha 36 capítulos gravados
ARMAÇÃO ILIMITADA
EMISSORA – Globo
ANO – 1985
POR QUE É BOM – Esse seriado jovem inovou ao misturar aventura, humor e cultura pop nas tramas. Tudo embalado por uma edição super-rápida, no estilo dos videoclipes
VOCÊ SABIA? – O seriado era produzido com uma única câmera. Cada capítulo levava doze dias para ser gravado. A idéia original da série foi apresentada à Globo pelos dois heróis da trama – Juba e Lula, ou melhor, os atores Kadu Moliterno e André de Biasi
ANOS DOURADOS
EMISSORA – Globo
ANO – 1986
POR QUE É BOM – Ambientada nos anos 50, Anos Dourados ousou ao tratar de temas tabus como virgindade, aborto, masturbação e infidelidade. Até há pouco tempo, a série era uma das mais requisitadas pelos telespectadores para ser reexibida pela Globo
VOCÊ SABIA? – A canção de abertura apareceu em versão instrumental porque a letra composta por Tom Jobim e Chico Buarque só ficou pronta quando terminou o programa
TV PIRATA
EMISSORA – Globo
ANO – 1988
POR QUE É BOM – Porque revolucionou o humor brasileiro ao lançar mão do nonsense e do besteirol para fazer graça na TV. Um elenco estelar, que incluía Cláudia Raia, Marco Nanini e Diogo Vilela, zoava tudo e todos, até os próprios programas da poderosa Globo
VOCÊ SABIA? – A equipe de redatores do programa incluía os sete integrantes do grupo humorístico Casseta & Planeta, além dos atores Luís Fernando Veríssimo e Patrícia Travassos
ANOS REBELDES
EMISSORA – Globo
ANO – 1992
POR QUE É BOM – Retratando o período turbulento da ditadura militar nos anos 60 e 70, Anos Rebeldes influenciou a vida real. Os protestos mostrados na telinha inspiraram as passeatas dos “caras-pintadas”, que em 1992 pediam o impeachment do presidente Collor
VOCÊ SABIA? – O autor Gilberto Braga confessou que se considerava “politicamente alienado” quando jovem, na época em que se passam os acontecimentos da trama
CASTELO RÁ-TIM-BUM
EMISSORA – TV Cultura
ANO – 1994
POR QUE É BOM – Essa série infantil usou animação, bonecos, efeitos especiais e canções para tratar de cidadania, ciências, história e matemática. A experiência foi um sucesso e Castelo faturou vários prêmios em festivais internacionais de TV
VOCÊ SABIA? – O diretor era Fernando Meirelles, indicado ao Oscar de melhor diretor em 2004 pelo filme Cidade de Deus
por Cíntia Cristina da Silva

Entre babaçus , mulheres e outras necessidades.

A política realmente é uma coisa dinâmica, surpreendente, uma caixinha de surpresa.
Durante alguns meses venho acompanhando a coluna do Donizete Arruda, no Jornal do Cariri, até então o jornalista vinha criticando a morna presença de Mara Guedes como vereadora,para quem esperava uma Mara combativa e de oposição clara, ficou muito a desejar, mas essa semana as coisas mudaram.
O Jornal do Cariri dessa semana tem no editorial e na coluna de Donizete uma franca homenagem a vereadora, até ai tudo bem, a vereadora apresentou um projeto pela preservação do coco babaçu,que foi aprovado pela Câmara, causa interessante e de relevância, mas a minha estranheza e que não foi pelas causas ambientalistas que a nobre vereadora foi eleita, mas sim para ser uma porta-voz dos direitos das mulheres.
Mas vamos adiante quem sabe depois do espírito Greenpeace, a vereadora não se lembre que quem votou nela acreditava que ela iria lutar por direitos que não são respeitados.
Em tempo, não sou contra a preservação da fauna e da flora, mas nesse momento o que tem que ser preservado são as bases , a confiança de quem votou e espera por leis que favoreça uma vida melhor.

Alessandra Bandeira

Perfil de Patativa do Assaré

Dimas Macedo

Nasci em 1956, na região Centro-Sul do Ceará, quase em confluência com o Cariri cearense e à relativa distância da cidade de Assaré, terra natal de Patativa. Sou produto, portanto, do grande sertão e acho, sinceramente, que fui ungido pelo signo que marcou a estréia de dois gigantes da literatura brasileira do século precedente.
1956, não podemos esquecer, é o ano da publicação de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, e de Inspiração Nordestina, de Patativa do Assaré. O que une estes dois escritores e o que os consagra é a originalidade com que recriaram, com linguagem nova, a ciranda das palavras, a partir da memória e da oralidade, valores com os quais o sertão sempre se reveste.
Se Riobaldo constitui o idioma poemático de Rosa e o engenho da sua versão encantatória do mundo, Patativa do Assaré é, ele próprio, um conjunto de engenhos e personas e de representações pragmáticas que empresta voz aos excluídos: um Riobaldo castigado pela inclemência das secas, a lapidar o ouro das palavras e a reconstruir o chão da esperança.
Assim como o autor de Sagarana, Patativa do Assaré inventou uma linguagem e um estilo literário próprios e criou um dialeto linguístico de raízes predominantementes sertanejas, ligadas à oralidade e ao cancioneiro, lembrando, neste ponto, a constituição da língua brasileira, fundada por José de Alencar. E nisto, com certeza, reside a genialidade múltipla e singular da sua produção artesanal.
Patativa é, a seu turno, a encarnação viva do sertão, a palavra enquanto instrumento de denúncia, a significação sinfônica do silêncio, a oralidade que mapeia e ordena a literatura e a gramática que se fazem, por fim, transmutadas ao campo da escrita.
Conta o poeta Patativa que, aos oito anos, ouvindo a melodia e o gorgeio dos pássaros, despertou definitivamente para os grandes sentidos da palavra e da sua existência no mundo, pois que a natureza possui uma lei eterna e infalível e que aos deuses e poetas é facultada a criação enquanto princípio de interpretação de todas as coisas existentes.
O homem, com certeza, não é grande pela sua erudição ou pela sua razão ou pela capacidade de domínio com que enfrenta as convenções e se adapta à liturgia do poder. Ele é eterno, ao contrário, pela fundação da sua verdade pessoal e pela formação do seu mito face aos desafios da realidade que lhe é circundante.
Se Rosa deu voz a Riobaldo e Riobaldo deu voz ao sertão dos tangedores de gado e bandoleiros do Meridional, Patativa do Assaré falou, com destemor e bravura, de homens e mulheres imantados ao chão do latifúndio e excluídos do processo político e social.
Não foi, como pensam certos setores da cultura livresca e acadêmica, um poeta ingênuo e apartado dos valores da língua e da gramática. Estudou manuais de versificação, soube aceitar a cegueira completa de um olho, aos cinco anos de idade, como sinal do destino ou da predestinação que faria dele uma espécie de Camões sertanejo ou, melhor dizendo, um Homero do semi-árido nordestino.
Em Castro Alves viu a expressão maior da poesia do Brasil. Apaixonou-se, desde cedo, pelo social. Tornou-se, com o tempo, um homem destemido e exasperadamente verdadeiro e sincero. Proclamou a verdade e a justiça como paradigmas. Foi atingido pela repressão e a censura. Foi detido por questionar, em versos de bom feitio literário, a legitimidade de certo gestor da sua terra. E foi um defensor exaltado da poesia como valor maior da sua passagem entre nós. Fez da denúncia o seu apostolado e dos seus recursos vocais e estilísticos a expressão maior do seu alto poder de criação.
Foi um prodigioso memorialista e um político sutil e maneiroso das reinvidicações da cearensidade e da nordestinidade sertanejas. Lutou pela Anistia e as Diretas, opôs-se ao poder oficial, e apoiou, no Ceará, a luta pela modernidade da política e do governo, fazendo, por fim, de Assaré, o maior e o mais astucioso atalho do sertão.
Memorizou e fez a melodia de quase uma dezena de poemas que foram musicados e que se tornaram bastante conhecidos no Brasil. Gravou, com a sua voz de passarinho, uma meia dúzia de discos e CDs. E se fez partícipe, como arranjador ou letrista, de outros cinquenta discos e compactos. Foi ator de novela e de cinema, declamador da radiofonia, cantador de viola, cordelista, sonetista e improvisador de apurada técnica literária.
Sobre ele foram escritos diversos livros e opúsculos e, bem assim, teve a sua obra estudada em variadas teses e ensaios. Mas Patativa, é certo, apesar de conhecer diversos estados do Brasil, sempre viveu em Assaré, onde nasceu aos 5 de março de 1909 e onde faleceu aos 8 de julho de 2002.
Teve não mais que quatro meses de escolaridade. Sobreviveu do plantio de grãos e da lavoura da terra. Sempre botou roças no inverno e, nos anos de seca, passou necessidades e agruras e militou, durante toda a vida, em soberano estado de pobreza. Quando largou a viola, em 1962, os emblemas da voz e da palavra ritmada passaram a ser o ganha-pão.
Não cantou os seus males pessoais, nem as suas desditas, nem o seu penar. E não vangloriou a sua condição de mito ou poeta de projeção nacional.
Rejeitado pela cultura letrada da Academia, tornou-se, em Fortaleza, nome de um Centro Acadêmico de uma Faculdade de Letras, no contexto da UFC. O seu nome não consta nos compêndios oficiais da literatura cearense, mas o seu cânon é um dos mais apreciados do Brasil. É um dos poetas que mais vendem livros entre nós, ao lado, talvez, de Castro Alvos e de Drummond. A Editora Hedra, de São Paulo, já republicou quase todos os seus livros. E a Editora Vozes, de Petrópolis, já reeditou uma quinzena de vezes o seu Cante Lá Que Eu Canto Cá, com milhares de exemplares vendidos em todos os recantos do Brasil.
A Academia Cearense de Letras não o elegeu para os seus quadros e o teve sempre na linha da poesia popular, julgada, pelos homens do fardão acadêmico, de extração inferior. As Universidades cearenses, inicialmente e durante toda a sua vida, se mantiveram longe do seu nome; mas, quando ele passou a ser traduzido e estudado em Universidades francesas e inglesas, resolveram lhe conferir honras acadêmicas. Se tornou Doutor Honoris Causa em quatro dessas instituições. Mas nesta ordem, necessariamente: primeiro os leitores, em seguida a mídia, depois as medalhas e o coroamento oficial e, por último, a distribuição das láureas acadêmicas.
Patativa, no entanto, é muito maior do que isto. É um gigante das letras e um grande poeta da tradição popular ocidental. A sua poesia se impõe. A sua expressão cultural sempre se levanta. E a sua melodia é a costura precisa com que ele se anuncia músico. E expõe a sua condição de oráculo. É o arauto maior do nosso povo e a síntese de tudo o que veio antes dele, em termos de cultura sertaneja e de representação dos excluídos que nunca poderam falar.
Antônio Gonçalves da Silva é o seu nome. O lugar em que nasceu chama-se Serra de Santana, a dezoito quilometros do centro de Assaré. Seus pais eram agricultores. Viviam do plantio e da lavoura da terra. E assim também seus irmãos e seus familiares. Casou-se com uma parenta, dona Belarmina Paes Cidrão, e tiveram, em comum, uma boa ninhada de filhos.
Aos vinte anos, levado por um primo, fez uma viagem ao Estado do Pará, onde viveu de cantorias e arribações, sendo, pelo folclorista cearense, José Carvalho de Brito, ali residente, cognominado de Patativa. Brito o devolveu ao Ceará, com carta de apresentação a Juvenal Galeno. Foi aplaudido em Fortaleza, mas o destino o levou de volta para o sertão do Ceará.
Recolheu-se na Serra de Santana e em Assaré entre 1930 e 1945, aproximadamente. Seu nome se espalhou pela serra e pelo vale, ganhou o sertão dos Inhamuns e desceu soberano pelas águas mansas do rio Jaguaribe. Cantou, de viola em punho, em cidades vizinhas e adotou, como pseudônimo, aquele pelo qual se tornou universalmente conhecido – Patativa do Assaré, tamanha a revoada de Patativas, nessa época, por todo o Ceará.
Em 1955, foi ouvido por um velho e bom intelectual do Ceará, radicado no Rio, José Arraes de Alencar, quando declamava, na Rádio Araripe do Crato, os seus poemas de expressivo gosto musical. Nasceu, a partir deste fato, o poeta com direito a livro publicado. Inspiração Nordestina, de 1956, é, portanto, o seu primeiro livro de poemas.
O segundo viria em 1970. Não um livro autoral do próprio Patativa, mas um conjunto de poemas organizado pelo folclorista J. de Figueiredo Filho – Patativa do Assaré: Novos Poemas Comentados.
Em 1978 vem a lume o seu livro mais conhecido – Cante Lá Que Eu Canto Cá, publicado pela Editora Vozes, de Petrópolis, em convênio com a Fundação Padre Ibiapina, do Crato, com apresentações de Plácido Cidade Nuvens e do Padre Francisco Salatiel de Alencar.
Ispinho e Fulô seria a sua próxima coletânea de poemas, organizada por Rosemberg Cariri e publicada em 1988, com apresentação e estudo-reportagem do próprio Rosemberg, que produziu, sobre o poeta, documentários importantes no campo das artes visuais.
O que veio em seguida, em matéria de livros, está condensado nos seguintes títulos: Aqui Tem Coisa, publicado em 1994, pela Secretaria de Cultura do Estado, e Cordéis (Fortaleza, Editora da UFC, 1999), reunião, em único volume, do básico que foi produzido nessa área pelo grande poeta cearense. Devemos a Gilmar de Carvalho, o maior estudioso da sua vida e da sua produção, a organização desse livro-monumento, que foi adotado, como livro-texto, em vestibulares da UFC.
A fortuna crítica de Patativa do Assaré é imensa e diversificada. Existem altos e baixos nessa produção. Aponto o volume de Plácido Cidade Nuvens – Patativa do Assaré e o Universo Fascinante do Sertão (1995) como ponto de partida, pois é um livro de comentários fabulosos e impressionistas onde se ouve a voz do coração. O livro segue a tradição dos estudos caririenses sobre o poeta, a começar por J. de Figueiredo Filho (1970) e que tem prosseguimento com Francisco de Assis Brito, com seu conjunto de ensaios – O Metapoema em Patativa do Assaré: Uma Introdução ao Pensamento Literário do Poeta (1984).
Outro roteiro interessante sobre Patativa é o que se acha condensado em O Poeta do Povo: Vida e Obra de Patativa do Assaré, de autoria de Assis Ângelo, acompanhado de um CD com poemas declamados pelo poeta (São Paulo, CPC-Umes, 1999). Este livro, de formato gráfico belíssimo, pode e deve ser lido paralelamente com o suporte da antologia de Sylvie Debs – Patativa do Assaré: Uma Voz do Nordeste (São Paulo, Editora Hedra, 2000), no âmbito da coleção Biblioteca de Cordel e cujo estudo que a antecede eu igualmente recomendo.
Gilmar de Carvalho publicou a melhor e a mais extensa entrevista concedida pelo poeta – Patativa Poeta Pássaro do Assaré (2000) e é autor do eruditíssimo e bem concatenado livro de ensaios e estudos – Patativa do Assaré: Pássaro Liberto, editado pelo Museu do Ceará, em 2002. Organizou também a melhor e a mais criteriosa antologia poética do autor, publicada em Fortaleza, em 2001, pelas Ediçoes Demócrito Rocha. Em 2000 deu à lume um precioso livro de bolso, contendo uma síntese didática e pedagógica em torno da vida e da obra do poeta.
Tadeu Feitosa, professor da UFC e jornalista, é o organizador do bonito álbum de textos e fotografias do poeta e do seu entorno sertanejo, publicado pela Editora Escrituras de São Paulo, em 2001. E é autor, por igual, do ensaio crítico-interpretativo do poeta, intitulado Patativa do Assaré: A Trajetória de um Canto, também da Editora Escrituras (2005), que é, no caso, a sua tese de Doutorado em Sociologia.
O livro de Cláudio Henrique Sales Andrade, As Razões da Emoção: Capítulos de uma Poética Sertaneja (Fortaleza, Editora da UFC, 2004), é o resultado de uma Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Trata-se de um ensaio instigante e muito bem fundamentado em torno da poética de Patativa e da sua grande autenticidade. Uma leitura crítica, por assim dizer, tecida com as luzes da razão e da sensibilidade, acompanhada de uma pesquisa de campo que nos encanta com a sua riqueza. Um livro para ser lido e intuido, pensado e degustado como todas as boas iguarias que somente o sertão sabe oferecer.
A despeito das reclamações de Gilmar de Carvalho, de que o poeta foi esquecido pelos reelaboradores da nossa historiografia literária, alguns passos, pelo menos, foram dados neste campo: Oswald Barroso e Alexandre Barbalho incluíram Patativa na antologia – Letras ao Sol (Fortaleza, Edições Demócrito Rocha, 1998), o que já é um avanço.
Em 2001, Patativa viria a figurar na coletânea – Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século, organizada por José Nêumane Pinto e publicada pela Geração Editorial, de São Paulo. E em 2006, passou a fazer parte da Coleção Os Melhores Poemas, da Editora Global, também de São Paulo, o que já é uma consagração. A antologia, organizada por Cláudio Portela, é uma das mais volumosas dessa coleção, e é antecedida de uma introdução bastante apressada e resumida, mas o roteiro de fontes, no final do volume, é razoavelmente bem pesquisado, apesar da confusão metodológica em que se enreda o organizador, que foi prejudicado, acredito, pelo suporte técnico e revisional da Editora.
Antes, em 1989, no meu livro A Metáfora do Sol, no âmbito do ensaio – “Sobre a Formação das Letras Cearenses” – , eu já havia, pioneiramente, arrolado o poeta Patativa qual um nome emblemático da literatura que se produziu no Ceará, isto é, da literatura cearense tomada a partir da sua evolução e abrangência histórica.
Ali divisei em Patativa a grande voz social da poesia cearense e também me referi à ressonância nacional da sua poesia. E registrei, ademais, que os seus livros “são atestados inequívocos da afirmação de um poeta de quem todo o Ceará se orgulha e em cuja obra o Ceará se vê também retratado”.
Por fim, faço minha as palavras de Gilmar de Carvalho, no sentido de que “Patativa do Assaré é a grande voz da poesia do Brasil”, não sei se “de todos os tempos”, mas, com certeza, a voz mais legítima, a mais expressiva e aquela em que a verdade e a justiça, a língua e a cultura melhor se encontram, em busca de um sentido novo para a identidade mais profunda do Brasil. Refiro-me ao Brasil que as elites tentaram dizimar mas nunca conseguiram, porque não somos, em essência, um Estado sem nação, e porque a nação é o pluralismo de suas etnias e o somatório das suas diferenças.

Dimas Macedo
[email protected]

Projeto de lei Buarque

Projeto lei – Buarque
Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em Escolas públicas.
Uma idéia muito boa do Senador Cristovam Buarque.Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública.
As conseqüências seriam as melhores possíveis.
Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública,
a qualidade do ensino no país irá melhorar.
E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.
SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM.
Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país.
O PROJETO PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166

Eleita Coordenação do Coletivo Camaradas.

Assembléia do Coletivo Camaradas elege Coordenação Executiva. No dia 04 de Julho,ocorreu na sede do Projeto Nova Vida, na Comunidade do Gesso, no Crato. Após a Assémbleía, os “Camaradas” fizeram a exibição do documentário produzido na comunidade intitulado “Cabáre Memórias de uma vida”.
A Coordenação continuará com os trabalhos que estão em andamento, como o documentário do Pau da Bandeira de Barbalha, além de novos projetos que estão em fase de elaboração e desenvolvimento, como é o caso do “Coletivo na Periferia”, que visa desenvolver ações de artes nas comunidades e produção de documentários.

Coordenação Executiva:

Alexandre Lucas Silva – Coordenador geral
arte-educador, artista visual, pedagogo

Ilaina Damasceno Pereira – Coordenadora de Projetos

Professora Mestre em Geografia Humana e pesquisadora

Maria de Fátima Gomes dos Santos – Coordenadora de Cultura
Academica de Pedagogia, cantora e pesquisadora sobre Música e Gênero

Michael Marques – Coordenador de Finanças
Poeta, Academico do Curso de Ciências sociais e pesquisador

Alessandra Bandeira – Coordenadora de Comunicação
Atriz, historiadora, sociologa,fotografa e pesquisadora

ARTE DIGITAL Por Leo Dantas

Arte digital é aquela produzida em ambiente gráfico computacional. Utiliza-se de processos digitais e virtuais. Inclui experiências com net arte, web arte, vídeo-arte, etc. Tem o objetivo de dar vida virtual as coisas e mostrar que a arte não é feita só a mão. Existem diversas categorias de arte digital tais como pintura digital, gravura digital, programas de modelação 3D, edição de fotografias e imagens, animação, entre outros. Os resultados podem ser apreciados em impressões em papéis especiais ou no próprio ambiente gráfico computacional. Vários artistas usam estas técnicas. Ao contrário dos meios tradicionais, o trabalho é produzido por meios digitais. A apreciação da obra de arte pode ser feita nos ambientes digitais ou em mídias tradicionais. Atualmente existem algumas comunidades virtuais voltadas a divulgação da Arte Digital, a maior e mais conhecida é o Deviantart.

Arte Digital desenvolvida através de manipulação de fotografia utilizando-se de software free distribuido em sites na internet.

Nome do trabalho : Cacos
Autor: Leo Dantas
Fotografia original copilada do site olhares.com de autoria da fotógrafa Arlinda Mestre.

Mais informações sobre arte digital no blog http://intervencaocultural.blogspot.com

Aguardo lá com mais informações sobre arte e cultura, música alternativa e muito mais.

Leo Dantas