A perda da consciência do tempo histórico.

Em sua obra, O desafio e o fardo do tempo histórico: o socialismo no século XXI. São Paulo: Boitempo, 2007, o filósofo István Mészáros aborda o problema da perda da consciência do tempo histórico. 

Para Mészáros, um exame dos desenvolvimentos teóricos do último século e meio revela que a concepção histórica ilustrada da tradição filosófica burguesa deu lugar ao ceticismo e ao pessimismo, cada vez mais difundidos. Todas as conquistas genuínas da tradição do Iluminismo no campo da teoria da história foram completamente subvertidas: no Iluminismo procurou-se traçar uma linha significativa entre a natureza que rodeia o ser humano e o mundo da interação societária produzido pelo homem, para tornar inteligíveis as especificidades, regidas por regras, do desenvolvimento sócio-histórico que emergem da busca dos objetivos humanos.

Levarmos em conta que a difusão do pessimismo e do ceticismo é atuante e desagregadora é o primeiro passo para refutarmos a idéia do presente eterno contida muitas vezes nessas duas posturas.   

A História tem um caráter radicalmente ilimitado, onde é repelido todo o desfecho ideológico determinista. Todo processo e estágio específico levado a cabo pela determinação histórica é apenas histórico. 

Para o professor Mészáros, houve nas últimas décadas um trinufalismo e a celebração das virtudes míticas de uma sociedade de mercado idealizada. Foi feito um uso propagandístico apologético a que serviu o conceito de um mercado totalmente fictício e o “fim da história” sob a hegemonia nunca mais desafiável dos princípios capitalistas liberais.

Mais eis que a História prega uma peça e insiste em se afirmar e mostrar a todos a que tentativas grosseiras de parar o relógio do tempo são infrutíferas.  “Tudo o que é sólido desmancha no ar”não é apenas um slogan. 

A aposta na máxima kantiana da “política moral” combinada com a ação de um “espírito comercial” não atingiu o que seus apologistas esperavam.
 
O ponto de vista do capital é outro, porém, as condições de atuação que se colocam nos dias atuais trazem problemas que se agudizam: irreformabilidade, incontrabilidade e destrutividade.  

Alcançar a consciência do tempo histórico em que vivemos é um passo que devemos dar na conquista da plena cidadania. 
 

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