Arquivos mensais: outubro 2008

Cais do Porto e Karine Cunho no Sesc Crato

Nesta quinta-feira, dia 23, a partir das 20 horas, auditório do Sesc Crato

Pela primeira vez a cidade do Crato receberá a cantora e compositora gaúcha, Karine Cunha. Selecionada pelo edital do Banco do Nordeste, ela vem ao Cariri apresentar o show Epahei! No repertório composições próprias, na sua maioria gravadas no seu mais recente CD, segundo da carreira que já no título faz uma homenagem a cultura afro-brasileira: Epahei! É o grito de Iansã no idioma yorubá, saudação a deusa dos ventos e tempestades. Nas letras, Karine exalta a figura do negro, explora as lendas dos orixás, deuses africanos muito conhecidos no Brasil como Iemanjá, Ogum (São Jorge pelo sincretismo), entre outros. Mas também há canções que falam de amor como Fascinio de Luna, um bolero estilizado com letra em espanhol; Viração, que traz um ritmo muito conhecido no Sul do país o chamamé mas tocado no cavaquinho, o que faz dele algo ainda mais inusitado. Também no repertório poemas musicados e entre eles “Por Gentileza” do cearense Alan Mendonça, com quem Karine já tem mais de dez parcerias e “Bilhete” poema do gaúcho Mario Quintana.
Haverá na oportunidade performance poética do Cais do Porto.

Em volta do fogo

O Narrativas em volta do fogo, evento que acontece uma vez ao mês na Praça Verde do Centro Dragão do Mar, conta agora com um blog:

http://narrativasemvoltadofogo.blogspot.com/

Nele você poderá conhecer melhor o Narrativas através de fotos e vídeos de eventos passados. Se você já participou, sentado em almofadas sobre a grama, contemplando a fogueira e o céu noturno, leve seu computador até a varanda, deite numa almofada e reviva o momento, apreciando o vídeo e as estrelas que transitam pelo céu.

Serviço:
Mediação de Saberes
[email protected]
Rua Nogueira Acioly, 171, Centro, 60 110-140
[85] 3252 8399 / [85] 3252 8399 / [85] 8879 0227

Lançamento Interventivo

“o livro da chuva”

de José leite netto

27 de novembro – Mercado dos Pinhões.

Data: 27 de novembro

Horário: 19:30

Local: Mercado dos Pinhões

Intervenção estética de elásticos e guarda-chuva;
Performance interventiva da artista plástica: Lucíola Feijó. Título: Instrumento Masculino.

Mostra dos vídeos, GPB e P. Iracema ( inspirado no poema) A Puta
Apresentação da banda Renegados;

Opiniões

José Leite Netto preferiu usar a forma fixa do soneto, sem atentar para a divisão silábica – o que se constitui de uma transgressão. Entretanto, sua transgressão é

contida, pois não se livrou da rima. Pelo contrário, ele faz tudo para encontrá-la. Isto é os sonetos irregulares são regulares na rima. Querer “destruir” o soneto é coisa de revolucionário. Os grandes poetas pos-modernistas se dedicaram ao soneto e o fizeram com êxito. Em seus versos há lamentos, reclamações. Todos os temas da poesia estão presentes em seus poemas: amor, desamor, solidão. Sentimentos do homem comum de todos os temos e de todas as latitudes. Chama a atenção do leitor para a recriação de mitos gregos, presentes em quase todos os poemas. Transpostos para o aqui e o agora. Perceberá ao leitor mais crítico pura demonstração de erudição. Certamente se trata

de um gosto apenas. Como há gosto por termo mais vulgar.

Nilto Maciel

Sempre achei que você é mais poeta que prosador.

Seu poema está ótimo e lembra as velhas torres de marfim

que os cânones tinham mania de se isolar para produzir suas obras.

Coisas de Parnasianos. Em contrapartida, lembram os olhos

e o corpo da mulher amada dilacerados pela dor/prazer que o gozo

produz. E viva a torre de Babel, tantas línguas e tantos povos a copular

sob os olhos de um deus que os castigou.

O amor livre se foi e a tal fidelidade se tornou obrigação entre os povos.

Fidelidade? Somos isso?

Túlio Monteiro

O trabalho de José Netto surge com a função de resgatar o histórico do Brasil dos excluídos. Ao retratar a realidade de Canudos através de sua ficção, o poeta reacende a critica. A luta por terra e pelo direito a ela. No texto do autor reconstruímos através da leitura a saga do início ao fim de Canudos. Isso já tinha sido feito antes pelo grande Euclides da Cunha, mas o que essa releitura nos traz é a visão de um menino-homem que amadurece dentro do conflito de Canudos. O escritor nos entrega o relato emotivo de Canudos não idealizado, mas sim sofrido do sertão agreste que todos nós sabemos ou deveríamos saber.

Marcio Araujo

Data: 27 de novembro

Horário: 19:30

Local: Mercado dos Pinhões

SINERGIA – 3ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA

3er Festival Internacional de Cine
3rd Internacional Film Festival

A Mostra Sinergia é um projeto de difusão da linguagem audiovisual no contexto universitário, que visa estimular a criação de produtos audiovisuais nas faculdades, que são o campo ideal para a prática do cinema.

INSCRIÇÕES 2008 ABERTAS:
Envie seu vídeo em formato DVD e a ficha de inscrição preenchida para:

SINERGIA 2008
CAIXA POSTAL: 5034
CEP: 29045-970
Vitória – ES

Ficha de Inscrição 2008 DISPONÍVEL:
http://www.sendspace.com/file/kh3a6m

REGULAMENTO DISPONÍVEL:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=40490514&tid=2584413288866241760&start=1

ESTE ANO, TEREMOS PALESTRAS COM OS DIRETORES DANIEL SALAROLI E CAETANO GOTARDO, LEONARDO BRANT, FABIO CESNIK E OS CINEASTAS ERYK ROCHA E PEDRO PAULO ROCHA.

SINERGIA 2006 – ASSISTA
http://www.youtube.com/watch?v=3OkEzBiwbHs

Manifesto da Mídia Livre

Manifesto da Mídia Livre

 

Pelo fortalecimento da mídia livre, por políticas públicas democráticas de comunicação e pela realização da Conferência Nacional de Comunicação

 

Brasil, outubro de 2008.

 

O setor da comunicação no Brasil não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Tal conjuntura é uma das responsáveis pelo não crescimento democrático do país, impedindo que se torne socialmente mais justo.

 

A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos.

 

Não é mais possível aceitar que os movimentos sociais, protagonistas de muitos dos nossos avanços democráticos, sejam sistematicamente criminalizados – sem defesa, espaço ou meios para responder –, pela quase totalidade dos grupos midiáticos comerciais. Não se pode mais aceitar que, numa sociedade que se almeja democrática, apenas as idéias e informações ligadas aos interesses políticos e econômicos de pequenos grupos tenham expressão pública. Tal cenário nega o direito de todas e todos a ter acesso ao contraditório, violando o direito à informação dos cidadãos.

 

Um Estado democrático deve assegurar que os mais distintos pontos de vista tenham expressão pública, situação tão distante da realidade em nosso país. No Brasil, menos de uma dezena de famílias controla a quase totalidade dos meios de comunicação, numa prática explícita de monopólios e oligopólios – que seguem sendo realidade, embora proibidos pela Constituição Federal.

 

Ainda segundo a Constituição, deve-se criar um amplo e diversificado sistema público de comunicação, produzido pelo público, para o público, com o público. Um sistema que ofereça à sociedade informação jornalística e programação cultural-educativa para além da lógica do mercado, sintonizadas às várias áreas do conhecimento e à valorização da produção regional e independente.

 

Por fim, um Estado democrático precisa defender a verdadeira liberdade de expressão e de acesso à informação, em toda sua dimensão política e pública. Um avanço que acontece, essencialmente, quando cidadãs e cidadãos, bem como os diversos grupos sociais, têm condições de expressar suas opiniões, reflexões e provocações de forma livre, e de alcançar, de modo equânime, toda a variedade de pontos de vista que compõe o universo ideológico de uma sociedade.

 

Para que essa luta democrática se fortaleça, apresentamos a seguir propostas debatidas e aprovadas entre os cerca de 400 participantes do 1° Fórum de Mídia Livre, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro nos dias 14 e 15 de junho de 2008.

 

Ficam estabelecidos os seguintes compromissos:

 

1.    Promover uma campanha e mobilização social pela democratização das verbas publicitárias públicas, com a realização, entre outras, das seguintes ações:

 

– Desenvolvimento, pelo Fórum de Mídia Livre e organizações parceiras, de critérios democráticos e transparentes de distribuição das verbas públicas que visem à democratização da comunicação e que se efetivem como legislação e políticas públicas

 

– Proposta de revisão dos critérios e “parâmetros técnicos de mídia” (tais como custo por mil etc.) utilizados pela administração pública, de forma a combater os fundamentos exclusivamente mercadológicos e viabilizar o acesso a veículos de menor circulação ou sem verificação

 

2.    Contribuir na promoção de outras políticas públicas de incentivo à pluralidade e à diversidade por meio do fomento à produção e à distribuição;

 

3.    Cobrar do Executivo federal que convoque e dê suporte à realização de uma Conferência Nacional de Comunicações nos moldes das conferências de outros setores já realizadas no país.

 

4.    Lutar pelo estabelecimento de políticas democráticas de comunicação, na perspectiva de um novo marco regulatório para o setor que inclua um novo processo de outorga das concessões, a democratização e universalização da banda larga e a adoção do padrão nacional nos sistemas brasileiros de TV e rádio digital, além do fortalecimento das rádios comunitárias.

 

5.    Criar uma ferramenta colaborativa que reúna diversas iniciativas de mídia livre e contemple a diversidade de atuação dos veículos e dos midialivristas, em formato a ser aprimorado nos próximos meses pelo grupo de trabalho permanente e aprovado no próximo Fórum de Mídia Livre;

 

6.    Mapear as diversas iniciativas da mídia livre visando o conhecimento sobre a realidade do setor e o reconhecimento dos diversos fazedores de mídia;

 

7.    Propor a implementação de pontos de mídia, como política pública, integrados e articulados aos pontos de cultura, veículos comunitários, escolas e ao desenvolvimento local, viabilizando, por meio de infra-estrutura tecnológica e pública, a produção, distribuição e difusão de mídia livre;

 

8.    Buscar espaços para exibição de conteúdo produzido por movimentos sociais na TV pública;

 

9.    Incentivar a consolidação de redes de produtores de mídia alternativa, a começar da comunicação interna (listas de discussões) e externa (portal na web) dos próprios integrantes do Fórum de Mídia Livre, que deve funcionar como rede flexível, difusa e permanente;

 

10.   Estimular a criação e fortalecimento de modelos de gestão colaborativa das iniciativas e mídias, com organização não-monetária do trabalho, por meio de sistemas de trocas de serviço.

 

Em função destes compromissos, nos propomos a:

 

— realizar encontros de mídia livre em todos os estados brasileiros no segundo semestre de 2009;

 

— realizar um Fórum de Mídia Livre de alcance Latino-Americano ou mundial em Belém, às vésperas do Fórum Social Mundial, em janeiro de 2009;

 

— realizar no 2º semestre de 2009 o II FML Brasil, com indicativo de Vitória (ES) como sede;

 

— somar-se às entidades de luta pela democratização na luta por uma conferência ampla, democrática e descentralizada, passando a integrar a Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação;

 

— envolver os movimentos sociais nas ações pelo fortalecimento da mídia livre;

 

— agendar em âmbito federal, estadual e municipal reuniões com o Poder Executivo, Legislativo e Judiciário para apresentar as reivindicações tiradas no Fórum;

 

— criar o selo Mídia Livre para estar em todos os veículos, blogues etc. que se identificam e reconhecem como mídia livre;

 

— realizar ato público de rua em Brasília, com pauta e mobilização conjunta com outros movimentos da comunicação e outros movimentos sociais, articulado com a entrega do manifesto aos três poderes, como parte de semana de mobilização que contará também com ações de guerrilha midiática e viral.

 

Fórum de Mídia Livre

Vote contra a Homofobia

Acesse o site http://www.naohomofobia.com.br/ e vote contra a Homofobia.

Cidadania digital: a campanha publicitária Não à Homofobia

A Campanha da 13ª Parada do Orgulho LGBT-Rio 2008, que acontece no dia 12 de outubro e é organizada pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, pretende ser um canal de divulgação, pressão e mobilização social, pela aprovação do PLC 122/06 – criminalização da homofobia. Este tema, que já havia sido discutido na edição passada da Parada do Orgulho LGBT – Rio, volta à tona e traz à causa mais ênfase, com a criação deste site, materiais gráficos e um conjunto de eventos no Rio e em várias partes do Brasil, que chamam à participação ativa da população para votar a favor da criminalização da homofobia. O site deverá ficar ativo pelos próximos seis meses, com o objetivo de mobilizar as pessoas, trazer a discussão da violência contra o público LGBT. A campanha estampa manequins com as marcas da homofobia.

O conceito

Desenvolvida pelas agências Indústria Nacional Design e Dialogo Design, a idéia foi criar uma campanha que pudesse impactar a sociedade, mostrar a conseqüência da violência contra LGBT, mas sem retratar pessoas, fazendo isso de maneira sensível, criativa e inovadora. Daí, veio a idéia de usar manequins que têm uma expressão sem brilho, mas refletem justamente o que uma pessoa sente quando ela é agredida por sua orientação sexual ou identidade de gênero: apanha simplesmente por existir. No fim, parece que os manequins ganharam vida e a imagem faz refletir sobre todo tipo de violência.

As metas

Além de esclarecer sobre o PLC e desfazer boatos e inverdades de setores fundamentalistas e conservadores, o ponto de partida é arrecadar mais de 1 milhão de assinaturas eletrônicas, durante seis meses da campanha.

Ampliar a rede de mobilização nacional pela aprovação do PLC 122/06 e contribuir para o intercâmbio de ações de diversos agentes pró-lei, como Organizações do Movimento LGBT, entidades de promoção dos direitos humanos e combate a discriminação, acadêmicos, formadores de opinião, personalidades, empresários, veículos de comunicação e você.

A campanha terá 06 etapas, sendo:

1ª Etapa – Lançamento do site e dos materiais da campanha publicitária – em 21 de setembro de 2008 (cartazes, filipetas, adesivos, camisas, entre outros);

2ª Etapa – Inauguração dos pontos digitais de adesão à campanha em 30 locais – a partir de 26 de setembro de 2008 (até 30 computadores instalados com um box de suporte e sinalização da campanha com 30 promotores com figurino em bares, boates, centros culturais no Rio no período de 15 dias);

3ª Etapa – Programação Oficial de Eventos da 13ª Parada do Orgulho LGBT – Rio – 2008, entre 04 de outubro a 23 de novembro de 2008 (exposição da campanha por meio de banner e materiais de divulgação nas festas, ciclo de debates, seminários, cerimônia de prêmios, ato solene, mostra de filmes, exposição artística, entre outros para um público de pelo menos 20 mil pessoas pelo período de 50 dias);

4ª Etapa – Parada do Orgulho LGBT – Rio, na Praia de Copacabana -12 de outubro de 2008 (1,2 milhões de pessoas vendo a campanha nos banners e blimps dos 12 trios oficiais, entre eles 04 trios como pontos digitais de adesão, onde teremos 80 computadores com plug 3G para votação on line a essa inédita campanha que será um marco tecnológico e histórico. Pretende-se coletar 40 a 70 mil assinaturas);

5ª Etapa – Lançamento da Campanha e do Site em mais de 11 capitais brasileiras – Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém do Pará, Porto Velho, Brasília, Goiânia, entre outras – De 20 de outubro a 20 de janeiro de 2009 (continuidade da exposição do site nesses lançamentos, como um incentivo a sua visita e aumento da visibilidade da campanha por meio de banners e materiais de divulgação nesses eventos, atingindo um público de pelo menos 1.500 pessoas diretamente. Para isso estão sendo estruturadas parcerias com grupos e organizações locais)

6ª Etapa – Até março de 2009 – Pretende-se obter a adesão de 1 milhão votos/mensagens (além da mensagem que você enviou automaticamente, nesta data apresentaremos um relatório completo desse posicionamento ao Senado Federal, a Câmara dos Deputados, aos presidentes da República, Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça).

João Paulo da Silva: por que ‘Vidas Secas’ ainda vive

“Na planície avermelhada, os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente, andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala.”

Por João Paulo da Silva, no Site do MST

Assim começa o romance que conta a história de cinco personagens na luta pela sobrevivência. Fabiano, Sinhá Vitória, menino mais velho, menino mais novo e a cadela Baleia são cinco almas que se confundem com milhares de tantas outras espalhadas pelo Nordeste brasileiro. Um importante objetivo os une: fugir da estiagem em busca de sustento.

Em 2008, Vidas Secas, do escritor alagoano Graciliano Ramos, completa 70 anos de sua primeira edição. A narrativa alcançou tanto prestígio que chegou a ser traduzida para francês, inglês, italiano, russo, tcheco, polonês, alemão, espanhol, húngaro, búlgaro, romeno, finlandês e holandês. A força da obra conferiu a Graciliano reconhecimento internacional, seja pela abordagem sociopolítica, seja pela profundidade psicológica. Em 1963, o romance ganhou uma excelente adaptação para o cinema, assinada pelo diretor Nelson Pereira dos Santos.

Vidas Secas mostra uma história que continua latejando na literatura brasileira, como uma ferida aberta pela miséria e pela seca no sertão nordestino.

O auge do regionalismo

O romance que narra a jornada de uma família de retirantes é considerado a obra mais representativa do regionalismo do século 20. A luta desumana dos fugitivos da seca, viajando para o sul na tentativa de escapar dos rigores do sertão, é o retrato mais brutal das desgraças a que estão submetidos muitos nordestinos.

Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos, seguidos pela cachorra Baleia, vagam de fazenda em fazenda, percorrendo quilômetros de terra rachada, em busca de um pedaço de chão que lhes dê o que comer. São criaturas jogadas ao extremo da miséria, vestem-se com roupas sujas e rasgadas, não possuem casa, comida, saúde nem futuro. Como se já não fossem muitas as adversidades, os retirantes ainda sofrem com a prepotência do fazendeiro enganador e com as injustiças de uma estrutura sociopolítica decadente.

Vidas Secas, narrado em terceira pessoa, é o ponto máximo do período que ficou conhecido na literatura brasileira como a “Geração do romance de 1930”. Nessa época, nossa prosa de ficção ganhou uma nova força criadora, nos colocando em contato com um Brasil pouco conhecido. Através de escritores como José Lins do Rego, Raquel de Queiroz, Jorge Amado, Érico Veríssimo e Graciliano Ramos, a literatura mostrou o homem alicerçado em cada uma das diversas estruturas sócio-econômicas do país.

Entretanto, quase sempre num confronto desigual com o mundo que o cercava. Além de pôr no centro da produção ficcional aqueles que antes eram figurantes, o romance regional da segunda fase modernista trouxe também outra roupagem cultural e estética, apresentando os canaviais, as caatingas da seca e do cangaço, as terras do cacau, do fumo e das fronteiras gaúchas.

Crítica social e análise psicológica

Graciliano Ramos não só desnudou as incongruências sociais do sertão nordestino como também revelou o íntimo de seus personagens. Em Vidas Secas, Graciliano demonstra o estrago que a vida de privações provoca na maneira como suas criaturas vêem o mundo, os bichos e as coisas. Com habilidade, o escritor alagoano faz uma profunda análise psicológica, buscando sempre investigar o homem e seus dramas individuais. Os sonhos, as angústias, os desejos.

É como se cada um tivesse seu momento no divã. Tudo vem à tona de modo retalhado, mas sempre deixando clara a condição de impotência dos personagens diante do mundo e de si mesmos. Fabiano e sua família representam figuras que existem aos milhares. Entretanto, surgem constantemente presas a uma solidão de náufragos. Num clima de tensão e agonia, Graciliano disseca as dores dos condenados do sertão, mostrando quão embrutecidos ficam os homens diante de um mundo que lhes nega tudo.

De certa forma, mesmo que instintivamente, as criaturas de Vidas Secas têm consciência de que sobrevivem numa sociedade injusta. Isso fica claro na passagem em que Fabiano é preso – sem razão alguma – pelo soldado amarelo, representação do Estado Novo fascista de Getúlio Vargas.

Em discurso indireto livre, o escritor revela as reflexões feitas por Fabiano na prisão. “Por que tinham feito aquilo? Era o que não podia saber. Pessoa de bons costumes, sim senhor, nunca fora preso. De repente um fuzuê sem motivo. Achava-se tão perturbado que nem acreditava naquela desgraça. Tinham-lhe caído todos em cima, de supetão, como uns condenados. Assim um homem não podia resistir”.

A situação subumana de vida dos retirantes explica a importância dada a sonhos aparentemente tão banais. É o caso, por exemplo, de Sinhá Vitória, que deseja profundamente uma cama de lastro de couro, onde possa dormir como gente de verdade. Para ela, uma cama talvez redimisse a condenação de uma existência miserável.

Há também, em Graciliano, a inocência fazendo descobertas cruéis. Quando o menino mais velho ouve da mãe a palavra inferno, procura saber seu significado. Como resposta, recebe, primeiramente, uma definição vaga. “É um lugar ruim, quente”. Depois, insistindo em descobrir como a mãe sabia que o lugar era assim, acaba recebendo um cascudo. Chorando, vai se consolar com a cachorra Baleia. Neste momento, por meio de uma associação simples, faz sua descoberta cruel. O inferno é ruim e quente, assim como o lugar em que ele e a família vivem. Ali, portanto, era o inferno.

Uma parte do mundo em Vidas Secas é apresentada através da aridez do meio e da dureza da vida, mas é apenas a partir do aprofundamento psicológico das personagens que Graciliano consegue dar densidade à obra.

“Você é um bicho, Fabiano”

O ponto de ligação entre todos os personagens é a luta pela sobrevivência. A conseqüência disso é a constante repetição da palavra bicho na obra. As condições desumanas de vida colocam no mesmo nível pessoas e animais. Fabiano e sua família não dominam a linguagem verbal. Embrutecidos, falam pouco e se comunicam mais por grunhidos e outros sons, assim como os bichos. O próprio Fabiano, orgulhoso de ter sido capaz de vencer as dificuldades, conclui: “Você é um bicho, Fabiano”.

Outro exemplo da condição animal das personagens é o fato de os filhos do casal não possuírem nomes. São, simplesmente, chamados de menino mais velho e menino mais novo. Na mesma proporção em que Graciliano animaliza as pessoas em sua obra, o autor também humaniza os bichos. A cachorra que acompanha os retirantes é tratada como gente, possui nome (algo que os meninos não têm!) e até sonhos próprios. Baleia vivia a sonhar com um céu repleto de preás. O animal só foi sacrificado por Fabiano porque estava doente, o que poderia atrapalhar a caminhada da família.

O universo apresentado por Graciliano Ramos é envolvido por enredos que abordam a seca, o latifúndio, o drama dos retirantes, a caatinga. As vidas secas que habitam o romance são seres oprimidos, fabricados pelo meio. Não em sua obra a idealização do Nordeste. Talvez por isso, por não apresentar uma felicidade inexistente, tenha sido muitas vezes chamado de pessimista. Para o autor, a única saída seria mudar as estruturas e o sistema que geraram os sofrimentos de suas personagens.

Seco como um mandacaru

O poeta modernista Oswald de Andrade costumava dizer que Graciliano Ramos era um “mandacaru escrevendo”. O estilo do autor alagoano era seco como o sertão que retratou em suas obras. Seu texto enxuto e conciso, construído com períodos curtos, pouca adjetivação, sem enfeites e destacando a importância de verbos e substantivos, era a prova de que a linguagem sintética havia encontrado alguém sem adornos inúteis.

O próprio Graciliano revelou sua preferência pelo estilo duro e rigoroso quando afirmou: “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”. Uma parte de sua obra pode ser classificada como autobiográfica – Infância e Memórias do Cárcere. Outra é inspirada em fatos e situações das quais ele mesmo foi testemunha viva – São Bernardo e Vidas Secas.

Nascido em Quebrangulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892, fez apenas os estudos secundários em Maceió, jamais cursando uma faculdade. Morou no Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista, e em Palmeira dos Índios, cidade da qual foi prefeito. Estreou tarde na literatura, aos 34 anos, publicando Caetés e chegou a dirigir em Maceió a Imprensa Oficial e a Instrução Pública. Em março de 1936, foi preso sob a acusação de participar da Intentona Comunista.

As humilhações e as dores sofridas na prisão, resultaram no livro Memórias do Cárcere. Com o fim da ditadura de Vargas, em 1945, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, convidado pelo próprio Luis Carlos Prestes. Em 1952, viajou para o Leste Europeu, com a intenção de ver de perto os rumos que a União Soviética tomava. Não gostou do que estava sendo feito. No ano seguinte, em 20 de março, aos 60 anos, perdeu uma guerra importante: a do câncer de pulmão.

Fonte: Vermelho.org.br

Patativa do Assaré: Amanhã

Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira.
Desta forma, na vida passageira,
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho
E outro, a cura feliz de uma cegueira.
Com o belo amanhã que ilude a gente,
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.
Com o peito repleto de esperança,
Porém, nunca nós temos a lembrança
De que a morte também chega amanhã.

Fonte: www.interpoetica.com

Exercício da medicina: Duzentos anos de história em solo brasileiro

A aprovação da instalação da primeira faculdade de medicina do Brasil deu-se em meio a um episódio não muito esclarecido pela história em 19 de fevereiro 1808, na escala do então príncipe D. João VI em Salvador, pausa que desobedecia ao traçado original que previa rumo direto de Lisboa ao Rio de Janeiro no episódio de fuga da família real portuguesa das forças de Napoleão Bonaparte.

Nesta época o exercício da medicina em nosso país era atribuído a profissionais que acumulavam três funções; dentista, cirurgião e barbeiro.

Luccok, comerciante, que chegou ao Brasil três meses após a família real, fez um relato quantitativo a cerca da população do Rio de Janeiro naquela época. Dentre muitos profissionais eram 200 que praticavam a medicina para uma população de 60 000 habitantes com cerca de 4000 residências com 15 moradores em média.

Gradativamente, no período que sucede a chegada da família real, o Brasil apresenta uma legislação que restringia a prática da medicina por profissionais que não cursavam faculdade e com isso discussões a cerca da conduta médica eram estabelecidas. Era delimitado o ato legal e ilegal da profissão. Mais bem concretizado através do “código de ética médica”. Para exercer a medicina hoje em dia são no mínimo seis anos de faculdade atribuídos a mais dois a cinco anos de residência para tornar-se especialista.

Embora haja grande empenho para normatização da medicina no sentido de impedir sua prática por indivíduos inaptos e assim poupar a população de possíveis prejuízos, infelizmente é comum observar anúncios que prometem “curas milagrosas”, “pomadas para todos os problemas de pele”, “comprimidos pra dor nas pernas” ou até mesmo “operações inexplicáveis”.

A religiosidade e consequentemente a fé em nosso contexto é bastante clara e muitas vezes explorada, com intuito de lucro financeiro, por pessoas de má índole. Também temos uma população de questionável acesso ao serviço de saúde e carentes possibilidades de educação, o que semeia um terreno fértil também à ação de charlatães que se utilizam da fragilidade de saúde e ingenuidade de parcela da sociedade para tomar vantagem usando-se da prática médica.

É válido estar atento ao exercício ilegal da medicina no sentido de nos salvaguardarmos de atos que se distanciam das nossas reais necessidades.

O médico tem a “saúde do ser humano” como “alvo de toda sua atenção”. Aquele que diagnostica doenças prescreve medicamentos ou conduz um tratamento sem respaldo técnico para isto, certamente não objetiva o “bem-estar” do indivíduo.

CORIOLANO, Daniel Victor
Estudante de Medicina

Trabalho de artista questiona reforma da Praça Siqueira Campos





O que é isso? É uma exposição de pinturas e desenhos do artista
visual, Alexandre Lucas que está em exibição no Olhar Casa de Artes
localizada na Praça da Sé, 91. A exposição estava no Centro Cultural
do Banco do Nordeste, no mês de agosto deste ano.
Lucas é um dos poucos artistas que fazem arte conceitual e tem um
discurso político e social nos seus trabalhos. Ele Aproveitou os
cartazes de divulgação da exposição O que é isso? Para fazer arte
contemporânea, produzindo outro trabalho, uma Intervenção Urbana, nome
dado ao trabalho que se utiliza do espaço urbano para discutir a
cidade e a vida. Alexandre Lucas afixou cerca de 30 cartazes
divulgando a sua exposição nos maderitos da Praça Siqueira Campos, a
qual se encontra em reforma, no entanto, a frase “O QUE É ISSO?” se
destacava nos cartazes. Os cartazes foram colocados na noite do dia 29
de setembro e já na manhã do dia 30 a maioria já tinham sido
arrancados. De acordo com o artista isso sinaliza que o trabalho gerou
um incomodo e um questionamento e acrescenta que essa intervenção
urbana teve o propósito de questionar o destino dos recursos públicos
na reforma de uma Praça que aparentemente não precisava ser reformada
e frisa que o nome de um determinado deputado é indevidamente posto
no local contrariando o princípio jurídico da impessoalidade. O
desdobramento do trabalho ocorreu no site de relacionamentos do orkut,
na comunidade do Crato no tópico “O que é isso? Praça Siqueira
Campos”, onde diversas pessoas acabaram interagindo com o a
Intervenção sem nem saber. Os internautas tiveram a oportunidade de
discutir sobre o trabalho, criticar a obra, alguns fizeram a defesa
tanto da obra como do artista, questionaram o que é arte e o que não e
a relação da arte com a cidade.

A exposição O que é Isso?
A Exposição O que é Isso? Reúne cerca de 40 obras entre pinturas e
desenhos a maioria com técnica mista, em que o artista que é
daltônico mexe com composições de cores e trabalha a percepção visual.
Nesta série existe um discurso engajado embutido de questionamento do
conceito de arte e do conceito da idéia dentro de uma obra de arte. De
acordo com a italiana Gabriella Federico, curadora da exposição é
possível perceber nas pinturas abstratas de Lucas “sensações, fruindo
levemente entre as cores pálidas,elegantes e sinuosas e acrescenta
Alexandre descreve um sonho decorando a mente e o lugar, aonde chegue
a sua arte”, conclui a italiana.

Intervenção Urbana
Intervenção Urbana é o termo utilizado para definir manifestações
artísticas geralmente localizadas no centro de grandes metrópoles.
Exemplos de intervenções urbanas são dos mais diversos: Podem ser
esculturas, grafites, cartazes, cenas de teatro ao ar livre, entre
outras. Esse tipo de arte se caracteriza por ser inusitada, por se
apresentar sempre a céu aberto, e por ter um caráter ideológico,
político, ou social. Geralmente atacam a vida corrida dos grandes
centros urbanos. Mas as intervenções urbanas também têm outros alvos,
como a marginalização da arte, problemas sociais, ambientais e outros
assuntos correntes na sociedade moderna. A intervenção urbana se
difere dos outros tipos de arte por ser vanguardista e não se limitar
a padrões específicos.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre


Serviço:

Exposição O que é isso?
Artista: Alexandre Lucas
Período: 30 de setembro a 16 outubro
Local: Olhar Casa das Artes – Praça da Sé, 91
Blog: http://www.olharcasadasartes.blogspot.com/
Telefone: (88) 3521-1590