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Um Adeus para Saramago*

Por José Cícero

Adeus Saramago!
Poeta libertário, socialista dos sonhos.
Exímio zelador portugês do bom vernáculo.
Emissário da língua dos deuses…
A receber de nós, pobres mortais
toda honra e toda glória
como um brindede bom vinho em cálice sagrado.
Saramago.
Prosador comunista.
Homem do povo em bom combate.
Vate idealista enchendo a vida de sentido
e de outros significados práticos.
Poeta utópico. Ateu Convicto, magno agnóstico.
Pássaro altivo lusitano
a construir com gestos plásticos
grandes sonhos centenários.
E com idéias edificantesto
da felicidade possível
em romances adormecidos nas Canárias.
Letras de fogo e de plumas embelezando a vida.
Saramago.
Lítero-guerreiro do além-fronteiras
por trás-os-montes nos vigiando.
Artesão dos sentimentos mais sentidos.
Pensador inverossímil de todo o existencial fantástico.
Travando sempre com símbolos e com palavras
o bom combate em favor do belo e dos oprimidos.
Poeta português:
Pensamento que engrandece tudo o mais que existe.
José Saramago.
Comunista libertário.
Sonhador de um mundo novo.
Prosador profundo, psicológico.
Universo cosmogônico de prosa farta
a se derramar por sobre a fauna humana.
Poética metafísica tão sem nome.
Cronista póstumo do inédito.
Profeta visionário do tempo futuro.
Acendedor de candeeiros contra o escuro
pondo fim a ignorância e o absurdo
de tudo o mais que é esdrúxulo, estúpido e ridículo.
aramago.
Sol de Portugal a se irradiar por todo o mundo.
Jardineiro do planeta exótico.
Célere veleiro singrando os mares das nossas emoções
e sentimentos.
Pena de ouro escrevendo o inusitado.
Eterno revolucionário, Rosa de Luxemburgo.
Autoexilado nas ilhas Canárias.
Espanha de Cervantes e de Garcia.
Dom Quixote, Sancho Pança lusitano.
Poeta metafórico do belo estro.
Cantando sob os arvoredos ibéricos…
Um tango, um fado.
Pleno silêncio das montanhas
de Pessoa, de Florbela e de Camões
escrevendo no céu do velho mundo
um conto de aventura coletivo…
Pensando em seu conjunto
a vida no seu todo e em fragmentos
ante o prisma de um poema concreto
e um romance antigo sobre a cegueira em fogo.
Antevendo futuros
em antemanhãs de diálogos consigo mesmo.
Árduo ofício das letras
em que viveu nos altiplanos imperativos
num silêncio profundo e gritos solitários.
Edificando verdades
perante a tessitura cotidiana do verbo humano.
José Saramago.
Mágico protagonista dos livros.
Prêmio Nobel primeiro da nossa língua.
Guerreiro invencível.
Poeta intransigente dos justos.
Granítico evangelho, segundo a si próprio.
E assim como: o próprio Jesus Cristo.
Escritos – sinônimos do incompreensível.
Saramago.
Poeta íntegro.
Idiomático defensor do que é certo.
Estético humanista lusitano.
Flor de lótus de Lisboa, revolução dos cravos…
Literatura em carne viva
oxigenando a vida de todos;
Dando luz aos caminhos dos cegos.
José Saramago.
Eterno visionário
Escritor-poeta,
homem do tempo vindouro.
Vivendo para sempre,
com o que disse e escreveu.
José Saramago.
Cidadão do mundo.
* José Cícero
Professor, Poeta e Escritor
Secretário de Cultura
Aurora – CE.
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