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Comunidade do Gesso receberá poeta que vendeu mais 7 mil livros circulando pelo Brasil

O poeta Pedro Tostes está em uma turnê de divulgação de seu quarto livro, “Na Casamata de Si” (Patuá, 2018). Saindo de São Paulo, o poeta tem vindo, viajando de ônibus, e passará por 13 cidades, incluindo todas as capitais nordestinas, além de Vitória, no Espírito Santo. Serão 5 mil quilômetros rodados pelo autor, que comemora 15 anos de literatura com mais de 7 mil livros vendidos de mão em mão.

No Crato, ela fará o lançamento do seu livro, no dia 25 de novembro, a partir das 17h, no Terreiro do Coletivo Camaradas, na Comunidade do Gesso. A localidade é um ponto de referência da poesia na cidade, por desenvolver diversas ações envolvendo a literatura, como: rodas de poesia, intervenção “Poste Poesia”, pontos de leituras em bodegas, lançamentos de livros, mostras e batalhas de rimas.

Pedro Tostes vem circulando pelo Brasil, não só vendendo os seus livros, mas participando de debates, saraus e conhecendo a diversidade e pluralidade da literatura brasileira. Ele é um desses poetas que acredita que a poesia pode ocupar os mais diversos espaços, lugares e atingir as pessoas que não têm o hábito e o acesso à literatura. Tostes diz que “Os poetas nunca tiveram destaque nesse grande mercado, então me criei acreditando que literatura é um espaço de guerrilha, onde devemos pensar de forma a ocupar espaços e conquistar leitores” e enfatiza “Seja escrevendo livros, promovendo debates e saraus, colando lambes nas paredes das cidades, fazendo camisetas, bolsas, zines, revistas. O que for possível de ser feito pra abrir espaço”.

Lançamento do Livro “Na Casamata de Si” de Pedro Tostes
Dia: 25 de novembro de 2018
Horário: 17h00
Local: Terreiro do Coletivo Camaradas – Comunidade do Gesso – Crato/CE.

Mostra Nacional de Contadores é realizada sem recursos

A terceira edição da Mostra Nacional de Contadores de Histórias será realizada nas cidades de Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte, no período de 28 de novembro a 01 de dezembro, está sem recursos para a sua realização e os organizadores estão fazendo uma campanha de arrecadação de dinheiro para custear as despesas do evento.

A Mostra conta com alguns apoios institucionais que garantem parte da logística do evento. A organização do evento alerta que existem despesas como pagamento de técnico de som, materiais para oficinas, divulgação, ajuda de custo para transporte e passagens que dependem de dinheiro.

A maior parte das ações acontecerão na Comunidade do Gesso, no Crato.

Os interessados em contribuir financeiramente com qualquer valor podem fazer depósito: Ag: 0032 Op: 013 Conta Poupança: 0031879598 ou entrar em contato pelo WhatsApp (88) 9 99989927.

Mostra Nacional de Contadores de Histórias será no Gesso

 

A 3ª edição da Mostra Nacional de Contadores de Histórias será realizada no período de 28 de novembro a 01 de dezembro, na Comunidade do Gesso, no Crato.

A Mostra tem o objetivo de dialogar e potencializar os saberes e fazeres dos contadores de histórias da região do Cariri e também integrar o Território Criativo do Gesso.  O evento consistirá de oficinas, apresentações e rodas de conversa  nas escolas circunvizinhas e no Terreiro do Coletivo Camaradas.  Deverão acontecer também ações em Juazeiro e Barbalha.

A Mostra é uma realização conjunto do Coletivo Camaradas, Coletivo de Narradores do Cariri e Balaio de Histórias. A Mostra é uma idealização da professora e narradora Elisabete Pacheco. Segundo a idealizadora da Mostra,  a região do Cariri é rica em narrativas orais e é crescente a quantidade de profissionais na área. Elisabete Pacheco destaca que a contação de histórias é um importante instrumento educativo.

 

Mulheres protagonizarão  Roda de Poesia no Crato

Lana Oliveira – integrante do Coletivo Camaradas e do Slam das Minas Kariri
Neste domingo, 21, a partir das 17h30, na Comunidade do Gesso no Crato, acontecerá mais uma edição da Roda de Poesia desenvolvida pelo Coletivo Camaradas.

Essa edição contará com o coletivo feminista “Slam das Minas  Kariri” e discotecagem com a DJ “Sh7va”. Lana Oliveira, uma das idealizadoras do Slam, enfatiza que a atividade é batalha de poesia de  poemas autorais de mulheres da região do Cariri. O Slam é uma ação que já ocorre no Brasil e sempre está ligado a poesia de caráter engajado.

Para a coordenadora da Roda de Poesia , Luciana Bessa, o atual momento político do país exige uma tomada de posição pela democracia. Ela acredita que a poesia é um desses instrumentos de luta.

A Roda de Poesia no Gesso é caracterizada pelo protagonismo infantil. Crianças recitam poetas clássicos , da região e algumas já esboçam suas poesias autorais.

Crato: Movimentos sociais se organizam para cortejo da democracia no Dia das Crianças

Diversos movimentos sociais do país, após o resultado das eleições presidenciais estão mobilizados e organizando cortejos, saraus, shows e intervenções urbanas em defesa da democracia e contra fascismo, representado pelos discursos de violência, ódio e criminalização das organizações dos trabalhadores.

No Crato, O Cortejo Cultural do Dia das Crianças, na comunidade do Gesso, contará com a participação de artistas, lideranças sindicais, ativistas, religiosos, partidos políticos e organizações dos movimentos populares e culturais da região do Cariri, numa reafirmação da diversidade do povo brasileiro e da necessidade da democracia como instrumento de desenvolvimento social.

Esse é o nono ano que é  realizado o cortejo  na Comunidade, numa festa onde adultos e crianças criam as suas próprias fantasias  e saem pelas ruas com cores,  batucada,  cartazes e bandeiras de lutas.

O cortejo será nesta sexta-feira, dia 12 de outubro. A  concentração  começa às 15 horas, no Terreiro do Coletivo Camaradas.

O cortejo será  encerrado com brincadeiras, apresentações artísticas e feira de sustentabilidade. Os próprios moradores e visitantes estão se organizando para distribuir guloseimas com as crianças.

Comunidade do Gesso receberá escritora cubana

A escritora Teresa Cárdenas Angulo estará na Comunidade do Gesso, nesta quinta-feira, às 17h30, no Terreiro do Coletivo Camaradas.
A escritora cubana participará de roda de conversa com os contadores de histórias da região do Cariri. O encontro contará ainda com contações de histórias.
Teresa Cárdenas Angulo é escritora, roteirista, atriz, bailarina e ativista social cubana. Sua motivação para tornar-se escritora veio ainda na infância, quando começou a ler e ficou frustrada com a ausência de personagens negras nos livros infantis.
Para os representantes do  Coletivo Camaradas a presença da cubana tem um valor simbólico importante para o trabalho  que vem sendo desenvolvido de democratização estética , artística e literária na comunidade do Gesso.
A vinda da escritora ao Cariri se deu por conta do  Artefatos da Cultura Negra, no qual ela proferiu palestra na Universidade Regional do Cariri -URCA.

PROEX, da URCA participará do Dia das Crianças na Comunidade do Gesso

A Pró-reitoria de Extensão – PROEX, da Universidade Regional do Cariri  – URCA participará mais uma vez do Dia das Crianças, na Comunidade do Gesso, no Crato.

A PROEX abriu chamada publica para monitoria voluntária de 50 estudantes  dos diversos cursos da URCA. Os estudantes participarão de oficinas preparatórias ao evento, estão previstas oficinas de máscaras e cafuringas, placas e estandartes, customização de fantasias improvisadas e maquiagem.

O Dia das Crianças, na Comunidade do Gesso, realizado pelo Coletivo Camaradas é uma ação pedagógica de trocas de saberes, fazeres e afetos que visa contribuir para ocupação lúdica e criativa da cidade e o protagonismo comunitário. O evento é marcado por oficinas, apresentações artísticas e o tradicional cortejo com fantasias improvisadas e tambores que percorrem as ruas da comunidade envolvendo adultos e crianças.

Os estudantes que participarão como monitores receberão certificado que valerá para atividade complementar do curso.

As inscrições para monitoria e o regulamento estão no site da URCA ( www.urca.br). Faça sua inscrição neste link:  https://goo.gl/forms/m2fe9x6UnTp58SPL2

Feira movimentará comunidade do Gesso no dia 7 de setembro

O feriado de 7 de setembro, a partir das 17h30,  na comunidade do Gesso,   contará com mais uma edição da Feira de Sustentabilidade  – Trocaria. A ação acontece desde 2013 e tem uma periodicidade mensal. A intenção da  Feira é movimentar a economia local e contribuir para o processo de democratização estética e artística.

A Trocaria é uma idealização do Coletivo Camaradas e  conta  com a parceria da ITEPS – Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares e Solidários, da Universidade Federal do Cariri – UFCA, Geopark  Araripe, Pró-reitoria de Extensão – PROEX, da Universidade Regional do Cariri – URCA e Colmeia Artesania.

Essa edição contará com a apresentação do rapper Dextape e convidados, como também  batalha de rima protagonizada pelas crianças.

Na Feira é possível encontrar o  artesanato e a  comida  produzida pelos moradores, além de mudas de plantas, sebo de livros e brechó.

Os moradores que desejarem vender seus produtos bastam comunicar a coordenação da Feira.

Fotógrafo Luiz Santos participará da Mostra do Brincar

O artista pernambucano, Luiz Santos  participará da Mostra do Brincar, que começa nesta quarta-feira, 22, e prossegue até  domingo, na comunidade do Gesso, no Crato.

Artista visual, educador, fotógrafo,   editor e inventor, Luiz  desenvolver diversos trabalhos pelos Brasil envolvendo  educação e arte. Com um vasto currículo, o artista  já teve suas obras expostas em diversas capitais do país  e na China.

O artista fará uma espécie de brincadeira usando a técnica de fotografia de Lambe-Lambe e deverá também lançar o seu livro de fotografia “Casou no Papel”.

A vinda do Luiz é uma articulação do professor de História da Universidade  Regional do Cariri – URCA, o  alemão , Titus Riedl, que vem desenvolvendo pesquisas sobre jogos de tabuleiro  dos povos africanos,  vikings e de outros lugares do mundo. O professor Titus também participará com os seus alunos pesquisadores da Mostra.

Trocaria no Gesso:  um desafio que tem história

Por Alexandre Lucas*

Resgatar a história possibilita compreender percursos e desafios. É pertinente evidenciar a historicidade da Trocaria como uma das principais ações do Coletivo Camaradas, na Comunidade do Gesso, no Crato, CE, que remete ao processo de desenvolvimento e organização comunitária.

A primeira vez que o Coletivo teve contato com a expressão “Trocaria” foi em Brasília, durante o “Teia”, Encontro Nacional dos Pontos de Cultura, em 2008, numa ação do Programa de Interferência Ambiental – PIA, que funcionou como uma espécie de Coletivo/rede de artes visuais, ligado ao Circuito/Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA, da União Nacional dos Estudantes – UNE.  A atividade era bem simples: consistia numa banca com os mais diversos produtos, de livros a bugigangas, que eram trocados, e as trocas eram registradas num livro de ata.

Foi a partir desta experiência com o PIA/CUCA, da UNE, que surgiu em 2013, a ideia de realizar a Trocaria na Comunidade do Gesso.

A ideia apareceu como uma estratégia política de pensar formas de organização, mobilização e desenvolvimento territorial.

O troca-troca, como foi apelidado inicialmente pelos moradores, tinha como propósito fazer com que eles  próprios, no decorrer do tempo, assumissem a ação para si e fossem os protagonistas, e o Coletivo deixasse de ser o ator principal na ação. Diversas iniciativas foram feitas no sentido de dialogar e articular com os moradores.   Como o Coletivo não tinha sede na época, as reuniões eram realizadas na ONG Projeto Nova Vida. Percebendo a baixa participação dos moradores, foi repensada as reuniões para o espaço onde era realizada a Trocaria, Largo do Gesso, no entanto, a frequência deles continuou baixa. Ainda foi insistido em “reuniões de calçada”, aquela calçada que tinha mais pessoas era a escolhida, mas também não obtivemos êxito. Houve uma série de insistências para que os moradores se envolvessem nesta construção. Paralelamente a esses desafios, a Trocaria vai tomando forma e ganhando uma dimensão simbólica significativa para o Coletivo Camaradas e a comunidade.

A Trocaria já nasceu como algo para além de ser um momento de trocas apenas, outras atividades foram sendo agregadas a ação, como ações lúdicas, apresentações artísticas, serviços, distribuição de mudas e reivindicação de melhorias para a comunidade.

Essa visibilidade ocorreu por conta do trabalho de envolvimento de diversos   sujeitos sociais e de instituições governamentais, como é o caso de secretarias municipais, universidades públicas e particulares, além de coletivos, artistas e intelectuais. Outro fator foi a construção de uma narrativa que evidenciasse o lugar a partir de suas peculiaridades e potências criativas. O uso das redes sociais e a produção de materiais para imprensa serviram para evidenciar esse processo de articulação comunitária.

Foi a partir destas primeiras tentativas, equívocos e acertos que começamos a refletir sobre algumas questões, como o processo de ocupações do território e sua estratificação social, as narrativas externas e internas do lugar, a construção de novas narrativas a partir do processo de “desinvisibilização”  territorial e apresentação da sua potência criativa, criação da rede do  Território Criativo do Gesso, a  Roda de Poesia e a intervenção urbana  Poste Poesia também nasceram como ações que tiveram início na Trocaria.

A Trocaria, enquanto feira, era apenas um espaço de trocas e isso nos fez repensar algumas coisas, dentre elas a falta de participação dos moradores como pessoas organizadoras da ação e a pouca procura pelas trocas, mesmo tendo uma periodicidade mensal da ação.

Passamos por um intervalo de cerca de um ano para refletir sobre a nossa prática e amadurecer novas possibilidades para Trocaria. Em 2017, começamos a pensar a Trocaria, a partir de uma feira de sustentabilidade. A expressão sustentabilidade, nesse contexto, significa a garantia da geração de renda para a manutenção das ações do Coletivo, dos seus integrantes e dos moradores da comunidade do Gesso.

Começamos a usar denominação de “Trocaria – Feira de Sustentabilidade” e se alinhar a perspectiva de Economia Solidária e a Economia Criativa, sem perder de vista, o viés político que deu origem a criação da Trocaria, ou seja, estratégia política de pensar formas de organização, mobilização e desenvolvimento territorial. Desde o início em 2013, buscamos o apoio metodológico e teórico das universidades para tentar acertar.

Ainda temos muito que aprender com dinâmica da realidade concreta, as narrativas e as subjetividades humanas para pensar os processos de organização comunitária. Certamente não será uma receita acadêmica ou uma carta de boas intenções que proporcionarão   as mudanças dos lugares, mesmo sendo imprescindível o arcabouço teórico e as melhores intencionalidades, por isso, é indispensável conhecer as histórias, as peculiaridades de cada lugar e suas formas de organização. Esse, talvez, seja o tempero que possa unir o saber elaborado com a prática social dos indivíduos para gerar novas formas de pensar e de se organizar com o povo.

Uma coisa é certa: Chico e Maria daqui sabem o que é mungunzá! Sabem fazer, sabem comer e sabem vender e esse talvez seja o seu melhor caviar.

*Pedagogo e integrante do Coletivo Camaradas