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Mostra de Fotografias XXIV Outubro Médico

Embora na vigência de um grande conflito de interesse (coordenador da mostra) para o comentário que início, não gostaria de negar-me a fazê-lo.

Acredito que a mostra enriqueceu o Outubro Médico deste ano. Não pela técnica ou estrutura onde foi montada, mas pelas coisas próprias da arte como alimento do espírito. Pelas reflexões que o tema proposto induz, pelos sentimentos e cenas que os médicos Dr. Paulo Sampaio e Dr. Bernardo Brito e acadêmicos de medicina Alyne Lemos, André Palmeira, Eudes Simões, Josiane Leite, Miguel Marx, Mondeyv Pascoál, Natália Parente e Pablo Pita dividiram conosco ao expor suas fotografias, e nelas, seus olhares sobre a comunidade.

Refletindo sobre o tema, “Um olhar sobre a comunidade”, vejo mais uma vez que se justifica. Somos cobrados como estudante de medicina ou médicos a possuir um “olhar clínico”. Sobre este olhar, confirmei mais uma vez, que os seguidores da arte médica possuem com acentuação considerável. Através das fotografias da mostra conseguiu-se ver, sentir, ouvir e, sobretudo entender o que as palavras não expressam.

Foi esse o intuito da mostra, proporcionar aos participantes do XXIV Outubro Médico oportunidade de apreciar e ter esse olhar clínico estimulado. É nessa hora que arte e ciência unem-se e não se confundem. A arte sensibiliza-nos. Não digo emocionalmente, torna-nos atentos para ver o que não está explícito. A ciência é pragmática.

Arte e ciência, características intrínsecas da medicina e, com louvor, oficialmente unidas no Cariri com a I Mostra de Caririense de Fotografias do Outubro Médico.

Daniel Coriolano













Exercício da medicina: Duzentos anos de história em solo brasileiro

A aprovação da instalação da primeira faculdade de medicina do Brasil deu-se em meio a um episódio não muito esclarecido pela história em 19 de fevereiro 1808, na escala do então príncipe D. João VI em Salvador, pausa que desobedecia ao traçado original que previa rumo direto de Lisboa ao Rio de Janeiro no episódio de fuga da família real portuguesa das forças de Napoleão Bonaparte.

Nesta época o exercício da medicina em nosso país era atribuído a profissionais que acumulavam três funções; dentista, cirurgião e barbeiro.

Luccok, comerciante, que chegou ao Brasil três meses após a família real, fez um relato quantitativo a cerca da população do Rio de Janeiro naquela época. Dentre muitos profissionais eram 200 que praticavam a medicina para uma população de 60 000 habitantes com cerca de 4000 residências com 15 moradores em média.

Gradativamente, no período que sucede a chegada da família real, o Brasil apresenta uma legislação que restringia a prática da medicina por profissionais que não cursavam faculdade e com isso discussões a cerca da conduta médica eram estabelecidas. Era delimitado o ato legal e ilegal da profissão. Mais bem concretizado através do “código de ética médica”. Para exercer a medicina hoje em dia são no mínimo seis anos de faculdade atribuídos a mais dois a cinco anos de residência para tornar-se especialista.

Embora haja grande empenho para normatização da medicina no sentido de impedir sua prática por indivíduos inaptos e assim poupar a população de possíveis prejuízos, infelizmente é comum observar anúncios que prometem “curas milagrosas”, “pomadas para todos os problemas de pele”, “comprimidos pra dor nas pernas” ou até mesmo “operações inexplicáveis”.

A religiosidade e consequentemente a fé em nosso contexto é bastante clara e muitas vezes explorada, com intuito de lucro financeiro, por pessoas de má índole. Também temos uma população de questionável acesso ao serviço de saúde e carentes possibilidades de educação, o que semeia um terreno fértil também à ação de charlatães que se utilizam da fragilidade de saúde e ingenuidade de parcela da sociedade para tomar vantagem usando-se da prática médica.

É válido estar atento ao exercício ilegal da medicina no sentido de nos salvaguardarmos de atos que se distanciam das nossas reais necessidades.

O médico tem a “saúde do ser humano” como “alvo de toda sua atenção”. Aquele que diagnostica doenças prescreve medicamentos ou conduz um tratamento sem respaldo técnico para isto, certamente não objetiva o “bem-estar” do indivíduo.

CORIOLANO, Daniel Victor
Estudante de Medicina