Arquivos da categoria: LUTA CONTRA O PRECONCEITO

DECLARAÇÃO DOS POVOS DE TERREIRO DE ITABUNA, BAHIA

Os Povos de Terreiro de Itabuna, Bahia, a partir de sua I Conferência Livre, organizada pelo Ilê Axé Ijexá, pelo Ilê Axé Oyá Funké e pelo Ilê Axé Iyá Omi, realizada em 8 de outubro de 2011, no Ilê Axé Ijexa, com objetivo congregar praticantes de religiões de matriz africana para discutir suas prioridades coletivas, visando alcançar a inclusão através das políticas públicas,

• diante da declaração da ONU que este é o ano do afrodescendente;
• diante das mudanças anunciadas pelo Governo da Bahia e do Brasil;
• diante dos resultados até agora alcançados pelas Conferências protagonizados pelo governo municipal, estadual e federal, na á área da Cultura;
• diante das ações promovidas pelo Governo da Bahia, para organizar seus territórios de cultura;
• diante da vontade expressa e atitudes do Governo Federal de promover a organização social dos excluídos;
• diante da falta de políticas públicas nos três níveis de governo para as comunidades tradicionais de cultura de matriz africana no Sul da Bahia;

Declaramos que os grandes problemas que envolvem as comunidades aqui em apreço têm como eixo questões identitárias de ordem externa e interna, em torno das quais giram todas as demais.

Em torno do primeiro eixo, torna-se necessário:
• Dar visibilidade às ações dos terreiros através de diferentes mídias, otimizando o uso das mídias tradicionais e das novas tecnologias, buscando a difusão da cultura religiosa afro-brasileira, resguardando o respeito e a liturgia;
• Exercer pressão às autoridades governamentais para fazer valer as políticas públicas;
• Perseguir a regularização fundiária de terreiros e a titulação de terras quilombolas;
• Promover ações de interferência em questões educacionais e curriculares (para fazer cumprir as Leis 10.639 e a 11.645);
• Dialogar com outros movimentos sociais, a exemplo do MNU e LGBTT;
• Esclarecer questões relativas aos direitos previdenciários dos pais e mães-de-santo;
• Reivindicar a garantia do direito à segurança, transporte e liberdade de culto;
• Promover marchas, seminário e outros eventos, seminários que dêem visibilidade do culto afro-brasileiro;
• Construir projetos e fixação destes projetos nos poderes municipais, estaduais e governamentais, para que eles se tornem permanentes;
• Garantir a realização da II Conferência de Povos de Terreiro;
• Garantir o acesso à comunicação cidadã;
• Promover a participação de candidatos das comunidades religiosas de matriz africana no pleito eleitoral, para viabilizar a ocupação de espaços de gestão governamental;
• Promover encontros com professores para discutir o culto afro-brasileiro como pauta de currículo educacional;
• Criar comissões formadas por povos de terreiro para estudar e monitorar o cumprimento das leis municipais, estaduais e federais;
• Fomentar discussões para criação de Conselho da Promoção da Igualdade Racial;
• Solicitar reformas para incluir o texto do Art. 275, da Constituição do Estado da Bahia, com as modificações que se fizerem necessárias, na Lei Orgânica do Município de Itabuna, e na Constituição Federal.

Quanto ao segundo eixo, é imprescindível:
• Criar fundações de defesa e fomento da cultura afro-brasileira;
• Responder positivamente ao que somos. É preciso que nos assumamos enquanto afrodescendentes;
• Promover ações agregadoras entre as casas de culto religioso de matriz africana, para diminuir o silenciamento dos povos de terreiro (ocultamento da identidade);
• Salvaguardar o patrimônio material, através da criação de associações para os terreiros que garantam a permanência dos cultos;
• Criar de um boletim informativo para as comunidades;
• Promover inclusão digital;
• Construir calendário de atividades articuladas para as comunidades de terreiro do território litoral sul;
• Produzir documento (cartilha) que reflita os direitos das casas de santo;
• Definir a questão: qual é a denominação oficial que teremos;
Definição escolhida pela maioria: Povos de Terreiro.

Sendo essa a nossa voz que expressa nossas necessidades para sejamos considerados verdadeiramente como cidadãos brasileiros, cobramos das estâncias governamentais, em seus mais diversos níveis, a atenção e o respeito ao nosso fazer e viver, além do cumprimento da Lei, nos garantindo os direitos a nós concedidos pela Constituição Brasileira. E para que tais direitos sejam legitimamente garantidos, que as estâncias governamentais realmente criem condições, através de políticas públicas que nos incluam enquanto cidadãos brasileiros, artífices da cultura nacional, há 500 anos alijados do acesso e consumo dos bens culturais da nação que ajudamos a construir, desde nossos ancestrais.
Itabuna, 9 de outubro de 2011.

RODA DE SAMBA NA CASA ABERTA

SÁBADO,18 DE JUNHO 2011, ÀS 13HS

PARTICIPAÇÃO SAMBADILA

AS RODAS DE SAMBA PROMOVIDAS PELO ESPAÇO CULTURAL CASA ABERTA, FARÃO PARTE DA PROGRAMAÇÃO DE ENSAIOS ABERTOS PARA O PROJETO “DIA DO SAMBA” QUE ACONTECERÁ EM NOVEMBRO DESSE ANO, EM ILHÉUS.

PRATO DO DIA: SARAPATEL (EM PROL DA REVITALIZAÇÃO DO ESPAÇO CULTURAL).

ENTRADA LIVRE

VENHA DANÇAR, TOCAR E FAZER O MUNDO GIRAR!

PARTICIPE!

ESPAÇO CULTURAL CASA ABERTA
OUTEIRO DE SÃO SEBASTIÃO
ILHÉUS/BAHIA
73-8803-5449

SAGA DE GUERREIROS

DANÇA AFRO CONTEMPORÂNEA

SAGA DE GUERREIROS

Boa Noite a todos e a todas!

Hoje é noite de SAGA.
Noite de “dizer” algo importante, um fato.

Noite de uma canção heróica baseada nalguma narrativa.
Noite de histórias e narrativas ricas de um povo guerreiro, dessas
tantas gentes.
Noite de arte e realidade, sonhos e verdades, lendas e reflexões.
Noite de Guerreiros.

Portanto, me diga:
De onde vem o baião?
Vem debaixo do barro do chão.

É como se Deus irradiasse uma forte energia Que sobe pelo chão
E se transforma em ondas de baião, axé, maculelê, afoxé, xaxado, capoeira, candomblé.
Que balança a trança do cabelo da menina, e quanta alegria!

De onde é que vem o baião?
Vem debaixo do barro do chão
De onde é que vêm o xote, o axé, o cheiro, a saga, a luta, a dança afro?
Vêm debaixo do barro do chão.

De onde vêm a esperança, a sustança espalhando o verde dos teus olhos pela plantação?
Vêm debaixo do barro do chão.

Saga de Guerreiros conta a história primeira dos primeiros moradores do Bairro Maria Pinheiro a partir de lutas travadas contra a desigualdade social, a força das
águas e contra os sonhos negados sorrateiramente pela história.

É um espetáculo pensado em parceria pelo Ponto de Cultura ACAI e o
Grupo de Dança e Percussão Afro Encantarte. O resultado é esse espetáculo montado
a partir de ideias discutidas e analisadas por todos os membros dos referentes grupos, abusando da riqueza natural que nos cerca e da criatividade
popular, da arte de amar e de se fazer a vida.

Retrata a memória daqueles e daquelas que se fizeram presentes na busca por soluções, mesmo que de forma pequena, para a melhoria da vida de
todos que se banharam nas águas forçadas do Rio Cachoeira.

Retrata ainda, a magia da força do povo negro na conquista pelo respeito e garantia de seus direitos baseados na lei e na justiça.

Com patrocínio do Ministério da Cultura – Programa
Mais Cultura– Programa Cultura Viva – Secretaria
de Cultura do Estado da Bahia – Fundação Cultural
do Estado da Bahia – Programa Pontos de Cultura
da Bahia e ACAI, desejamos a todos e a todas um
maravilhoso espetáculo