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José Cícero: Um guardião da história e poeta “da Aurora”

A Poesia que veio com a malota…fez do menino poeta militante. José Cícero tem uma longa militância política e cultural, alguns livros publicados. Um homem de muitas crenças e construtor de uma nova Aurora para o seu povo. Atualmente Secretária Municipal da Cultura, José Cícero fala da sua trajetória e das suas convicções.


Coletivo Camaradas: Quem é José Cícero?

Um homem simples e de convicções, profundamente apaixonado pela vida e pela natureza. Alguém, que ainda consegue acreditar no gênero humano, na força da inteligência vencendo a ignorância. Na visão holística do mundo ante a necessidade da sua construção histórica e da felicidade coletiva. Enfim, um homem quase à moda antiga; um romântico na acepção mais lídima do termo, a pastorear seus sonhos e suas utopias como um visionário a carregar nas próprias mãos a perspectiva de um mundo novo. Um mundo sem nenhum tipo de fronteiras, sem violência e nem exploração. Quem sabe o mundo dos poetas altissonantes… Como um vez pensou Guevara, Chico Mendes, Tereza de Calcutá e tantos outros que se eternizaram na história pela força das suas idéias e do exemplo. Como de resto, um homem disposto a aprender sempre, até com seus erros e vacilações.
Coletivo Camaradas: Quando teve seus primeiros contatos com a poesia?

A poesia entrou na minha vida quando descobri no fundo da ‘malota’ onde minha mãe guardava suas coisas mais importantes daquele tempo; uma caixa de versos – cordéis amarelados que mamãe mantinha escondidos desde a sua época de donzela. Apaixonei-me primeiro pelas figuras: belas xilogravuras das capas. Minhas primeiras leituras foram visuais. Posto que naquela idade eu não estava ainda devidamente alfabetizado. Mas aqueles desenhos povoavam a minha imaginação. Ao ponto de eu também construir as minhas próprias estórias. Vez por outra, minha mãe lia para nós( meu pai e meus irmãos pequenos) alguns daqueles cordéis. E como eu queria sempre mais, tive que aprender ler como em toque de caixa. De modo que posso afirmar que fui alfabetizado pela literatura de cordel, soletrado: Coco Verde e Melancia; Pavão Misterioso; a Briga do Cachorro com o Gato, a chegada de Lampião no Inferno, Jerônimo o Herói do Sertão entre outros clássicos do gênero.

Assim fui pegando gosto pela poesia popular por meio do cordel tipografado por José Bernado da Silva, com suas rimas, musicalidade, ritmo e sextilhas.

Nas segundas-feiras(dia da feira-livre na Missão Velha) ia com minha mãe para ajudá-la a carregar as compras. Por esse serviço ela me pagava um cordel que eu mesmo escolhia no ‘vendeiro’ no chão da rua. Passava o resto da semana torcendo para que a segunda chegasse só para poder receber o meu novo cordel. Algumas vezes ficava triste: pois o dinheiro era tão curto que mal dava para a feira e, não sobrava nada nem para o meu verso. Voltava desolado e o peso da feira nos meus ombros de menino parecia multiplica-se por mil.

Com o tempo comecei a fazer minha própria poesia. Um dia na 8ª série no ginásio paroquial a professora(Socorro Avelino) solicitou que cada um dos alunos construísse um poema. Leu a minha em voz alta, quase morri de vergonha. Sempre fui um sujeito tímido, compenetrado, introspectivo… De repente ela lia meus madrigais e eu me sentia como se despido estivesse no meio da sala. -“ Oh rainha dos meus sonhos/ onde estais tu agora/ o meu quarto está frio/como a noite lá fora…” este foi um dos meus primeiros poemas que lemrbo. No final ela me chamou de lado para saber mais sobre o meu pendor pela poética. Dizendo-me que a minha poesia era boa. Eu acreditei e, desde então, fiz um pacto com a poesia. Comecei a freqüentar com mais assiduidade a modesta biblioteca do ginásio. Abracei os românticos… até conhecer Vinícius, Drumond, João Cabral, Quintana, Augusto dos Anjos, Neruda, Cecília, Garcia Lorca e tempos depois Patativa. Depois, quando estudante do Colégio Agrícola do Crato nos idos de 84 do século passado eu mergulhei de cabeça literalmente nas letras. Lá a biblioteca era muito mais farta. Uma pena que não podíamos tocar o livro, vê-lo na estante, sentir seu cheiro em conjunto. Esquadrilhar com os olhos seus títulos em letras coloridas e garrafais. Tudo tinha que ser feito pela janela por meio de um catálogo datilografado caindo aos pedaços de tanto uso. Aquilo para mim era um martírio…Uma noite tive vontade de adentrar a biblioteca, mas me contive, não tive coragem…

Quando entrei no PC do B por conta da campanha da Frente Brasil Popular em meados de 89 primeira eleição de Lula x Collor fiquei mais seletivo, sorvendo os clássicos da literatura mundial. Dali, para o meu primeiro livro foi apenas uma questão de tempo. A poesia tinha invadido de vez a minha vida, tanto quanto a minha alma. E eu de certo modo me entreguei a ela como quem se apaixona pela primeira vez. Um autêntico vate inveterado entregue a engenharia artesanal do verso livre. Abracei a poesia moderna como uma solução metafísica para todas às agruras e o sentimento do mundo por intermédio da palavra escrita. E confesso que desde então, matenho uma relação de amor com o ato de tecer minhas ilações através da palavra escrita. A solidão que escolhi pra mim seguindo os conselhos de Nietzsche tem sempre a poesia, a escrita e a leitura em geral como companheiras inseparáveis. Penso e quero morrer um dia desses em companhia de um livro bom…

Coletivo Camaradas: Como você caracteriza sua poesia?

Como a minha melhor e, quase única maneira de dizer para mim mesmo e para os outros como realmente vejo o mundo e, sobretudo como o sinto no mais profundo do meu Eu. Ou ainda quem sabe, como certa feita dissera Pessoa: a minha maneira de estar sozinho.
Minha poesia é por fim, todo o subjetivismo de alguém que aspira, malgrado o ato solidária de escrevê-la, gritar aos quatro ventos suas verdades indignadas… Em suma, presumo que a minha poesia é a longarina-mestra de tudo o que penso, falo e escrevo. Meu racionalismo revolucionário, louco, ensandecido, insubmisso e supra- físico, ou tudo junto, como uma atitude audaz de inserção do mundo.
Coletivo Camaradas: Quais as influências no seu trabalho poético?

Como disse Platão, quase tudo na vida já foi pensado um dia, diria eu que a minha poesia é multifacetada em vários aspectos. Algo resultante de toda uma gama de leituras que fiz ao longo dos anos. E que ainda continuo. Portanto, densamente povoada e influenciada desde a literatura de cordel na sua sonoridade quase musical, como também pela poesia romântica expressa na plasticidade do seu aspecto vernacular e, finalmente pelo modernismo o que é possível perceber na questão da sua liberdade construtiva. Acho que a poesia concreta também ocupou durante muito tempo a base do meu crânio. Aliás, por conta disso ainda a vejo hoje.

Citar nomes é complicado, porém não posso deixar de declinar(para não fugir a regra) os de Drumond, Clarice, Leminski, Patativa, Augusto dos Anjos, Cecília, Vinícius, Quintana, Ledo Ivo, Bocage, Bilac, Jorge de Lima, Florbela, Neruda, Cassiano Ricardo, José Alcindo Pinto, Maiakosviski, Tiago de Melo dentro muitos outros. Inclusive da chamada prosa poética. O que se torna quase impossível citar todos eles por uma questão de tempo e de espaço. Minha poesia é, por conseguinte uma imensa cocha de retalhos. Um caledoscópio imagético de coisas e sentidos os mais diversos possíveis. Contudo, dizem que possuo um estilo próprio e diferente. Como de resto suponho que toda escrita é única, a menos que não seja verdadeira. Em linhas gerais, todos os poetas se completam e no fundo é isso que torna toda poesia dinâmica, sensorial. Um patrimônio universal da fauna humana.

Coletivo Camaradas: Quais as dificuldades para a publicação e circulação de obras literárias?

Num país que não valoriza efetivamente a leitura e, tampouco a produção do conhecimento, assim como seus poetas e escritores. Fica cada vez mais difícil falar do processo da publicação literária sem no mínimo, deixar escapar uma pontinha de revolta e indignação.

Assim como não há mercado para a poesia também não existe uma política de valorização e incentivo à produção em geral. Os chamados “escritores marginais” ou ativistas da literatura alternativa sofrem, portanto toda sorte de dificuldade para levar seus escritos adiante. Quando à duras penas conseguem o milagre de uma produção independente esbarra na questão da não-circulação. Terminamos assim escrevendo para nós mesmos. Neste contexto é que ressalto o valoroso papel agora desempenhado pela Internet. A rede vem conseguindo aos poucos democratizar muito daquilo que até recentemente se constituía como um privilégio das elites. No entanto, também serve à guisa de mídia burguesa aos espertalhões do capitalismo livresco(leia grande editoras) que conseguem maquiar e produzir pseudoescritores com seus supostos best sellers no mundo todo. Exemplos, inclusive no Brasil é o que não faltam. Ora, até Bruna Surfistinha consegue figurar na lista dos mais vendidos. Uma verdadeira afronta à inteligência da nação. Uma clara inversão de valores. Será que Lobato não estava certo quando afirmara que um país se faz com homens(mulheres) e livros? Ao meu juízo o livro tem que virar uma mania nacional assim como os BBBs, as bandas de forró descartáveis e as novelas da vida. É urgente colocar o livro na cesta básica do brasileiro fazendo com que deixe de ser um produto caro só ao alcance das elites. A leitura precisa se transformar numa prioridade política, inclusive dos próprios professores que no Brasil lêem tão pouco quanto o próprio alunado.
Coletivo Camaradas: Você é autor dos livros Ecos da Saudade(94); Serra Azul e outros ilustres filhos d’Aurora(96); Enxada, Foice e Suor (2007) e tem mais obras inéditas como Abstrações do Acaso; Minhas metáforas cotidianas e miscelânea poética de uma vida pela metade. Quando pretende publicar?

Toda vez que a gente conclui uma obra, vem logo aquela sensação e o desejo de vê-la publicada incontinenti. Não tem jeito. Cada livro escrito, portanto, é como se fosse um filho pedindo-nos permissão para viver, crescer e ganhar o oco do mundo. Mas, por tudo que já expus anteriormente, não é tarefa fácil a publicação. Creio que escrever se tornar muito mais fácil do que publicar. Coisas do Brasil… Não sei lá fora, posto que sou um prisioneiro compulsivo aqui deste lado do Equador. Mas sei que não está certo.

Assim, não sofro mais como no passado com esta angustia seca de ver meus escritos dormitando na gaveta como uma sentença de quase morte ou no arquivo do computador.
Até porque neste momento estou totalmente voltado para o meu trabalho à frente da Secretaria de Cultura de Aurora. Uma coisa de cada vez. Há um momento para tudo né… Quem sabe, de repente, não mais que de repente, este projeto de publicação poderá aflorar e vir à tona. Isso porque às vezes o que se escreve nos domina e nos dar ordem.

Além disso, estamos articulando para breve a publicação do 3º número da Revista Aurora, um informe de cunho cultural, histórico, filosófico e literário.

Curioso saber que podemos a qualquer momento irmos ao banco da esquina e contrair empréstimo para uma série baboseiras comerciais e até para outros fins menos nobres. Porém, não existe uma linha de crédito especial para uma questão tão sublime e estratégica para o desenvolvimento do país como é a publicação de obras literárias da população. E ainda falam que estão investindo no hábito da leitura. Coisa para “inglês ver” e colocar no papel. Ninguém percebe que o faz-de-conta não ajudar muito? É só olhar e avaliar com os olhos da razão o que está a ocorrer com a nossa educação. No entanto, os números nas escolas estão uma maravilha…

Coletivo Camaradas: Como você ver a relação arte e política?

Como duas faces de uma mesma moeda. Algo quase indissociável partindo do princípio de que representam duas importantes variáveis dentro do contexto das vicissitudes sociais. Toda arte, a meu ver, precisa ser engajada e o é, mesmo que o artista não o seja conscientemente. Na medida em que toda arte expressa uma realidade no geral, assim como um pensamento em particular. Uma somatória de experiências, ilações, inventividades, concepções imanentes, sonhos, desejos, pensamentos, utopias, sensações, gestos gramáticos etc. As visões do artista segundo sua ótica particular. A política por seu turno, é uma ciência das mais substantivas para o processo de evolução do homem em sociedade. E como tal precisa dialogar diuturnamente com o fazer artístico, sob pena de não corresponder a realidade dos fatos que coadunam com a realidade em xeque. Não há nenhuma espécie de dicotomia natural entre a arte e a política e, tampouco incompatibilidade de gênios. Quem ao contrário pensa se engana, quanto ao papel e a verdadeira importância de ambas no processo da transformação social e da criação do homem novo. A política sem o seu viés artístico é um equívoco desmedido, assim como a arte despolitizada é um engodo. Uma farsa, um aleijão em potencial. Digamos que todo artista é uma animal político com especialidade, em face do seu poder transformador das consciências das massas; assim como da realidade em seu entorno.

Coletivo Camaradas: Sua poesia tem a marca da sua militância política?

Imagino que sim. Minha poesia é, por assim dizer, uma bandeira de luta desfraldada em favor e em defesa das causas que sempre acreditei serem fundamentais para a melhoria dos homens, da sociedade humana e do planeta. Não sei como alguém poderá conceber a literatura sem este viés quase axiomático em favor do bem e do crescimento humano nos seus mais diferentes aspectos. Minha poesia é essencialmente porpositiva e, mesmo que eu não quisesse ainda assim teria o DNA da minha luta militante dispersa em todos estes anos. No entanto, não posso prescindir de ressaltar o seu aspecto lírico, sensorial, romântico, erótico, quase operístico do ponto de vista da linguagem. O que em essência são, por assim dizer, atributos inerentes a toda poesia que se preza e se afirma literariamente falando. Minha poética é minha clava forte! E isso é tudo…O resto fica a critério do leitor. Sim. Porque a poesia é subjetiva ao extremo. Podemos cada um lê-la e compreende-la do seu jeito. Seria uma espécie de semiótica poética, metalinguagem… o máximo da interatividade e do leitor ativo construindo o sentido do poema com o autor.

Coletivo Camaradas: O Ministério da Cultura vem fazendo uma revolução na concepção e na gestão das políticas públicas para a cultura no país?

A crítica fundamentada sempre será construtiva. Razão da nossa(os ativistas culturais) no tocante a esta verdadeira engenharia do Minc na sua tentativa às vezes macarrônica e mirabolante em se tentar dinamizar as políticas públicas para o país. No governo Lula diria que os avanços já são sentidos, porém são ainda iniciativas a meu ver, tímidas demais em face das grandes demandas que o Brasil apresenta. Estamos(estávamos) tão atrasados neste particular cultural que o pouco que agora já temos estão sendo chamados de “revolução”. Diria que para muitos dos artistas do povo, ainda estamos na idade da pedra, dado o nível de desprezo e abandono em que estão submetidos. De fato, estas coisas não acontecem do dia para a noite. Há um déficit cultural histórico vergonhoso, que sabemos não é fácil de superar. Admiro o ministro Juca estive com ele em Fortaleza, suas idéias e convicções me causaram boas impressões o que não ocorria com o cantor. Mas é notória a falta de maiores investimentos financeiros, a burocracia ainda impera e o tecnicismo governamental uma lástima. Há muitos entraves a serem superados…

Há também algumas atitudes absurdas e injustificáveis como os gordos benefícios direcionados aos setores das elites em detrimentos dos projetos mais ligados as massas populares no seu ofício cultural do dia a dia.

Creio por fim, que os mecanismos pelos quais se inserem a nossa atual política pública de cultura(em todos os níveis do poder) precisam ser melhores implementados, dinamizados, socializados, mais justos, desburocratizados, transparentes e democratizados. Deste modo, a cultura brasileira será melhor assistida e, decerto produzirá muito mais frutos.

Coletivo Camaradas: Atualmente você é Secretária da Cultura, Turismo e Desporto na cidade de Aurora. Quais os destaques da sua gestão?

Tudo o que já realizamos nesses 13 meses de gestão, foi e continua sendo destaques; visto que antes, quase nada havia sido feito na área cultural. Basta dizer que a secretaria de cultura só existia no papel. Tivemos literalmente que começar tudo do zero e isso continua sendo uma tarefa árdua. Construir alicerces sólidos demanda tempo e esforços redobrados. Notadamente quando não se recursos suficientes. Contudo, podemos destacar a compra e recuperação do antigo casarão da Refesa(onde morou o célebre historiador cearense Jader de Carvalho) que hoje abriga a sede da Seculte-Aurora. Uma iniciativa que visa a preservação do nosso rico patrimônio histórico e arquitetônico. A compra do antigo sobrado do Cel. Xavier – o fundador de Aurora, onde iremos instalar o museu e a casa de cultura Aldemir Martins no centro da cidade. A reforma da antiga estação ferroviária onde foi instalada e ampliada o acervo da Biblioteca Pública Municipal. Onde também iremos criar o Café Cultural, a Ilha Digital e o museu do engenho de cana no seu entorno. A recuperação da estação do distrito de Ingazeiras para o centro de cultura. A criação do ateliê de artesanato da Seculte, a realização da Conferência Municipal de Cultura, a formulação e sistematização do plano municipal de Cultura, o inventário turístico de Aurora, o mapeamento de todos os artistas e artesãos do município, festival de repentistas populares, criação da exposição permanente “olhares d’Aurora”. Apoio a resgate dos escultores locais, criação do selo postal e do brasão do município por ocasião da passagem dos 126 anos de Aurora; realização de grandes eventos voltados para a cultura local tais como: O Festal Junino; festival de teatro(Festac), o AuroraFolia com concurso de blocos e vesperal de clube(Carnaval da saudade), Festa do município; tombamento de prédios antigos; aquisição de um novo acervo bibliográfico para a biblioteca pública; criação do ateliê do artista plástico Arnaldo das Ingazeiras; criação do barracão da cultura; elaboração do calendário cultural e do plano municipal de cultural, participação no programa mestre da cultura(tesouro vivo da cultura cearense), dentre outras iniciativas. Presumo que um dos grandes destaques da nossa gestão foi termos conseguido restabelecer a autoestima dos nossos artistas e fazedores de cultura que estavam desacreditados por décadas de desprezo e cansados de tanto faz-de-conta. De tal sorte que voltaram a acreditar que uma nova visão cultural é possível. Que a cultura e o talento que eles possuem são valores que a Seculte-Aurora tem a obrigação de incentivar, preservar, difundir e valorizar como pérolas raras do nosso Cariri, etc.
Coletivo Camaradas: Quais os desafios?

Os desafios são imensos e incomensuráveis, porém nossa vontade e determinação de vencê-los são ainda maiores. Por isso somos fortes e não tergiversaremos um só instante nesta empreitada história de transformarmos para melhor a cultura aurorense. Notadamente pelo fato de podermos contar com um gestor – o jovem prefeito Adailton Macedo, como uma figura bastante sensível às causas culturais de Aurora, assim como às proposta do nosso projeto de política cultural que viabilizamos para o município.

Outro grande desafio é conseguirmos vencer todo o aparato burocrático e político das hostes governamentais que funcionam como verdadeiros abismos entre governo(do estado e federal) e os município, em especial os pequenos dos grotões do Nordeste, como é o caso de Aurora. Ainda, ter que convencer as instituições públicas e privadas que de algum modo tratam da cultura; de que o nosso interior também precisa de investimentos e incentivos, posto que dispõem de verdadeiros celeiros artísticos, muitos deles em completo abandono, ao ponto de desaparecer para sempre.

A propósito, cadê os projetos e os incentivos da BNB que não se estendem para os nossos rincões? Urge ainda que haja uma facilitação dos atuais projetos para a obtenção de incentivos culturais. Porque do jeito que são exigidos promovem uma exclusão sistemática de parcelas importantes dos nossos municípios interioranos e outras pequenas organizações de classe com o fito na arte e no fazer cultural.
Importantes Ações na área do esporte:
1- Realização da Copa Aurora de Futebol Amador – Leço Quezado.
2- Do Campeonato Juvenil de futebol – 2ª divisão – Luiz Simião.
3- Programa Esporte Cidadania – com a criação de duas escolinhas de futebol infanto-juvenil atendendo pouco mais de 200 crianças divididas em dois pólos: Araçá e Aurora Velha.
4- Projeto Segundo Tempo renovado atendendo cerca de 200 crianças em parc. do gov. do estado e federal.
4- Torneio de Voleibol e futebol de areia(infanto-juvenil).
6- Atletismo: Corrida ecológica e Corrida da emancipação
7- Circuito municipal de ciclismo
8- Torneio de Travinha no campinho da estação ferroviária.
9- Torneio de 1º de maior(com várias competições esportivas em diversas modalidades: Futsal, Campo e atletismo).
10- Solenidade de Lançamento do Projeto Segundo Tempo.
11- Sessão de lançamento da Copa Aurora e do campeonato juvenil segunda divisão.
12- Formação da seleção de futebol máster com atletas da seculte e convidados.
13 – Peneirão de futebol para o Atlético de Cajazeiras com as presenças de dirigente e do ex-goleiro Jorge Pinheiro.
14- Torneio de Futebol feminino no distrito de Ingazeiras(Gov. Itinerante)
15- Encontro com desportistas para a apresentação do projeto esportivo( e copa Aurora) nos distritos.
16- Encontro com os atletas mirins do PST encerramento das atividades do ano (recesso na estação ferroviária)
17- Composição do quadro de arbitragem.
18- Encontro com os atletas da Copa Aurora do campeonato da 2ª divisão juvenil para discussão sobre o Peneirão de Futebol.
19- Encontro com dirigente e atletas para a apresentação do Projeto Esportivo e Copa Aurora – Salão paroquial.
20- Diversas partidas de confraternização e exibição com equipes másteres de outras localidades.
21- Formação de uma equipe de monitores para o desenvolvimento do Voleibol, Handebol e basquete, bem como para cuidar do futebol feminino(campo e futsal) dentro das escolinhas e do PST.
22- Doação de várias bolas de futebol às equipes locais, sobretudo da zona rural.
23- Pré-seleção de 20 atletas mirins de Aurora para o programa Bolsa Esporte.
24- Mapeamento de todos os campos de futebol amador do município (sede e zona rural).
25 – Levantamento de todos os atletas, dirigentes esportivos e agremiações existentes no município.
26 – Jogo de exibição com a presença da seleção de ex-jogadores do Icasa e Guarany e seleção máster da Seculte com a presença do ex-craque do Vasco da Gama Naza.
27 – Recepção ao ídolo do Flamengo Ronaldo Angelim no sítio Lagoa do Machado.
28 – Reforma e pintura do Estádio Municipal e da quadra Poliesportiva do Araçá.
29 – Recuperação das traves da quadra do CSU e apoio sistemático ao desenvolvimento do futebol feminino(Futsal e campo).
30 – Fornecimento de material esportivo de boa qualidade(Topper, Pênalty, Stadium, Madrid e Kappa ) para o desenvolvimento diários de atividades esportivas nas quadras e campos da sede, distritos e zona rural).
31 – Realização do torneio de Futsal masculino de janeiro no distrito de Ingazeiras.
32- Realização do Dia do Desafio contra a inatividade em parceria com o Sesc/Cariri.
33 – Treinamento teórico para a equipe de arbitragem da Seculte.
34- Formação da equipe disciplinar para acompanhar a atuação dos árbitros durante as competições oficiais.
35 – Sistematização do Plano Municipal de esporte e Lazer.
36- Preparação inicial com vistas a realização da 1ª conferência Municipal de Esporte.
37- Elaboração do Projeto Sócioesportivo para o município.
38- Elaboração do Calendário Esportivo anual para o município.
39- Criação da comenda: Atleta do ano/2010.
40- Diversas partidas envolvendo as seleções dos atletas infanto-juvenis das escolinhas de futebol e do PST(Araçá e Aurora Velha).
Nunca o município de Aurora fez tanto pelo esporte, sobretudo nos investimentos em materiais esportivos e na promoção de grandes eventos.
41- Pré-inscrição de atletas juvenis de Aurora no programa Bolsa Atleta.
42- Encontros mensais de avaliação e planejamento da Seculte com os seus monitores esportivos.
43 – Atividades periódicas de caráter lúdico-pedagógico com os atletas mirins do Programa Segundo Tempo(PST).
44 – Liberação dos árbitros da Seculte para atividades de outras instituições locais, bem como para as partidas e “rachas” diários das quadras: Poliesportiva e CSU, bem como para os treinos diários nos campos de futebol, etc.
45 – abertura e melhoramento do campo de jogo do estádio municipal para as finais da Copa Aurora, jogos da comunidade e treinos públicos do segmento esportivo local.
46- Limpeza e Organização das atividades diárias das quadras do CSU e Poliesportiva.
47 – Apoio e acompanhamento dos jovens atletas para testes no futebol juazeirense.
Algumas ações importantes nas áreas da Cultura e do Turismo:

1- Aurora Folia. (Carnaval de rua, concurso de Blocos) e Vesperal das crianças(ABA).
2-Corpus Cristhus (Ornamentação da Avenida Antonio Ricardo).
3-Festal Junino(Festival Municipal de Quadrilhas Juninas)
4-Festac(Festival Municipal de Teatro)
5-Conferência Municipal de Cultura.
6-Apresentações culturais na vinda do Ministro da Previdência Social, José Pimentel.
7-Festa do Município 2009.
8-Apresentações culturais nas comitivas de Ingazeiras e Santa Vitória.
9-Aquisição do antigo casarão da Refesa.
10-Restauração da Estação Ferroviária.
11-Inauguração da nova estátua do Padre Cícero, teatro de rua e Banda Cabaçal.
12-Festival de Violeiros.
13-Restauração da Quadra Poliesportiva.
14-Instalação do Barracão da Cultura(artesanato e escultura) durante a festa do município e outros eventos importantes.
15-Torneio da colação(Ingazeiras).
16-Encenação do Presépio vivo de natal.
17-Instalação, inauguração e ampliação da biblioteca Pública.
18-Apoio à passagem do Rally dos Sertões por Aurora.
19-Instalação da sala de exposição na sede da Seculte.
20-Instalação do ateliê do pintor Arnaldo de Ingazeiras.
21-Criação do Selo Postal e do Brasão oficial do município.
22-Aquisição do acervo bibliográfico(1.177 livros) para a Biblioteca.
23-Aquisição por compra do antigo Casarão do Cel. Xavier (Cnec).
24-Participação no lançamento do Seminário Cariri Cangaço (Crato-Ce).
25-Instalação da sala de exposição “Olhares Aurorenses” de arte e cultura (sede da Seculte).
26-Exposição permanente/itinerante Dil André de Miniaturas de carros antigos.
27-Mapeamento cultura de artistas e artesãos aurorenses.
28-Participação de quatro artistas aurorenses no programa estadual Tesouro Vivo da Cultura cearense(mestres de Cultura) para a aquisição de uma bolsa vitalícia.
29-Inventários dos pontos turísticos de Aurora.
30-Apoio na apresentação dos talentos da terra durante a grande Festa dos 126 anos de Aurora.
31-Levantalmentos iniciais para o tombamento e melhorias na Necrópoles (cemitério) da Bailarina (Sítio Carro Quebrado), Casarão da Seculte e do Cel. Xavier e a Massalina do rio Salgado.
32-Inscrição junto a Secult-CE do Projeto do AuroraFolia 2010.
33-Estudos e Levantamentos técnicos com representantes da Secult-CE na Estação Ferroviária, Casarão do Cel Xavier, Estação de Ingazeiras, Casarão da Refesa, Capelinha da Mártir Francisca e dos restos arqueológicos(alicerces) da antiga Capela de São Benedito na Aurora Velha do Preto Bendito.
34-Criação do blog Seculte-Aurora para a divulgação das notícias, eventos e outros informes da Seculte, com também da arte e literatura aurorense.
35-Criação do ateliê do artesão Dil André( na dese da Seculte) e do acervo discográfico.
36-Incentivo financeiro e premiação considerável aos blocos carnavalescos e as quadrilhas juninas.
37-Apoio com a doação de bandas locais a alguns eventos festivos(musicais/dançantes) em diversas localidades da zona rural,
38-Reforma e pintura da antiga caixa d’água metálica da estação como um dos nossos monumentos históricos ligados a existência do trem,
39 – Exposição de obras de artista da terra durante a solenidade de fundação da AFA em Fortaleza,
40 – Apoio e acompanhamento ao jovem violeiro Alex das Oiticicas nas apresentações da Festa do Município, eventos locais e na TV Verde Vale de Juazeiro do Norte, etc.

Coletivo Camaradas:Você tem uma preocupação com o resgate da história regional, em especial de Aurora. Qual a importância dessa história para o nosso povo?

Penso que um povo sem história é um povo sem compreensão do seu presente e, portanto, sem futuro. Quem não conhece e nem preserva sua história está fadado ao fracasso, posto que não possui identidade, não se conhece a si mesmo. Perdeu seus referenciais…

Não consigo acreditar na cidadania humana quando existe um desprezo explícito ao conhecimento e a valorização da história de cada um, assim como da sociedade em que vive. De tal maneira que o nível de consciência intelectual de cada indivíduo está diretamente atrelado a sua capacidade de compreender a importância da história para a sua vida cotidiana e, sobretudo para a construção dos horizontes do seu futuro. Seria a história vista, analisada e repensada a partir de uma ótica dialética dos seus fatos e acontecimentos. Não vejo a história em todas as suas nuances, como algo morto e sepultado no âmbar do passado. Isso não. A história vive para sempre com os contemporâneos como se fosse a luneta mágica de Machado, como um farol iluminando o caminho, enfim, um instrumento de valorização das nossas experiências e potencialidades diante da perspectiva empírica da construção do futuro. Eis a razão do meu ingente interesse pela história de Aurora, da região e do mundo.

Toda história me é fascinante naquilo que ela tem de mais autêntico: a luta cotidiana dos seus personagens – o povo. Porque de alguma maneira me proporciona ensinamentos e sabedoria. Mas, entretanto ressalvo: desconfio e tenho medo da história puramente oficial. A história mascarada escrita pelos vencedores. A história que relevo será aquela tecida pelas mãos suadas e calejadas dos otimistas e explorados. Porque todas elas foram feitas de verdades… A verdade que ainda hoje nos liberta das amarras do atraso e da ignorância cavalar.
Coletivo Camaradas: Você é um dos assíduos colaboradores do blog do Coletivo Camaradas. Como você ver a atuação dos “Camaradas”?

Sinto-me honrado em ter sido convidado para colaborar com este projeto de mídia fenomenal que é o CC. Fazer parte desta plêiade de lutadores destemidos me apraz sobremaneira. De modo que está no meio de vocês (os camaradas) é como se fosse um puro sentimento de se está no mundo como diria o mestre Drumonnd.

A atuação dos camaradas segundo a minha ótica está sendo producente, positiva e fundamental para a projeção necessária e a repercussão que vem recebendo este blog pioneiro do nosso Cariri. Uma contribuição das mais valiosas para a democratização da informação, da cultura e difusão do hábito da leitura junto a sociedade caririense e alhures. A idéia da invenção/criação do CC foi simplesmente sensacional. E aqui aproveito para parabenizar esta mente prodigiosa, assim como esta força incansável do confrade e companheiro Alexandre Lucas, bem como de todos quantos se alinham com o seu propósito de luta e ideal revolucionário, eu diria. Conquanto, eu não podia me furtar a esta contribuição tão nobre de publicar neste Blog cultura e político a serviço do socialismo, das artes, da verdade e da evolução cultural e intelectual do homem.

Como seria o mundo e a própria vida não fosse a ousadia, o gesto de coragem, o desprendimento, a loucura produtiva, a inteligência, a paixão, a sabedoria, a garra sonhadora e ideológica de pessoas como estas que compões o CC?

Vocês me ajudam tanto a compreender, quanto a acreditar na possibilidade de um outro mundo possível, viável, igualitário, justo, fraterno, poético e diferente. Sucesso a todos vocês do CC.
Que Allá os proteja, guarde e ilumine para o todo e sempre…
Algumas poesias do Camarada José Cícero

PedAços
Porto.
Mar adentro
Parada.
Perdida
Oco do mundo.

Parto.
Sempre do princípio.
Porto;
Solidão da vida.
Parcas lembranças.
Trem fantasma.
Navio pirata.
Coração partido.

Parto.
Sempre do ponto
Eqüidistante.
Partido.
Sentimento.
Peso morto.
Prenúncio de tudo
Que existe
E que não temos.
Redemoinho,
Mar revolto,
Amazônicos desejos.
Beijos ardentes,
Islamismo.
Pacífico
Atlântico sul
Pecado.
Quebra-vento
Linha do equador.

Parto.
Tempo distante,
Natimorto.
Esquecimento.

Parto.
Posto inconcluso,
Geodésico.
Ponto cego
Quebranto.
Passamento,
Paraíso.

Parto.
Paroxismo extremo.
Nascimento.
Via-láctea, cosmos.
Pecado lírico.
Momento
Derradeiro,
Parada e tanto.

Porto.
Concepção da vida
E da morte.
Solidão de tudo
A partir de mim
E de todos os outros.

Parto.
Sentimento vivo.
Fragmentos
Do que um dia
Foi completo.

Porto longínquo.
Pergaminhos
Do mar morto.
Triângulo das bermudas.
Pleno medo,
Mistério.

Parto.
Parco instante
Tempo vencido.
Insígnia partida
Segrego da esfinge.
Saudade.
Puro fingimento.
Pecado,
Sacrilégio.
Defloramento.
Profanação de corpos
Pessimismo

Parto.
Estranhos pedaços
De tudo
Que existe
E não compreendemos:
Partidos.

NOTURNOS
Nas noites
De intenso frio
Eu ardo.
Quando me beijas
Tremo.
Nas noites
De calor intenso
Eu queimo
Por dentro.
Todos meus pecados
Profanos,
Quando me mordes
E riscas o meu peito
Com teu desejo
Ferino.
Sobre-humano.
Tição de fogo
Que carregas aceso
Entre teus lábios
m amanhecer de risos.
Nas noites amenas
Entrego-me como escravo
Aos teus carinhos
Alucinados.
Como um louco
Ao sabor da sorte
Predestinado,
Ao único amor que existe
Na face do mundo.
Nas noites que a tenho
Eu tremo.
Vivo, morro e ressuscito
Sempre quando sinto
Que estou em teus abraços
Estreitos,
Noturno orvalho,
Viva brasa.
Ação do gesto
Consolidando-se.
Aroma de terra e mato.
Acolhendo-me por inteiro
E por completo,
Como se eu fosse um náufrago
No alto-mar do teu como corpo lindo
Afogando-se por gosto
Por sua conta e risco,
Implorando,
para que tu me salves.
Nas noites que passamos
Em claro,
Não mais sentimos
Nada do que sonhamos
Ontem,
E não realizamos.
Nem frio, nem solidão, nem medo.
Toda felicidade existe
Neste instante eterno.
Paixão ao extremo
Do que é possível.
Somente aos deuses
Do Olimpo.
Porque junto encontramos
o porto seguro
que precisamos
para sermos felizes,
Todas às vezes
Que nos sentimos solitários.
Vazios de nós mesmos
E nos completamos.
Uníssonos.
Plenos sentimentos.
Nas noites pálidas
Que passamos
Tu me acendes,
Tocha incandescente.
Estrela guia
do meu oriente alvissareiro.
Íris dos olhos
Rosa sertaneja.
Frescor do teu sorriso
Abrolhos.
Todo belo que existe
Na mais justa perfeição
do encanto:
Maciez tênue dos teus seios
Apontando à frente,
O azimute,
Montanhas no limite
da verdadeira linha do horizonte.
Caminhos.
Noturnos que vivenciamos.

• PEDREGULHOS

Paralelepípedos,
[ palavras
que nos elevam
além do concreto.
[Sentimentos.
Altas muralhas,
que nos prendem
entre a poética
[existencial
do imaginário
e a inventividade
da sua própria lavra.

Paralelepípedos,
[falares.
Metalinguismo aristotélico
que dá forma ao mundo.
[Ideário
anglo-saxônico, ibérico.
Eterna sensação grandiloquente
de quem sofre
a eterna ilusão dos amantes.
Inexorável aptidão para o caos
que construímos.
Pelo que somos,
[toda fala.
Língua, cotidiano
que (re) inventamos.

Paralelepípedos,
[utopias.
Versos, flor de cheiro
aromas do caminho
que pisamos.
[Espinhos.
Realismo fantástico
do concreto,
daquilo que somos.
Imaginamos.
[vivemos
e nos abstraímos.
Quase sempre na ânsia
de sobrevivermos
a nós mesmos.

Paralelepípedos,
[concretude.
Geométrica forma
do que muito pouco
compreendemos
do universo.
Paralelismo;
palavras ao vento.
Símbolos gráficos,
sonoro abstracionismo
do que de fato somos.
Letras soltas
[sem sentido:
Granito humano.

Paralelepípedos,
[ concreto,
do que pensamos.
Sonho de pedra.
[Sentimento,
de se está no mundo.
Paralelepípedo.
Náusea, angustiante.
[Existir:
Pedra do caminho.

Vacuidade Humana

O vazio está em tudo.
Do mesmo modo
[indicativo
que o absurdo
de se viver o impossível
do que não é preciso…
Vive também
nos atormentando,
na mesma proporção direta
com que vivemos
a desesperança
de uma vida toda,
[entranhada
no superlativo
das coisas estranhas.
Bizarros interesses,
acontecimentos pífios.
Desejos dos maniqueístas,
a solapar o egoísmo,
– tênue combustível humano:
senso comum cotidiano
de todos os sonhos
que não têm sentido.
E outras ilusões
que alimentamos.

Ótica estranha
esta nossa…
Em vê-se o mundo
[pelo lado oposto,
avesso da luneta mágica,
convencionalismo.
Buscando sentido,
onde nenhum sentido
Jamais existe
ou se sustenta.
Quimera imperceptível,
sucedendo os fatos
tão sem nexo,
[inexatos:
neologismo de enganos
em fractais imensos,
cubos de gelos siberianos
com os quais testamos
todos os vícios
que consideramos
meros privilégios
sobre-humanos.
Na tola ilusão
de que somos
– máximos.

Puro vazio de tudo.
Hiperbólico estranhamento
[mal resolvido,
dentro de nós
sangrando.
Oco do mundo.
Qual ciclo menstrual
costumeiro, repetitivo,
e contumaz.
Sempre se derramando
no egoísmo residual
dos relógios cronológicos
escondidos no fundo falso
Do nosso consciente
[incauto.
Esquecido de propósito
nas gavetas dos hospícios
edificados em nosso cérebro
pelos duendes sedentos
de metal e sangue,
bem como pelos loucos.
Dementes ensandecidos
andando a esmo,
em círculo.
Contando vaga-lumes
no escuro-breu
dos nossos olhos
arregalados e cegos
de betume
no fim do túnel.

Racionalismo ‘escroto’
Estoicismo insosso.
Perdido no silêncio eterno
Da concretude geométrica
[e angular
do nosso credo
gregário,
apostólico.
Segredo conhecido
pelos falsos réus
escondidos,
dentro do juízo de nós mesmos.
Testemunhos ocular
de toda a vergonha
e a falta de escrúpulo
de todo mundo.

• QUEM SOU EU…

Sou Eu.
Sempre serei o que penso de mim mesmo.
Nunca serei nada mais que isso
na medida exata daquilo que nunca pensei que eu fosse.
Eu simplesmente existo.
E desse modo indicativo e estranho
sinto que estou vivo.
Pleno, feliz e farto de ser eu mesmo
o tempo todo;
e um pouco mais se for preciso.
Nunca serei nada.
Estou sendo…
Posto que meu tempo é hoje.
E isso é tudo.
E o que eu não sou
nunca penso.
Posto que não pretendo.
Tudo o mais que imagino
no mais das vezes sinto
que não serei.
Sou outro.
Estou sendo.
Eu aconteço…
Amanheço e anoiteço em mim mesmo.
Porque vivo não no espaço.
muito mais que no próprio tempo
de tudo que nunca serei um dia.
Eu sou:
logo existo.
Eu sou – José Cícero.
Devoto que traz no peito
um pouco de coragem e medo
de tudo que desconheço,
muito mais que de tudo um pouco.
Sou eu..
Um romântico vencido
pela vida que os outros sentem,
mas que não sinto
por em mim mesmo.
Apenas penso.
Muito antes do que falo e escrevo.
Eu sou José Cícero.
Eu EXISTO!