Arquivos mensais: junho 2018

Comunidade do Gesso deverá construir barracão comunitário até agosto

O Coletivo Camaradas pretende construir este ano o Barracão Comunitário na comunidade do Gesso. A intenção é que o equipamento esteja pronto para a Mostra do Brincar que será realizada no período de 22 a 26 de agosto.

O Barracão consiste numa tenda de alvenaria, medindo uma circunferência de 10m. O equipamento idealizado pelo Coletivo Camaradas servirá para práticas lúdicas, artísticas, culturais, esportivas, reuniões, oficinas e feiras. O projeto arquitetônico foi projetado pelo arquiteto Alexandre Lúcio Nunes.

A obra deverá ser construída a partir de uma parceria entre Coletivo Camaradas, Prefeitura Municipal do Crato e Universidade Federal do Cariri – UFCA e empresas privadas. A mão de obra para construção do barracão será da própria comunidade.

De acordo com o pedagogo Alexandre Lucas, que integra o Camaradas, o equipamento é um importante instrumento de integração comunitária e de diálogos com as mais diversas instituições, artistas, ativistas e pesquisadores locais e nacionais. Lucas destaca que está sendo mantido uma articulação com a gestão municipal para viabilizar a aquisição do material e com a UFCA discute-se o apoio financeiro para subsidiar o pagamento da mão de obra. Entretanto, o Camaradas deverá fazer campanha para arrecadação de materiais e recursos, tendo em vista que a parceria não deverá suprir todas as necessidades da construção.

Prefeito do Crato recebe demandas para  I Mostra do Brincar

O Coletivo Camaradas encaminhou para o Prefeito Municipal do Crato, José Ailton Brasil,   na última segunda-feira, 18,  ofício para ser despachando com as secretarias municipais de Cultura, Educação, Meio Ambiente e  Desenvolvimento Territorial ,  Esporte e Infraestrutura. O documento pede melhorias para Comunidade do Gesso, que receberá  a I  Mostra do Brincar,  a ser realizada no período de 22 a 26 de agosto/2018.

Dentre as solicitações estão calçamento, ampliação da capacidade de iluminação, limpeza e capinagem, reparo e manutenção da quadra do Gesso, além do apoio para construção do barracão comunitário, materiais e cachês para as apresentações artísticas.

A Mostra do Brincar será  realizada em parcerias com universidades, coletivos, escolas, instituições culturais, secretarias municipais e estaduais e deverá reunir pesquisadores, artistas, mestres da cultura popular, educadores e a comunidade durante cinco dias recheados de maratonas de brincadeiras, contação de histórias, apresentações de grupos da cultura popular, intervenções urbanas, batalhas de rap, oficinas de jogos e brincadeiras populares.

Mostra do Brincar será realizada no Crato

Universidades, escolas, instituições culturais, secretarias, grupos da tradição popular, pesquisadores, artistas, educadores e coletivos estarão realizado no período de 22 a 26 de agosto, na Comunidade do Gesso, em Crato, a I Mostra do Brincar. O evento tem o objetivo de refletir sobre a cultura lúdica e a ocupação criativa da cidade, além da realização de uma série de atividades envolvendo brincadeiras e jogos numa troca de saberes populares e científicos.

A ação idealizada pelo Coletivo Camaradas faz parte das propostas que proporcionou o reconhecimento da organização pelo Ministério da Cultura, a partir do Prêmio Culturas Populares com o projeto da “Brinquedoteca Popular”.

As atividades da Mostra deverão ser realizada nas escolas do entorno e no largo do Gesso.

O Coletivo Camaradas tem a intenção de construir até o evento um Barracão Comunitário, uma espécie de tenda de alvenaria com 10 metros de diâmetro que ficará de forma permanente na comunidade, que servirá para abrigar diversas ações realizadas na localidade.   O Coletivo Camaradas pretende construir o equipamento com o apoio da Incubadora de Empreendimentos Populares e Solidários – ITEPS da Universidade Federal do Cariri – UFCA e da Prefeitura Municipal do Crato, sendo a mão de obra para construção do barracão dos próprios moradores comunidade.

A Mostra prevê a realização de cerca de 10 oficinas, maratonas de brincadeiras, passeio ciclístico “Mungaga”, Mostra de Cinema de Animação Lula Gonzaga, rodada de contação de histórias, distribuição de mudas frutíferas e medicinais, Feira de Brinquedos e Jogos, intervenções urbanas, roda de poesia, batalha de rap e apresentações do grupo da tradição popular.

O Coletivo como eu vejo: Uma militância além do Gesso

Cíntia Gomes – integrante do Coletivo Camaradas

Maria Cíntia Gomes*

Neste texto proponho uma reflexão sobre o Coletivo Camaradas que transcende os padrões acadêmicos em que me encontro enquanto graduanda no Curso de Licenciatura em Pedagogia e que se encontra na minha subjetividade, pois enquanto pessoa humana  almejo um mundo de empatia e de solidariedade em que todos sejamos reconhecidos dentro das nossas diferenças sem que isto nos torne superiores uns aos outros.  A minha pouca experiência no Coletivo Camaradas me faz pensar que este sonho não é impossível e nem tão distante, pois vi que existem pessoas engajadas na construção do Socialismo no Brasil e na resinificação social de muitas vidas que se encontram marginalizadas no Cariri cearense.

Sabemos que a estigmatização social e a marginalidade não são fenômenos recentes na nossa história e a luta pela superação desses mecanismos ultrapassam os séculos de nossas narrativas e rompem a cultura do silenciamento que atinge as classes populares de forma tão violenta. O desvelamento deste sistema marcado pelo patriarcado, pelo machismo, pela superioridade da cultura eurocêntrica e pela heteronormatividade  que constrange nossas representações, nossa liberdade e a maneira de existir que pertence a cada um de nós é um elemento fundamental para o combate a este sistema social que a nós está posto, entendendo que a construção de uma consciência crítica nos dá possibilidade de encarar esses padrões com a força necessária para desconstruí-los.

Os caminhos para se chegar a esta consciência crítica que potencializa a busca pela transformação social são diversos, o que não quer dizer que sejam fáceis. O Coletivo Camaradas surge na Comunidade do Gesso em uma conjuntura específica do local, que recebe reflexos do longo processo de estigmatização social decorrente de padrões estabelecidos socialmente baseados em princípios e valores hierarquizantes, neste sentido a cultura política adotada pelo Coletivo, enquanto Movimento Social, consiste na produção de propostas e ações conscientizadoras através da Arte Política. Uma arte que incomoda, que nos instiga, que nos faz refletir e que contribui para a desnaturalização de certos estigmas sociais. A Arte Política é um mecanismo de produção de novas narrativas acerca da própria comunidade e é um instrumento de luta emancipatório e humanizador que visa desenvolver o sentimento de pertencimento comunitário e a partir dele a valorização da própria identidade dos moradores que constroem o Gesso.

O papel que o Coletivo Camaradas desempenha no cenário de lutas pela busca da democratização social tem efeitos que vão além das questões estruturais da comunidade, isso é perceptível principalmente na concepção de infância construída com base no protagonismo infantil, onde as crianças da comunidade são vistas como sujeitos políticos, participativos e produtores de cultura tendo um lugar reservado no palco de reivindicações, neste sentindo há uma construção de identidade pautada em princípios que consideram as especificidades de cada sujeito sem interpretá-las como aspectos de dominação. As ações desenvolvidas pelas pessoas que fazem o Coletivo são fundamentais não só para o Gesso mais para todas as pessoas oprimidas pelo sistema, por isso é necessário unir forças para potencializar a emancipação humana e o sentimento de coletividade transposta na filosofia do Ethos Ubuntu que nos sugere a cultura do compartilhamento e de comunidade fruto da nossa afrodescendência que nos foi silenciada.

O além do Gesso sugerido no título desta pequena reflexão enfatiza a grande rede de relações que estabelecemos neste intervalo de nossa existência. As pessoas que passam pelo Coletivo Camaradas, mesmo as que não permanecem, a elas são acrescidas novos valores, novas concepções e novas visões de mundo que serão compartilhadas mais adiante com novas pessoas e assim por diante. O Coletivo como eu vejo é um grande palco de lutas que possibilita a livre expressão do nosso ser e do nosso existir, não é preciso incorporar personagens para subir a este grande palco basta ser quem somos ao passo que sentimos as dores, as angústias e os ensejos dos nossos companheiros. É preciso nos construir coletivamente para que possamos ser a força uns dos outros nesta narrativa.

 

*Graduanda em Pedagogia pela Universidade Regional do Cariri – URCA e integrante do Coletivo Camaradas