Coletivo Camaradas:  Vamos nos escrever

Por Alexandre Lucas*

É a partir da escrita que documentamos e damos elasticidade  a dimensão histórica e social da vida humana. Escrever é criar memória, história, ampliar visão social, reproduzir ideologia, formar, organizar e registrar compreensões de mundo. No Coletivo Camaradas, precisamos estar atentos  para importância da nossa escrita como forma de  construirmos uma  trama da nossa narrativa de organização.

Precisamos exercitar constantemente a nossa narrativa  e reflexão  sobre as nossas formas de organização e posicionamento diante das conjunturas.  Essa é uma contribuição que dá sustância ao nosso  próprio entendimento enquanto organização política de lado definido, ou seja, de esquerda e marxista.  A escrita sobre a nossa organização serve como bússola para orientar o trabalho político de cada militante. Militante sem norte político é agrupamento escasso de forma e conteúdo.

Duas questões se apresentam como importantes nesta construção: a criação de conteúdos a partir das demandas do cotidiano, registros das ações e  articulações e por outro lado a produção da pesquisa científica, ambos fazem para parte do mesmo contexto de edificação  da nossa narrativa e da luta na disputa de ideias.

A nossa prática política exige a dimensão científica como elemento de compreensão do que somos e do que queremos construir, sem perder o foco que enquanto organização marxista disputamos um projeto de sociedade e que na luta cotidiana enfrentamos as batalhas no campo da organização popular e das ideias.

Quando escrevemos sobre quem somos e o que queremos ser e construir,    estamos definindo a ocupação de um espaço político, com identidade e consistência. Entretanto, vale destacar que definir o que o somos e  o queremos, nos remete a uma reflexão mais profunda  do que a relação empírica, não  se trata apenas de descrever, mas de contextualizar o nosso lugar, saber e fazer dentro  de uma aspecto macro, o que numa compreensão dialética nos remete a relação de conjugar a teoria versus  prática para apreender uma nova ideia e nova pratica.

Ao escrever sobre nós, damos vazão para que nossas vozes sejam ampliadas e que nossa experiência seja replicada e isso faz com que as bandeiras  políticas  que defendemos ocupem as discussões nas esferas acadêmicas e no campo da luta popular.  A nossa escrita é base necessária para combustão da nossa agitação e propaganda e alimento para  subsidiar a luta pela disputa de um projeto de sociedade e do enfrentamento das lutas de  ideias.

*Pedagogo e integrante do Coletivo Camaradas.

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