Arquivos mensais: agosto 2017

Projeto visa integrar ações de instituições na Comunidade do Gesso

WhatsApp Image 2017-08-29 at 15.06.21

 

A rede Território Criativo do Gesso visa integrar e potencializar ações desenvolvidas pelas instituições publicas, movimento sociais e moradores da comunidade do Gesso, na cidade do Crato.
A ação idealizada pelo Coletivo Camaradas tem a parceria da Pró-reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri – URCA.
No dia 12 de setembro, às 14h, na sede da SCAN, na rua Padre Ibiapina, acontecerá o II Encontro do Território Criativo do Gesso que tem o objetivo de reunir gestores municipais, representantes de projetes de extensão, grupos artísticos, coletivos e moradores.
No ultimo encontro foram reunidas 22 instituições. Para o Coletivo Camaradas é importante esse dialogo, pois rompe barreiras e aproxima pessoas e instituições para pensar a cidade de forma horizontalizada e cria parcerias para o desenvolvimento social. Outro aspecto importante é o reconhecimento e a autonomia das ações desenvolvidas por cada instituição dentro deste Território.
O evento é aberto para as instituições que queiram compor a rede do Território Criativo do Gesso.

A comunidade do Gesso uma experiência além da cultura

Por Alexandre Lucas

A cultura pode ser um elemento de desenvolvimento e emancipação social, mas também ser um instrumento de dominação, opressão e naturalização da ditadura dos ricos. É preciso reconhecer esse aspecto conflitante e o seu caráter de classe para que não façamos a reprodução ingênua de tratar a cultura, como um elemento imparcial e acima da luta de classes.

A dominação econômica concomitantemente produz uma dominação cultural, caracterizada pela redução do acesso a diversidade historicamente produzida pela humanidade tanto no campo simbólico, como material e até mesmo de mobilidade urbana. Os meios de comunicação de massa estão a serviço do capital, o que vai deste a programação musical ao conteúdo das notícias.

Existe uma ditatura do consumo cultural e quem dita às regras são os donos dos meios de produção e o povo tem opções de consumir de forma alienada ou de criar pontes de resistências, abrindo canais para outras narrativas, algumas que se contrapõem a logica mercantil e outras que produzem uma nova espécie de cultura gourmet para o povo, que muitas vezes reforça uma concepção estética, artística e cultural dominante.

É preciso pensar a cultura a partir de um projeto de sociedade, o que ultrapassa as barreiras locais e se alinham as narrativas macros de sociedade. Pensar a sociedade a partir de uma ilha é cair no campo da utopia romanceada que não considera os fatores antagônicos das classes socais e as condições objetivas da realidade social.

A partir desta concepção, tentarei descrever uma experiência que vem sendo esboçada e refeita constantemente pelo Coletivo Camaradas na comunidade do Gesso, na Cidade do Crato, no Ceará.

A comunidade do Gesso é uma área situada entre os bairros Pinto Madeira, Centro, Santa Luzia e São Miguel, que na década de 50 a 80 teve uma das maiores zonas de prostituição da região sul do estado do Ceará e a marca da ausência das politicas públicas, com o declínio da zona de prostituição, o tráfico se torna referência da comunidade para a cidade. O que acontece na maioria dos bairros e comunidade que concentra as camadas populares em situação de vulnerabilidade social.

Esse contexto gerou e gera um forte impacto na estigmatização social da comunidade e internamente existe uma estratificação no processo de organização social dos moradores, o que repercute nas diferenças de compreensões das narrativas locais e de sociedade, mas que se comungam na ideia do “melhor para comunidade”.

No campo da cultura, o que não é um caso particular da comunidade, a industrial cultural tem papel degenerativo significante de reproduzir a descrença humanitária e a desvalorização dos direitos humanos.

É diante destas configurações que o Coletivo Camaradas vêm atuando, numa perspectiva de reconhecer a possibilidade da cultura enquanto vetor de desenvolvimento social e emancipação humana.

Para situar, o Coletivo Camaradas atua na comunidade desde 2007 e compreende que o seu papel deve ser de construir pontes entre as iniciativas da comunidade, os movimentos sociais e diálogos, quando possível, com o poder público. Essas pontes estão intimamente ligadas a um projeto de sociedade, que se permeia pela noção de interligação e não de isolamento social, ou seja, a compreensão de tratar a problemática social como fator local é reduzir o espaço de empoderamento e compreensão da realidade social.

O desafio do Coletivo Camaradas possivelmente seja o de ser compreendido e ao mesmo atuar no campo de disputa da cultura para construir uma nova cultura política baseada na solidariedade, na defesa da democracia e da construção comunitária de base intercomunitária.

Neste sentido, umas das questões centrais, no combate a estigmatização e vulnerabilidade social desenvolvida pelo Coletivo Camaradas é a “desinvisibilização territorial” e apresentação da potência criativa da comunidade, como elos de elevar a autoestima comunitária, a capacidade inventiva e o poder de articulação e conquista política.

Desinvisibilizar é torna visíveis os processos organizativos e criativos que ocorrem na comunidade como mecanismo de atração e diálogos com as instituições e sujeitos sociais, o que vem proporcionado à democratização da alfabetização estético-artística, aproximação da atuação do poder público na comunidade, o fortalecimento de parcerias entre comunidade, movimentos sociais e as instituições públicas.

Cada vez que é apresentada uma ação na comunidade, se impulsiona uma potência criativa, o que cria relações de identidade e pertencimento com o fazer criativo e positivo da comunidade, nesta luta é necessário, que a comunidade se veja como protagonista, no rádio, na tv, nas redes sociais e nos espaços. É um tiro na estigmatização.

Essa compreensão combate outra lógica, difundida pelos conservadores e reacionários, de apresentar as camadas populares como incapazes de construir suas pontes e seus caminhos de diálogos, sobrevivência e resistência política. A comunidade tem que ser a interlocutora das suas demandas sociais, sem intermediárias, os quais normalmente atrapalham o poder de organização da comunidade.

O Coletivo Camaradas neste processo de articulação que ultrapassa o âmbito da cidade busca alinhar alternativas políticas, pedagógicos, estéticas e artísticas que estejam conectadas a outra compreensão de sociedade baseada na solidariedade e na democracia econômica, social, cultural e tecnológica, o que só é possível interligando a comunidade ao mundo e a outros sujeito sociais.

Diversas são as ações neste sentido desenvolvidas pelo Coletivo Camaradas na Comunidade do Gesso, que vai deste a construção da ação/rede do Território Criativo do Gesso que é uma estratégia de atuação em rede que envolve comunidade, movimentos sociais e o poder publico e visa potencializar ações já desenvolvidas no entorno da comunidade, ou ainda, proporcionar novas parcerias.

O Terreiro do Coletivo Camaradas é outro exemplo, ligado ao processo de alfabetização estético-artística, o Terreiro consiste num piso de cimento medindo aproximadamente 5 metros x 8 metros, essa pequena estrutura construída em espaço aberto proporciona que a Comunidade possa ter um espaço para ser apresentar e se ver, bem como propicia dialogo com diversas instituições de fomento as artes, com outros grupos e artistas de diversas regiões brasileiras e coloca a comunidade dentro do circuito das artes.

O trabalho que é desenvolvido no campo da democratização do livro e da leitura visa contribuir para uma cultura leitora, através dos Pontos de Leituras nas bodegas, nas intervenções urbanas do Poste Poesia, as contações de histórias, exibição de filmes, apresentações musicais, na roda de poesia protagonizada pelas crianças e na publicação de livros. Essas ações envolvem a comunidade e estabelecer novas conexões e proporciona desenvolvimento intelectual e desperta olhares externos que compreendem a democratização da leitura como ferramenta para ampliar a visão social de mundo.

A Feira de Sustentabilidade “Trocaria” visa favorecer novas possiblidades de renda e inserir a comunidade dentro de outros espaços de economia solidária, em que a construção de “gente” seja mais importante do que a construção de “valores”.
Portanto, a experiência que vem sendo desenvolvida, foge da oferta e da procura da cultura enquanto mercadoria ou disponibilização do arroz e do feijão, que não agrega sustância no aspecto da emancipação humana. Queremos provar do caviar que nos é negado, podemos até não gostar, mas temos o direito de consumi-lo.
A defesa do direito a cultura deve ser contextualizada a outros direitos negados as camadas populares.
A experiência na comunidade do Gesso, não é uma receita pronta para um bolo social, mas um desafio que exige amplitude de compreensão, capacidade de interlocução e norte político do tipo de seres humanos e sociedade que se quer construir.

Na comunidade do Gesso, o Coletivo Camaradas aprende todos os dias como tomar rios e mares porque não comunga com a ideia de dar peixes ou ensinar a pescar. Isso vai além da cultura.

*Pedagago, artista/educador e coordenador do Coletivo Camaradas.

Comunidade do Gesso terá Jornada de Narrativas Orais

 

cartaz-narrativas-correto

Narradores e narradoras orais ocuparão a comunidade do Gesso, no Crato,  nos dia 20 e 21 de agosto com contação de histórias, rodas de conversas, maratona de contos  e presença de mestres da cultura popular.

A Jornada de Narrativas Orais tem o objetivo de fortalecer a contação de história e criar uma rede contadores da região do Cariri. A iniciativa do Coletivo Camaradas conta com a parceria da Pró-reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri – URCA, Sesc e,  Companhia Forrobdó de João Pessoa – PB e do Escritório Regional da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.

No dia 20, às 17h30, no Terreiro do Coletivo Camaradas terá contação de história com a narradora Aline Alencar da Companhia Forrobodó (PB). No dia 21, às 14h00,no Laboratório de Criatividade,   terá roda de conversa com contadores da região do  Cariri e tendo  como  discursão a regulamentação da profissão de contador de história no país, o que vem ocorrendo em diversas regiões do Brasil , por conta que no  congresso nacional tramita  projeto de lei sobre o assunto,  o qual está sendo questionado pelo narradores.  A partir das 17h30, no Terreiro haverá uma maratona de contos aberta ao público.

“Vibe na Minha Rua” movimentará bairro em Juazeiro do Norte

WhatsApp Image 2017-08-08 at 15.04.10

A terceira edição do “Vibe na Minha Rua” , acontecerá no  dia 19 de agosto, no bairro Frei Damião,  em Juazeiro do Norte.  Essa edição tem como tema “Quando povo se junta o poder se espalha”, a ação é idealizada pelo rapper Dextape que coordena a área de música do Coletivo Camaradas.

O evento tem o objetivo de  ocupação e resignificação da rua como espaço político e de entretenimento, ação também contribui para fomentar  a produção e circulação da cultura hip hop.

O “Vibe na Minha Rua” acontercerá na rua Francisca Correia Brasil e  contará com exibição de filmes, intervenção urbana do Poste Poesia e com as apresentações   do Irmandade Rap, Tony GDF, Erivan Produtos do Morro, Lory Mc, Claves e Rosas, Matilha 16 e Clandestinos Rap. Haverá também uma oficina de produção musical com o rapper Erivan Produtos do Morro.

O evento é uma realização em parceria do Coletivo Camaradas, Rede de Educação Cidadã (RECID), GRUNEC a ONG Construeco Cariri e o Instituto Federal do Ceará – IFCE.

Comunidade do Gesso se reúne para planejar Trocaria

20727353_670106039846813_304023479_o

A Trocaria será retomada pela Comunidade do Gesso, no Crato, como uma feira de sustentabilidade. A experiência que teve inicio em 2013 como um momento escambo na comunidade, em que os moradores trocavam livros, calçados e roupas por outros objetos será ampliada. Além da comunidade , a feira será realizada em Praça do Centro da cidade.

Os moradores se reuniram nesta terça-feira, 08, para planejarem as ações. A Trocaria será composta por membros do Coletivo Camaradas, moradores e integrantes de coletivos que compõe a rede Camaradas. Estão previstas ações formativas no campo da Economia Solidária e Criativa, Higienização, artesanato e gastronomia.

A intenção é estabelecer parcerias com as instituições que compõe o Território Criativo do Gesso e possibilitar a continuidade da ação e a circulação dos produtores em outros espaços.

A Trocaria será composta por sebo de livros, bazar, artesanato, objetos de arte e gastronomia.

A Trocaria será realizada no dia 22 de setembro, na Comunidade do Gesso e no dia 23, pela manhã na Praça Siqueira Campos.

Acontecerá nesta quinta-feira Encontro do Território Criativo do Gesso

logo-tcg

O Encontro deverá reunir secretários municipais, representantes de órgãos estaduais, universidades, escolas, ONGs, coletivos, associações de moradores, desportistas e grupos artísticos. .O Território Criativo do Gesso é uma estratégia de atuação em rede que visa potencializar as ações das instituições  que atuam nos bairros Cetro, Pinto Madeira e São Miguel, no Crato.

O encontro acontece nesta quinta-feira, a partir das 13h30, no Laboratório de Criatividade do Coletivo na Comunidade do Gesso e em seguida os participantes participarão  de um segundo momento na Escola Profissionalizante Violeta Arraes.

Segundo o idealizador da rede, o pedagogo Alexandre Lucas, que coordena o Coletivo Camaradas, a ideia  da rede é reconhecer as iniciativas das instituições púbicas, dos movimentos sociais e da comunidade e ao mesmo tempo interligar essas ações visando o desenvolvimento social da cidade  e a qualidade de vida dos moradores. Ele destaca a importância de apresentar alternativas criativas e articulações em rede, com o intuito de  instigar a organização comunitária e a capacidade de interlocução da população.

O Encontro contar com a parceria da Universidade Regional do Cariri, através da Pró-reitoria de Extensão – PROEX, que disponibilizou 17 monitores que desenvolverão encontros e o cadastro de mais de 30 organizações públicas e da sociedade civil que atuam no entorno da comunidade do Gesso.