A militância virtual como exército de agitação e propaganda

Por Alexandre Lucas*

Na contemporaneidade as formas de pensar a agitação e propaganda nos movimentos sociais exigem uma conexão com os novos recursos tecnológicos de comunicação de massa que fazem um contraponto aos potentes veículos de comunicação das elites econômicas, as chamadas redes sociais devem ser ocupadas.
O termo “Agitação e Propaganda – Agitprop” tem origem no processo revolucionário da União Soviética, como uma estratégia para o processo de agitar as massas (politizar ) e propagandear as ideias da revolução, através das artes, da literatura, do jornalismo e da propaganda. O Agitprog parte da compreensão que no campo do simbólico é preciso reconhecer e travar a luta de classes, a luta no campo das ideias.
O conceito de Agitação e Propaganda se espalhou entre as organizações e partidos de esquerda de diversos países. No Brasil, década de 60, os Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes – CPCs da UNE, os Movimentos de Cultura Popular – MPC e outras experiências mais recentes como as Brigadas Culturais do MST e o Centro de Teatro do Oprimido, as experiências midiáticas como é o caso do Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação conhecida como Mídia Ninja e os Jornalistas Livres são referências brasileiras, no campo da ocupação da internet como mecanismo de contraponto ao discurso do mercado e com uma narrativa a partir das vozes dos movimentos sociais.
A internet está presente na vida do povo brasileiro e é uma nova forma de relacionamento, a qual tem uma capacidade de difusão instantânea, de longo alcance e abrangência.
A internet possibilita neste contexto midiático receber, difundir e gerar novos conteúdos, narrativas e informações criando um cenário para contraposição da comunicação hegemônica e a interlocução com outras vozes.
Esse é um espaço que não pode ser desprezado e precisa ser compreendido no seu aspecto prático e de análise para o cotidiano da luta política. É uma ferramenta indispensável para potencializar ideias e ações, criar redes, gerar informações e recrutar militantes para a nossa causa.
O processo virtual possibilita a articulação real e vice-versa. Neste sentido, a nossa militância deve ser formada para atuar no campo midiático como tática para acumulação e dialogo das forças políticas.
O militante, ao assumir essa tarefa como algo habitual, contribui para ampliar o raio de visibilidade e articulação de sua organização, recebe, compartilha e cria conteúdo, torna-se fonte e referência da luta política e apresenta um perfil de organização permeada de lideranças.
Neste aspecto, o militante além de propagandear o conteúdo político torna-se um articulador político.
No caso específico do Coletivo Camaradas, a nossa militância dever gerar conteúdo político, a partir da narrativa de sociedade e de organização que queremos comunicar, o que exige da nossa militância a compreensão do que somos enquanto organização política de caráter marxista e que atua no campo do simbólico numa perspectiva político-pedagógica de fazer arte com e para o povo. O que aponta para democratização da sociedade na complexidade e na defesa do princípio da emancipação humana.
É fundamental para nossa organização que o conjunto da militância possa compartilhar, comentar e articular o nosso material de modo que cada militante se torne um pivô com capacidade de tecer teias virtuais e de construir alternativas reais.
Ocupar o espaço político é uma necessidade histórica das camadas populares como forma de fechar os hiatos políticos e de fortalecer a sua capilaridade política e nesta compreensão, elas estão inseridas de forma direta e indireta no espaço político da virtualidade que a cada dia se torna uma trincheira da nossa luta.
Militemos na realidade concreta que perpassa pela abundância do mundo virtual.
*Pedagogo, artista/educador e integrante do Coletivo Camaradas

Deixe uma resposta