Cuidar do Camaradas exige entendimento

 

cordel2Por Alexandre Lucas*

Uma criança ao nascer precisa de cuidados e quem cuida precisa compreender como cuidar e por que cuidar. Na ausência desta compreensão é possível colocar em risco a vida da própria criança.  Nos movimentos sociais e nas diversas formas de organização social a relação entre a concepção e o fazer são questões que tendem a seguir a mesma unidade como elementos de um mesmo organismo vivo.

É preciso pensar nas formas organizativas a partir das diretrizes políticas que norteiam a particularidade de cada organização.  Se fosse remeter novamente a analogia da criança podia apontar que a forma de cuidar da criança de um determinado lugar seria remetida inevitavelmente a cultura do lugar aonde a criança está inserida.

É necessário um cuidado político e pedagógico que possa dar a forma organizativa capaz construir na diversidade de ações uma unidade. Isso parte do pressuposto da necessidade de uma centralidade política alinhada com as formas de expansão da organização.

As bases e ações da organização devem se constituir como elos de comunicação e da  construção de unidade e de crescimento quantitativo e qualitativo.

Essa compreensão, não descarta, a existência de divergências de ideias, o que é impossível. Entretanto, criar uma cultura organizativa para não perder de vista a bússola política.

No Coletivo Camaradas esse entendimento deve costurar a pratica comum dos seus militantes e concomitantemente se deve apropriasse da assimilação  que o Camaradas é  uma organização política de esquerda que tem como viés de entendimento teórico o materialismo histórico-dialético, ou seja, o marxismo e que atua no campo da reflexão, produção e circulação estética-artística com e para as camadas populares, na defesa de políticas públicas e na democratização do saber, bem como em processos de articulação política juntos aos movimentos sociais.

Apesar de não ser um coletivo de artistas, o Camaradas atua predominantemente no campo estético-artístico-político, tendo em vista, que foram os elementos que possibilitaram o seu surgimento.

Compreender que essa engrenagem só pode funcionar e ser consertada a partir de uma concepção definida e de um formato organizativo alinhado a uma centralidade política é essencial para seu o fortalecimento e coesão.

Caso esses entendimentos sejam negligenciados, da mesma forma como a criança do início do texto que corre risco de vida quando não se compreende como cuidar e por que cuidar. O Coletivo Camaradas não é diferente, ele pode se degenerar, se apartar e morrer.

Portanto, cuidar do Camaradas exige de cada militante entendimento sobre o que somos e aonde queremos chegar. Cuidemos.

*Pedagogo, artista/educador e coordenador do Coletivo Camaradas.

Deixe uma resposta