Arquivos mensais: junho 2015

Coletivo Camaradas estará empenhado contribuir com a Feira da Música no Cariri

11390278_846354448745356_716739391986614553_n
Ivan Ferraro, um dos idealizadores da Feira da Música

Para o Coletivo Camaradas a Feirá é um importante momento de articulação, possibilidade de intercambio e de fortalecimento da luta por políticas públicas para a cultura.

A Feira da Musica está prevista para ser realizada na primeira semana de setembro no Cariri. A Feira é um evento que tem caráter internacional e vem se caracterizando um momento importante de articulação da cadeia musical, produtores, gestores e de artistas das várias linguagens artísticas. O evento é realizado desde de 2002 em Fortaleza com o objetivo de agregar e fortalecer os atores da cadeia produtiva da música no Brasil, dinamizando negócios na área da economia criativa e propondo uma gestão pautada em estratégias nacionais de escoamento da produção.

A Feira da Musica é uma realização da Prodisc – Associação dos Produtores de Cultura do Ceará e Casa Fora do Eixo Nordeste.

No Cariri, os grupos que integram a Rede Coletivos estão empenhados no processo de mobilização para reunião com representantes da Prodisc e o Fora do Eixo que acontecerá nesta segunda-feira, às 19h00, na RFFSA na cidade do Crato.

Segundo Ivan Ferraro, idealizador da Feira, O Cariri tem muita riqueza imaterial que precisa ser mais valorizada. A feira é uma ferramenta que pode com planejamento e trabalho ser uma ótima hub para conexões diversas. Ele destaca que a participação dos coletivos e agentes de cultura que já atuam na região de um modo geral é fundamental para chegamos no formato adequado e eficiente de uma ação como a feira da música no Cariri.

Thais Andrade da Cada Fora do Eixo Nordeste destaca que “não faz sentido e não está de acordo com que a gente acredita chegar com um evento pronto e simplesmente executar na região” e enfatiza que a feira é uma plataforma que deve ser usada pro desenvolvimento, formação, difusão, intercâmbio e construção coletiva.

O que é mesmo esse Coletivo Camaradas?

cordel2

Por Alexandre Lucas*

Nada acontece do acaso, as coisas, pessoas e as formas de organização do povo sempre tem uma história para ser contada. Resgatar a história nos possibilita compreender a origem, motivações, práticas e diretrizes que norteiam as formas de organização da sociedade.

Não é diferente com o Coletivo Camaradas, temos uma história que precisa ser conhecida pelos seus ativistas como forma de contribuir com o processo de formação e compreensão da nossa atuação.

Resgatando a história, em 2005, alguns artistas do Crato tentavam se organizar para realizar movimento contrário a Secretaria de Cultura do Município que tinha uma postura de inércia em relação às políticas para o setor. Em dezembro de 2006, um grupo de artistas do Cariri, que participaram da IV Mostra Cariri das Artes realizada pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará e coordenada pela curadora Dodora Guimarães estiveram em São Paulo aonde visitaram ateliers, galerias, artistas e curadores. Esse intercambio em São Paulo contou com a participação dos artistas Nívia Uchoa, Junior Erre, Luís Karimai, Maria Candido, Guto Bezerra, Edelson Diniz, Francorli, Laerto Xenofonte, Zé Celestino, José Cordeiro, Alexandre Lucas e Weudes.

Na volta ao Cariri e movidos pela empolgação da viagem, os artistas se reuniram para tentar organizar um movimento na região. Como existiam divergências de concepção o grupo não vingou.

Já em 2007, existia uma movimentação em torno da poesia coletiva, em que amigos se reuniam nas quartas-feiras, após as aulas da Universidade Regional do Cariri – URCA, na minha residência para fazer saraus, a partir de dinâmica da construção conjunta da poesia, em que cada um escrevia um verso. No mesmo período, esse grupo participou da Mostra SESC Cariri com o Sarau “Os Camaradas”.

Posteriormente, reúnem-se três pessoas para criar o que hoje é o Coletivo Camaradas, eu, Michael Marques, na época estudante do Curso de Ciências Sociais e a estudante de Letras, Luciana Rodrigues (a qual participou de poucas atividades).

O Coletivo Camaradas surge no final de 2007, após essas diversas tentativas sem sucesso de organização de artistas.

O grupo inicial definiu algumas diretrizes para a perspectiva de atuação que ao longo do tempo foram se amadurecendo e definindo uma identidade política e pedagógica.

O que nos define?….Não é a indefinição!

O que seria da vida se não definíssemos diretrizes e caminhos a serem seguidos? Essa necessidade humana de definir as coisas é o que norteia caminhos, planos e tomada de posição diante da realidade. Ter clareza destas definições proporciona segurança no que fazemos. Imagine uma professora que não define o seu plano de aula ou que não busca se aprofundar na área que leciona, a tendência é ter um resultado desastroso e não compreender o seu processo de construção.

Portanto, é preciso entender o que defini o Coletivo Camaradas para se compreender o discurso e a pratica da nossa organização.

O Coletivo Camaradas foi resultado de um processo que se iniciou em 2005 e que se concretizou em 2007, a partir de uma compreensão mais amadurecida do ponto de vista de posicionamento e atuação.

Quando procuramos definir diretrizes políticas e pedagógicas estamos buscando desenhar uma bússola que nos oriente acertar o caminho que queremos chegar.

Apontarei algumas questões que vão indicando essas diretrizes e, por conseguinte vão definindo o nosso perfil.

Somos um coletivo que declaradamente se reconhece como uma organização política de esquerda e que busca compreender a realidade a partir de uma perspectiva marxista, atuamos no campo das artes, na defesa por políticas públicas para a cultura, em processos organizativos de empoderamento popular e na luta pela democratização da produção e da acessibilidade do conhecimento cientifico, cultural e tecnológico como forma de ampliar a visão social de mundo das camadas populares e contribuir para o processo de transformação social.

O Camaradas não é um grupo de artistas e especificamente de artes, é um coletivo que congrega pessoas das mais diferentes áreas do conhecimento e dialoga com as diversas linguagens artísticas e expressões culturais (literatura, artes visuais, dança , teatro, circo, música, performance, grupos da tradição, etc.)

Buscamos criar dentro do nosso fazer estético e artístico um processo criativo com e para o povo, visando estabelecer laços de pertencimento, participação e empoderamento. Essa perspectiva a nosso ver, amplia a visão social de mundo dos que estão à margem do circuito oficial das artes e constitui uma concepção de confronto com a perspectiva excludente e mercadológica de uma arte para poucos como determina a lógica capitalista. O acesso da nossa população a diversidade cultural e artística ainda é restrita as elites econômicas e intelectuais.

Conectado com o Brasil

O Coletivo Camaradas dialoga com outros coletivos do Brasil, a nossa trajetória não se resume ao Cariri Cearense ao longo dos anos estamos percebendo novos discursos e fazeres criativos no país, o que nos faz redescobrir um novo Brasil, o que fortalece e renova a nossa compreensão política.

Temos conversado, propiciando intercâmbios, efetuado articulações em rede e fortalecido ações e ideias. Isso tem nos proporcionado a compreensão de atuação colaborativa e novas relações de atuação política baseada na autonomia e protagonismo dos grupos.

Temos aprendido e trocado com o Centro Universitário de Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes – CUCA da UNE, com as experiências do Fora do Eixo, com articulação em rede dos Pontos de Cultura, com o Coletivo Psicodélico ( Macapá – AP), com o Programa de Interferência Ambiental – PIA, com a rede ColetivoS ( Cariri –CE) e com a criação da Rede IP – Intervenções e Performances surgida após a realização da III Mostra Nacional de Vídeos Intervenções e Performances – Mostra IP ( 2015).

Construindo redes e novos circuitos

Somos mais fortes juntos! Essa ideia tem guiado o nosso trabalho em rede e potencializado ações e ao mesmo tempo tem criado novos interlocutores e circuitos.

Temos como exemplo de experiência a Trocaria no Gesso, que reúne o poder público e sociedade civil e visa criar empoderamento comunitário, a partir de serviços e ações lúdicas; a Mostra IP que em 2015 foi realizada em 31 cidades de 15 estados brasileiros; II edição do Grito Rock no Crato, O Estopim – Mostra de Artes da Rede Coletivos, o Hip Hop é Coisa Séria também é uma experiência que tem fortalecido o movimento Hip Hop no Cariri. Outras ações que participamos enquanto parceiros também tem essa característica como é o caso da Festa Popular da Malhação Judas, a Guerrilha do Ato Dramático Caririense, Máfia Sonora (coletivo do Hip Hop), Corpos em Fluxo e o Caldeirão das Dança e as expedições fotográficas, etc.

Defendemos ainda que em cada canto da cidade tenha um coletivo por isso instigamos a formação de novas organizações por entender que quantos mais grupos tiverem na cidade, maior será a reflexão, produção, circulação e articulação em torno do pensar e fazer criativo e simbólico da cidade.

Comunidade do Gesso

A nossa sede funciona na Comunidade do Gesso no Crato, área estigmatizada e de vulnerabilidade social que abrigou por cerca de quatro décadas a maior zona de prostituição da região do sul do Estado do Ceará.

A nossa atuação na Comunidade tem o objetivo de contribuir com o processo de organização comunitária, através de processos lúdicos e criativos. Dentre as atividades que desenvolvemos na comunidade podemos cita: Trocaria no Gesso, Cine-Gesso, Pontos de Leituras nas Bodegas, oficinas, intervenções urbanas e brinquedoteca.

Tripé Pedagógico do Ensino de Artes

No Coletivo Camaradas defendemos o que chamamos de “Tripé Pedagógico do Ensino de Artes” que tem o objetivo de criar mecanismos de aprendizagem contextualizada para a prática social, bem como apontar caminhos para o empoderamento social.

O Tripé é baseado em Estudo, Vivência e Experimentação:

Estudo contextualizado – A arte não se explica pela arte, mas a partir da relação com outras áreas do conhecimento. O estudo contextualizado visa à formação integral do ser humano por ampliar a visão social de mundo. Neste aspecto para compreendemos e refletir sobre a produção simbólica precisamos assimilar os diversos contextos da sociedade.

Vivência – Ver, sentir, escutar e vivenciar novos espaços e contatos sociais no campo das artes criar uma processo de aproximação entre artista/obra/público, dando um nova dinâmica a essa compreensão e gerando novos saberes e fazeres.

Experimentação: É preciso propiciar a experimentação como forma de aprendizagem, empoderamento e criação de relações de pertencimento. A experimentação neste caso visa torna a arte um elemento de humanização, resistência social e conhecimento.

Acreditamos que neste contexto o Tripé propicia um processo de assimilação capaz de contribuir para o protagonismo e ocupação dos espaços políticos pelas camadas populares.

Outras referências sobre o Coletivo Camaradas

Site: www.camaradas.org.br

Facebook: www.facebook.com/coletivocamaradas

Blog Cordel Engajado: www.cordelengajado.blogspot.com

Livro: Entranhamentos entre Arte, Estética, Política, Cultura e Educação – Alexandre Lucas – http://pt.scribd.com/doc/140046014/Entranhamentos-Alexandre-Lucas

*Pedagogo, artista-educador e coordenador do Coletivo Camaradas

 

Coletivos definem a realização do II Estopim no Crato

???????????????????????????????
Durante o III Encontro de Coletivos do Cariri, realizado na ultima sexta-feira, dia 12, no auditório do Geopark Araripe que reunir representante de 21 grupos foi definido a realização da segunda edição do Estopim – Mostra das Artes da rede ColetivoS. A ação acontecerá no período de 25 a 30 de agosto deste ano e consistirá de oficinas, rodas de conversa, vivências, intervenções urbanas, performances, apresentações de teatro, dança, musica e sarau.

O Estopim é uma ação que acontece de forma colaborativa entre os coletivos e visa potencializar atividades formativas, criar espaços de dialogo e fruição artística e defender políticas públicas no campo da cultura.

O encontro definiu várias comissões de organização do evento composta por diversos grupos que terão o desafio de garantir as condições necessárias de infraestrutura para a realização do evento durante cinco dias na cidade do Crato

Outros coletivos estarão sendo incluídos no processo de organização do II Estopim.

Encontro de Coletivos reúne 21 grupos do Cariri

É crescente a atuação em rede dos coletivos da região do Cariri, o que tem incentivado ações em diversas linguagens artísticas e impulsionado a luta dos movimentos sociais. O encontro da rede Coletivos é uma demonstração deste trabalho.

Para o artista Lucas Lopes do Coletivo Cohe o encontro representou a união das forças coletivas. Ele destaca que quando os grupos se reúnem para tratar de uma questão tão seria com é a cultura é porque existe uma disposição para fazer as coisas acontecerem.
Já o músico e compositor da Banda Liberdade e Raiz André Ferreira o encontro possibilitou um momento de conscientização e difusão da arte através das ações que vem sendo desenvolvidas pela juventude em coletivos. Ele destaca que a rede ColetivoS “ é um encontro que dialoga com as artes e um movimento que impulsar a arte local”.

Elissandra Carvalho do Coletivo Mudem – Movimento Universitário em Defesa da Mulher diz que foi um momento importante para conhecer as diversas experiências realizadas na região do Cariri pelos Coletivos. Ela diz que para grupo que desenvolverá o projeto “Palco Mudem” vinculado a Pró-Reitoria de Cultura da Universidade Federal do Cariri – UFCA, o encontrou serviu para iniciar um processo de parcerias sobre a arte feminina do cariri.

Para Junnior Pessoa do Coletivo Crato Tem Dança o encontro propiciou o protagonismo de cada coletivo. Ele diz que isso faz com que cada grupo vai entendendo o processo de e o objetivo de cada Coletivo.

Grupos presentes no III Encontro de Coletivos do Cariri

  • Coletivo MIA
  • Irmandade Rap
  • Coletivo Kaverada
  • Coletivo Camaradas
  • Leve Arte Contemporânea
  • Grupo Muzenza
  • Grupo CBC
  • Coletivo Mudem
  • Coletivo Queerdel
  • COHE
  • Coletivo Foto Crato
  • Conexãp Bang Loko
  • Realidade do Gueto – RDG
  • Cúmplices
  • Banda Liberdade e Raiz
  • Ensaio Aberto
  • Foobá
  • Coletivo o Crato Tem Dança
  • Mundanças
  • Banda Importunos
  • Banda Úlcera

Mapeamento dos Coletivos do Cariri

A rede ColetivoS está realizando um mapeamento dos grupos do Cariri. A intenção é criar um banco de dados com as informações de cada organização e disponibilizar os dados gerados pra grupos, pesquisadores e produtores
Mapeie seu grupo: http://goo.gl/forms/3RWL5GmXmk

Página: https://www.facebook.com/redecoletivos