Arquivos mensais: maio 2015

Poetas ocuparão comunidade do Gesso neste domingo

A tradicional Trocaria realizada na Comunidade do Gesso no Crato que consiste em trocas de roupas, contação de histórias, atividades recreativas, doações de livros didáticos e orientação sobre programas sociais e assessoria jurídica, contará neste domingo, dia 31, com mais uma roda de poesia que começará as 17h.

Já passaram pela roda de poesias vários poetas como Poliana Leandro, Marcia Passos, Claudia Rejane Grangeiro, Josenir Lacerda, Luciano Carneiro, Nezite Alencar, Primo, Anilda Figueiredo, Francinaldo Dias, Fabiano Brito, Marcia Passos, Karol Vieira e Felipe Vieira.

A roda de domingo deverá contará com os Poetas Paulo Soares, Giordano Bruno, Jessica Evandra, Fabiano Brito, dentro outros.

A roda é um momento de integração comunitária, em que as pessoas levam poesias suas ou outros poetas para ler na roda. A intenção é que as poesias sejam afixadas nos postes da comunidade como forma também de incentivar o hábito pela leitura.

Roda de Poesia na Comunidade do Gesso
Dia: 31 de maio
Horário: 17h
Local: Bar do Pantuca ( próximo a sede sede do Coletivo Camaradas)

Rede Coletivos encaminha mapeamento de grupos do Cariri para Ministério da Cultura

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A rede Coletivos encaminhou para Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura o “Mapeamento de Coletivos da região do Cariri. A rede assumiu o compromisso de realizar essa ação em reunião com a secretária Ivana Bentes quanto esteve no Cariri junto com o Ministro Juca Ferreira. O objetivo do mapeamento é criar um instrumento de aproximação entre os grupos, pesquisadores, produtores e artistas através da socialização dos dados gerados a partir da ação.

Os integrantes da rede Coletivos do Cariri acreditam que é possível com o mapeamento potencializar ações, intercâmbios e parcerias entre os grupos.

Os grupos que ainda não fizeram o mapeamento podem fazer através do link: http://goo.gl/forms/3RWL5GmXmk. Os interessados em receber o mapeamento devem solicitar através do email: [email protected]

Coletivo Camaradas entregará mapeamento de coletivos do Cariri em encontro no RJ

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O Coletivo Camaradas participará do Encontro de Midialivrismo e Juventude nos dias 15 e 16 de maio, no Rio Janeiro. O encontro é realizado pela Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC/MinC) e pela Secretaria Nacional de Juventude.
O encontro reunirá coletivos independentes para debater meios de fortalecer o midialivrismo no Brasil. Além disso, haverá exibição de filmes, apresentação de experiências e projetos de mídia livre e realização de roda de conversa entre os coletivos.
A agenda visa estimular a discussão sobre políticas públicas para a comunicação, a mídia livre e a juventude. O encontro permite que os jovens tenham acesso a ferramentas e informações para buscar recursos e investimentos em suas áreas de atuação.
O Coletivo Camaradas será representando pelo ativista e geografo Ricardo Alves que na ocasião encaminhará o mapeamento dos Coletivos da Região do Cariri à representantes da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC. O mapeamento do Cariri é uma iniciativa da rede ColetivoS que congrega grupos de artes, ativismo e esportivo da região.
Ricardo Alves ressalta que o mapeamento será socializado com os coletivos que se mapearam e destaca que isso servirá para promover a articulação em rede e potencializar as ações dos grupos da região do Cariri, tanto de forma regional como nacional.

O que é mesmo esse Coletivo Camaradas?

Por Alexandre Lucas*

Nada acontece do acaso, as coisas, pessoas e as formas de organização do povo sempre tem uma história para ser contada. Resgatar a história nos possibilita compreender a origem, motivações, praticas e diretrizes que norteiam as formas de organização da sociedade.

Não é diferente com o Coletivo Camaradas, temos uma história que precisa ser conhecida pelos seus ativistas como forma de contribuir com o processo de formação e compreensão da nossa atuação.

Resgatando a história, em 2005, alguns artistas do Crato tentavam se organizar para realizar movimento contrário a Secretaria de Cultura do Município que tinha uma postura de inércia em relação às politicas para o setor. Em dezembro de 2006, um grupo de artistas do Cariri, que participaram da IV Mostra Cariri das Artes realizada pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará e coordenada pela curadora Dodora Guimarães estiveram em São Paulo aonde visitaram ateliers, galerias, artistas e curadores. Esse intercambio em São Paulo contou com a participação dos artistas Nívia Uchoa, Junior Erre, Luís Karimai, Maria Candido, Guto Bezerra, Edelson Diniz, Francorli, Laerto Xenofonte, Zé Celestino, José Cordeiro, Alexandre Lucas e Weudes.

Na volta ao Cariri e movidos pela empolgação da viagem, os artistas se reuniram para tentar organizar um movimento na região. Como existiam divergências de concepção o grupo não vingou.

Já em 2007, existia uma movimentação em torno da poesia coletiva, em que amigos se reuniam nas quartas-feiras, após as aulas da Universidade Regional do Cariri – URCA, na minha residência para fazer saraus, a partir de dinâmica da construção conjunta da poesia, em que cada um escrevia um verso. No mesmo período, esse grupo participou da Mostra SESC Cariri com o Sarau “Os Camaradas”.

Posteriormente, reúnem-se três pessoas para criar o que hoje é o Coletivo Camaradas, eu, Michael Marques, na época estudante do Curso de Ciências Sociais e a estudante de Letras, Luciana (a qual participou de poucas atividades).

O Coletivo Camaradas surge no final de 2007, após essas diversas tentativas sem sucesso de organização de artistas.

O grupo inicial definiu algumas diretrizes para a perspectiva de atuação que ao longo do tempo foram se amadurecendo e definindo uma identidade política e pedagógica.

O que nos define?….Não é a indefinição!

O que seria da vida se não definíssemos diretrizes e caminhos a serem seguidos? Essa necessidade humana de definir as coisas é o que norteia caminhos, planos e tomada de posição diante da realidade. Ter clareza destas definições proporciona segurança nos que fazemos. Imagine uma professora que não define o seu plano de aula ou que não busca se aprofundar na área que leciona, a tendência é ter um resultado desastroso e não compreender o seu processo de construção.

Portanto, é preciso entender o que defini o Coletivo Camaradas para se compreender o discurso e a pratica da nossa organização.

O Coletivo Camaradas foi resultado de um processo que se iniciou em 2005 e que se concretizou em 2007, a partir de uma compreensão mais amadurecida do ponto de vista de posicionamento e atuação.

Quando procuramos definir diretrizes políticas e pedagógicas estamos buscando desenhar uma bússola que nos oriente acertar o caminho que queremos chegar.

Apontarei algumas questões que vão indicando essas diretrizes e, por conseguinte vão definindo o nosso perfil.

Somos um coletivo que declaradamente se reconhece como uma organização política de esquerda e que busca compreender a realidade a partir de uma perspectiva marxista, atuamos no campo das artes, na defesa por políticas públicas para a cultura, em processos organizativos de empoderamento popular e na luta pela democratização da produção e da acessibilidade do conhecimento cientifico, cultural e tecnológico como forma de ampliar a visão social de mundo das camadas populares e contribuir para o processo de transformação social.

O Camaradas não é um grupo de artistas e especificamente de artes, é um coletivo que congrega pessoas das mais diferentes áreas do conhecimento e dialoga com as diversas linguagens artísticas e expressões culturais (literatura, artes visuais, dança , teatro, circo, música, performance, grupos da tradição, etc.)

Buscamos criar dentro do nosso fazer estético e artístico um processo criativo com e para o povo, visando estabelecer laços de pertencimento, participação e empoderamento. Essa perspectiva a nosso ver, amplia a visão social de mundo dos que estão à margem do circuito oficial das artes e constituir uma concepção de confronto com a perspectiva excludente e mercadológica de uma arte para poucos como determina a lógica capitalista. O acesso da nossa população a diversidade cultural e artística ainda é restrita as elites econômicas e intelectuais.

Conectado com o Brasil

O Coletivo Camaradas dialoga com outros coletivos do Brasil, a nossa trajetória não se resume ao Cariri Cearense ao longo dos anos estamos percebendo novos discursos e fazeres criativos no país, o que nos faz redescobrir um novo Brasil, o que fortalece e renova a nossa compreensão política.

Temos conversado, propiciando intercâmbios, efetuado articulações em rede e fortalecido ações e ideias. Isso tem nos proporcionado a compreensão de atuação colaborativa e novas relações de atuação politica baseada na autonomia e protagonismo dos grupos.

Temos aprendido e trocado com o Centro Universitário e Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes – CUCA da UNE, com as experiências do Fora do Eixo, com articulação em rede dos Pontos de Cultura, com o Coletivo Psicodélico ( Macapá – AP), com o Programa de Interferência Ambiental – PIA, com a rede ColetivoS ( Cariri –CE) e com a criação da Rede IP – Intervenções e Performances surgida após a realização da III Mostra Nacional de Vídeos Intervenções e Performances – Mostra IP ( 2015).

Construindo redes e novos circuitos

Somos mais fortes juntos! Essa ideia tem guiado o nosso trabalho em rede e potencializado ações e ao mesmo tempo tem criado novos interlocutores e circuitos.

Temos como exemplo de experiência a Trocaria no Gesso, que reúne o poder público e sociedade civil e visa criar empoderamento comunitário, a partir de serviços e ações lúdicas; a Mostra IP que esse ano (2015) foi realizada em 31 cidades de 15 estados brasileiros; II edição do Grito Rock no Crato, O Estopim – Mostra de Artes da Rede Coletivos, o Hip Hop é Coisa Séria também é uma experiência que tem fortalecido o movimento Hip Hop no Cariri. Outras ações que participamos enquanto parceiros também tem essa característica como é o caso da Festa Popular da Malhação Judas, a Guerrilha do Ato Dramático Caririense, Máfia Sonora (coletivo do Hip Hop), Corpos em Fluxo e o Caldeirão das Dança e as expedições fotográficas, etc.

Defendemos ainda que em cada canto da cidade tenha um coletivo por isso instigamos a formação de novas organizações por entender que quantos mais grupos tiverem na cidade, maior será a reflexão, produção, circulação e articulação em torno do pensar e fazer criativo e simbólico da cidade.

Comunidade do Gesso

A nossa sede funciona na Comunidade do Gesso no Crato, área estigmatizada e de vulnerabilidade social que abrigou por cerca de quatro décadas a maior zona de prostituição da região do sul do Estado do Ceará.

A nossa atuação na Comunidade tem o objetivo de contribuir com o processo de organização comunitária, através de processos lúdicos e criativos. Dentre as atividades que desenvolvemos na comunidade podemos cita: Trocaria no Gesso, Cine-Gesso, Pontos de Leituras nas Bodegas, oficinas, intervenções urbanas e brinquedoteca.

Tripé Pedagógico do Ensino de Artes

No Coletivo Camaradas defendemos o que chamamos de “Tripé Pedagógico do Ensino de Artes” que tem o objetivo de criar mecanismos de aprendizagem contextualizada para a prática social, bem como apontar caminhos para o empoderamento social.

O Tripé é baseado em Estudo, Vivência e Experimentação:

Estudo contextualizado – A arte não se explica pela arte, mas a partir da relação com outras áreas do conhecimento. O estudo contextualizado visa à formação integral do ser humano por ampliar a visão social de mundo. Neste aspecto para compreendemos e refletir sobre a produção simbólica precisamos assimilar os diversos contextos da sociedade.

Vivência – Ver, sentir, escutar e vivenciar novos espaços e contatos sociais no campo das artes criar uma processo de aproximação entre artista/obra/público, dando um nova dinâmica a essa compreensão e gerando novos saberes e fazeres.

Experimentação: É preciso propiciar a experimentação como forma de aprendizagem, empoderamento e criação de relações de pertencimento. A experimentação neste caso visa torna a arte um elemento de humanização, resistência social e conhecimento.

Acreditamos que neste contexto o Tripé propicia um processo de assimilação capaz de contribuir para o protagonismo e ocupação dos espaços políticos pelas camadas populares.

Outras referências sobre o Coletivo Camaradas

Site: www.camaradas.org.br

Facebook: www.facebook.com/coletivocamaradas

Blog Cordel Engajado: www.cordelengajado.blogspot.com

Livro: Entranhamentos entre Arte, Estética, Política, Cultura e Educação – Alexandre Lucas – http://pt.scribd.com/doc/140046014/Entranhamentos-Alexandre-Lucas

*Pedagogo, artista-educador e coordenador do Coletivo Camaradas