Coletivo Camaradas encaminha proposições para Secretária de Cultura e Prefeito do Crato

O documento foi entregue no Fórum de Linguagens da Cultura – Artes Visuais realizado no dia 14 de maio de 2014.  
 

Crato, 13 de maio de 2014.
Exmo. Sr. Prefeito Municipal do Crato
Ronaldo Sampaio Gomes de Mattos
Ilma. Sra Secretária Municipal de Cultura do Crato 
Dane de Jade
O presente documento está amparado na Carta compromisso com a Cultura assinada em 2012, no I Fórum de Artes Visuais 2013  e nas resoluções da Conferência Municipal de Cultura 2013.    
IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA MUNICIPAL DE CULTURA
É  essencial  para o  Crato garantir um mecanismo politico, jurídico, econômico e participativo que garanta a efetivação de uma política pública permanente e democrática que se alinhe a conjuntura nacional no campo das políticas públicas para cultura.   
Neste sentido defendemos a implantação do Sistema Municipal de Cultura o que exige de imediato a criação de Conselho Municipal de Cultura ( mecanismo que garante o dialogo da sociedade civil e do poder público no sentido avançar no campo das politicas públicas) Fundo Municipal de Cultura ( Fundo próprio para cultura que receberá repasses de recursos da União, do Estado e do Município)  e Plano Municipal de Cultura ( instrumento politico e jurídico que orientará as políticas públicas como por exemplo: ocupação dos equipamentos culturais, politica de edital, de  formação e de  intercâmbio). O chamado CPF da Cultura). Concomitante,  é preciso garantir um percentual mínimo de 2% da Receita Liquida do Município para cultura como forma de assegurar de forma definitiva recursos para o setor.   
Sem o SISTEMA MUNICIPAL DE CULTURA  o Crato não terá politica publica permanente. O que poderá ocorrer é uma politica de gestão temporária. Portanto é urgente o dialogo e a compreensão unitária e imediata desta luta, antes de qualquer outra.     
                                                                                                                
No campo das artes visuais propomos:
    
CANAL DE DIÁLOGO
É necessário criar um canal de dialogo permanente e  propositivo que possa  entender a dimensão, as dificuldades e as demandas para as  artes visuais no Município como forma de dinamizar o setor  para além da produção, exposição e comercialização dos trabalhos.
Esse canal poder e deve ser protagonizado pelos artistas visuais, como forma contribuir no processo de organização,  participação, trocas e escutas entre a sociedade civil e o poder público, visando pontuar uma política pública para as artes visuais.  
Proposição:
  1. Criação de Fórum Permanente das Artes Visuais do Crato, com periodicidade de encontros mensais;
POLÍTICA  PÚBLICA PARA AS ARTES VISUAIS 
Nortear a política pública para as artes visuais de forma a contemplar as diversidades de produções, a estruturação dos equipamentos culturais, a formação, o intercâmbio  e a circulação dos artistas e de seus trabalhos, bem como ampliar acessibilidade, a vivencia e a experimentação da população,  a partir das demandas apresentadas pelo Fórum de Artes Visuais.        
Proposição:
1.    Criação de comissão de elaboração projetos  que vise estabelecer uma política desburocratizada   de  editais, bem como viabilize o Município a  concorrer aos editais estaduais e nacionais, com o intuito de garantir o suporte financeiro para concretização das políticas.  
   
MAPEAMENTO:
É essencial para estabelecer uma política pública consequente ter o mapeamento  dos ateliers, galerias, museus  e demais espaços que podem ser utilizados para circulação e  formação em Artes  Visuais, bem como  artistas e a  especificidades dos seus fazeres.
Proposição: 
 
1.    Criação de uma cartografia social das Artes Visuais no Município  disponibilizada de forma pública e virtual;
2.    Criação de Portfólio  virtual dos Artes Visuais do Crato como forma de potencializar e  divulgar os trabalhos e os artistas;
3.    Rastreamento e inclusão dos artistas visuais que estão fora do circuito oficial das artes.
 
FORMAÇÃO
O processo de formação  teórica e pratica  é um dos elementos essenciais para ampliar  o numero  de pensadores e fazedores orgânicos  de artes visuais, bem como favorece ampliação de educação estético-artística.
Neste sentido a política de formação deve atender prioritariamente artistas visuais, professores de artes e estudantes de escolas públicas.
Proposição:
  1. Criação de parceria com o curso de Artes Visuais da Universidade Regional do Cariri – URCA, visando estabelecer monitorias  para oficinas e experimentos com artistas, professores e estudantes de  escolas públicas do Crato;
  2. Criação de parceria com a Secretaria de Educação do Município e a Secretaria de Educação do Estado com o intuito de potencializar as Unidades Escolares como espaços privilegiados para circulação, produção, fruição, vivência e formação em artes.       
  3. Realização de parcerias com os coletivos de artistas da região do Cariri e de outros estados visando à realização de vivencias, experimentos e rodas de conversas;
  4.  Produção de vídeos  sobre artistas visuais do Cariri para circulação nas escolas e nas redes sociais.
A CIDADE  COMO GALERIA
O espaço urbano é um dos locais privilegiados para pensar a experimentação e circulação das artes visuais como forma de tornar acessível à produção artística para o grande público, tendo em vista, que é o lugar de trânsito da população e que interfere na relação/fruição das pessoas no sentido de repensar formas, conteúdos, realidades sociais e criar relações de pertencimento e de identidade. 
Alguns desafios devem ser pensados no sentido agregar nos espaços urbanos, tanto a produção dos artistas que desenvolvem trabalhos de  lambe-lambe, stencil, intervenções, grafite, como dos artistas que desenvolvem trabalhos para espaços fechados como  colagens, desenhos, pinturas em tela, etc. 
Proposição:
  1. Ocupação dos espaços e equipamento públicos com intervenções visuais ( escolas, bibliotecas, viadutos, etc); 
  2. Uso de Lambe-lambe com trabalhos de artistas do Cariri nos tapumes de construções; 
  3. Realização de exposições efêmeras com cavaletes a partir da reprodução de obras;
  4. Criação dos MUROS DE PERTENCIMENTO, os quais devem ser espaços democráticos destinados para experimentação e inscrições (desenhos e nomes) da população, como forma de possibilitar as relações de pertença e de envolvimento do público de não artistas com uma perspectiva visual inclusiva;
  5. Campanha de mapeamento dos muros de particulares para uso artístico;
  6.  Construções de esculturas em tamanho real de elementos da cultura popular. 
POLUIÇÃO VISUAL
A poluição visual vem atingindo significativamente o centro da cidade. O Patrimônio Arquitetônico vem sendo escondido por placas gigantes, ou tendo suas fachadas modificadas. O uso de cartazes comerciais de eventos e serviços vem ferindo a Leis de Crimes Ambientais (Art. 65. Pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano: (Redação dada pela Lei nº 12.408, de 2011).
Proposição:
  1. Realização de ação conjunta com a Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano do Município, visando estabelecer uma política de uniformização dos tamanhos de placas e de valorização do patrimônio arquitetônico da cidade;
  2. Elaboração de Proposta de Lei, amparada na Lei de Crimes Ambientais (Art. 65.),  que proíba  a afixação de cartazes de qualquer tamanho, com uso de cola ou material similar que degrade ou manche o patrimônio arquitetônico do Município.   
MUSEU E GALERIA DE EXPOSIÇÃO
Os espaços de exposição permanente e temporários devem ter como lógica uma política inclusiva e pedagógica permeada pela diversidade tipológica e condições adequadas para funcionamento como: Eliminação de poeiras, climatização, expositores, fundo financeiro para manutenção e circulação de obras. 
Proposição:
  1. Construção da Galeria no Centro Cultural do Araripe (Aquisição de Expositores, climatização,  pintura) e garantia de recursos para garantir a circulação de obras ( despesas com transporte de obras, produção de material gráfico, cachê do artista, etc); 
  2. Criação de de edital para ocupação da galeria com inclusão de cachê;
  3. Restauração das obras do Museu de Artes Vicente Leite e ampliação do acervo com a inclusão dos artistas do Crato (No acervo do Museu de  Crato, são raras as obras dos artistas do Município).
  4. Formação continuada dos mediadores das exposições. 
  5. Parceria com a Secretaria de Educação do Município para criação de  Galerias Experimentais nas escolas.  
Coordenação do Coletivo Camaradas
Alexandre Lucas
Ricardo Alves
Erika Cristina Souza
Bruna Roses
Francisco do Nascimento
Maria de Fátima Gomes dos Santos 

 

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