Arquivos mensais: janeiro 2014

DSCF4639

Ação na Comunidade do Gesso incentiva a Leitura

A Trocara na Comunidade do Gesso que já está na sua 6ª edição incentiva a leitura através da troca, empréstimo e doação de livros, roda de poesia e contação de histórias. A ultima ação foi realizada no dia 26 de janeiro e contou com a Biblioteca Móvel da Secretaria de Educação do Município que pode proporcionar as crianças de forma lúdica um contato com as histórias da literatura infantil.

Outra ação que vem sendo consolidando dentro da Trocaria é a Roda de Poesia, aonde a comunidade tem a oportunidade de ler, conversar e conhecer poetas. De acordo com uma das coordenadoras da Roda de Poesia, a poeta Poliana Leandro, a ideia é tornar a poesia acessível à comunidade. Ela destaca que  todos se sentem a vontade para ler poesia independente de ser poeta ou não. “É como se todos estivessem em casa, temos um caráter bem informal” frisa a poeta.

A Comunidade também aproveita para fazer empréstimos de livros. As crianças são as que mais procuram e só devolvem na trocaria seguinte.

Além do trabalho de incentivo a leitura, a Trocaria também proporciona a troca de roupas, calçados, bolsas e outros objetos. Os moradores também podem aproveitar para fazer aferição da pressão  e aplicação de flúor. Existem também atividades de pinturas e desenhos para as crianças.

A Trocaria é uma realização do Coletivo Camaradas e tem a parceria do Projeto Nova Vida, Laboratório Paidea da Universidade Federal do Cariri – UFCA, Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte Contemporânea, União da Juventude Socialista – UJS, Mensageiras da Paz, Coletivo Foobá, Grupo de Performances Cênicas, Companhia Brasileira de Teatro Brincante, Coletivo Pilhatropia Altenativa, Coletivo Foto Crato, Secretaria de Serviços Públicos, Secretaria de Esporte, Secretaria de Saúde, Secretária de Educação, Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social e Coordenadoria de Políticas Públicas para Juventude.               
1535437_1401058636811916_2127003102_n

Trocaria no Gesso acontecerá neste domingo


O Coletivo Camaradas realizará mais uma edição da Trocaria no Gesso, neste domingo, dia 26, a partir das 15h00, no Campinho da Comunidade.

A ação acontece desde agosto do ano passado e consiste em oficinas circenses, roda de poesia, apresentações artísticas, contação de histórias, além de trocas e empréstimos de livros. As pessoas também podem trocar roupas e outros objetos. Um das novidades é que a partir desta edição as pessoas poderão comprar roupas por apenas 1,00.
De acordo com o coordenador de finanças do Coletivo, Ricardo Alves, essa é uma forma de garantir a sustentabilidade da ação e promover outras atividades na comunidade. Ele ressalta que durante esse ano serão realizadas vivências artísticas, oficinas, exposições, dentre outras atividades, inclusive com a participação de artistas de outros estados.   
A Trocaria no Gesso conta com a parceria do Projeto Nova Vida, Grupo de Performances Cênicas, Companhia Brasileira de Teatro Brincantes, Laboratório de Estudos, Vivências e Experimentos em Arte Contemporânea, Coletivo Philantropia, Laboratório Paideia/UFCA, União da Juventude Socialista – UJS e as Secretarias Municipais de Educação, Trabalho e Desenvolvimento Social, Serviços Púbicos, Saúde, Esporte e a Coordenadoria de Políticas Públicas para Juventude.
Doação

O Coletivo Camaradas recebe doação de roupas, livros, bolsas, vinis e outros objetos para a trocaria. As doações podem ser entregues no Projeto Nova Vida, Rua São Francisco, 58 – Comunidade do Gesso. Informações (88)96616516.    
Festa-da-Baixa-Rasa

A FESTA DA SANTA CRUZ DA BAIXA RASA

Artigo de Cacá Araújo¹ 
Baseado em relatos populares

Um vaqueiro vindo do Pernambuco atravessava a Floresta do Araripe. Chegando à Baixa Rasa parou para descansar. Exausto, faminto e fraco, resolveu ali ficar, à espera de que alguém passasse e pudesse lhe ajudar, saciando-lhe a fome e a sede. Sua valentia de sertanejo ainda o ajudou a resistir por alguns dias.

O corpo sem forças. O desespero e a agonia já o dominavam quando, mesmo com a vista turva, conseguiu ver um grupo de homens montados em burros, que seguiam em comboio, certamente transportando mercadorias. Tentou gritar, mas sua voz, quase apagada pela tirania da fome e da sede, produziu apenas um fraco sussurro. Não foi ouvido e os homens seguiram seu destino rumo ao Crato.

Repentinamente um dos comboieiros, numa avivada de consciência, disse aos camaradas que lá para trás tinha visto um homem caído bem na beira da rodagem. Resolveram voltar para ajudá-lo, mas ele já havia morrido. Morte silente, testemunhada pelos pássaros e pelas plantas que pareciam chorar diante daquele quadro de desventura. Encontraram-no sobre folhas secas, a cabeça escorada numa raiz de árvore, os olhos abertos ainda reclamando um sopro de misericórdia. Fecharam-lhe os olhos. Libertaram sua alma. Seu corpo foi enterrado ali mesmo, no palco encantado de seu teatro de agonia. Com varas da mata fizeram a cruz que cravaram em sua cova. Isso aconteceu, segundo relatos, nos idos de 1880. Nascia, assim, o mito da Santa Cruz da Baixa Rasa.

O martírio daquele vaqueiro foi divulgado pelo grupo de comboieiros ao povo da região. Tomados pela compaixão e motivados pela forte religiosidade, os moradores dos arredores passaram a frequentar o lugar e rezar por sua alma, a fazer promessas, a suplicar milagres.

São diversas as histórias sobre a origem do mito. Mas o real é que vários milagres são atribuídos à Santa Cruz da Baixa Rasa, dentre eles o atendimento a uma promessa feita por uma senhora, em 1914, quando uma terrível peste espalhou-se por diversos pontos do Nordeste. Ela, com inabalável fé, pediu que a epidemia não chegasse ao Cariri. Foi atendida e o povo da região ficou livre da doença. Essa senhora era conhecida como Vó Pretinha, matriarca da família Estêvão, família que até hoje mantém a tradição de rezar aos pés da Santa Cruz da Baixa Rasa.

Muitas graças foram e são alcançadas e, todo 25 de janeiro, uma grande romaria de devotos acorre ao local, que fica a cerca de 20 quilômetros da cidade do Crato, dentro da Floresta Nacional do Araripe.

Uma clareira aberta no coração da mata virgem. Ventos soprando a ancestralidade de um povo religioso, que ainda tem o privilégio de conviver com a natureza divina, mãe de todas as crenças e mitos e desejos e esperanças. Um oráculo nordestino onde os filhos da terra procuram respostas que lhes livrem da ação implacável da esfinge que a todo tempo lhes apavora com a possibilidade de condenação ao inferno. A Santa Cruz da Baixa Rasa é magia matuta. É a busca incansável da felicidade. É o céu que se insinua aos impuros que buscam a clemência de Deus.

Purgar os pecados, pagar promessas, cantar, rezar pela cura e por querer ser feliz. Aqui, instala-se um ritual misto de sagrado e de profano: missa, devotos, benditos, vaqueiros, bandas cabaçais, reisados, maneiro pau, penitentes, cantadores de viola, políticos de matizes diversos, pesquisadores, curiosos. É o espírito da devoção e da festa, como no princípio, onde o sagrado e o profano eram um só.

¹Cacá Araújo (texto e foto) é professor, dramaturgo e folclorista, diretor da Cia. Brasileira de Teatro Brincante, radicado em Crato-CE.