Arquivos mensais: dezembro 2013

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Cultura Hip Hop, Resistência, Persitência, Organização e Mobilização

Hip hop é um gênero musical, com uma subcultura iniciada durante a década de 1970, nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque. Afrika Bambaataa, reconhecido como o criador oficial do movimento, estabeleceu quatro pilares essenciais na cultura hip hop: o rap, o DJing, a breakdance e o graffiti. Outros elementos incluem a moda hip hop e as gírias.
Desde quando emergiu primeiramente no South Bronx, a cultura hip hop se espalhou por todo o mundo. No momento em que o hip hop surgiu, a base concentrava-se nos disc jockeys que criavam batidas rítmicas para pausas “loop” (pequenos trechos de música com ênfase em repetições) em dois turntables, que atualmente é referido como sampling. Posteriormente, foi acompanhada pelo rap e identificado como um estilo musical de ritmo e poesia, com uma técnica vocal diferente para utilizar dos efeitos dos DJs. Junto com isto, surgiram formas diferentes de danças improvisadas, como a breakdance, o popping e o locking.
A relação entre o grafite e a cultura hip hop surgiu quando novas formas de pintura foram sendo realizadas em áreas onde a prática dos outros três pilares do hip hop eram frequentes, com uma forte sobreposição entre escritores de grafite e de quem praticava os outros elementos.
O hip-hop emergiu em meados da década de 1970 nos subúrbios negros e latinos de Nova Iorque. Estes subúrbios, verdadeiros guetos, enfrentavam diversos problemas de ordem social como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência de infra-estrutura e de educação, entre outros. Os jovens encontravam na rua o único espaço de lazer, e geralmente entravam num sistema de gangues, as quais se confrontavam de maneira violenta na luta pelo domínio territorial. As gangues funcionavam como um sistema opressor dentro das próprias periferias – quem fazia parte de algumas das gangues, ou quem estava de fora, sempre conhecia os territórios e as regras impostas por elas,devendo segui-las rigidamente.
As gangues foram encontrando naquelas novas formas de arte uma maneira de canalizar a violência em que viviam submersas, e passaram a frequentar as festas e dançar break, competir com passos de dança e não mais com armas. Essa foi a proposta de Afrika Bambaataa, considerado, hoje, o padrinho da cultura hip-hop, o idealizador da junção dos elementos, criador do termo hip-hop e por anos tido como “master of records” (mestre dos discos), por sua vasta coleção de discos de vinil.

No Brasil
O berço do hip hop brasileiroé São Paulo, onde surgiu com força nos anos 1980, dos tradicionais encontros na rua 24 de Maio e no Metrô São Bento, de onde saíram muitos artistas reconhecidos como Thaíde, DJ Hum, Styllo Selvagem, Região Abissal, Nill (Verbo Pesado), Sérgio Riky, Defh Paul, Mc Jack, Racionais MC’s, Doctor MC’s, Shary Laine, M.T. Bronks, Rappin Hood, entre outros.
Atualmente, existem diversos grupos que representam a cultura hip hop no país, como Movimento Enraizados, MHHOB, Zulu Nation Brasil, Casa do Hip Hop, Posse Hausa (São Bernardo do Campo), Hip Hop Mulher, FNMH2, Nação Hip Hop Brasil, Associação de Hip Hop de Bauru, Cedeca, Cufa (Central Única das Favelas).

DJ (disc-jockey)
Operador de discos, que faz bases e colagens rítmicas sobre as quais se articulam os outros elementos, hoje o DJ é considerado um músico, após a introdução dos scratchesde GradMixer DST na canção “Rock it” de Herbie Hancock, que representa um incremento da composição e não somente um efeito. O breakbeat é a criação de uma batida em cima de composições já existentes, uma espécie de loop. Seu criador, DJ Kool Herc, desenvolveu esta técnica possibilitando B.Boys a dançarem e MCs a cantarem. O Beat-Jugglingjá é a criação de composições as pelos DJ nos toca-discos, com discos e canções diferentes. Há diversos tipos de DJs: o DJ de grupo, de baile/festas/aniversários/eventos em geral e o DJ de competição. Este por sua vez, faz da técnica e criatividade, os elementos essências para despertar e prender a atenção do público. Um DJ de competição é um DJ que desenvolve e realiza apresentações contendo scratchs, batidas e até frases recortadas de diferentes discos (samples). Esses DJscompetem entre si usando todo e qualquer trecho musical de um vinil.
Rap
O rap é um ritmo de música parecido com o hip hop e que engloba, principalmente, rimas. É um dos pilares da cultura hip hop. A tradução literal de rap é “ritmo e poesia”, ou seja, uma poesiafeita através de rimas, geralmente feitas em uma velocidade superior à do hip hop, tendo, como exemplo, o grupo The Last Poets. O rap, na maioria das vezes, é feito sem acompanhamento de nenhum instrumento, ou simplesmente com um DJmixer.
MC(master of cerimonies)
Mestre de Cerimônia é o porta-voz que relata, através de rimas, os problemas, carências e experiências em geral dos guetos. Não só descreve, mas também lança mensagens de alerta e orientação. O MC tem como principal função animar uma festa e contribuir com as pessoas para se divertirem. Muitos MCs no início do hip-hopdavam recados, mandavam cantadas e simplesmente animavam as festas com algumas rimas. O primeiro MC foi Coke La Rock, MC que animava as festas de Kool Herc. No Brasil, os primeiros rimadores foram Jair Rodrigues, Gabriel o pensador e grupos como Balinhas do Rap, Thaíde e DJ Hum, Racionais Mcs. Um MC é aquele que através de suas rimas mostra as várias formas de reivindicação, angústias e injustiças com as classes sociais mais desfavorecidas, mostrando o poder da transformação.
Break dance
Break Dance (B-boying, Poppinge Locking), por convenção, chama-se todas essas danças de Break Dance. Apesar de terem a mesma origem, são de lugares distintos e por isso apresentam influências das mais variadas. Desde o início da década de 1960, quando a onda de música negra assolou os Estados Unidos, a população das grandes cidades sentia uma maior proximidade com estes artistas, principalmente por sua maneira verdadeira de demonstrar a alma em suas canções. As gangues da época usavam o breakpara disputar território: a gangue que se destacava era a que comandava o território.
Dança
A dança hip hop inclui uma grande variedade de estilos, nomeadamente breaking, locking, popping, e krumping. Breaking, locking e popping foram desenvolvidos na década de 1970 por negros e Latino-americanos. O krumping surgiu na década de 1990, em comunidades Afro-americanas, em Los Angeles. O que separa a dança do hip hop de outras formas de dança são os movimentos de improvisação(freestyle) e que os dançarinos de hip-hop frequentemente envolvem-se em disputas nas competições de dança. Sessões de freestyle e disputas geralmente são realizadas numa cypher, um espaço de dança circular que se forma naturalmente uma vez que a dança começa.
Grafite
Expressão plástica, o grafite representa desenhos, apelidos ou mensagens sobre qualquer assunto, feitas com spray, rolinho e pincelem muros ou paredes. Sendo considerado por muitos uma forma de arte e é usado por muitos como forma de expressão e denúncia. Apenas no Brasil, o ato de “pichar” é diferente do ato de “grafitar”, nos Estados Unidos, por exemplo, onde o grafite surgiu, existe um nome para a modalidade “pichação” que é conhecido como “tag”.

Oficina Ensaio Aberto ( Break Dance)
Após breve histórico e explanação do surgimento da cultura Hip Hop e suas subdivisões trago mais para nossa realidade a nível de Brasil e principalmente a nível de Cariri/Crato,a anos observando o desenrolar desta cultura que em muito representa a juventude que em sua maioria se sentem chamados e ou se sentem ligados a elementos presentes no hip hop indo desde estilos vestimentas ao ritmo e poesias que apresenta em suas letras muito das realidades das juventudes Brasileira e angustias de muitos jovens, por ser um destes jovens e no entanto devido a falta de incentivo  oportunidade não vi em minha cidade um protagonismo da juventude dentro desta cultura, por vezes tive contato com alguns representantes do hip hop, alguns bboys, grafiteiros ver o surgimento de alguns mcs mais no entanto não o suficiente pra me engajar e tornar um representante da Cultura no Crato pois os mesmos desistiram devido as dificuldades e falta de incentivo e organização da juventude, Neste sentido e envolvimentos sigo engatinho no pilar do Grafite o que por ser um estilo que se interliga com os demais e possibilita um estudo e aprendizado próprio sigo dentro da hip hop como um Militante da Cultura, acompanhando o Movimento Crescente e de Resistência  do Juazeiro do Norte que é quem a anos representa o Cariri dentro desta cultura, possuindo desde grafiteiros a vários grupos de Rap e vários bboys tendo criação de eventos de dança que mobilizam incentivam e possibilitam os artistas da cultura de mostrar o seu potencial e o quanto a juventude esta organizada naquela  cidade, organizando também eventos de Rap onde no mesmo junta todos os elementos sempre como forma de conscientização e mobilização da juventude.
São Variados os movimentos de rua que representam o Cariri no Juazeiro, Tais como o kariri battle  um campeonato de dança de rua ( breaking dance) que está em sua 5ª edição, o  MOCR – Movimento Organizado de Cultura de Rua que agrega os elementos da cultura hip hop e os mesmos são repassados em formas de oficinas de formação para crianças e adolescente e o mais recente o Hip Hop Rua quem vem agregando os grupos e Mcs em um ensaiço geral e depois retornando a sociedade por meio de shows em espaços públicos como forma de engajamento e fortalecimento da cultura Hip Hop.
No Ano de 2013 em militância junto ao Bboy e militante da cultura João Paulo, com o aval e apoio da coordenadoria de política publicas pra juventude no momento vinculada a secretaria de cultura de Crato realizamos dentro do “Abriu pra Juventude” a 1º competição de Break dance do Abriu pra juventude, realização esta que visou mobilizar e iniciar um processo de organização da juventude cratense que tem envolvimento com a cultura  ou que tem simpatia com a mesma e não vê oportunidade de engajamento com a mesma por falta de oportunidades e ou incentivo, neste evento além dos bboys cratenses que muitos se acomodaram por falta de incentivo e ou eventos que os instigues a treinar e a demonstrarem as suas artes reunimos cerca de 6 bboys de Exu-Pernambuco que somaram com a gente em parceria e apoio  ao movimento hip hop, e alguns bboys de Juazeiro do Norte e 2 Mcs que vieram pra ser Mestre de cerimônia e também abrilhantar a roda de break com suas musicas. Eventos como estes possibilitam o intercambio e possibilitam o sentimento de organização e mobilização da juventude, no mês de Novembro/2013 tive a oportunidade de ir presenciar e vivenciar em Exu Pernambuco o EDACRA- Encontro de Dança Artes e Cultura da Regiâo do Araripe, evento este que concentra grande numero de juventude organizada possibilitando o intercambio de artistas de variadas cidades e Estados, pode conhecer e trocar idéias com uma boa parte da galera que em sua maioria vem no hip hop uma possibilidade de engajamento e enfrentamento da juventude contra situações de risco, vivenciar o funcionamento do movimento e a mobilização que se da desde as crianças ate a juventude engajada.
Neste sentido a Oficina Ensaio Abertosurge como um movimento embrionário de mobilização e organização da cultura hip hop no Crato, onde partindo da dança como o primórdio para tal organização/mobilização estamos a tentar construir bases/envolvimento da juventude  dentro da cultura pois sem organização e incentivo o movimento hip hop esta fadado ao esquecimento dentro do Crato que carrega em seu nome o termo de “Capital da Cultura” e a mesma tem como possibilitar grandes protagonistas dentro deste seguimento que em todo o mundo sempre foi símbolo de resistência da juventude. A partir da dança podemos possibilitar e agregar os demais elementos que formam o hip hop, tais como o Rap e mc, o grafite e até mesmo o Dj, os primeiros passos já foram iniciados e a mobilização e organização também, o apoio do poder publico e as demais parcerias com variados seguimentos podem de fato possibilitar um engajamento e protagonismo da juventude cratense dentro desta cultura que agrega juventude podendo assim abrir portas pra representações do Crato  por parte dos mesmos nos variados eventos/campeonatos/rodas/batalhas que acontecem na região nordeste e ate mesmo Brasil. Além da oficina ensaio aberto pretendemos mobilizar/organizar ainda neste intuito de envolvimento da juventude pequenas batalhas de break dance que intitulamos “batalha do bolão” como forma de reunir e aglomerar os artistas e simpatizantes da cultura Hip Hop.

Ricardo Alves da Silva
Militante  da cultura Hip Hop
Artivista Visual (grafite/ stencil/ pôster lambe lambe)
Integrante do Coletivo Camaradas
Graduando em Geografia

Coletivo Camaradas elege nova direção

Na tarde do último sábado, dia 21, no Ponto das Artes, em Crato, foi eleita a nova coordenação do Coletivo Camaradas que conduzirá as atividades no próximo biênio.

A nova coordenação ficou composta pelos seguintes “artivistas” (mistura de artista com ativista): Presidente – Alexandre Lucas, pedagogo, artista/educador e um dos fundadores do grupo; Tesoureiro – Ricardo Alves, estudante de Geografia da URCA, artista visual e ativista; coordenador de Movimentos Sociais – Francisco do Nascimento, ativista cultural na Comunidade do Mutirão e historiador; Coordenadora de Projetos – Fatinha Gomes, cantora, poeta, educadora e produtora cultural, Coordenação de Produção – Bruna Roses, ativista e produtora cultural; Coordenadora de Comunicação – Erika Souza, atriz, produtora cultural e blogueira.
A assembleia foi conduzida num clima de muito entusiasmo e a nova direção já vislumbra perspectiva de ampliação da atuação do coletivo.

Fundado no final de 2007 o Coletivo Camaradas desenvolve trabalhos na região e possibilita trabalhos de intercambio artístico nacionalmente. O grupo vem consolidando suas ações na Comunidade do Gesso na cidade do Crato, antiga zona de prostituição e de tráfico. De acordo com os membros do Coletivo,  o Gesso foi escolhido por eles para ser zona de criatividade coletiva com a participação da comunidade. 
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Comunidade do Gesso realiza quinta trocaria neste domingo


Poesia, artes visuais, música, atividades recreativas, troca de livros, roupas e mudas de arvores são algumas das ações que irão acontecer em mais uma edição da Trocaria no Gesso  neste domingo, dia 22, a partir das 15h00, no Campinho da Comunidade.   

Essa é a quinta edição da Trocaria  que visa contribuir com o processo de organização política da comunidade, através de atividades  criativas e artísticas. A ação é realizada uma vez por mês e conta com um conjunto de parceiros que vão deste  os movimentos sociais ao poder público. 

A Trocaria que é uma iniciativa do Coletivo Camaradas que  vem dando  visibilidade a uma área de vulnerabilidade social do Município e abrindo possibilidades para implantação de políticas públicas na localidade. 

O Coletivo Camaradas escolheu a área para desenvolver as suas iniciativas  artísticas há cerca de quatro anos e esse ano vem intensificando as atividades. Dentre elas a Trocaria, oficinas, vivências, pipada, intervenções  e constantes reuniões. O grupo deverá implantar no próximo ano uma biblioteca comunitária através de parceria com o Instituto Enoque Rodrigues e o Instituto de Memória e da Cidadania do Cariri. 

A comunidade será beneficiada com uma Quadra Coberta em 2014. De acordo com do Secretário de Esportes do Crato, Robério Nogueira,  a quadra é fruto de emenda parlamentar do deputado federal João Ananias e destaca que o equipamento esportivo proporcionará a comunidade além da pratica esportiva outra ações de integração comunitária.    

Para o “artivista” do Coletivo Camaradas, Ricardo Alves, o grupo vem realizando atividades na comunidade há algum tempo e destaca que  havia uma inquietação para realizar um trabalho efetivo. “a Trocaria  foi um pretexto para fixar atividades de contribuição artística, politica e  educacional na  comunidade”, salienta Ricardo. 

A Trocaria conta com a parceria do Projeto Nova Vida, Companhia Brasileira de Teatro Brincante, Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte Contemporânea, Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA, Philantropia Alternativa, União da Juvenude Socialista – UJS, Coletivo Foto Crato, Grupo de Performances Cênicas, Laboratório Paídea da Universidade Federal do Cariri – UFCA e das secretarias municipais de Trabalho  e Desenvolvimento Social, Esporte, Educação, Saúde, Serviços Públicos e a Coordenadoria de Políticas Púbicas para Juventude. 


POLEIRO DE PATO
J. Flávio Vieira
                                               Existe coisa , neste mundo, mais suja que folha corrida de político ? Só poleiro de pato ou cara de guri comendo chocolate. Imaginem, vocês, isso numa cidade como Matozinho , perdida no meio das brenhas, onde a única tênue ligação com o resto do planeta se fazia pelo fio telégrafo ? Ali político casava e batizava, totalmente imune ao Tribunal de Contas e à Responsabilidade Fiscal. Ajudava na blindagem uma razão óbvia: a Prefeitura era a grande empregadora da Vila : substituía o comércio pífio e as indústrias inexistentes. Matozinho , como na Divina Comédia, tinha seu céu( os correligionários do prefeito), seu purgatório ( os indecisos)   e  o inferno ( a oposição). Havia uma só arma de grosso calibre que furava a impenetrável blindagem política : a corrosiva língua do povaréu. Aquela sempre se consumara como a defesa única dos oprimidos e espoliados: a fofoca, a intriga, o disse-me-disse, o penicado eterno de oratórios. A maior parte das vezes, claro, as histórias eram verídicas , os escândalos reais, apenas acrescidos de um pouco de Fermento Royal nas praças e nas rodinhas de esquina. Em caso, no entanto, do jornalismo não ajudar, a ficção sacava-se  prontamente como recurso necessário e imprescindível e a cada conto se ia, claro, acrescentando um ponto, até que toda a trama estivesse urdida.  As fofocas eram sempre sussurradas  nos becos e bancos: Andaram me contando… Dizem as más línguas… Vendo o peixe pelo preço que comprei… Esta história tem que ficar aqui, é segredo , se disserem que eu disse eu nego mais que Pedro na Santa Ceia…Quem lá tinha coragem de enfrentar de peito a máquina forrageira da prefeitura ?
                                   As regras , no entanto, mudaram naquele dia em Matozinho, devido , se acha, a alguns fatores depois devidamente arrolados. Jojó Fubuia assistira no Rádio Cliper velho do Bar de Godô ao destempero  de um tal de Joaquim Barbosa que saíra , como um soldado de volante , na captura  dos cangaceiros do Mensalão. O homem cuspia fogo pelas narinas como dragão e aquilo impressionou Jojó que sempre teve nariz meio virado para direiteza demais, honestidade excessiva. O certo é que,  depois de umas meropéias, saiu ataiando frango do bar e investiu-se, imediatamente, de virulência judicial , de  super-poderes barbosianos. Na calçada,  já debulhou, com alarido,  todo o feijão com casca do prefeito Sinderval Bandeira:
                                   — Sinderval, ladrão de galinha ! Devolve o dinheiro do povo que tu anda tomando emprestado, seu miserável ! Pensa que o cofre da prefeitura é teu bolso, é ? Vai pastorar tua mulher , pra ver se diminui teus chifres, seu infeliz ! Tu é como galo, desgraçado, tem chifre até nos pés !
                                   Enquanto, perigosamente, sem nenhum cuidado,  atirava no ventilador o que o povo de Matozinho comentava por debaixo dos panos, Jojó foi cambaleando em procura da Praça da Matriz. Sinderval, àquelas horas, já estava usufruindo aquele sono mais profundo do que o dos justos: o sono dos impunes. Num dos bancos da praça, no entanto, estava esparramado , com alguns amigos, o velho Pedro Cangati, um dos mais antigos chefes políticos da vila, agora na oposição, após a ascensão de Sinderval. O passado de Cangati não tinha sido menos devassado pelo povo que o do atual prefeito. Diziam-no larápio convicto, respondera processo por estupro de uma adolescente que emprenhara dele e, comentava-se , com cuidados mais que redobrados :  depois de velho começara a vazar corrente e deu para andar com rapazinhos  a quem presenteava  com tênis e bicicletas.
                                   O certo é que Jojó, no meio da sua imprecação contra Sinderval, topou num indigesto vis-à-vis com o ex-prefeito Cangati, aboletado no seu banco. Pedro preparou-se para a reação pronta e imediata, caqueando o vazio, em busca da jardineira de doze polegadas. Fubuia fitou-o com aqueles olhos de bêbado –melosos a meio pau– ,  e, não perdeu a pose. Arrancou, embasado nos argumentos do Domínio do Fato e da Presunção de Inocência, os únicos elogiosos possíveis de se fazer a um político no Brasil:
                                   — Sinderval, seu safado ! Você devia era se espelhar no exemplo do grande  Pedro Cangati ! Ele pelo menos é um ladrão honesto, um baiotola macho, um estuprador donzelo !
Crato, 13/12/13

Comunidade do Gesso ganha biblioteca

A Comunidade do Gesso será beneficiada com biblioteca comunitária. A novidade foi anunciada pelo produtor gráfico Elmano Rodrigues Pinheiro, presidente do    Instituto Enoque Rodrigues sediado em Brasília – DF.

A biblioteca será coordenada pelo Coletivo Camaradas. A previsão é que o grupo receba inicialmente 2000 livros para montar o espaço de leitura. Conforme o artista/educador Alexandre Lucas, integrante do Camaradas, a intenção é construir parcerias no sentido de garantir um espaço na comunidade para instalação do biblioteca. Ele destaca que para isso o grupo deverá procurar o curso de biblioteconomia da Universidade Federal do Cariri – UFCA.   

A comunidade do Gesso já realiza mensalmente uma trocaria em que pode receber doação e fazer trocas de livros e até mesmo pegar livros emprestados.

Além da Comunidade do Gesso,  o Crato será beneficiado com bibliotecas comunitárias nos distritos de Dom Quintino e Monte Alverne. Esse trabalho no Município está sendo coordenador pelo Instituto de Memória e da Cidadania do Cariri – IMCC, o qual já vem desenvolvendo um trabalho no bairro Seminário, no qual conta com espaço para brinquedoteca, biblioteca e exibição de filmes. O espaço homenageia o ambientalista do Cariri e recebe o nome Padaria Espiritual Jackson Antero.      
lambe-lambe

Sépia


                                  
                                                             

                                         J. Flávio Vieira

 
 Claro. Escuro. Claro-escuro. Claro.  A vida de Tatá da Lamprada clonava os dias , numa alternância regular e milimetrada de alvoradas e crepúsculos. Fora assim por mais de cinqüenta anos: um caçador de instantes, um capitão-do-mato de escorregadios e fugazes  momentos. É que a vida é tão fluida, tão volátil que tantas e tantas vezes nem fica nos céus o rastro brilhante da estrela cadente. Durava , na sua beleza, aquilo que se via : uma lamprada ! Tatá capturava nas chapas instantes únicos: “Meninos, eu vi!” . No princípio, havia hordas de outros caçadores nas praças da cidade, perambulando de rua em rua, prontos a flagrar rostos, risos, casamentos, aniversários. A fotografia era uma espécie de pirâmide  para o povo, ali plantavam, como os faraós, sua semente de imortalidade. Com os anos, os concorrentes começaram a rarear. Foram surgindo outras máquinas mais modernas, a fotografia passou a digital e, com o celular, a atividade de lambe-lambe tornou-se totalmente obsoleta. Mantinha, no entanto,  ainda um certo charme, despertava a curiosidade dos transeuntes como um fóssil. Adquiriu aquele ar de Cult e retrô do vinil . Mas só.
                                   Tatá foi se deixando ficar na atividade, primeiro porque estava velho para recomeçar com câmaras mais modernas, depois porque percebia que suas imagens , embora em preto-e-branco, eram muito mais bonitas e definidas que as da modernidade. E mais permanentes! As dos celulares , bastava um tombo para antecipar o fim inevitável. Também havia se afeiçoado à sua antiga e jurássica Bernardi. Ela envelhecera com ele. A ferrugem e a química já haviam corroído as bandejas de revelação, fixação e lavagem das fotografias, necessitara fazer alguns consertos como em qualquer ser vivo. As fotos, no entanto, saiam perfeitas e revelava-as numa pequena Câmara Escura que improvisara em casa. Todo dia, quando Tatá saía para a praça da matriz, com seu tripé cada vez mais incômodo, afixava as fotos reveladas , juntas com outras  mais antigas, nas laterais do caixote que servia de mostruário e de outdoor. Enquanto os clientes não passavam para receber as encomendas, elas iam ali servindo de publicidade.  O menino risonho montado no cavalinho; o casal de noivos apaixonados,  com olhos brilhando, sem nem ligar para a impermanência dos sentimentos;  o defunto esticado no caixão, com o olhar o vago de quem nada encontrou do outro lado do muro.
                                   Aos poucos, sem que Tatá da Lamprada percebesse, sua vida se foi resumindo a suas fotografias, estampadas na parede da sala, próximo aos santos da sua devoção, acima do oratório. A esposa embarcara para a eternidade há cinco anos, no bote de um aneurisma cerebral. Os filhos haviam partido para São Paulo, naquele destino de judeu nordestino, procurando uma terra que nunca lhes havia sido prometida. Nem davam notícia! A casa se foi povoando de fotografias: as novas  , recém reveladas, esperando a entrega e as da sala  puxadas para sépia pela ação inexorável dos anos. A sua existência , foi se resumindo, pouco a pouco,  num daguerreótipo  : a pose; a cabeça enfiada no pano preto; as mãos metidas ,envoltas também em tecido negro, manipulando a chapa, na dianteira do caixote;o fixador;o revelador; a lavagem; a secagem…
                                   Tatá já nem lembra bem, mas teria sido num fim de inverno, com um céu nublado, desses que não só sombreiam a cidade, mas também nossa alma.  Um rapaz alto procurou-o e pediu para ser fotografado. Disse que ia fazer uma viagem e carecia de  um retrato. Era uma figura diferente que não parecia ser da cidade: vestia um paletó de linho branco, usava óculos escuros e  um chapéu panamá. O rapaz fez pose pedante, de pé, com a mão direita recostada num velho banco da praça. Pediu uma foto única, maior , 18X24 , pagou antecipado e combinou para vir pegar ali mesmo, uma semana depois.
                                   “ Da Lamprada”  nunca fez uma clara relação de causa e efeito, mas o certo é que, a partir daí, coisas inusitadas aconteceram. As fotos da parede da sala começaram, a partir daquele dia, a se tornar cada dia mais nítidas e brilhantes. A esposa, os pais , os filhos , os tios a cada dia iam se tornando mais vívidos nas fotos. Havia apenas, uma exceção, a foto de Tatá , sozinho, na praça, em pleno exercício da função, paulatinamente foi-se esmaecendo. Estranhamente, também, as fotos recentes que Tatá ia revelando, posicionadas depois no mostruário do lambe-lambe, começaram a desbotar rápido, a perder as definições,  o que fazia com que aumentasse a ansiedade do fotógrafo que temia, em não as entregando rápido, desaparecessem as imagens reveladas. Teve, ainda, enormes dificuldades em revelar a foto do rapaz do chapéu de panamá. Simplesmente a imagem não se aparecia . O rapaz, também, não passou, para seu alívio, para pegar a foto no dia combinado. Pensou Tatá que a culpa fosse dos reagentes da revelação, mas,  mesmo trocando-os, os problemas continuaram.
                                   Alguns dias depois, como por encanto, a foto do rapaz finalmente se revelou. Ali estava nítida e reluzente em cima da mesa da sala de jantar. E , dia após dia, se foi tornando colorida, na mesma proporção que a sépia de Tatá da Lamprada desvanecia-se na parede da sala, até se desminlinguir totalmente,  sob a ação implacável de outro  lambe-lambe : o do tempo.
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Chega ao Crato cerca de 30 mil livros doados de Brasília para formar bibliotecas em bairros e na zona rural

Um caminhão  carregado com livros chegou  à cidade do Crato para abastecer pontos de leitura e formar novas bibliotecas.
A carga já foi descarregada, será selecionada e depois enviada para formar novas bibliotecas na cidade.
A iniciativa é do Instituto de Memória e da Cidadania do Cariri (IMCC) que em parceria com o Instituto Enoch Rodrigues, de Brasília, quer criar diversas “padarias espirituais” no Crato incentivando a leitura e o conhecimento.  
Na sede do instituto no Bairro Seminário, em Crato, a Padaria Espiritual Jackson Antero de Sousa já está funcionando e consiste numa biblioteca com mais de 12 mil volumes, gibiteca, brinquedoteca, e atualmente vem sendo montado um pequeno estúdio para realização de cursos de locução em rádio e  são ofertados cursos para lideranças comunitárias, sindicais, professores, estudantes e público em geral.
De acordo com Ricardo Monteiro de Carvalho, presidente do IMCC a instituição pretende criar  padarias espirituais nos bairros Gesso,  Centro, no Monte Alverne, Dom Quintino e distribuir livros entre escolas,  entidades sindicais e comunitárias do Crato para formar novos pontos de leitura.
Segundo Ricardo, os pontos de leitura podem ser feito em uma casa, num sindicato ou numa associação de moradores.  Para ele, basta que os organizadores tenham compromisso em manter o ponto de leitura funcionando e distribuindo cultura e conhecimento.
Mas não basta apenas querer participar, já que existem critérios que devem ser cumpridos para quem quiser criar um ponto de leitura.
 A carga de cerca de 30 mil livros foi enviada ao Crato por Elmano Rodrigues, natural de Farias Brito que faz um trabalho social enviando livros da Capital Federal para o Nordeste brasileiro para criar novas bibliotecas. Até agora Elmano já enviou mais de 100 mi livros para o Nordeste criando bibliotecas em diversas cidades como Crato, Juazeiro do Norte, Mauriti, Quixadá, Maracanaú, entre outras.
Elmano Rodrigues é membro do Instituto Cultural do Cariri, produtor cultural e funcionário público federal. Neste mês  de dezembro ele estará no Crato participando  de uma série de atividades que serão realizadas pelo IMCC.
As entidades que quiserem criar pontos de leitura devem entrar em contato com o IMCC que funciona na Rua Marcos Macedo nº 139 – Bairro Seminário no horário de 14 às 18 horas.