Arquivos mensais: agosto 2013

ENCONTRO-DE-AGENDAMENTO

5ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense

INSCREVA SEU ESPETÁCULO!



Release

A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um evento reconhecido no calendário da cultura cearense e de profunda significação no desenvolvimento das artes cênicas do Cariri, fruto que é da vitalidade e pujança das companhias aqui sediadas. Em 2013, mais uma vez fará brilhar os céus de nossas almas com espetáculos em ruas, praças e palcos. 

O movimento é indispensável à luta em favor da diversidade, respeito e afirmação da identidade cultural brasileira a partir da dramaturgia e encenação produzidas no Cariri cearense. Reunirá expressivo contingente de dramaturgos, atores, diretores, produtores e técnicos de companhias de artes cênicas respaldadas pela perseverança e seriedade na pesquisa e realização de seus trabalhos. 

A 5ª edição da Guerrilha do Ato Dramático Caririense tem sua realização prevista para o período de 26 de outubro a 07 de novembro de 2013, no Teatro Ponto das Artes (Sociedade Cariri das Artes, Crato-CE), Casa Ninho (Crato-CE), Teatro Adalberto Vamozi (SESC Crato-CE), Teatrinho da RFFSA (Crato-CE) e em praças e ruas da cidade do Crato-CE.


Regulamento

Apresentação

Artigo 1º – A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um movimento de afirmação da identidade cultural brasileira, a partir da exposição de espetáculos de artes cênicas produzidos e realizados no Cariri cearense, cuja finalidade maior é promover e difundir o teatro, a dança e o circo, contribuindo para seu desenvolvimento, valorização, conquista de plateias e intercâmbio. 

Artigo 2º – A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é uma realização da Sociedade Cariri das Artes em cooperação com companhias e grupos em atividade na região, sendo esta sua 5ª edição.

Artigo 3º – A 5ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense acontecerá no período de 26 de outubro a 07 de novembro de 2013, no Cariri, Estado do Ceará, e sua organização e funcionamento são regidos pelo presente Regulamento.

Participação

Artigo 4º – Poderão participar companhias e grupos de teatro, dança e circo em atividade na região do Cariri cearense, com espetáculo de duração mínima de 40 minutos, nas modalidades palco à italiana, espaço alternativo e rua.

Parágrafo Primeiro – Os espetáculos submetidos à seleção terão, obrigatoriamente, que já ter estreado até o ato de sua inscrição, não sendo vedada a participação de espetáculos que tenham sido apresentados em edições anteriores da Guerrilha. 

Parágrafo Segundo – A convite da Comissão Organizadora, sem prejuízo da participação de grupos/companhias locais, companhias e grupos de outras regiões do estado, do restante do país e estrangeiras poderão integrar a programação, como forma de incremento do intercâmbio e compartilhamento de processos criativos.

Inscrição

Artigo 5º – A inscrição na 5ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense deverá ser feita EXCLUSIVAMENTE em Encontro de Agendamento, a ser realizada no dia 10 de setembro de 2013 (terça-feira), às 18h, no Teatro Ponto das Artes, Rua Nelson Alencar, n° 420, Centro, Crato-CE, Tel.: (88) 3523.5148 | (88) 8801.0897 | (88) 9960.4466, com a seguinte pauta:

1. História, Princípios e Fundamentos da Guerrilha do Ato Dramático Caririense;
2. Inscrição de espetáculos pelos grupos e companhias presentes;
3. Definição de locais, datas e horários de apresentação;
4. Formatação da Programação Oficial pelo Coletivo de Grupos e Companhias da Guerrilha. 

Parágrafo Primeiro – Não será permitida a inscrição de espetáculo cujo grupo/companhia não esteja representado no referido Encontro de Agendamento. 

Parágrafo Segundo – Para efetivar a inscrição, é obrigatória a apresentação dos seguintes itens:

a. Ficha técnica básica com elenco, corpo técnico e necessidades técnico-operacionais;
b. Sinopse;
c. Mapa e planilha de iluminação;
d. Vídeo completo do espetáculo (ou link de acesso na internet);
e. Até 3 fotos em boa resolução;
f. Relação nominal dos integrantes com nome completo, número de RG, CPF e Registro Profissional (caso tenha);
g. Termo de cessão de direitos/autorização de montagem emitida pelo autor, SBAT ou outro órgão de representação legal;
h. Breve currículo da companhia/grupo. 

Parágrafo Terceiro – A ficha de inscrição aqui tratada, assim como as informações nela indicadas, poderão ser solicitadas pelo endereço eletrônico 

[email protected] 

ou coletadas no blog 

http://guerrilhadoatodramaticocaririense.blogspot.com.br/

ou, também, na página

https://www.facebook.com/GuerrilhaDoAtoDramaticoCaririense

Parágrafo Quarto – Os grupos/companhias convidados deverão realizar inscrição entregando pessoalmente ou enviando o material elencado no Parágrafo Segundo do presente Artigo, via correios, com Aviso de Recebimento (AR), para o endereço abaixo: 

SOCIEDADE CARIRI DAS ARTES 
5ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense 2013 
Rua Nelson Alencar, 420 
Centro, Crato-CE, CEP: 63.100-110 

Cachês

Artigo 6º – Cada grupo/companhia receberá, por espetáculo apresentado, o correspondente ao rateio, em partes iguais, da receita líquida do arrecadado na bilheteria de todos os espetáculos realizados em espaços fechados e dos recursos advindos de patrocínio/s para este fim. 

Parágrafo Único – Entende-se por receita líquida o resultado obtido após a subtração das despesas com energia elétrica, camarim e serviços de terceiros, da arrecadação geral da Guerrilha (bilheteria e patrocínios).
Disposições Gerais 

Artigo 7º – A 5ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense será composta de espetáculos selecionados e convidados.

Parágrafo Único – A quantidade de espetáculos será determinada pela Comissão Organizadora, observando o princípio da inclusão e cultural de grupos e companhias do Cariri cearense e a prática de intercâmbio com outras regiões, estados e países.

Artigo 8º – Cada grupo/companhia será responsável por suas despesas referentes a deslocamento, alimentação e hospedagem, sendo o camarim, de responsabilidade da organização da Guerrilha. 

Artigo 9° – A divulgação geral do movimento será de responsabilidade de grupos e companhias integrantes da programação, a partir de material impresso e virtual fornecido pela Comissão Organizadora da Guerrilha.

Parágrafo Primeiro – Caberá aos grupos/companhias a produção de peças de marketing virtual e divulgar seus espetáculos na rede mundial de computadores, podendo, também, às suas expensas, mandar confeccionar divulgação impressa e utilizar-se de outros meios que lhes forem possíveis.

Parágrafo Segundo – Os grupos/companhias deverão, através de seus membros, cooperar na divulgação de cada espetáculo em particular, compartilhando postagens em seus perfis, bem como nas redes sociais e distribuindo releases via mala direta.

Artigo 10 – A Curadoria dos espetáculos selecionados e convidados caberá à Comissão Organizadora designada pela Sociedade Cariri das Artes, ouvindo o Coletivo de Grupos e Companhias da Guerrilha, podendo ser solicitado apoio técnico e consultoria de pessoas com notório conhecimento na área.

Artigo 11 – A data, horário e local de cada espetáculo serão definidos no Encontro de Agendamento, a ser realizado no dia 10 de setembro de 2013, às 18h, no Teatro Ponto das Artes.

Parágrafo Único – A Programação Oficial será publicada até o dia 30 de setembro de 2013.

Artigo 12 – Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora da 5ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense, depois de ouvido o Coletivo de Grupos e Companhias da Guerrilha. 


Crato-Cariri-Ceará, 29 de agosto de 2013.


A Guerrilha do Ato Dramático Caririense


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Claudia Leitão – A dimensão econômica da Cultura precisa avançar

A ex-secretária de Cultura do Estado do Ceará, a  pesquisadora e gestora cultural, Claudia Leitão foi uma das principais formuladoras e incentivadoras da Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura. A professora acredita que é avalia que o Brasil avançou na dimensão simbólica e cidadã nos últimos anos, mas ressalta que é preciso avançar no campo econômico da cultura.  
Alexandre Lucas – Quem é Claudia Leitão?
Claudia Leitão – Uma professora e pesquisadora brasileira, uma gestora cultural apaixonada pela reflexão sobre as políticas públicas de cultura, especialmente, sobre as conexões entre a cultura e o desenvolvimento. 
Alexandre Lucas –  Como se deu sua inserção no campo das Políticas Públicas para Cultura?
Claudia Leitão – Eu me graduei em Direito e, em seguida, em Música. A cultura e o conhecimento científico sempre atravessaram a minha vida. De início, através dos estudos da flauta, no Conservatório Alberto Nepomuceno, em Fortaleza. Depois, graças ao meu  doutorado em Sociologia na Sorbonne, em Paris. A descoberta da cultura, na perspectiva das políticas públicas, acontece dentro da minha trajetória acadêmica na Universidade Estadual no Ceará, quando coordenei a primeira especialização em Gestão Cultural. Mas, certamente, meu grande “mergulho” no universo das políticas públicas da cultura se deu quando fui secretária de cultura do Ceará, entre 2003 e 2006. Esses quatro anos mudaram meu olhar sobre meu Estado mas, também, sobre minha vida acadêmica. E esse “divisor  de águas” se dá quando, no início da minha gestão, inicio com minha equipe o  planejamento da Secult. O Plano, produto desse processo, tornou-se um documento fundador de nossa gestão, uma declaração política da nossa decisão de trazermos para o Estado a tarefa de liderança na formulação, implantação, monitoramento e avaliação de políticas públicas (e não governamentais,!) de cultura. O mais interessante foi a coincidência de termos, naquele momento, chegando ao MinC, o ministro Gilberto Gil. Esse “encontro” foi muito inspirador e resultou em muita cumplicidade entre o Ceará e Brasília durante quatro anos.
Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória:
Claudia Leitão –  Minha graduação em Direito me levou a fazer mestrado em Sociologia Juríica na USP. Minha licenciatura em Educação Artística me instigou a fazer  doutorado em Sociologia na Sorbonne. Penso que essas formações que parecem díspares, são absolutamente necessárias e afins quando falamos em políticas públicas e gestão cultural.
Alexandre Lucas – Um dos focos da sua área de pesquisa é o desenvolvimento sustentável.  Qual a relação entre cultura e desenvolvimento?
Claudia Leitão – As relações entre cultura e desenvolvimento são antigas, mas a sua compreensão vem se transformando, especialmente, ao longo do século 20. De início, a cultura foi considerada uma variável determinista do desenvolvimento e, por isso, tornou-se praticamente um “fatalismo” a favor ou contra o chamado “desenvolvimento” de povos e civilizações. Essa visão foi responsável por inúmeras intervenções ou projetos equivocados de desenvolvimento, quase sempre “exógenos” e, por isso, distantes dos desejos das populações para quem foram destinados. Nas últimas décadas do século 20 e início do século 21, inicia-se uma etapa mais alvissareira nas relações entre cultura e desenvolvimento. Ela vai dar lugar a uma visão “endógena” do desenvolvimento, ou seja, a um “desenvolvimento com envolvimento” das comunidades e populações. Nesse momento, a cultura deixa de ser uma “condenação” mas passa a ser um a priori para o empoderamento e o protagonismo dos indivíduos. E mais. A cultura passa a ser considerada pela Convenção da Diversdade Cultural, produzida pela Unesco, como o quarto pilar do desenvolvimento, ou seja, a cultura passa a qualificar os modelos de desenvolvimento no novo século.

Alexandre Lucas – Como você avalia a políticas públicas para cultura no Ceará?

Claudia Leitão – Um dos problemas relativos às políticas públicas no Ceará, mas também em todo o pais, sejam essas políticas culturais ou não, é o relativo à continuidade ou à perenidade das mesmas. Políticas de Governo no Brasil ainda são compreendidas e tomadas como políticas de Estado. O resultado é que muitas políticas, programas e ações sofrem com sua descontinuidade. No plano federal, estadual e municipal essa problemática acontece e é danosa para o Brasil.
 
Alexandre Lucas – O que é a Economia Criativa?
Claudia Leitão – O conceito de economia criativa está em construção, especialmente no Brasil, um país que poderá liderar, na próxima década, a construção de um modelo de desenvolvimento local e regional para o mundo, a partir da formulação de políticas públicas para a criação, produção, circulação, difusão, consumo e fruição de bens e serviços culturais e criativos. A dinâmica econômica dos bens intangíveis não é a mesma da indústria tradicional. E, por isso, carece de estudos e pesquisas, para que sejam produzidos diagnósticos dos setores culturais, em suas especificidades, além da necessidade de se mapear as vocações regionais. Mas, não tenho dúvida que a diversidade cultural brasileira poderá se tornar um ativo econômico importante para a inclusão produtiva em nosso país.
Alexandre Lucas –   Uma das críticas a Economia Criativa é sobre risco de mercantilização da produção artística. Como Você ver essa questão?
Claudia Leitão – A ausência de políticas públicas que intervenham e estabeleçam regras para os mercados, acaba permitindo  que essas mercantilização se dê da forma radical e excludente. Por isso, é tarefa do Estado enfrentar as assimetrias produzidas pelo sistema capitalista, estabelecendo as ” regras do jogo” para a economia,especialmente, para a economia da cultura, garantindo, enfim, sua sustentabilidade.
Alexandre Lucas –  A partir da gestão do primeiro Governo Lula o país vive uma nova conjuntura no campo das Políticas Públicas para Cultura, o que gerou um novo protagonismo dos movimentos culturais da cultura. Qual a sua percepção em relação a essa questão?
Claudia Leitão – Penso que a partir do Governo Lula, o Ministério da Cultura alçou novos patamares na formulação de políticas públicas para a cultura. O programa “Cultura Viva” é o exemplo de uma política cultural que privilegia e reconhece a ação dos pequenos, ou seja, daqueles que produzem cultura nos territórios mais longínquos do país. Mas, se o MinC avançou nas dimensões simbólica e cidadã da cultura, considero que a dimensão econômica necessita ainda avançar. Os desafios da Secretaria da Economia Criativa são grandiosos: produzir dados confiáveis sobre o campo cultural e criativo brasileiros, formar profissionais qualificados, oferecer fomento aos empreendedores criativos e definir marcos legais que permitam o florescimento da economia criativa brasileira.
Alexandre Lucas –  Um dos grandes  desafios para as políticas públicas para a cultura  é a criação de um marco legal que garanta a sustentabilidade financeira. Como é o caso da PEC 150 que prevê a garantia de 2% do orçamento da União, 1,5% dos Estados e 1% dos Municípios para a Cultura.  O que representa isso para o desenvolvimento do país?
Claudia Leitão – Aos poucos, o campo cultural vai conquistando garantias jurídicas. Os “direitos culturais”, direitos de terceira geração, hoje são considerados direitos humanos fundamentais. A legislação recém aprovada do Sistema Nacional de Cultura é estratégica para o avanço da políticas públicas de cultura no pais. Mas, não acredito que a PEC 150 seja aprovada a curto prazo. De qualquer forma, outros marcos legais precisam ser criados, e talvez sejam mais viáveis a curto ou médio prazos. São marcos trabalhistas, previdenciários, tributários, civis, administrativos, entre outros. Precisamos de uma Frente Parlamentar da Economia Criativa Brasileira, antes que os chineses inviabilizem as dinâmicas econômicas dos nossps bens e serviços culturais.

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Alysson Amancio Cia de Dança estreia ‘CAJUÍNA’ no Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri

Em Julho de 2013 a Alysson Amancio Companhia de Dança foi convidada para apresentar-se no Festival Memminger Meile que acontece todo mês de Julho na cidade de Memminger na Alemanha.
O trabalho apresentado foi um solo contemporâneo, intitulado ‘Cajuína’ dirigido e dançando pelo Juazeirense Alysson Amancio.


A repercussão positiva na Europa motivou a continuidade deste espetáculo. E agora com outra perspectiva visto que a companhia convidou o ator Renato Dantas para compor o elenco desta obra.
Esta nova roupagem estreia dias 30 e 31 de agosto às 19h no Centro Cultural banco do Nordeste – Cariri em Juazeiro. A entrada é franca e os interessados devem solicitar uma senha na recepção da instituição.
‘Cajuína’ é um olhar da dança contemporânea sobre a Região do Cariri, no sul do Ceará. Uma obra coreográfica onde os intérpretes Alysson Amancio e Renato Dantas trazem para a cena memórias, tais como: o cheiro de chuva em janeiro, o sol quente de setembro, as cores do reisado, as luzes das velas nas procissões, a doida Amaral, o homem da cobra, a música das cabaças, os benditos das lapinhas, a família reunida nas refeições, o gosto de cajuína gelada com sequilho em dia de renovação e também os pecados, os amores e dores que se vive pelo mundo.
Um mundo de cores, Homens e danças!

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Toni C – O mano da Nação Hip-Hop

Artista multimídia, autor do romance “O Hip-Hop Está Morto!” e do documentário É Tudo Nosso!, organizador do Hip-Hop a Lápis. Membro da Nação Hip-Hop Brasil e editor audiovisual da TV Vermelho, Toni C é um dos expoentes que vem narrando a história de diversidade e complexidade do Movimento Hip-Hop Brasil.    

Alexandre Lucas – Quem é Toni C?
Toni C – É um cara, como qualquer outra pessoa, que é e faz muitas coisas. Pra facilitar pode ser classificado como multimédia, artista e ativista. Autor de alguns livros sobre Hip-Hop, o mais atual é a biografia de Sabotage, ou seja, sou mais um louco sonhador.

Alexandre Lucas – Como ocorreram os seus primeiros contatos com arte?

Toni C – Desde o nascimento, seguramente. Porém dessa época não tenho muitas lembranças.

Alexandre Lucas – Como surgiu o Hip-Hop na sua vida? 

Toni C – Na infância me lembro de ver o break nos programas Raul Gil,  Barros de Alencar também e na São Bento, bem pequeno passeando com meus pais via aqueles malucos…  Ouvia os balanços, que era como a gente chamava o Rap naquele tempo, na escola, com meus primos mais velhos e do som da escola de samba do bairro, a Mocidade Alegre.

Alexandre Lucas –  Fale da sua trajetória: 

Toni C – Estou ainda trilhando essa trajetória, feito à custa de muita sola de tênis, pedaladas de bike, passando por quebradas, escolas públicas, quadras de basquete, movimento estudantil e sem dúvidas o Hip-Hop.

Alexandre Lucas – Como você avalia o Movimento Hip-hop na atualidade? 

Toni C – Rapaz, é complexo essa questão. Tanto que escrevi um livro a respeito, chamado “O Hip-Hop está Morto!” está cultura está passando por uma transição, uma transformação grande com componentes que vão desde o mercado fonográfico até questões geracionais, passando pela discussão de gênero e o regionalismo. Enfim, quer saber mais, leia o livro.

Alexandre Lucas – Você foi um dos responsáveis pela criação da Nação Hip Hop Brasil. O que é mesmo essa Nação?

Toni C – Fui não, sou responsável, tenho orgulho em pertencer a esta organização desde sua fundação. A Nação Hip-Hop é uma rede formada por gente do Hip-Hop de todo o país que percebe dificuldades parecidas em produzir e difundir nossa cultura, ou seja, em Fortaleza ou aqui em São Paulo, e uma vez identificado problemas comuns, podemos encontrar soluções semelhantes. Hoje nossa organização é considerada a maior entidade de Hip-Hop da América Latina.

Alexandre Lucas –  A Nação Hip-Hop vive um processo de reconstrução? 

Toni C – Reconstrução permanente, de si própria, do movimento Hip-Hop e da sociedade. Quer somar nesta construção? Acesse o site da entidade (www.nacaohiphopbrasil.com.br) e venha fazer parte você também.

Alexandre Lucas – Você vem narrando nos últimos anos parte da história do Hip-Hop. Qual a importância desse trabalho? 

Toni C – A história oficial do Brasil não tem a participação dos negros, não tem participação dos verdadeiros brasileiros, que os “descobridores” chamaram de índios, afinal estavam descobrindo a Índia. Pois bem, parafraseando meu parceiro  Hot Black na música É Tudo Nosso:

“Onde está escrito que estou sujeito
a ser nota de rodapé
 
dos livros de história
sem glória”
Sairmos da nota de rodapé para as capas do livro, hoje somos os escritores, os personagens, as fontes, os pesquisadores… A história é sempre contada pelo ponto de vista dos vencedores. Taí duas coisas que precisamos fazer: vencer e escrever a nossa própria história.

Alexandre Lucas – Como você caracteriza o seu trabalho? 
Toni C – Luta. Luta política, luta ideológica e a batalha de ideias é a mãe de toas as batalhas.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?
Hoje meu trabalho é mostrar a todos meu novo filho recém nascido: A biografia de Sabotage: Um Bom Lugar. (www.literaRUA.com.br)


Saiba mais sobre o trabalho de Toni C:
Toni C. é autor do romance “O Hip-Hop Está Morto!” – A História do Hip-Hop no Brasil, organizador dos livros #PoucasPalavras de Renan_Inquérito, Um Sonho de Periferia, Hip-Hop a Lápis e Literatura do Oprimido e colaborador da revista Rap Nacional.
Social
Secretário de cultura da Nação Hip-Hop Brasil e da ORPAS – Obras Recreativas Profissionais, Artísticas e Sociais.
Audiovisual
Diretor do documentário É Tudo Nosso! O Hip-Hop Fazendo História. Editor da TV Vermelho e pesquisador do programa Estação Periferia – TV Brasil.
Prêmios
Ganhador do prêmio Cooperifa, recebeu Menção Honrosa pela Câmara de Marília. É reconhecido como uma das pessoas mais influentes da cultura brasileira, através dos prêmios Tuxáua e Escola Viva, pelo Ministério da Cultura. Foi congratulado pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul com a Medalha Comemorativa da 53ª Legislatura do Estado.
Bibliografia Completa:
Antologias
Hip-Hop a Lápis – O livro (2005)
Hip-Hop a Lápis 2 – Literatura do Oprimido (2010)
Um Sonho de Periferia (2011)
Romance
“O Hip-Hop Está Morto!” – A História do Hip-Hop no Brasil (2012)
Biografia
Um Bom Lugar – Biografia Oficial de Mauro Mateus dos Santos – Sabotage (2013)
Prefácio e comentários
Colecionador de Pedras – Sérgio Vaz (2006)
Trajetória de Um Guerreiro – DJ Raffa (2008)
Rap Dez – O Primeiro rapper dos Quadrinhos -Marcio Baraldi (2011)
Do Conto à Poesia – Alessandro Buzo (2011)
#PoucasPalavras – @RENAN_INQUERITO (2011)

Veja essa e outras entrevistas no Blog das Entrevistas: www.blogdasentrevistas.blogspot.com  

Comunidade se mobiliza para trocaria no Crato


Diversas são as formas de organização e criatividade popular. Na comunidade do Gesso, na cidade do Crato, diversas organizações estão mobilizadas para realização de uma feira de trocas.   A “Trocaria” na Comunidade do Gesso tem como objetivo envolver a comunidade em ações coletivas e solidárias, através da troca de  revistas, livros, roupas, móveis, CDs, objetos de artes, antiguidades, serviços   e até mesmo trocas de experiências e afetos.

A trocaria terá ainda tenda com informações em Educação e Saúde, distribuição de mudas frutíferas, apresentação do espetáculo a Comédia da Maldição da Companhia Brasileira de Teatro Brincante e ensaio aberto do grupo de tambores Zabumbar. A primeira ação acontecerá na tarde do domingo do dia 25 de agosto.      
A Trocaria na Comunidade do Gesso é fruto da parceria do Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA, Coletivo Camaradas, Companhia Brasileira de Teatro Brincante, Projeto Nova Vida, Zabumbar e a comunidade do Gesso.  
A ação será realizada no ultimo domingo de cada mês. A população pode contribuir fazendo doações de objetos e serviços. As doações devem ser entregues no Projeto Nova vida, localizado na Rua São Francisco, 58 – Comunidade do Gesso. Pessoas e grupos interessados em participar do projeto entrar em contato pelo número:   (88)96616516. 

Crato realizará a III Conferência Municipal de Cultura

Secretaria Municipal de Cultura promove nos dias 09 e 10 de agosto a III Conferência Municipal de Cultura visando estabelecer marcos regulatórios de uma politica pública cultural para o município. 
Em sua terceira edição, a Conferência Municipal de Cultura é uma ferramenta para o desenvolvimento social e organização de políticas públicas culturais. Com o tema “Uma política de Estado para a Cultura: Desafios do Sistema Municipal de Cultura”, a conferência acontecerá no auditório do GEOPARK Araripe. Durante os dois dias acontecerão palestras, debates, plenárias e eleição de representantes para a etapa estadual, em setembro. Em todo o país, as conferências de cultura são uma oportunidade ímpar para que a sociedade civil e os governos, juntos, avaliem as políticas culturais da União, Estados e Municípios e façam propostas para seu aperfeiçoamento. 
Caracterizada por ser um Fórum participativo que reúne artistas, produtores, gestores, conselheiros, empresários, patrocinadores, pensadores e ativistas da cultura, e a sociedade civil em geral, a Conferência Municipal de Cultura pretende discutir a cultura cratense nos seus múltiplos aspectos, valorizando a diversidade das expressões e o pluralismo das opiniões. 
A ideia é propor estratégias para fortalecer a cultura como centro dinâmico do desenvolvimento sustentável do município, universalizando o acesso da população à produção e fruição da cultura e consolidando a participação e o controle social na gestão das políticas públicas de cultura. 
Outro importante papel da CMC é que ela é um instrumento para a consolidação do Sistema Nacional de Cultura previsto em lei federal a ser aprovada. Embora longo, o processo de construção do marco regulatório do SNC tem sido conduzido de forma consistente, na medida em que a sociedade, particularmente os setores interessados e diretamente afetados, está sendo chamada a participar da elaboração das normas e, sobretudo, da implantação dos componentes do Sistema. 
A Conferência é aberta a toda população, com credenciamento duas hora antes do evento. Os grupos de discussão serão organizados em quatro eixos temáticos: Sistema Municipal de Cultura; Produção Simbólica e Diversidade Cultural; Cidadania e Direitos Culturais e Cultura e Desenvolvimento, que deverão ser selecionados por cada participante no momento da inscrição. 
*Mais informações sobre a III Conferência Municipal da Cultura na Secretaria Municipal de Cultura do Crato: Telefone: (88) 3523-2365

TEATRO PONTO DAS ARTES SERÁ INAUGURADO EM CRATO-CE

“A DONZELA E O CANGACEIRO” 
abre programa de inauguração do Ponto das Artes 


16(sex), 17(sab) e 18(dom) de agosto de 2013
20h | 70min | Livre 


Teatro Ponto das Artes
Rua Nelson Alencar, 420, Centro – Crato – Ceará
(Próximo à Praça Cristo Rei)

R$ 10,00 (antecipado/meia)
R$ 20,00 (inteira)

Informações: 
(88) 8801.0897 | 9960.4466 | 3523.5148 

Cia. Brasileira de Teatro Brincante
Texto e Direção de Cacá Araújo 
Música de Lifanco 


Sinopse

O Sítio Fundão está prestes a ser totalmente destruído. Decifrar o enigma da esfinge de Seu Jefrésso é a única salvação. Se a Donzela morrer, tudo estará perdido…

Aventura, suspense, drama e comédia numa fantástica história que resgata o mito da Caipora e estimula a consciência crítica e atitudes de proteção à natureza.

Elenco

Catirina – Joseany Oliveira
Pafúncio Pedregôso e Bode-Preto – Cacá Araújo
Cafuçú – Henrique Macêdo
Feiticeira Catrevage e Donzela Flor – Jonyzia Fernandes
Dona Colombina – Samara Neres
Caipora – Orleyna Moura
Troncho Sam – Márcio Silvestre
Edimundo Virgulino – Paulo Fernandes
Seu Jefrésso – Pedro Vagner

Músicos

Lifanco e elenco

Técnica

Texto e Direção – Cacá Araújo
Assistência de Direção – Orleyna Moura
Direção Musical e Sonoplastia – Lifanco
Cenografia e Iluminação – Cacá Araújo
Maquiagem – Samara Neres e Henrique Macêdo
Figurino – Joênio Alves e elenco
Operação de Luz – José Erismar
Fotografia – Gessy Maia
Vídeo – Wideny Toyota
Produção Executiva – Joseany Oliveira

Agradecimentos

Prefeitura Municipal do Crato 
Secretaria de Cultura
Instituto de Ecocidadania Juriti
Armazém da Arte
Gil Gomes de Mattos
Josane Garcia
José Flávio Pinheiro Vieira
Luis Carlos Saraiva
Valeska Sampaio
Everardo Aguiar
Jackson Bantim
Tio Bibi

Berro


J. FLÁVIO VIEIRA
                                               A  Expocrato, nos seu sessenta anos de existência, tem dado seguidos exemplos da sua vitalidade. Não existe um evento, no interior do Ceará, que  rivalize com a pujança da nossa festa de julho.  Com o passar do tempo, também, se foi solidificando mais seu ramo de entretenimento e se relegando, por outro lado, a do agronegócio. O certo é que a Expocrato congrega e atrai um sem número de cratenses legítimos e adotados e, a segunda semana de julho, termina por se tornar um verdadeiro Congresso  para onde acorrem visitantes, turistas e filhos da cidade espalhados pelo Brasil afora. Batida a poeira da festança, nos últimos anos, abre-se intenso debate sobre a permanência ou não do Parque no seu sítio tradicional. Há proposta antiga do Governo Estadual , administrador do Parque e do evento, pela  transferência para um local mais afastado do miolo da cidade, opinião corroborado hoje, pela atual administração municipal. Do outro lado, há um forte movimento de tradicionalistas e alas políticas de oposição pela manutenção da Expocrato, no lugar onde sempre aconteceu, onde se solidificou e onde arrancou o seu indiscutível sucesso.
                                               Pois bem, amigos ! Um cronista rabo-de-galo como eu, não pode se omitir e fugir de polêmica tão palpitante. Permitam-me pôr minha colher-de-pau nesse angu de caroço. Entendo que o nosso sexagenário Parque de Exposições, no centro da cidade, onde sempre se encontrou, parece bem acolhedor e de fácil acesso. O Crato, no entanto, transformou-se vertiginosamente nestes últimos sessenta anos. Em 1953, quando o Parque foi construído, a Cidade terminava na altura da Rádio Educadora, a partir dali, era uma grande fazenda , não existiam os bairros : Pimenta, Sossego, Grangeiro e o Lameiro mostrava-se como uma sucessão de sítios, com atividade absolutamente rural. O Crato cresceu e, hoje, o nosso Parque está encravado no Centro da Cidade. Os distúrbios e atropelos em julho não inevitáveis. Os engarrafamentos  lembram aqueles das  capitais; estacionamento a preços estratosféricos são quase impossíveis de se encontrar; o som ensurdecedor dos shows de péssima qualidade perturba o sono dos moradores de toda a Vila de Frei Carlos , uma verdadeira afronta aos pacientes do Hospital São Francisco próximo e às almas do Cemitério Nossa Senhora da Piedade  defronte, a quem se deseja tanto repouso eterno, sem falar na agitação que causa nos animais em expostos . Não esquecendo , ainda, os dissabores típicos do pós-evento : proliferação de moscas e muriçocas,  principalmente por conta da sempre deficiente coleta de lixo. Acredito, assim, mesmo estando exposto à sanha dos “amantes mais verdadeiros  do Crato”,  que a mudança , para uma área mais rural , não é só necessária, mas imperiosa.  O espaço extenso  e valioso,bem que poderia ser transformado num parque urbano, no coração da nossa vila, para o gáudio dos seus habitantes, como o Ibirapuera em São Paulo.
                                               A discussão  sobre a transferência ou não do parque,em meio às paixões de lado a lado,  no entanto, tangencia outras ponderações que me parecem mais importantes e pertinentes. Vou elencar algumas  perguntas que não querem calar. A Festa de caráter público, patrocinada pelo Governo Estadual, foi , praticamente, terceirizada. Os espaços são vendidos a preços extorsivos, alguns acima de R$ 10.000,00,  levando a que os preços dos produtos alimentícios e bebidas ali comercializados sejam um verdadeiro acinte à economia popular: latinha de cerveja a R$ 6,00, Caldos a R$ 8,00, tapiocas a R$ 6,00. Estacionamentos cobrados a  R$ 20,00, com pagamento antecipado. No espaço dos shows, além dos ingressos, mesas estavam sendo comercializadas pelas barracas. A qualidade dos alimentos vendidos a preços astronômicos  não passaria numa mínima inspeção de Vigilância Sanitária. Qual o interesse do Estado em cobrar  preços tão extorsivos, se todos já pagamos fielmente nossos impostos ? Isso não arranca da ExploraCrato , como já vem sendo chamada, toda a sua possibilidade de festa realmente popular ?  Uma outra pergunta : A terceirização de todo o espaço destinado aos shows  não é mais uma agressão ao bolso do contribuinte? Não é por isso que só se contratam shows de massa , sertanejos e bandas de forró, excluindo, totalmente grande parcela da população da festividade?  E mais: o Estado, assim, não se está omitindo, totalmente, de fazer Política Cultural ? Os artistas importantes do Cariri foram totalmente alijados da festa  de alguns anos para cá, hoje ainda se apresentam no palco da URCA, mesmo assim só até às 23 horas, quando chega uma ordem para parar tudo, para não prejudicar os péssimos shows que começarão acontecer  no espaço pago . Por que mesmo as barracas externas que pagaram preços extorsivos não podem apresentar shows alternativos além das 23 horas? Algumas sofreram pressão da polícia e tiveram a energia cortada pela desobediência.  Muitos cratenses fugiram para o Festival de Inverno de Garanhuns onde assistiram a shows de Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, absolutamente abertos e grátis. Isso em apenas um dos palcos, havia inúmeros outros: de Cultura Popular, do Mangue Beat, de música Gospel. O orçamento do FIG foi de mais de cem milhões de reais, conseguidos em projetos  com a Petrobrás, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil , a Secretaria de Cultura do Estado  de Pernambuco. Por que não trilhamos os mesmos caminhos ? Será que interessa aos organizadores ter uma festa realmente popular e menos excludente ? Pelo andar da carruagem acredito que será questão de tempo começar-se a cobrar pela entrada no Parque principal, como , inclusive, já vem sendo feito com o “Berro”. Quem viver, verá !  Um outro ponto importante de discussão  é o que fazer do Parque ( velho ou novo), nos outros 358 dias do ano. Ficará parado, sem outra utilidade, para ser usado apenas  no ano subseqüente? Como utilizar uma área  tão agradável e importante  de maneira mais contínua e inteligente ?
                                               Imagino que todas estas questões são bem mais pertinentes de serem discutidas de que apenas a mudança ou não do local da nossa Expocrato.  De nada adianta investimentos vultosos , se antigos erros continuarem a ser cometidos. Estamos , talvez, já tentando escolher o túmulo mais bonito e vistoso, sem sequer discutir se o moribundo  não teria  alguma possibilidade de  cura.