Arquivos mensais: fevereiro 2013

Reinos de pó


Ricardo III ,da Inglaterra, reinou por um período curtíssimo : entre 1483 e 1485. Sua enviesada ascensão à coroa , historicamente, parece eivada de crimes e assassinatos, o que sempre foi comum nas monarquias absolutistas. Para chegar ao trono, na sucessão de Henrique IV que morrera subitamente, Ricardo precisou dizimar inimigos  e, também, candidatos naturais ao cargo, além de utilizar de manobras jurídicas e armações como a anulação do casamento do seu antecessor por suposta bigamia.  Coroado , Ricardo levou Ricardo V e o Duque de York , seus sobrinhos, à Torre de Londres de onde nunca mais voltaram. Mexendo no instável castelo de cartas dos interesses da aristocracia inglesa, rapidamente, se iniciou uma enorme campanha contra o rei, sob suspeita de usurpação do trono  e que culminou com a Guerra das Rosas , encabeçada pelo Duque de Buckingham e Henrique Tudor , o Conde de Richmond. Em agosto de 1485, as tropas leais ao rei e as revolucionárias do Conde se confrontam na Batalha de Bosworth Field e Ricardo III termina abatido no confronto; dando-se início à Dinastia de Tudor. Apesar do reinado meteórico, ele se tornou , por sua dúbia personalidade, um dos monarcas mais populares do Reino Unido, tendo sido, inclusive, tema de uma das mais importantes peças de Shakespeare. Além de tudo, aumentando a aura de mistério, seu corpo jamais tinha sido encontrado. Ficou célebre o epílogo shakespeareano em que Ricardo III , a pé, sendo perseguido pela sanha do exército adversário, cita, no desespero,  a famosa frase : “Meu Reino por um Cavalo !”
                   No último dia quatro de fevereiro, quinhentos e vinte e oito anos depois da fatídica batalha, escavações num estacionamento em Leicester, no centro da Inglaterra, encontraram um esqueleto que, depois, se confirmou pertencer a Ricardo III. Tinha 32 anos na época da morte, uma profunda escoliose , sinais de trauma craniano por objeto cortante  e uma ponta de flecha entre as vértebras. Exames científicos como Datação pelo Carbono 14 e DNA confirmaram o fim do mistério que já varava meio milênio.
                   Ricardo III estava inumado num simples estacionamento e seu esqueleto não carregava quaisquer diferenças que por acaso o distinguissem de qualquer um dos   mais humildes plebeus do seu reino.  A confirmação da sua identidade , pelo exame de DNA, foi através da comparação com um dos seus últimos descendentes : Michel Ibsen, um marceneiro canadense, radicado em Londres e que não carrega consigo nenhum traço de  nobreza esperado  para um remanescente da Casa de York. O pretenso sangue azul que por acaso teria corrido nas suas veias, também, não tingiu a ossada encontrada, nem a tornou mais colorida e menos opaca do que os remanescentes de qualquer mendigo da Inglaterra. Na morte não há castas: é de pó que são construídas todas as coisas. Vaidade, riqueza, poder , ambição, egoísmo acabam todos no fim da batalha, quando o golpe de misericórdia já está armado e nós trocaríamos todas elas por um  cavalo que nos levasse para bem longe do equitativo  reino do nada, da escuridão e do pó.
J. Flávio Vieira

A blogueira que virou santa é a dona da semana -Lúcio de Castro – Portal Vermelho

A blogueira que virou santa é a dona da semana – Portal Vermelho

Não sei nem ao certo se as coisas sempre foram e são assim ou se esse sentimento de que tudo em volta anda carregado é desses dias ou desde sempre.

Por Lúcio de Castro*

O fato é que os últimos dias tiveram cor de chumbo. Não o chumbo dos anos de sufoco, mas um chumbo misturado com cinismo, com a “força da grana que mata e destrói coisas belas”, e uma sensação de que as coisas estão passando como rolo compressor por todo mundo, e a tal força da grana, o poderio econômico, a concentração de poder nos meios de comunicação e os tempos do pensamento único no mundo chegaram definitivamente para paralisar todo mundo. Com a agravante de que, em tempos de redes sociais, todo mundo se acha fazendo sua parte tuitando. É a rebeldia emoldurada em 140 caracteres.

Dias de envergonhar a espécie humana, com a barbárie do Pinheirinho, a omissão de sempre dos governantes nos prédios que desabam (como já tinha sido no bonde, nos temporais, em tantas coisas…), com o chocante relato na reportagem de Eliane Brum (sempre ela…!), “A Amazônia, segundo um morto e um fugitivo”, disponível na internet. Para completar, na semana que entra, temos a monótona, repleta de chavões e inverdades, parcial, acrítica, e muitas vezes beirando o desonesto, cobertura da visita da presidenta Dilma a Cuba. Desde já, nossa imprensa elegeu a personagem da viagem, não importando o que irá acontecer: Yoani Sánchez, a blogueira cubana. Eleita estrela pop pela imprensa mundial já há algum tempo.

Yoani Sánchez todos conhecem. Ou acham que sim. A tal blogueira que virou símbolo mundial na luta “pelos direitos humanos em Cuba”, “contra a falta de liberdade de expressão em Cuba”, etc… Não iria aqui (prestem atenção nesse trecho antes de enviar afirmações deturpadas sobre minhas opiniões… ) ignorar problemas, alguns graves, ocorridos ao longo do processo revolucionário em Cuba, desde 1959. Apenas é preciso tentar ver o outro lado sem a dose de cinismo com que geralmente a nossa imprensa o faz, assim como a maioria esmagadora da imprensa do ocidente. Sem ignorar os bloqueios, as sabotagens, as criminosas tentativas de homicídio partidas de Washington e outras variáveis. Estive na ilha por diversas e diferentes razões, e por isso gosto mais ainda dos versos de Pablo Milanez, equilibrado em reconhecer as contradições da revolução e seus méritos em “Acto de Fe”.

É preciso se despir de preconceitos, conceitos prontos e chavões para ao menos manter o senso crítico quando se vê, repetidas e monótonas vezes, a afirmação dos “desrespeitos e violação aos direitos humanos em Cuba”. Ou se fala com absoluto conhecimento de causa, se é capaz de afirmar com conhecimento e critério jornalístico, provando, ou nos resta como referência o órgão mundial que trata sobre o assunto. E segundo a Anistia Internacional, que de forma alguma pode ser apontada como conivente com Cuba, (muito pelo contrário), em parecer de abril de 2011, “no continente americano, é o país que menos viola os direitos humanos ou que melhor os respeita é Cuba.

O parecer está no sítio da Anistia Internacional, em três idiomas. De qualquer forma, sempre chega a ser risível falar em “violação aos direitos humanos” vivendo no Brasil de Pinheirinhos, das remoções nas grandes cidades pelo estado de exceção que se instala por causa da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, da Candelária, do Carandiru, da reportagem acima citada de Eliane Brum… E poderíamos seguir dando tantos exemplos, infinitos, né?

O mesmo informe da Anistia Internacional dá conta de que 23 dos 27 países que votaram por sanções contra Cuba por violações dos direitos humanos são apontados pela própria Anistia como violadores muito maiores do que Cuba nos direitos humanos. O que nos leva a crer que a maior violação aos direitos humanos em Cuba está mesmo na base militar americana de Guantánamo. Quem dirá o contrário, quem será capaz?

Tampouco eu seria panfletário ou bobinho de falar em “liberdade de expressão” em Cuba. Apenas não sou panfletário ou bobinho de omitir o nosso quadro. Ou o das grandes corporações, dos barões da mídia mundiais. Alguém ignora o quanto de poderio econômico serve de filtro para o noticiário nosso de cada dia, para escolher o que vai para as páginas ou ao ar? Se não acredita, então fique esperando no horário nobre a apuração séria dos desmandos da Copa de 2014 ou 2016. Não vale algo pontual, quando o próprio interesse está em jogo…

Esqueçam as duas linhas de quatro, o 4-2-3-1 e as confusões da Turma do Didi (diretoria do Flamengo) e Luxemburgo, além da operação de Rogério Ceni. A semana que começa será de Yoani Sánchez, alguém tem dúvida? Brasileiros envolvidos na cobertura da visita de Dilma a Cuba irão procurar a blogueira. Traçarão perfis. Ela que ganhou espaço como colunista do Globo, que recebeu o Jornal Nacional esses dias e tem dado entrevista pra todos os órgãos de imprensa brasileiros, irá falar mais do que nunca.

Espera-se que os envolvidos na cobertura tenham ao menos um pouco da categoria e cumpram os deveres do ofício como fez o jornalista francês Salim Lamrani, professor da Sorbonne. O único jornalista do mundo até aqui a fazer algumas perguntas elementares para Yoani. O único a estranhar que a blogueira tenha recebido Bisa Williams, diplomata americana em sua casa e não tenha revelado. O único a pelo menos questionar o que poderia estar por trás da dimensão que Yoani ganhou no mundo, além dos 300 mil euros recebidos em prêmios nos últimos tempos. Uma entrevista que vale a pena. É enorme, mas vale. Pelo menos para que possamos ter algumas interrogações quando começar a “semana Yoani”.

Aos colegas envolvidos na cobertura in loco, boa sorte. Independentemente de sistemas políticos, o que fica ao fim de tudo, sempre, é gente. Curtam essa gente especial. Em alguns momentos, não saberão se estão na Pedra do Sal, aqui em São Sebastião do Rio de Janeiro ou em Habana Vieja. Esqueçam as questões ideológicas e travem conversa com aqueles que mais rápido falam no mundo. Ninguém consegue falar mais rápido do que um cubano, quase engolindo sílabas. Esqueça os chavões, o que leu. Não comece a conversa por “companheiro”. Quem é de rua sabe que nas quebradas o papo é outro. Bote a mão no ombro, chame de “sócio”, “cumpadre”, “amigo” que seja. Vai encontrar uma gente altiva, de cabeça erguida. Na correria, como em qualquer lugar do mundo. Lembrem-se também que o mojito é na Bodeguita e o daiquiri na Floridita… E na hora em que estiver trabalhando, oxalá possa deixar os preconceitos de lado. Nem de um lado nem do outro. Do mesmo jeito que não valem as versões e protocolos oficiais, se der para relativizar pelo menos tudo o que vê de mazelas, tentar entender o contexto, ir além, vai dar para sair de cabeça erguida.

Do contrário, se for mais um voltando com velhos chavões e preconceitos, será mais um a conhecer a maldição da despedida em Cuba. Consta que todos aqueles que não foram capazes de manter o equilíbrio e a correção em coberturas habaneiras, ganharam um nó eterno na garganta, adquirido na hora de ir embora e que acompanha o resto da vida, em forma de vergonha. Bate forte como arrependimento quando se pensa em tudo o que se escreveu pensando na voz do dono. Um mal que acomete a quem pecou diante de Gutemberg, e vem quando se passa pelos dizeres na saída do aeroporto (nada pode ser mais devastador):

“Esta noite, 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana”.
Atualmente é repórter da ESPN Brasil e tem seu blog hospedado no site do canal.

*Lúcio de Castro é carioca, jornalista, blogueiro e escreve para a Espn Brasil.

SELEÇÃO DE MONITORIA PARA O NÚCLEO DE ARTES VISUAIS – SECULT – Crato/CE

A Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato torna público para conhecimento dos interessados as normas do Processo de Seleção para Monitoria Voluntária no Núcleo de Artes Visuais desta Secretaria.   
 
1–  Do objeto
1.1.        O Núcleo de Artes Visuais da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude  do Crato é o setor responsável para dialogar, elaborar, sugerir e promover as políticas públicas  para a referida linguagem no âmbito do município.  
1.2.        Para desenvolver e potencializar as ações do Núcleo de Artes Visuais serão ofertadas 20 vagas para monitoria voluntária destinadas a estudantes universitários.  
2 – Da Monitoria 
2.2 – Poderão candidatar-se às vagas para Monitoria Voluntária do Núcleo de Artes Visuais estudantes regulamente matriculados nos cursos de graduação das Instituições de Ensino Superior da Rede Pública e Privada da Região Metropolitana do Cariri.   
2.3 – Serão ofertadas 20 vagas para monitores/monitoras, sendo 05 vagas para os graduandos dos cursos de Artes Visuais e 15 vagas  serão preenchidas  pelos demais cursos.    
2.4 – O(a) monitor/monitora cumprirá carga horária semanal de 4 horas.  
2.5 – Cada monitor será certificado pela Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato. A referida certificação servirá como atividade complementar para conclusão de graduação.   
2.6 – Cada monitor/monitora desenvolverá atividades na área de mapeamento, estudos, vivências, experimentação e produção cultural.
2.3 – Os monitores/monitoras participarão das atividades do Laboratório de Estudos, Vivências e Experimentos em Arte Contemporânea – LEVE Arte Contemporânea.          
3 – Das inscrições   
3.1 As inscrições poderão ser efetuadas no período de 20 de fevereiro a 28 de fevereiro na Secretária de Cultura, Esporte e Juventude, localizada à Rua Teopisto Abath, S/N, Largo da RFFSA – Centro –  Crato/CE,  no horário das 8h00mim ás 17h00min.    
4 – Do Resultado e da convocação
  
4.1 – O resultado será divulgado no dia 01 de março, a partir das 15h00, na sede da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato.   
4.2 – Os alunos selecionados deverão comparecer para  reunião dia  02 de março, às 9h00, no auditório do Centro Cultural do Araripe – Largo da RFFSA.
Crato-CE, 19 de fevereiro de 2013.
   
Dane de Jade
Secretária de Cultura, Esporte e Juventude 

Entala-Gato


“Como é possível esperar que a humanidade ouça                                                               conselhos,se nem sequer ouve as advertências.”
Jonathan Swift
                        No último Carnaval, enquanto foliões, no Brasil inteiro, entregavam-se às batalhas de confetes e serpentinas, aconteceu, no Espírito Santo, uma cena emblemática dos anos em que vivemos. A aposentada Judith Kosken ,de setenta e nove anos ,  foi trancada ,pela neta, dentro de sua casa e mantida, em cárcere privado, sem alimentos, até a quarta-feira de cinzas. Vizinhos ouviram os gritos desesperados da velhinha, avisaram à polícia e ela, por fim, foi libertada da prisão domiciliar. A neta saíra com a namorada na sexta-feira para curtir o Carnaval em outra cidade. As agruras de D. Judith não pararam por aí : atendida em um hospital, passou mais dois dias morando no carro da polícia, pois os agentes, simplesmente, não conseguiam encontrar uma instituição que a acolhesse. O fato pode parecer um caso isolado, destes que periodicamente servem para alimentar o noticiário morno dos jornais. Esconde no seu ventre, no entanto, um monstro que vem sendo gestado nas últimas décadas e está pronto a coroar e espalhar brasa Brasil afora.
                   No início do Século XX, apenas 25% da população brasileira tinha mais de 60 anos. Nos primórdios do Século XXI , 65 % dos homens e 78% das mulheres alcançaram este patamar. Em 2009 ,o Brasil, que é um país jovem, tinha a sexta população de idosos do mundo, alguma coisa em torno de 22 milhões de pessoas, ou seja: um em cada 13 brasileiros será idoso em 2020 e ,em 2040,  um terço da população estará nesta faixa etária. A esperança de vida do brasileiro, hoje, beira os 75 anos, em média;  na década de oitenta,  era de 63 anos. Junte-se a este quadro,  uma diminuição abrupta da taxa de fertilidade, que pelo andar da carruagem deverá levar ao decréscimo progressivo da população  a partir de 2062 e perceberemos que o futuro do Brasil é o passado. A grande bomba começa a ficar com o estopim aceso e curto. O país não está minimamente preparado para acolher a crescente população de idosos. Quem haverá de cuidar deles quando vierem as limitações próprias dos anos ? Não temos geriatras suficientes; não dispomos de  cuidadores treinados no volume que a demanda exige; não possuímos instituições que os acolham. O antigo pacto de gerações, em que os pais cuidavam dos filhos e estes dos pais, quebrou-se por inteiro: os filhos são poucos e a modernidade exige demais deles. Nosso Sistema de Saúde também não está capacitado para atender as doenças próprias da maturidade: as demências, as fraturas, os acidentes vasculares cerebrais, o câncer que tende a aumentar nas faixas etárias mais elevadas. Não bastasse isso, vivendo mais a população, o INSS deverá desembolsar as aposentadorias por mais tempo e, por outro lado, nascendo poucos brasileiros,  a previdência arrecada menos e o desequilíbrio da balança é inevitável. Nas gerações passadas,  a família cuidava dos anciãos e os abrigos eram deixados para os indigentes. Hoje, nem mel, nem cabaça !
                   As angústias porque passou D. Judith no Carnaval são freqüentes em todo o Brasil e tenderão a se agravar. Não é muito diferente do que vem acontecendo no resto do mundo, só que nos países desenvolvidos as mudanças foram mais paulatinas e houve mais tempo para   adaptação à nova realidade. Um dado positivo nesta nova cara da população brasileira é que os idosos estão muito mais ativos, organizam-se, viajam, produzem e muitos e muitos são arrimo de família, geralmente com renda média superior aos chefes de família mais jovens. O Brasil precisa, no entanto, enfrentar rapidamente esta nova face mais enrugada que o país vai tomando, sob pena de aprofundarem-se enormemente seus problemas sociais que já não são poucos.
                            O escritor irlandês e  setecentista , Jonathan Swift (1667-1745) escreveu uma sátira em 1729 : “Uma modesta proposta para preven ir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país, e para as tornar benéficas para a República”. Nela propõe, como solução da pobreza infantil, que havendo provas de que a carne das crianças  é tenra e gostosa, elas possam ser vendidas assadas aos ricos, resolvendo assim o problema culinário dos mais abastados, econômicos dos mais pobres e o impasse político da Nação que já não suporta carregar tantos rebentos produzidos pelos mais desfavorecidos. Pois bem, se o Brasil não deseja enfrentar o outro extremo da questão que é a proliferação dos idosos e seus achaques, visto-me de Swift e trago também uma modesta proposta. Chegando à idade avançada, quando começarem a trazer mais problemas que soluções, os idosos poderiam ser levados a uma instituição e submetidos à eutanásia. Sua carne, já pouco tenra, poderia ser tratada como carne de sol ou de charque  e depois, juntada à farinha e produzida uma paçoca. Esta iguaria seria servida aos favelados e aos pobres nordestinos vítimas da seca. Assim resolveríamos muitos impasses: primeiro, diminuiríamos a população idosa e seu fardo à sociedade; depois, somaríamos o nada na escala social ao nada na escala etária e desta soma poderia resultar algum total; depois, unindo a carne dos velhos à farinha, havendo qualquer indigestão , o governo poderia botar a culpa na farinha; além de tudo, estaríamos contribuindo para melhorar a fome do Nordeste o que tem sido sempre uma enorme preocupação para os estados do Sul e Sudeste.  De minha parte, ofereço minha fuçura, daqui mais uns poucos anos, a quem interessar possa, mesmo sabendo que a carne já é de terceira, mas, quem sabe,  misturada com uma farinhazinha de mandioca , acredito que ainda dá um bom entala-gato.

 J. Flávio Vieira