Arquivos mensais: setembro 2012

Pontes


Parecia previsível : não seria nada fácil o dependurar das chuteiras para Sonevaldo Socó. Aposentadoria para homem é sempre uma espécie de fim: a morte produtiva : aquela que precede ao final golpe de misericórdia desferido pela  lâmina afiadíssima da Velha da Foiçona. De repente, após toda uma vida de batalhas cotidianas, vê-se o sujeito recluso numa cela totalmente desconhecida e inóspita: sua Casa. Como se um maratonista olímpico, de repente, se visse , na imobilidade de uma cadeira-de-rodas. No caso de Sonevaldo, a inadaptação  parecia, de longe, bem mais contundente. Era motorista de caminhão. Passara toda a vida na estrada, transportando carretos Brasil afora. Aquela vida de Indiana Jones, sem destino pré-determinado: as cargas é que o conduziam e não o inverso. Vivia no mundo, passeava em casa! Socó conhecia praticamente todas as vias deste quase continente brasileiro. A cada dia:  novos horizontes, novos conhecidos, novos amigos, novos amores.  De dois em dois meses, aparecia em casa, revia os filhos e a mulher, arrumava os teréns e caía na rodagem novamente. A aproximação da aposentadoria, no entanto, trouxe-lhe mais paz que fastio. Mais de quarenta anos de estrada , a juventude já embotada na poeira das rodovias, Socó imaginou que merecia o recolhimento. Estaria mais próximo dos filhos e da esposa, órfãos de sua presença por quase toda a  existência.
                                               Os primeiros dias com o pé longe do pedal do acelerador lhe trouxeram uma parente tranqüilidade . Aos poucos, no entanto, foi descobrindo que o mundo mudará totalmente enquanto vivia no meio do mundo. Os filhos haviam crescido e já cuidavam da vida e tinham casa própria. A esposa já não era aquela mocinha inocente e garbosa que ali deixara nas primeiras viagens, teimava em aparecer com cãs e rugas salientes .  Os amigos e conhecidos estavam espalhados pelo país, não moravam naquela cidade que, também, crescera e perdera o jeitão de Vila.  Aos poucos o pijama de bolinhas e a cadeira de balança começaram a pesar. Batia-lhe aquela sensação de gado, na fila, aguardando a hora do abate. Tentou ocupar-se em trabalhos domésticos, até descobrir que homem, em casa , não tem qualquer serventia. Imiscui-se em assuntos de que ,de todo, não tem qualquer know-how. Rapidamente se desentendeu com a empregada que há mais de trinta anos servia à família. Voltou-se, então, para a esposa que tomou as dores da funcionária de tantos anos. No fundo, D. Geni percebia que hoje era mais fácil conseguir outro marido que outra empregada como Ambrosina.
                                               Desencadeada a “Guerra dos Cem anos”, Socó resolveu ganhar a rua e procurou os escritórios mais apropriados à sua tribo : os botecos. Caiu na cachaça com uma voracidade impressionante e , cheio de meropéias e de razões,  começou a procurar emboança na rua e também em casa.
                                               O  tempo, que já andava turvo, sujeito a trovoadas e relâmpagos, tomou ares de tempestade. D. Geni  já tinha gasto o guarda-chuvas e o pára-raios com muitos vendavais e resolveu-se pela separação. Mais uma vez, antes da audiência de conciliação, aconteceu o previsto : Enfarte ! O coração de Sonevaldo não agüentou tanto repuxo. Interno, encaminhado à cirurgia ( três pontes de safena e uma mamária), por fim,  abrandou-se a raiva da esposa. Tocou-lhe a alma um sentimento de culpa, ao ver o companheiro de tantos e tantos anos mais chagado que São Francisco.
                                                A culpa é minha, devia ter tido mais paciência com ele !
                                               Ao despertar na UTI, Socó pôs-se a pensar com seus tubos,  sondas e cateteres. Depois de percorrer tantas e tantas vias, Brasil afora, chegara num ponto onde a estrada  empacara. Não havia saídas e nem possibilidade de se pegar um retorno. O tempo, então, lhe providenciará aquelas pontes, abertas ao peito,  por onde a vida  , agora poderia fluir mansamente. Até onde ? Até quando !
J. Flávio Vieira

Há 40 anos, Guerrilha do Araguaia era noticiada pela 1ª vez – Portal Vermelho

Há 40 anos, Guerrilha do Araguaia era noticiada pela 1ª vez – Portal Vermelho

Há exatos 40 anos, no dia 24 de setembro de 1972, o Brasil tomava conhecimento de um dos eventos mais expressivos de nossa história recente. Nesse dia, foi publicada a primeira matéria sobre a Guerrilha do Araguaia. O texto do jornal O Estado de S. Paulo saiu cinco meses após o Exército Brasileiro ter deflagrado, na margem esquerda do Rio Araguaia, na divisa dos estados do Maranhão, Pará e de Goiás (hoje do Tocantins), a operação que resultaria na morte de quase uma centena de pessoas.

Considerada um “grande drible” na censura que vigorava na época, a reportagem relatava as atividades das Forças Armadas na região, especialmente em Xambioá, transformada “em uma grande praça de guerra” onde “caminhões, jipes, oficiais e soldados” circulavam “fortemente armados”.

A operação de combate à Guerrilha do Araguaia terminou oficialmente no dia 5 de janeiro de 1975, quando o então presidente Ernesto Geisel enviou mensagem ao Congresso para informar o fim do movimento armado.

Em 2010, em uma decisão inédita, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Estado brasileiro por sua responsabilidade pelo desaparecimento de 62 pessoas, entre 1972 e 1974, durante a Guerrilha do Araguaia. O entendimento da corte é que o Brasil é responsável por não ter investigado crimes cometidos pela ditadura militar (1964-1985) no combate à Guerrilha do Araguaia.

A guerrilha teve início quando militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que defendiam a luta armada migraram para a região, conhecida como Bico do Papagaio, com o objetivo fomentar uma “revolução socialista”, com base nas experiências da Revolução Cubana e da Revolução Chinesa.

Em 21 de abril de 1972, o Exército destacou um grupo de militares para realizar o reconhecimento da atividade guerrilheira na região entre Marabá (PA) e Xambioá, na época pertencente ao estado de Goiás. Duas semanas antes da primeira ação, a ditadura havia prendido, em Fortaleza, os estudantes Pedro Albuquerque e Tereza Cristina, que tinham se desligado da guerrilha.

Nos dias seguintes foram presos os guerrilheiros Danilo Carneiro, Rioco Kaiano e José Genoino. No dia 8 de maio, Bergson Gurjão Farias seria o primeiro guerrilheiro a ser morto na área. Era o início da chamada Operação Papagaio, que envolveu mais 1,5 mil homens das Forças Armadas. O responsável pela operação era o major Lício Maciel, cuja missão era eliminar a guerrilha.

Anistia

Na decisão tomada pela CIDH em 2010, a corte considerou “inadmissíveis as disposições de anistias, as disposições de prescrição e o estabelecimento de excludentes de responsabilidade, que pretendam impedir a investigação e punição dos responsáveis por graves violações dos direitos humanos, como tortura, as execuções sumárias, extrajudiciárias ou arbitrárias e os desaparecimentos forçados”. No entendimento da corte, trata-se de crimes imprescritíveis.

A sentença afirma que a Lei de Anistia, de 1979, é incompatível com a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, também chamada de Pacto de San José, do qual o Brasil é signatário. Para a CIDH, a Lei de Anistia não pode ser “um obstáculo” que impeça a investigação do caso, a identificação e a punição dos responsáveis por violações dos direitos humanos.

Recentemente, a juíza federal Nair Cristina Corado Pimenta de Castro, do Tribunal Regional da 1.ª Região, Subseção de Marabá, aceitou denúncia contra militares que participaram da operação.

A juíza acatou a ação do Ministério Público Federal (MPF) contra o major da reserva Lício Augusto Maciel e o coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, mais conhecido como Major Curió. Ambos são acusados de sequestro de militantes políticos durante o período do regime militar.

Busca por desaparecidos

A busca por corpos no Araguaia ainda não cessou. O governo e representantes da sociedade civil organizada ainda tentam fechar essa página da história do Brasil realizando expedições com o objetivo localizar todas as vítimas do Araguaia. Esse trabalho tem sido realizado pelo Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) que reúne profissionais dos ministérios da Defesa, Justiça, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), Advocacia-Geral da União (AGU), Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Departamento de Polícia Federal, da Polícia Técnico-Científica dos estados de Goiás e do Distrito Federal e de universidades federais e estaduais.

A terceira expedição para buscar as ossadas dos mortos e desaparecidos na guerrilha terminou na última quarta-feira (19), sem que nenhuma ossada fosse localizada. A próxima expedição do grupo de trabalho à região ocorrerá entre os dias 14 e 26 de outubro. A previsão é que seja a última missão do ano, tendo em vista a aproximação do período de chuvas na região, o que impossibilita as escavações.

Fonte: Agência Brasil

CONVITE DO ESPAÇO ZEN


O espaço Zen convida você e seus amigos a ver o novo trabalho do Shivam, “Desenvolvimento Pessoal”.
Começará com uma Palestra Aberta dia 27/09, às 19 horas, onde ele irá expor o conteúdo do curso, preço e tempo de atuação.
CONVITE PARA ENCONTRO COM SHIVAM
Tema do Discurso: Oeste – Leste (Uma fala sobre a diferença básica entre o pensamento Oriental e Ocidental).
Neste encontro Shivam introduzirá um curso de Desenvolvimento Pessoal com duração de oito meses, uma vez por semana, levando você aos ventos da nova era inspirando nas fragrâncias
de mestres como o Buda e Patânjali.
Tópicos
– Como se desligar da mente.
– Como atingir melhor os seus objetivos.
– Como ficar mais tranquilo no dia a dia da vida moderna.
Data: 27 de setembro, próxima quinta, às 19 horas.
Local: ESPAÇO ZEN – Praça da Sé, 91, Crato.
Contatos: (88) 3587-3851 e (88) 8825 0493
Contamos com sua presença.

Alysson Amancio Cia de Dança em temporada no Crato

 
 

Último fim de semana da temporada do espetáculo de dança contemporânea ‘boa noite cinderela da’Alysson Amancio Companhia de Dança. Dias 21 e 22 de Setembro de 2012 ás 20h no Teatro Adalberto Vamozi no SESC Crato. Ingressos populares R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Depois deste fim de semana o grupo se apresenta em Fortaleza e Juazeiro do Norte

 
Fotos Divulgação: Diego Linard