Arquivos mensais: agosto 2012

Qual é a tua Cícero França?


Candidato a prefeito do Crato/CE

Nome completo: Cícero Bezerra França
Nome do vice: George Macário de Brito   Partido: PV
Data de nascimento: 1975
Partido:Partido Verde (PV)
Nome da Coligação Majoritária: Coligação União pelo Crato
Partidos Coligados: PV, PSDB, DEM, PTN
Formação:Direito
Profissão:Advogado
Alexandre Lucas – Quem é Cícero França?

Cícero França – Sou um cidadão brasileiro, poeta, nascido no Crato – terra da nossa heroína Bárbara de Alencar – com muito orgulho. Trago comigo o sentimento de esperança, renovação e crença nos valores da nossa gente. Cursei Direito na Universidade Regional do Cariri (URCA) e atualmente atuo como advogado da nossa querida cidade. Agradecemos este espaço pela oportunidade de expressarmos nossas ideias e o porquê de entrarmos na vida política.

Alexandre Lucas – Qual a sua história política?

Cícero França – Nossa história política começa bem antes da nossa participação na administração pública na Prefeitura. Começou com os nossos avós. O meu avô Zeba, por parte de pai, foi vereador, prefeito interino. Já o meu avô por parte de mãe, o seu Chagas Bezerra, foi uma figura muito importante na década de 50 e 60, militante de causas nobres da nossa cidade. Homem visionário, pioneiro do transporte coletivo no Crato. Fundou a Várzea Alegrense que depois passou a chamar de Rio Negro. Hoje, o seus netos dão continuidade ao seu legado nessa trajetória política. Nós efetivamente passamos a participar da vida política a partir do ano 2000, quando iniciamos como procurador fiscal, depois passamos a ser chefe de gabinete, durante três gestões, e a última participação na vida pública foi como secretário de Saúde, onde tivemos um grande aprendizado e saímos para disputar esse pleito eleitoral.

Alexandre Lucas – Por que você é candidato a Prefeito do Crato?

Cícero França – A intenção de ser candidato a prefeito do Crato, em primeiro lugar é por ser cidadão e gostar muito dessa cidade. Nós decidimos aceitar um convite do grupo que nós trabalhamos. O atual prefeito, Samuel Araripe, e todos que fazem a sua gestão nos fizeram esse convite e nós aceitamos. Como cratense é o nosso maior orgulho poder disputar as eleições para representar a nossa cidade. Por isso decidimos entrar nessa batalha e abraçar este sonho com a missão de sermos um bom gestor e apontar melhorias para o futuro do Crato. 

Alexandre Lucas – Como você avalia a atual gestão municipal?

Cícero França – Avalio como muito positiva. Uma administração que construiu e fez o básico, quando muitas não fizeram. Sanou as contas públicas e trouxe projetos que serviram de estruturação para o crescimento da cidade. Você manter o equilíbrio financeiro, realizar ações sociais e ainda cuidar da infraestrutura, não é fácil. Porque o município do Crato precisa de recursos e essa administração soube cuidar dos recursos existentes, mantendo a Folha de Pagamento em dia, mantendo as parcerias e as contrapartidas para os projetos que hoje nós vemos pela cidade.

Alexandre Lucas – Quais os desafios para a próxima gestão?

Cícero França – Nós acreditamos que os principais desafios passam pela honestidade e responsabilidade. O Crato é um município de grande porte. Consciente de que o seu gestor tem de ter um histórico e o compromisso de fazer com que a coisa pública seja organizada e planejada. Então os desafios que nós vemos para o próximo gestor é que não podemos fugir do projeto, da transparência e não podemos fugir do trabalho honesto junto à população. Principalmente ouvindo para que façamos o que é de fato prioridade para o município.

Alexandre Lucas – Quais as diretrizes políticas do seu plano de governo?

Cícero França – Nós fizemos questão de fazer um plano de governo e colocamos as principais metas que aprendemos com a experiência ao longo desses 12 anos de administração pública. As diretrizes que colocamos para o nosso Plano de Governo são aquelas que vão favorecer e motivar a população cratense. Vamos trabalhar e ampliar o acesso à saúde, fortalecer a cultura, multiplicar as ações da educação, possibilitando à população o acesso à educação integral, trabalhar para gerar emprego e renda, fortalecendo o mercado já existente. Investir em saneamento, assim como em ações que priorizem o equilíbrio sustentável. É nosso compromisso atuar em consonância com as políticas de sustentabilidade defendidas pelo Partido Verde.
Alexandre Lucas – Qual será o critério de escolha do secretariado numa futura gestão do senhor?

Cícero França – O Crato tem excelentes profissionais, técnicos, pessoas que conhecem a realidade da nossa terra. Nós já temos a experiência de como organizar as ações que vão dar resultados para a população. Então o critério que nós utilizaremos para compor a administração pública municipal são as pessoas que já têm um histórico de contribuição para com o município do Crato, pessoas que possuem um passado limpo e que atuem com honestidade em suas ações, cidadãos que possuam um trabalho técnico a sensibilidade para trazer dentro dos seus planos o melhor para nossa cidade.
Alexandre Lucas – Como o senhor avalia a atuação da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude?

Cícero França – Inicialmente temos de falar do exemplo que o Crato deu ao criar a Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude. Um feito inédito na história política da nossa cidade. Através da criação desta pasta foi possível implantar o Plano Municipal de Cultura, dando suporte às ações culturais da cidade. Esse novo sistema viabilizou a instalação do Conselho Municipal de Cultura e o Fundo Municipal de Cultura, dois importantes órgãos onde as pessoas se reúnem para pensar como os recursos serão aplicados para desenvolver ações voltadas para a cultura. A Secretaria de Cultura resgatou e implantou importantes ações como o Festival Cariri da Canção, valorizou e apoiou os mestres da Cultura, criou o Abril Pra Juventude, e passou a promover o Doce Natal que mobiliza centenas de famílias da nossa cidade durante o período natalino. Um evento importante que resgata o espírito de solidariedade nas pessoas. Então a avaliação que nós fazemos sobre a Secretaria de Cultura é positiva. Contribuiu efetivamente para que cada cidadão sinta-se estimulado e à vontade para desenvolver a Cultura do nosso município. Todos esses empreendimentos trouxeram desenvolvimento e avanços significativos para o setor cultural.

Alexandre Lucas – Pretende manter alguma ação da atual Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude?

Cícero França – Com base nos bons resultados apresentados pela Secretaria de Cultura ao longo de sua existência é que nós pretendemos manter as ações apresentadas e ampliar a participação do coletivo de artistas e da população a fim de fortalecer e tornar o nosso Cratinho cada vez mais um recante das artes. Porque nós acreditamos que todas as ações ações que foram apresentadas, elas só trouxeram o benefício para nossa Cultura.

Alexandre Lucas – Quais as diretrizes políticas que o senhor defende para a Cultura?

Cícero França – Nós temos como diretrizes as políticas de incentivo. É através dessa medida que os artistas terão suporte e financiamento com o apoio de nossa gestão para suas atividades. A democratização se torna também uma das nossas prioridades para que os artistas possam opinar e atuar em parceria junto conosco. Tudo isso possibilitará a nossa Cultura alcançar novos horizontes, mostrando País afora o quanto o Crato é detentor de um caldeirão cultural. Pretendemos ainda assegurar a todos os artistas da nossa cidade o acesso a qualquer evento realizado aqui, bem como estender essa acessibilidade à população.

Quais as propostas que o senhor pretende desenvolver para a Cultura?

Cícero França – No nosso Plano de Governo nós defendemos propostas viáveis para a Cultura, como, por exemplo, a criação de uma política de editais para ocupação de equipamentos e o incentivo às artes. Esta seria uma forma de democratizar e ampliar o acesso aos espaços públicos. Para isso nós vamos trabalhar para estruturar esses locais. Através deste mecanismo nós objetivamos o planejamento por parte dos artistas para concorrer aos recursos. Com a criação do Núcleo de Projetos nós visamos a descentralização da Cultura, para que se possa atrair os diversos segmentos da nossa cidade. Essa descentralização contará também com o apoio da Educação. As escolas funcionarão como base de apoio para que as nossas manifestações sejam compartilhadas e relacionadas com os distritos. Em relação às Artes Visuais pretendemos resgatar o Salão de Maio e dar continuidade ao Salão de Outubro, que são duas ferramentas importantes para nossa Cultura.

Como pretende manter o diálogo com os artistas?

Cícero França – A nossa comunicação junto à classe artística do nosso município acontecerá de modo permanente por meio do Conselho Municipal de Cultura. Através das conferências, das audiências públicas, dos fóruns que iremos desenvolver nos diversos espaços do nosso município. Isso fará com que a contribuição direta dos artistas e da população realmente nos dê o direcionamento como também a responsabilidade de fazer as ações que sejam adequadas para a realidade do nosso município.

Qual será a sua política para preservação do patrimônio histórico, arquitetônico, cultural, natural e artístico?

Cícero França – Nós vamos defender tanto o patrimônio material quanto o imaterial. Na questão do patrimônio material nós pretendemos fortalecer os tombamentos com a participação do Conselho e da população. Analisando o valor histórico de cada prédio e vendo a sua contribuição com acervo arquitetônico do nosso município. Já em relação ao nosso patrimônio imaterial, que nenhuma outra cidade tem, nós vamos junto aos mestres da Cultura viabilizar a criação de leis municipais que garantam auxílio financeiro para eles, vamos lutar para que as expressões culturais sejam fixadas no convívio do município do Crato.
  

Candidatos a prefeito do Crato são convocados a assinar documento de compromisso com a cultura


Os Comitês dos quatro candidatos foram notificados sobre o Ato de Assinatura da Carta.
Companhias teatro e de dança, coletivos, bandas, arte-educadores, estudantes dos cursos de artes, artistas e ativistas, ligados a Rede Misturados estão convocando os candidatos a prefeito da cidade do Crato: Cícero França, Marcos Cunha, Ronaldo Gomes de Matos e Sineval Roque para assinarem “Carta Compromisso com a Cultura”, nesta segunda-feira, 27, às 19h00, no Teatro Rachel de Queiroz. 
O movimento faz parte de uma campanha nacional sugerida pela Frente Parlamentar em Defesa da Cultura que propõe uma plataforma política para as eleições municipais. A carta é um compromisso do futuro gestor com resoluções e diretrizes que dizem respeito as politicas permanentes para cultura que foram aprovadas em Conferência Nacional e Municipal de Cultura, dentre outros pontos. 
Os artistas acreditam que desta forma estão provocando o debate sobre políticas públicas para a cultura e demonstrando a necessidade do setor ser visto como fundamental para desenvolvimento da cidade.

Metais Pesados

Juju Bemtevi posou de delegado em Matozinho, por muitos e muitos anos, quando do reinado dos Cangatis. Lá tinha sido colocado como elemento da mais inteira confiança pelo  grande chefe político local: o Coronel Pedro Cangati. Juju nascera praticamente dentro da casa do Coronel e sempre fora um dos mais  emperdenidos baba-ovos do chefe. Pedro mandava e desmandava na política local há quase quarenta anos e tinha a habilidade de encaixar, nos devidos escalões da administração, pessoas da sua mais completa obediência.  Juju bramia com sua voz portentosa, ensaiava autonomia  e brabeza, mas sempre fora um mero pau mandado do Coronel. Todo final de semana, junto com o destacamento pequeno de dois soldados, prendia alguns acusados de crimes menores: embriaguez e desordem, ladrões de galinha, valentões. Tinha uma predileção toda especial – sabe-se lá por quê— pelos adversários históricos dos Cangatis.  Na segunda-feira – já se tornara uma obrigação – Pedro adentrava a delegacia e visitava um por um os detentos. Fazia cara de estranheza e revolta, dava o maior esporro no delegado :
                                               — Tá ficando doido, Juju? Seu irresponsável ! Como é que prende uma pessoa de bem como essa!  Você é que devia estar na cadeia, miserável!  Solte imediatamente este cidadão de bem, jóviu?
                                               Os presos , libertos, saiam com uma gratidão eterna ao prefeito. Nem percebiam que ali estavam dois ótimos atores em cena : Juju e o Coronel. O Cangati sabia, com seu faro político aguçado, que a liberdade é o maior bem que alguém pode ofertar a outrem. Nas eleições subseqüentes, aqueles eram votos garantidíssimos.
                                               Juju, por outro lado, carregava consigo , ainda, uma enorme parcialidade nos inquéritos policiais. Amigos dos Cangatis não podiam ter falhas nem cometer ilícitos. Inimigos políticos, nem precisavam aparentar defeitos: Juju se encarregava de encontrá-los!  Como ? Há artimanhas dignas de Pedro Malasartes, no nosso Bemtevi.
                                               Certa feita,  Juju soube de uma discussão em uma bodega da vizinhança. Nonato, o proprietário, se desentendeu com uma senhora chamada Ester e que havia comprado umas broas há uns dois meses e nunca mais viera saldar a pendura. Os dois bateram-se na feira e estabeleceu-se uma discussão danada, com impropérios cuspidos lado a lado, cutucados por uma turba, que aos gritos, como torcida de futebol, ia dando corda de um lado e de outro. Juju ouviu, da delegacia , o arranca-rabo que já se espalhara até a porta do estabelecimento.  Partiu célere para lá com seu exército de Brancaleone.  Interessava-se, principalmente, por conta dos dois serem adversários ferrenhos dos Cangatis. Levou-os presos, sem qualquer possibilidade de defesa. Em lá chegando, o escrivão começou a lavrar a ocorrência. Como enquadrá-los no Código Civil ou Penal? Um bate boca de meio de rua ! Pediu a ajuda do delegado, após tomar o depoimento dos dois réus. Não seria mais sensato liberá-los? Aquilo se tratava de um mero problema pessoal, uma dívida de bodega! Juju fincou pé e disse que não : haviam cometido um crime hediondo !
                                               — Crime hediondo, seu delegado? Como? Pois então me diga, aí, como indicio Ester e Nonato, em que crime, meu senhor ?
                                               — Não tá vendo, não , seu abestado? Tá na cara ! Os nomes dos dois já denunciam tudo : Ester e Nonato. Artigo 171 :  ESTELIONATO !
                                               De uma outra feita, Giba das Melancias , um feirante de Bertioga, foi denunciado por ter, aparentemente, roubado uma pata do terreiro de  Felinto Cassundé. O velho dizia que havia pego Giba com a mão na massa. Ele amarrara uns milhos num cordão e oferecera à  pata de estimação de Cassundé. Quando a ave engoliu os milhos, ele puxou o cordão, pegou a pata e caiu no gramear. Havia sido denunciado pelo quá-quá-quá-quá do bicho e Felinto jurava de pé  junto que era de Giba o vulto que viu se escafedendo noite adentro. Havia agravantes e atenuantes na questão. Felinto era amicíssimo dos Cangatis e nosso feirante  tinha língua de trapo  e vivia eternamente pinicando o oratório do Coronel Pedro. O inquérito policial, aberto, dificilmente poderia beneficiar Giba. Não deu outra! Apareceram muitas testemunhas assegurando a veracidade do roubo  perpetrado por “Das Melancias” e Juju mandou, imediatamente, indiciá-lo.
                                               O escrivão, confuso, pediu que o delegado especificasse o artigo. Aquilo , mesmo se se tratasse de um furto, perfazia de uma questão menor, passível de libertação imediata do réu:
                                               –Um roubo de uma pata? Ora me poupe , seu Delegado !                   
                                               Juju, de seu lado, cuspiu fogo:               
                                               — Prisão que nada !  O réu é inimputável, seu escrivão! Quero que seja encaminhado imediatamente ao manicômio judiciário da capital !
                                               O escrivão não conseguia entender uma loucura daquelas:
                                                O roubo de uma pata, seu delegado? Manicômio judiciário ? O senhor tá doido, tá ?
                                               — Manicômio , sim, seu escrivão! Eu tenho é trinta anos nas barras dos tribunais. Roubou uma pata ? Pois é! Esse Giba só pode ser um PsicoPATA ! Recolhe !
                                               Semana passada, Bemtevi deixou claro que tinha dois pesos e duas medidas. O Capataz do Coronel Pedro Cangati teve uma desavença com um Caxeiro Viajante que , segundo a versão do capataz, andou se enxerindo para sua esposa . O Capataz seguiu os primeiros sussurros da vila e, não quis saber. Sapecou uns cinco tiros , a queima roupa, no nosso viajante que, naquele mesmo momento, empreendeu uma viagem mais longa e com passagem só de ida.
                                               Fez-se um furdunço danado em Matozinho. Bemtevi , de repente, viu uma enorme batata quente cair-lhe às mãos. O assassino se escafedeu. A opinião pública horrorizada pedia justiça. O Coronel, por sua vez, pressionava o delegado para minimizar o acontecido no inquérito. Não queria ver, de nenhuma maneira, seu capataz condenado. E cabeça de juiz e bunda de menino  é como cabeça de mulher, dizia ele: ninguém sabe o que vai sair lá de dentro. À noite, com a solidão como cúmplice, Juju convocou o escrivão e ordenou que colocasse como Causa Mortis :  Intoxicação! O escrivão não acreditou no que estava ouvindo:
                                               — Tá ficando louco, delegado? Intoxicação ? Com essa ruma de buracos de bala pelo corpo ? intoxicação de quê ?
                                               Juju, de lá, mostrou seus conhecimentos inequívocos de Medicina Legal :
                                               — Intoxicação Aguda por Chumbo !
J. Flávio Vieira