Arquivos mensais: julho 2012

Dança no Cariri

Estéreos Tipos foca nas diferentes relações (de mercado, de poder, de gênero), que envolvem a cultura Hip Hop. Através de uma crítica bem humorada, questionam-se alguns mitos e clichês da cultura, como por exemplo, o mito do homem como centro do poder e da mulher como objeto de consumo.
Saindo do campo ideológico e chegando até os processos de construção cultural e artística, também se desenvolve uma reflexão a cerca das convenções coreográficas assumidas no Hip Hop enquanto linha estética de movimento.
Esta obra recebeu o prêmio FUNARTE para ocupação em espaços cênicos, no Rio de Janeiro em 2010, e foi selecionada para a Mostra SESC Primeiros Passos, em São Paulo. No ano de 2011 recebeu o Prêmio FADA- Fundo de Apoio à Dança, da Secretaria Municipal de Cultura e o Prêmio FUNARTE KLAUSS VIANNA Circulação Nacional (Belo Horizonte/maio, Porto Alegre/julho, Juazeiro do Norte/agosto e Salvador/agosto). Em 2012 esta obra foi selecionada para diversos festivais, entre eles: Circuito Sesc Rio, Festival de Inverno Sesc, Interlocuções Poéticas- SP, III Circuito Vozes do Corpo- SP, X-Tudo Cultural SESI RJ (selecionada como cia carioca que mais tem se destacado no cenário nacional), XXII Festival de Garanhuns, entre outros.

Dia 03(sexta) de agosto -2012 CRATO
Teatro SESC Alberto Vamozi ás 20h
Rua Andre Cartaxo, 443 – Centro – Crato – (88) 3523 4444

Dia 04(sábado) de agosto-2012 JUAZEIRO DO NORTE
Teatro SESC Patativa do Assaré ás 20h
Rua da Matriz, 227 – Centro – Juazeiro do Norte – (88) 3512 2532

Dia 05(domingo) de agosto – 2012 ARARIPE
Cine Teatro Gov. Miguel Arraes ás 16h
Rua Pe. Nelson Alencar, 10 – Centro – Araripe – (88) 3530 1661

ATENÇÃO: Prorrogado prazo de inscrição para II Mostra Nacional de Vídeos Brincantes

Acesse o Regulamento:www.mostradevideosbrincantes.blogspot.com

1. APRESENTAÇÃO
 

1.1 A II Mostra de Vídeo “Brincantes” é uma iniciativa do Coletivo Camaradas, tendo como foco vídeos amadores e profissionais sobre cultura popular produzidos nos diversos estados brasileiros;

1.2 A Mostra será realizada no período de 13 a 15 de setembro de 2012, no Centro Cultural do Araripe (Galpão e Largo da RFSSA) e posteriormente Escolas da rede pública da Região Metropolitana  do Cariri-CE;

1.3 A Mostra não terá caráter competitivo e nem distribuirá entre os inscritos qualquer forma de pagamento ou premiação financeira;

1.4 A Mostra será dividida em Mostra Nacional e Mostra do Projeto “No Terreiro dos Brincantes“ desenvolvido  pelo Coletivo Camaradas, URCA e que tem a parceria da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude.


2. OBJETIVOS
 

2.1 Divulgar a produção de vídeos amadores e profissionais sobre a temática da cultura popular, como forma de contribuir com a memória social, a diversidade e identidade cultural do povo brasileiro;

2.2 Criar acervo com a finalidade de disponibilizar gratuitamente para pesquisadores, professores, produtores, artistas, cineastas e brincantes a fim de atender propósitos pedagógicos, científicos e culturais;

2.3 Apresentar o resultado do Projeto “No Terreiro dos Brincantes” e criar possibilidades de parcerias com instituições culturais e educacionais.

3. DO PERÍODO E DOS LOCAIS PARA AS INSCRIÇÕES

3.1 As inscrições para a MOSTRA, poderão ser realizadas no período de 20 de julho a  30 de agosto de 2012, na sala da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da URCA – Campus Pimenta URCA, nos horários das 8h00 às 20h00  e ou pelos Correios (COM DATA LIMITE DE POSTAGEM VIA SEDEX ATÉ 30/08/12) pelo seguinte endereço: MOSTRA DE VÍDEO “BRINCANTES” – Coletivo Camaradas Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis
Rua Cel. Antonio Luiz,1161 – Bairro Pimenta CEP: 63.105-000 Crato/CE.

3.2 A inscrição inclui o preenchimento de ficha padronizada (Anexo I) e entrega do vídeo em DVD;

3.3 A Comissão não se responsabiliza por extravio dos materiais enviados;

3.4 Os trabalhos inscritos não serão devolvidos em hipótese alguma;

3.5 São de total responsabilidade do remetente todas e quaisquer despesas relativas à sua inscrição postal;

3.6 No ato da inscrição o participante declara que concorda com todos os termos deste regulamento, incluindo a reprodução, divulgação e distribuição sem fins lucrativos das obras enviadas; 

3.7 Não será cobrada taxa de inscrição;

3.8 As informações fornecidas são de total responsabilidade do inscrito.

4. EXIGÊNCIAS E FORMATO DOS TRABALHOS

4.1 Os trabalhos deverão ser entregues em DVD em formato reproduzível em qualquer aparelho DVD;


4.2 Os vídeos serão aceitos nas diversas mídias, incluindo vídeos produzidos em celulares;

4.3 Na capa do trabalho (DVD) deverá constar o título e duração do vídeo;
4.4 Os vídeos terão duração limite de até 15 minutos;
4.5 A responsabilidade por imagens e músicas de terceiros utilizados nos trabalhos inscritos, compete aos seus produtores/realizadores, cabendo a estes todo e qualquer ônus relativo a questões de direitos autorais.



5. DA SELEÇÃO
 

5.1 Os trabalhos serão selecionados por equipe composta por profissionais da área do audiovisual, indicados pelo Coletivo Camaradas;


5.2 Os critérios de seleção dos trabalhos serão:
a) Atender ao critério da temática da Mostra: Cultura Popular;
b) Que o material apresente qualidade de audível;
c) Preenchimento da ficha de inscrição e consentimento das exigências do presente regulamento;

5.3 Serão selecionados 30 vídeos;

5.4 A lista dos trabalhos selecionados para exibição será divulgada através do blog do Coletivo Camaradas –
www.coletivocamaradas.blogspot.com e do blog www.mostradevideosbrincantes.blogspot.com no dia 10 de setembro;

5.5 Aos participantes da MOSTRA serão conferidos certificados de participação.

6. DAS MENÇÕES HONROSAS

6.1 A comissão julgadora poderá, a seu exclusivo critério, outorgar Menções Honrosas;


6.2 Não haverá premiação em dinheiro para as menções honrosas outorgadas.

7. DA CESSÃO DE DIREITOS

7.1 Os realizadores de trabalhos inscritos na MOSTRA cederão automaticamente ao Coletivo Camaradas, quando da referida inscrição, os direitos autorais relativos à reprodução e exibição pública sem fins lucrativos;


a) Entende-se por reprodução e exibição sem fins lucrativos aquelas destinadas a intercâmbios culturais e que não aufiram lucros;

b) A organização da Mostra de vídeo informa que os trabalhos inscritos e selecionados passarão a fazer parte do acervo da mostra e do Coletivo Camaradas, também poderão ser utilizados para fins culturais, sem objetivos comerciais.
8. PARCERIAS
Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato;
Centro Universitário de Cultura e Arte da UNE – CUCA da UNE – Cariri;
Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA;
Sociedade Cariri das Artes;
Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis – PROAE da Universidade Regional do Cariri – URCA.

8. DISPOSIÇÕES GERAIS

8.1 A inscrição de trabalho na Mostra de Vídeo implica na total e irrestrita aceitação do presente regulamento;


8.2 Os casos omissos serão decididos soberanamente pela Comissão Organizadora.

Crato-CE, 29 de julho 2012.

Lilian de Carvalho Araújo

Presidenta do Coletivo Camaradas


ANEXO I
MOSTRA DE VÍDEO BRINCANTES
Crato, CE – 13 a 15 de setembro de 2012

FICHA DE INSCRIÇÃO


Título do Vídeo:
Duração:
Ano de Produção:
Local de Produção: (Cidade/Estado)
Formato Original:
Ficha Técnica:
Sinopse do vídeo ( o que o vídeo aborda?):
Responsável pela Inscrição:
Endereço completo:
Bairro:
CEP:                                   Cidade:                                                  Estado:
Telefone:
Celular:
E-mail:



Declaração
Eu, ____________________________________________________________, declaro para os devidos que as informações fornecidas são verídicas e que tenho a devida autorização para efetuar a inscrição do seguinte vídeo: ________________________________________________, bem como autorizo conformes consta no regulamento a cessão de direitos autorais relativos à reprodução e exibição pública sem fins lucrativos do referido trabalho e o mesmo fará parte do acervo da Mostra, do Coletivo Camaradas e da PROEX/URCA e também poderão ser utilizados para fins culturais, sem objetivos comerciais.



Data: _____ de ____________________ de 2012.



Assinatura do responsável pela inscrição:

Nelson Rodrigues Invade o Cariri

A Companhia de Teatro Engenharia Cênica entrou no circuito nacional das Comemorações aos 100 Anos do Anjo Pornográfico, através do Prêmio Funarte Nelson Brasil Rodrigues, 2012, com a montagem do espetáculo Perdoa-Me Por Me Traíres. O espetáculo tem como foco principal os sentimentos humanos que envolvem relações passionais de amor, traição, ódio e vingança! Mesmo escrito na década de 50 do século passado, o texto ainda é polêmico, pois trata da hipocrisia social, da falsa moral, corrupção, relações incestuosas e assassinato por amor em desmedida. Outro ponto de discussão são as cenas que trazem textos como: “o marido que bate tem suas razões”, “amar é ser fiel a quem nos trai”, “a adúltera é mais pura porque está livre do desejo que apodrece dentro dela”, “como que roupa a polícia vai prender deputados?”. O ciúme, a dissimulação, a prostituição juvenil, a exploração sexual por políticos de grande respeitabilidade, clínicas clandestinas de aborto são temas suscitados em Perdoa-Me Por Me Traíres – que com quase meio século depois da sua estreia, ainda causa espanto. A encenação propõe uma mistura de estilos dramáticos, há a presença do trágico, trágico-cômico, melodramático, expressionismo e muita brasilidade. 
Uma encenação da Cia. de Teatro Engenharia Cênica – CE
Direção: Luiz Renato
Elenco: João Dantas, Faeina Jorge, Cecília Raiffer, Jerônimo Vieira,
Rita Cidade, Flávio Rocha e Carla Hemanuela
Temporada:
01 e 02.08 – Teatro SESC Patativa do Assaré – Juazeiro do Norte – CE
09 e 10. 08 – Teatro SESC  Adalberto Vamozi  – Crato – CE
15 e 16.08 – Teatro Glauce Rocha – Rio de Janeiro – RJ
24 e 25.08 – Teatro SESC Patativa do Assaré – Juazeiro do Norte – CE
Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia)
Informações: www.engenhariacenica.com.br
Assessoria de Imprensa:
Contato Entrevistas:
 Realização: Engenharia Cênica
Parceria: Universidade Regional do Cariri- URCA – Centro de Artes Violeta Arraes Gervaisau
Apoio: FUNARTE – Ministério da Cultura – Governo Federal
SESC – Associação Dança Cariri – Grupo Ninho de Teatro – Grupo Loucos em Cena
Secretaria da Cultura do Crato – Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva

Vestibular em Matozinho

Matozinho teve sua primeira escola regular sob a batuta, ou a palmatória,  de D. Filomena Garrido. Sistemática, rigorosa, D. Filó alfabetizou muitas gerações de matozenses,  com a indispensável ajuda de bolos e chulipas. Cabra aprendia o ABC ou largava  o couro das mãos. Até em Piaget ela daria pesqueiro. Só muitos anos depois,  surgiu o primeiro Grupo Escolar que  estendia os estudos  até o Exame de Admissão , o que já era de causar admiração. Já nos anos 70, fundou-se o Colégio Filomena Garrido, em homenagem à primeira educadora da cidade, naquelas alturas já ministrando aulas na corte celeste. O Colégio fez com que os primeiros matozenses conseguissem completar todo o Ensino Médio. Causou certa estranheza, pois, que a partir dos anos 90 começasse uma avalanche de Faculdades a se instalar na ainda pobre e provinciana vila de Matozinho. Primeiro foi uma Faculdade Pública estadual com um nome meio estrambótico : FAVAJU – Faculdades do Vale da Jurumenha. Oferecia alguns poucos cursos como Contabilidade, Pedagogia, Letras, Geografia.  Instalada por Sindé Bandeira, o prefeito, a FAVAJU era pública, mas cobrava uma ajuda de custo aos alunos, para manutenção. Logo depois, começaram a aparecer extensões de outras Faculdades do Estado, todas elas públicas, mas também pagas . E, por fim, instalaram-se mais três Faculdades particulares em Matozinho. Contavam-se, em poucos anos, mais de sete Faculdades oferecendo cursos superiores, numa região pobre e, mais, com altos índices de analfabetismo.
                                               Como era previsível, rápido se estabeleceu uma grande concorrência por alunos. Sindé Bandeira , preocupado com a sobrevivência dos cursos, encaminhou um Decreto-Lei para a Câmara de Vereadores, aprovado por unanimidade, em que tirava a exigência de qualquer histórico escolar para acesso ao Nível Superior. Basta passar no Vestibular, dizia Sindé! Justificava-se dizendo  não podia haver preconceito: a ordem é inclusão, meus amigos ! Mouco, Surdo, Cego, Doido não podem entrar na Faculdade? Por que analfabeto tem que ser discriminado? Que faça o vestibular! E mais, tem que ter uma pessoa para acompanhar e ler as questões e, também, dar uma ajudazinha. A Secretaria de Educação, também, reuniu-se com as diversas Faculdades no sentido de facilitarem um pouco as questões do exame seletivo. Aí apareceram quesitos mais fáceis como : “O Prefeito de Matozinho é Sinderval: a) Fâmula; b) Hino; c) Bandeira; d) Mastro. Abriram-se ainda cursos superiores em áreas mais apetitosas ao povão : “Chapéu, Arupemba, Balaio e Caçuá”; “Landuá Soca-Soca , Bodoque e Baladeira”; “Macramê, Fuxico, Bordado,  e Frivolitê”; “Rosário de Coco, Passa-Raiva, Filhós e Quebra-Queixo”; “Tabaqueiro, Tamanco, Palito e Chapéu de Couro”.
                                               Tomadas as devidas providências,  a vida universitária em Matozinho tem ido de vento em popa. Daqui a mais dois ou três anos vamos ter doutor de sobra na cidade, já vaticinou Zé Fubuia. O Matadouro Municipal está atrás de contratar um auxiliar de limpador de tripa , mas já veio com exigência : só aceita com nível superior e de anelão no dedo!
                                               Mês passado  aconteceu mais um Vestibular Integrado das Faculdades de Matozinho– INFAME , nos últimos anos trazendo um grande afluxo de pessoas das cidades próximos que perfazem a Grande Matozinho. Em Serrinha dos Nicodemos, Gilberto da Topic fazia contratos com alguns alunos para levar e trazê-los após as provas . Naquele semestre transportou doze estudantes de Serrinha e mais cinco de Aparecida do Norte, um outro arruado, distrito de Matozinho. Conduzia-os pela manhã e trazia-os após as provas. Marcado o dia da publicação do resultado final  do INFAME, os alunos o contrataram novamente para ir até a  FAVAJU , verificar se tinham sido aprovados. O topiqueiro se dirigiu à Secretaria da Faculdade e lá explicou que se chamava Gilberto e tinha vindo de Serrinha dos Nicodemos e Aparecida do Norte a mando de alguns estudantes para saber se tinham passado no Vestibular. Entregou a relação dos alunos   a uma mocinha fardada, com crachá da Faculdade que a identificava como Secretária. A burocrata folheou uma extensa relação de nomes e foi pouco a pouco procedendo à checklist dos vestibulandos. Parou por um momento o caqueado  e voltou a perguntar o nome do motorista.
                                Gilberto de Serrinha do Nicodemos e Aparecida, minha senhora !
                               Passados alguns instantes, a mocinha voltou toda sorrisos e avisou:
                               — Meus parabéns, por coincidência todos foram aprovados ! Aproveite e dê nossas mais profundas congratulações aos novos universitários, em especial ao Sr. Gilberto ,ao Sr. Nicodemos que obtiveram  médias ótimas  e, principalmente à Sra. Aparecida do Norte, ela é cobra : tirou o segundo lugar !
J. Flávio Vieira

GUERRILHA DAS ARTES 2012

EDITAL DE SELEÇÃO 2012



APRESENTAÇÃO

Artigo 1º – A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um movimento de afirmação da identidade cultural brasileira, a partir da exposição de espetáculos de artes cênicas produzidos e realizados no Cariri cearense, cuja finalidade maior é promover e difundir o teatro, a dança e o circo, contribuindo para seu desenvolvimento, valorização, conquista de plateias e intercâmbio. 

Artigo 2º – A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é uma realização da Sociedade Cariri das Artes, através da Cia. Cearense de Teatro Brincante, em sintonia com companhias e grupos em atividade na região, sendo esta sua 4ª edição.

Artigo 3º – A 4ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense acontecerá no período de 3 a 17 de novembro de 2012, no Cariri, Estado do Ceará, e sua organização e funcionamento são regidos pelo presente edital.


PARTICIPAÇÃO

Artigo 4º – Poderão participar companhias e grupos de teatro, dança e circo em atividade na região do Cariri cearense, com espetáculo de duração mínima de 40 minutos, nas modalidades palco à italiana, arena e rua.

Parágrafo Primeiro – Os espetáculos submetidos à seleção terão, obrigatoriamente, que já ter estreado até o ato de sua inscrição, não sendo vedada a participação de espetáculos que tenham sido apresentados em edições anteriores da Guerrilha. 

Parágrafo Segundo – A convite da organização, companhias e grupos de outras regiões do estado, do restante do país e estrangeiras poderão integrar a programação, como forma de incremento do intercâmbio e compartilhamento de processos criativos.


INSCRIÇÃO

Artigo 5º – A inscrição na 4ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense poderá ser feita no período de 22 de julho a 22 de agosto de 2012, mediante o preenchimento da ficha constante do Anexo Único deste edital e apresentação dos documentos indicados no Parágrafo Primeiro deste artigo.

Parágrafo Primeiro – É obrigatória a apresentação dos seguintes itens:

a. Ficha técnica básica com elenco, corpo técnico e necessidades técnico-operacionais;
b. Sinopse;
c. Mapa e planilha de iluminação;
d. Vídeo completo do espetáculo (ou link de acesso na internet);
e. Até 3 fotos em boa resolução;
f. Relação nominal dos integrantes com nome completo, número de RG, CPF e Registro Profissional (caso tenha para o endereço,);
g. Termo de cessão de direitos/autorização de montagem emitida pelo autor, SBAT ou outro órgão de representação legal;
h. Currículo da companhia/grupo. 

Parágrafo Segundo – A ficha de inscrição de que trata o presente artigo, assim como as informações nele solicitadas poderão ser enviadas para o e-mail (PDF, JPG ou DOC): 

[email protected]mail.com 

ou pelos correios, com Aviso de Recebimento (AR), para o endereço abaixo:

SOCIEDADE CARIRI DAS ARTES 
4ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense 2012 
Rua Monsenhor Fco. de Assis Feitosa, 504 
Centro, Crato-CE, CEP: 63.100-360 


CACHÊS

Artigo 6º – O cachê referente à apresentação de cada espetáculo será definido posteriormente, em negociação com a companhia/grupo, caso seja esta a modalidade de pagamento.

Artigo 7º – Na hipótese do cachê ser vinculado à bilheteria da apresentação, proceder-se-á da seguinte forma: 

a. Companhias/Grupos com espetáculo cujos atores e diretor/a tenham registro profissional: 70% (setenta porcento) da arrecadação bruta da bilheteria de sua apresentação;
b. Companhias/Grupos com espetáculo com diretor/a e ou elenco, mesmo que parcialmente, sejam compostos integrantes sem registro profissional: 50% (cinquenta porcento) da arrecadação bruta da bilheteria de sua apresentação.

Parágrafo Único – Para efeito de comprovação ao que trata a alínea “a” deste artigo, a companhia/grupo deve apresentar o nº do registro profissional de seus integrantes no ato da inscrição.


DISPOSIÇÕES GERAIS

Artigo 7º – A 4ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense será composta de 15 (quinze) espetáculos, entre selecionados por este edital e convidados.

Artigo 8º – Cada companhia/grupo será responsável por suas despesas referentes a deslocamento e estadia.

Artigo 9º – Caberá à organização do evento o custeio de material de divulgação impressa da programação, bem como garantir as condições técnicas para a realização dos espetáculos.

Artigo 10 – Cada companhia/grupo/espetáculo deverá, para efetivar sua participação, assinar contrato com a entidade promotora, com o visto do SATED-CE. 

Artigo 11 – Caberá às companhias/grupos divulgar seu espetáculo, utilizando-se dos meios que lhes forem possíveis.

Artigo 12 – A Curadoria dos espetáculos selecionados e convidados caberá à Comissão Organizadora designada pela Sociedade Cariri das Artes / Cia. Cearense de Teatro Brincante, podendo esta solicitar o apoio técnico e consultoria de pessoas com notório conhecimento na área.

Artigo 13 – A data de cada espetáculo será definida logo após a seleção, mediante entendimento entre as partes.

Artigo 14 – Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora da 4ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense.


Crato-Cariri-Ceará, 22 de julho de 2012.


Cacá Araújo
Coordenador Geral 

A ficha de inscrição poderá ser solicitada através do e-mail: [email protected]

Cultura de resistência: rappers contra o latifúndio

 

O hip hop é conhecido como uma cultura da periferia das grandes cidades. Mas um grupo de jovens assentados decidiu que o rap também era música para o povo do campo se expressar e contar sua realidade.

Por Joana Tavares, do Brasil de Fato

Carlos César, o Cesinha, já tem mais de 20 anos de estrada no rap. Mas foi no assentamento 17 de abril, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), próximo à cidade de Franca, em São Paulo, que ele conheceu Paulo Eduardo Pinheiro, o Mano Fi, e montaram um grupo. Depois entrou John Miller Souza, o John Doido, que entrou fazendo as bases no violão e passou a escrever e cantar também. Os três compõem o Veneno H2, que junta no nome os dois H´s do hip hop e a essência da cultura, misturado com o veneno do dia a dia, gíria para designar as dificuldades e ansiedades. “E também porque para o sistema somos puro veneno”, coloca Cesinha.

Eles entendem o rap como ferramenta de contestação social, e conseguem com seu trabalho dialogar com os jovens dos assentamentos, mas também com os mais velhos, de início resistentes ao estilo. Colocam ainda que a aproximação com a periferia urbana é possível e viável por meio do hip hop e se apresentam em bailes, eventos do MST e onde mais houver espaço para sua música militante.

O Veneno H2 não tem equipamentos próprios, não tem sites ou redes de divulgação, e seus integrantes precisam garantir na enxada seu sustento material. Cantam a realidade como se apresenta a eles, sem deixar de lutar para transformar o dia a dia e construir outro vilarejo para a humanidade.

O Veneno H2 se apresentou no pocket show do Duelo de MCs, em Belo Horizonte, e conversou com o Brasil de Fato sobre a história do grupo, as dificuldades e sua forma de trabalho.

Brasil de Fato – Como começou o grupo?
John– Começou em 2004. Em 2005 o pessoal já estava fazendo as letras. Entrei depois, porque os meninos tinham letra, mas não tinham as bases, e aí eu fazia as bases no violão. A gente foi assim um tempo, com poucas letras e tudo. Em 2006, o Cesinha ganhou um CD de bases, daquelas bem antigonas, e começamos a trabalhar em cima e desenvolver mais letras. Como não tinha mais necessidade do violão, comecei a escrever também. Começamos a ter pegada de grupo em 2006. A gente tinha um caderno com 18 letras, aí a gente ia ensaiando pra decorar. De repente o caderno sumiu. Misteriosamente. Tinha muita gente que não apoiava, que achava que rap e sem-terra não tinha nada a ver, que queria manter aquela linha da cultura camponesa, sem abrir pra mais coisa. Desanimamos pra caramba, mas depois pensamos: se fizemos uma vez, dá pra fazer de novo.

Cesinha – É dessa época a música Militante da terra. Houve uma resistência, mas com o tempo ficou clara a necessidade de ter uma proposta mais política nas letras. Foi no assentamento 17 de abril que o grupo se formou. Tocamos o primeiro rap do Veneno H2 num encontro da juventude que o Instituto de Terras do estado de São Paulo (Itesp) fez na região, e fizemos o rap sem base, com o pessoal batendo na palma na mão. Quando o Jonh entrou, fizemos uma apresentação no aniversário do assentamento. Começamos a escrever junto a partir daí. Quando teve o lançamento do programa do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), o pessoal chamou a gente, mas não era pra gente cantar rap, era pra cantar uma música do MST. Nem testamos o som, começamos a cantar, não tinha microfone. Aí teve gente que até chorou com a música, que foi Militante da terra, com uma parte de uma música do movimento. O pessoal gostou demais e começou a perguntar se a gente tinha CD, como é que era. Falamos que a gente tinha dificuldade pra trabalhar e vontade de vencer o desafio. O pessoal então passou o chapéu, pra nos ajudar a gravar pelo menos uma faixa. Então em 2008, gravamos nossa primeira faixa, a Militantes da Terra, com a segunda versão.

John – A gente tenta discutir até chegar num acordo pra todo mundo. Depois disso, o pessoal viu que a proposta era interessante para a juventude, porque os jovens achavam bem interessante, viam que a gente era da mesma luta e estava ali tocando rap. Aí foi aparecendo mais espaços nos movimentos sociais e de grupos de extensão de faculdade. Depois de um tempo, a gente foi vendo a necessidade de buscar formação para desenvolver melhor os temas políticos, fazer um diálogo melhor. No começo, falo por mim mesmo, eu ia para os espaços pra cantar, não queria saber de plenária, de estudo, de nada. Era cantar, dar meu rolê, dar uma namorada… e isso não dava credibilidade. Não precisou ninguém chegar e dar um toque, a gente foi buscar formação.

BF – Qual a ligação do hip hop com a luta?
Cesinha – O hip hop é mais uma ferramenta. Ele surgiu como um movimento social também, foi muito discriminado. Mas agora ele foi apropriado, ou melhor, expropriado pelo capital. Como todas as outras mercadorias, o hip hop está virando uma mercadoria também. Talvez não tão vulgar quanto outros ritmos que o sistema apropriou, mas se continuar pode ir pro mesmo caminho. Como uma ferramenta de luta – e o hip hop é muito flexível – a gente pode usar isso a nosso favor também. Não temos espaço na mídia, mas temos a mídia alternativa, temos contato direto com quem nos ouve. A gente vê o hip hop como uma forma de luta, porque vemos uma possibilidade de construir as letras de acordo com nossa cultura, com o que a gente viveu e podemos misturar tudo que a gente gosta, do funk a Bethoveen, rock, reggae, samba, até o sertanejo. Estamos pensando em colocar toques de viola no próximo CD, resgatando a cultura popular. O hip hop tem essa flexibilidade e essa simbiose, ele se junta com a cultura local.

John – O interessante é que a gente é do campo, somos assentados, filhos de assentados, nos conhecemos no assentamento, nossa raiz é totalmente o MST, porque foi a partir disso que tivemos formação. Mas se você for chegar pra juventude hoje, principalmente da cidade, e falar sobre organização de classe, sobre a questão da luta, é muito difícil, porque estão totalmente alienados pela mídia, têm um conceito muito negativo da política. Qual a ideia do hip hop? Colocamos vários elementos políticos nas nossas letras, para eles notarem que aquela política é o que eles estão vivendo, não tem um distanciamento, para eles buscarem fazer alguma coisa pra mudar aquela realidade. Porque ninguém vai mudar se não for a gente, porque o capital sempre vai explorar. É difícil esse diálogo com a juventude, até nas nossas próprias áreas, porque a gente sabe que muitas vezes o pessoal completa certa idade e quer ir embora, porque no assentamento não tem lazer, é só trabalho braçal… e no trabalho que a gente faz buscamos também espaços de lazer e de cultura.

BF – E as pessoas mais velhas?
Cesinha – Uma coisa interessante também no decorrer da nossa história é que para conseguir o apoio da comunidade, trabalhamos primeiro com a juventude, mas depois fomos apresentando o hip hop para as pessoas mais adultas, para os idosos, que às vezes tinham resistência. Eles perceberam que o rap não era só o que eles conheciam por rap, que falava de droga, de arma. Viram que era nossa realidade retratada de forma bem sintetizada.
Qual a reação das pessoas da cidade quando conhecem o trabalho de vocês?

John – O pessoal do rap de Franca, a cidade mais próxima do assentamento, quando conheceu a gente ficou meio receoso, quando a gente falou que morava no assentamento tiraram um sarro da gente: “ah, vocês fazem rap da roça”. Mas depois ouviram nossas músicas e viram que a gente conta o cotidiano com conceitos políticos mesmo.

Cesinha – A primeira apresentação nossa em um baile de rap em Franca, a gente estava tão ansioso que ficamos meio travados, e falamos pra geral: “seguinte: esse é o rap do sem-terra e como somos novos, vamos deixar a música falar pela gente”. E a galera gostou muito, a partir de então conseguimos ter um diálogo melhor com a periferia. Estamos voltando para os bailes, para a periferia também. Quando a gente compara os problemas, vê que são basicamente os mesmos.

BF – Por que o nome Veneno H2?Cesinha – De começo eu queria montar uma banda soul, e pensei na palavra ‘veneno’ porque é uma gíria, que significa passar dificuldades, estar nervoso, ou estar eufórico com alguma coisa. “Estou no veneno pra sair e tomar uma com os amigos”, ou “Estou no veneno porque não tem comida em casa”, ou “passei um veneno porque fui despedido”. Vimos então que o veneno estava constante na nossa vida. O H2 é pelos dois ‘H’ do hip hop. E também porque para o sistema a gente é o puro veneno. Até a revista Veja esculachou uma música nossa, com um vídeo de uma apresentação no acampamento do Levante Popular da Juventude.
John – Com toda nossa simplicidade e dificuldade, não temos aparelhagem, equipamento, nada – só temos um pen drive com as bases e agora um computador que ganhei – conseguimos cutucar lá em cima com nossa mensagem.

BF – Quais os próximos passos do grupo?
John – Estamos divulgando os CD e também já construindo o próximo, temos algumas letras escritas já. Fiz um curso de desenvolvimento cultural pelo MST e aprendi técnicas de vídeo e edição, então estamos com a ideia de fazer um trabalho nosso nisso também. Não só um trabalho de música, mas fazer também oficinas de desenvolvimento cultural com o pessoal. A gente sabe a dificuldade que tem um grupo de rap de movimento social. Talvez a gente seja o único grupo de rap orgânico da base do MST, e somos convidados para ir em vários lugares do país, e fazemos isso, a oficina e depois cantamos o rap. Temos parceria com o Levante da Juventude, para levar a organização para a periferia também. E buscar cada vez mais conhecimento, porque a gente absorve e repassa nas letras. A gente quer ver também como trabalhar a questão da mística nas apresentações, até para mostrar o outro lado do MST, o lado verdadeiro da coisa.

Cesinha – É, a produção no setor da cultura. Estamos também discutindo de ver alguém – do movimento ou não – para a gente produzir. Fazer um clipe e chegar em mais pessoas, mais periferia, mais campo, para levar nossa visão de que a cultura, a música, não é só pra distrair, mas formar a consciência geral: de jovem, adulto, velho, criança. E trabalhar no lote, né?

John – É, porque a principal fonte de renda nossa é o trabalho braçal.

Ouça a música Nosso Vilarejo em:

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Fonte: Brasil de Fato

Lições de Tsunamis e Maremotos

Diante de todas as críticas, ante tantos detratores, temos que concordar, amigos: a EXPO/Crato  tem demonstrado uma pujança impressionante nos seus mais de sessenta anos de existência. Encravada estrategicamente  nas férias de meio de ano, quando incontáveis filhos da terra acorrem com saudades do Cariri, a Exposição  tem se fortalecido ano a ano,  batendo todos recordes de público , se comparada com outros eventos do Sul Cearense. Falar mal da Expocrato já se tornou quase um divertimento por estas bandas , já faz parte do cotidiano da nossa cidade e, a história tem demonstrado, apesar do olho de seca pimenta dos nossos conterrâneos, a Expô só tem prosperado. Sendo assim, diante da imunidade absoluta aos impropérios da população, me sinto à cavaleiro para também pinicar o oratório da nossa mais tradicional festa. Sei que pouca coisa há de mudar, que a festividade continuará com um público invejável e que os organizadores estarão se lixando para minha visão pessoal e realista. Mas que jeito, né? De tanto gritar no deserto a gente termina por se acostumar ao monólogo  e  a perceber miragens de  um tempo mais bonito e menos caótico.Pois aí vão algumas elucubrações de um velho meio ranheta—a quem interessar possa — e que nas duas últimas Exposições se recusou a participar da pantomima.
                                               Continuo visceralmente contrário à terceirizações dos shows do Palco Principal.  Parece-me de uma imensa preguiça política a terceirização. Sob o pretexto de baratear a programação ao Estado, se obriga a população a engolir shows de péssima qualidade e a preços abusivos . E mais, o  estado se imiscui da sua função básica  de promover Política Cultural. É possível sim, trabalhar com projetos e fazer uma grade gratuita de shows de ótima qualidade como o Festival de Inverno de Garanhuns vem fazendo há vários anos. O que há por traz das negociatas das terceirizações ?
                                               Não existe nenhuma justificativa plausível para a total exclusão dos artistas caririenses na programação principal da Exposição do Crato. Quem decide pela imolação de tantos valores ? Os mesmos que nos palanques enchem a boca chamando  “Cidade da Cultura ? Que homenageiam o grande Gonzagão com o Forró de Plástico: sem Dominguinhos, sem Flávio Leandro , sem Waldonis, sem Flávio José ?  
                                               A mais popular das festas caririenses loteia o Parque Estadual  a preços caríssimos e que termina sendo bancados pelo povo.  Houve shows em que os ingressos chegaram a ser vendidos a mais de cem reais. As barracas do Palco principal cobravam mesas a cinqüenta reais, fora o consumo normal, um pratinho de petiscos vendia-se a quarenta e cinco pilas. Alguns visitantes propunham inclusive  trocar o nome do evento para Explora/ Crato. Espaço público utilizado numa festa pública com tantos envolvimentos do setor privado, como é feita a prestação de contas ?
                                               É de  uma total irresponsabilidade a sujeira do Parque. Sem depósitos adequados e sem a educação necessária, o lixo é jogado no chão e vai se acumulando dia após dia. No sábado aquilo já parecia um grande Lixão. Por que não há coleta sistemática e diária? A higiene da maior parte das barracas era de fazer engulhar. Quem deu o alvará para o funcionamento? Quem fiscaliza o uso e manuseio dos alimentos a serem preparados?
                                               Ficou para mim mais que provado que o atual Parque de Exposição não tem mais estrutura nenhuma para abrigar um evento de tamanha magnitude. O trânsito ficou extremamente caótico, o fluxo no próprio local , no penúltimo dia, estava praticamente impossível e o som das bandas infernizou a vida de toda uma população circunvizinha. A cidade cresceu muito nos últimos sessenta anos, é preciso sim, repensar o espaço. Vamos construir um outro fora da Cidade e pensar em utilizá-lo durante todo o ano em outras atividades. O atual pode se transformar num parque florestal urbano para os deleites de lazer do nosso povo e continuará, sim, presente nas nossas vidas e nas nossas tradições.
                                               Sei perfeitamente que escrevo essas palavras  sobre as águas. Têm a força de um instante líquido e fugaz. Mas deixem-me sonhar que terão o poder de chegar aos tímpanos do tempo com lições de tsunamis e de maremotos.
J. Flávio Vieira

Denúncia do presidente Mujica desata crise no partido colorado – Portal Vermelho

Denúncia do presidente Mujica desata crise no partido colorado – Portal Vermelho

A denúncia do presidente uruguaio, José Mujica, sobre vínculos de setores do Partido Colorado do Paraguai com o narcotráfico, desatou uma profunda crise nessa organização, principal protagonista na destituição do presidente Fernando Lugo.

Em suas declarações, que causaram um grande impacto no setor político paraguaio, Mujica assinalou que o “narcocoloradismo” foi o autor da conspiração para materializar o golpe parlamentar destinado a tirar o chefe de Estado eleito pela população de seu cargo.

Isso se converteu no sinal para que, em meio à violenta disputa pela candidatura presidencial para as eleições de 2013, na qual o partido está envolvido, todas os olhares se dirigissem para um dos candidatos presidenciais, o opulento empresário Horacio Cartes.

Já o presidente Lugo havia assinalado que Cartes foi o principal organizador do golpe ao realizar um pacto com o então vice-presidente da República, Federico Franco, dirigente do Partido Liberal, que ocuparia a presidência da República até as próximas eleições em troca de apoiar seu plano.

A direção dos colorados, da qual fazem parte outros dois candidatos, Lilian Samaniego e Ivier Zacarías, exigiu publicamente de Cartes uma declaração na qual esclareça publicamente suas relações com o narcotráfico e com a lavagem de dinheiro.

O pedido de Samaniego e Zacarías, além de fazer parte da luta interna na entidade pela candidatura presidencial, baseou-se em elementos públicos sobre a conduta de Cartes que, imediatamente, voltaram a sair à luz nos debates realizados pelos representantes das duas partes nos meios de comunicação.

Segundo esses dados apresentados pelos adversários de Cartes, este esteve foragido da justiça durante quatro anos acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, até que se entregou na década dos 90, foi condenado em várias instâncias, mas surpreendentemente seu caso foi depois arquivado.

Foi acusado também, disseram seus colegas de partido, de tráfico de cigarros e drogas, enquanto um telegrama difundido pelo Wikileaks o situou sob a mira de agências antidrogas pelo mesmo delito de facilitar através de seu banco Amambay a lavagem de dinheiro.

A polêmica no interior do Partido Colorado subiu de tom nos últimos dias enquanto acerca-se a data estabelecida pelo Tribunal de Justiça Eleitoral para a apresentação oficial da lista de candidatos para as próximas eleições.

O tom das acusações e os elementos apresentados, dos quais Cartes se defende atacando contra seus oponentes, dão cada vez mais valor à denúncia do presidente Mujica sobre a vinculação do famoso narcocoloradismo com o golpe contra Lugo que, concretamente, não é condenado pelos Estados Unidos.

Fonte: Prensa Latina