Arquivos mensais: fevereiro 2012

José Flávio Vieira – O médico das palavras

Escritor inquieto e bem humorado, José Flávo Vieira busca no seu trabalho como médico o enredo e a alma para suas histórias carregadas de humanismo e questionamentos sobre a vida. Com uma produção crescente nos ultimos anos o médico/escritor consegue conseque fazer o hibridismo entre o erudito e popular, entre o local e o universal.

Alexandre Lucas – Quem é José Flavio Vieira?

José Flávio Vieira – Sou um sujeito esquisito, casado com a Medicina e amante da Literatura. Faço parte de uma longa tradição de médicos que se ligaram às Letras :Lobo Antunes, Guimarães Rosa, Moacir Scliar, Ronaldo Brito, Pedro Nava. A Medicina nos faz viver nesse limite impreciso entre a vida-morte, saúde-doença, bem-estar–infelicidade e acredito nos ajuda a conhecer um pouco mais da fragilidade humana. Pedro Nava dizia que ao médico era tão importante o Livro de Fisiologia como a leitura de Balzac. Não me considero escritor na acepção mais plena da palavra, assim como um corredor de fim de semana não pode se arvorar de Maratonista. A Literatura é um apêndice importante na minha vida, me deu a possibilidade de conhecer novas pessoas, fazer novos amigos e registrar, além da êfemero da oralidade, minha relação com a vida e o mundo.

Alexandre Lucas – Quando teve início sua atuação na literatura?

José Flávio Vieira – Cresci dentro de uma Livraria. Meu pai era professor de Língua Portuguesa e próprietário da Livraria Católica aqui em Crato. Desde menino gostei de escrever, na quinta série já redigia os primeiros textos e os primeiros poemas. Como adolescente tinha um diário escrito religiosamente. No Colégio Estadual Wilson Gonçalves fundei o primeiro Jornal Mural, participei de Grêmio Literário e fui um dos fundadores do Jornal Vanguarda nos fins dos anos 60 . Ali participei também da primeira Coletânea de textos: “Cariri Jovem 67”. Hoje, olhando para trás ,com o distanciamento dos anos, imagino que desde mininote pulsava em mim esta tendência e já observava o mundo com olhos de escritor.

Alexandre Lucas – fale da sua trajetória:

José Flávio Vieira – Em 1970 fui estudar em Recife e entrei na Faculdade de Medicina em 1972, formando-me em 1977. Fiz Residência Médica no Hospital Getúlio Vargas na Veneza Brasileira(1978-79) : Cirurgia Geral. No período de Faculdade , em plena Ditadura Militar, participei de Jornais estudantis, como “O Esculápio” . Participei, também, dos Festivais da Canção do Cariri em 1974 e 1975 com o Grupo Kirimbau formado por primos e irmãos meus. Fui letrista de várias canções (” Sargaços” , quarto lugar em 1974; “Salvo Conduto”, terceiro lugar em 1975 e muitas outras). Veio dessa época os meus primeiros problemas com a censura. Formado, voltei ao Crato em 1980 e desde então aqui estou. A vida de médico e pai de família me tomaram o tempo e escrevi apenas esporadicamente para os jornais da região. A partir de 1997, no entanto, comecei a escrever regularmente uma crônica nos sábados. Em 2003 lancei o primeiro livro “A Terrível Peleja de Zé de Matos com o Bicho Babau nas Ruas do Crato”, um texto teatral que terminou sendo montado, através do II Edital de Incentivo às Artes do Estado do Ceará”. Teve Direção minha, de Luiz Carlos Salatiel, Joaquina Carlos, Mauro Cézar, Abidoral Jamacaru e João Nicodemos e envolvia uma trupe de mais de 15 atores. Foram mais de 40 apresentações no Estado do Ceará, com grande sucesso, inclusive com premiação de Melhor Texto, no Festival de Acopiara.Em 2008 lancei o “Matozinho vai à Guerra”, um livro quase que memorialístico e muito bem humorado e que terminou tendo uma das histórias : “Zezinho e o Cinematógrafo Herege” sendo levada ao Cinema por Jéfferson Albuquerque Júnior ( 2011) . Finalmente, em 2011, lancei “O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica” , um livro infantil baseado nos mitos caririenses . O Livro tem ainda um CD com 15 músicas feitas em parceria com inúmeros artistas : Abidoral Jamacaru, Luiz Fidelis, Lifanco, Luiz Carlos Salatiel, Zé Nilton Figueiredo, Pachelly Jamacaru, Amélia Coelho, Ulisses Germano, João Nicodemos e com direção musical do maestro Ibbertson Nobre; além de um Audio-Livro que vem anexo . “O Mistério…” ganhou o I Prêmio Rachel de Queiroz” da SECULT e está adotado como paradidático em inúmeras escolas cratenses. Participei ainda de Coletâneas : “Cariricaturas” e “No Azul Sonhado” e fui vencedor dos três Prêmios SESC de Contos ( 2007-2009-2011) , com coletâneas também publicadas. Continuo escrevendo para o Rádio e para o jornalismo virtual ( blogs : Cariricult, Coletivo Camaradas, No Azul Sonhado e o meu : Simbora prá Matozinho).Fui convidado este ano, ainda, a participar do Projeto “Livro de Graça na Praça” em Belo Horizonte, com conto em coletânea que será lançada em Outubro.

Alexandre Lucas – como você consegue conciliar o trabalho médico com a literatura?

José Flávio Vieira – Esta pergunta muitos colegas e clientes me fazem. Como você arranja tempo? Digo sempre que tempo a gente sempre arruma se assim interessar. E para mim escrever traz um grande deleite, um grande prazer, não é um trabalho a mais, mas uma maneira de voar para fora das tariscas da gaiola da pesada vida cotidiana. Além do mais, sou um hiperativo e não consigo ficar parado muito tempo. Não bastasse isso, a Literatura para mim é uma extensão da minha vida profissional como médico e é nesse manancial que eu bebo para derramar depois no papel.

Alexandre Lucas – Todos os dias você escreve?

José Flávio Vieira – Normalmente escrevo uma vez por semana. Sou um indisciplinado, anárquico por natureza, mas nesse ponto sou muito determinado: escrevo às quintas, a não ser quando existe um Projeto novo, aí caio de cabeçae torno-me mais regular.

Alexandre Lucas – A sua forma de escrever une o humor com o linguajar nordestino. Você acha que isso caracteriza a sua poética?

José Flávio Vieira – O humor é uma característica certamente da maneira com que escrevo, falo, vivo. É inclusive uma característica familiar, acredito que roubei das minhas raízes varzealegrenses. Gosto também de mesclar a linguagem erudita com a popular( que no fundo são o verso e anverso de uma mesma moeda) e, principalmente nos diálogos, busco imprimir a doce língua do povo. Uma tentativa geralmente inglória de levar o doce da oralidade para a forma escrita.

Alexandre Lucas – Como você ver a relação entre literatura e política?

José Flávio Vieira – Acredito que a Arte é revolucionária na sua essência e, no fundo, o artista sempre se posiciona politicamente. Escrevemos sempre para denunciar, para tentar mudar o leme do barco e dar uma nova direção. Não aprecio, no entanto, a arte engajada ( qualquer tipo de engajamento no fundo é um cerceamento da atividade artística), embora admita a necessidade disso em determinadas situações, como na Ditadura Militar, por exemplo.

Alexandre Lucas – O seu livro Matozinho vai à guerra foi indicado para o vestibular da Universidade Regional do Cariri – URCA. Você acredita que isso potencializa a produção literária da região?

José Flávio Vieira – Fiquei muito feliz com a indicação, até porque era uma luta de muitos anos. Finalmente temos a possibilidade de olhar também para o umbigo. A URCA acordou para a possibilidade de ter uma visão também regional da Literatura. Isso certamente potencializa a produção literária local e abre horizontes imensos para que a juventude conheça os nossos escritores regionais. O Ceará tem um viés terrível: ele não olha para si , ele sempre vislumbra o mar em busca de Miami. A possibilidade da Arte Popular fazer parte do cotidiano das pessoas passa necessariamente pela Escola e, finalmente, começamos a descobrir isto.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

José Flávio Vieira – Tenho um Livro pronto de histórias mais urbanas : “A Delicada Trama do Labirinto” que estou vendo a possibilidade de publicar ainda esse ano. Penso ainda num livro de Contos que ainda merece um trabalho mais demorado. E tenho pronto um Audio- Livro de textos: ” Ícaro”. Penso ainda escrever alguma coisa sobre a História da Medicina aqui no Cariri. E mais: pretendo voltar a escrever para o teatro , uma das minhas paixões.

Alexandre Lucas – Quais os desafios?

José Flávio Vieira – Gosto de trabalhos coletivos ,onde possa envolver os inúmeros artistas da região. No Zé de Matos juntamos teatro-dança-música e em “O Mistério das 13 Portas” mais de 50 artistas estiveram participando do Projeto. Congregar tantas forças não é fácil, passa por administração de egos e sensibilidades, mas potencializa imensamente o trabalho e este é um desafio interessante. Um outro desafio é fazer com que o nosso trabalho seja reconhecido na nossa própria casa, que as pessoas leiam nossos escritores,assistam a nossas peças teatrais, que nossas Rádios toquem nossos artistas, que o Reisado seja visto como uma expressão da nossa identidade e não como extraterrestres que desceram numa nave espacial na Bela Vista.E também que os palcos das nossas festas mais tradicionais não sejam exclusividade do que existe de mais reles na Cultura brasileira. Isso passa pela Escola e é lá onde devemos exercer a nossa força para que a mudança pouco a pouco se efetive. E mais: o Estado precisa ser obrigado a exercer sua função , através de Política Cultural.E aí temos uma arma poderosa que precisa ser engatilhada : o voto.

Alexandre Lucas – Como você vê a relação entre arte e política?

José Flávio Vieira – A Arte por si só é um instrumento político de mudança, de vislumbre de novos tempos e novos rumos. Precisará apenas ter a leveza, a delicadeza para ser Arte e fugir simples e cartorial panfleto.

FIM DE TARDE – I Wanna Rock!

Depois de um longo período, estamos retomando o projeto “FIM DE TARDE”, uma forma diferente e super bacana de curtir a balada mais cedo. Além de ser um diferencial pelo horário, esse projeto tem como maior bandeira o respeito às pessoas, aos vizinhos do TERRAÇUS e principalmente o cumprimento do que determina a lei. Queremos diversão e arte e com esse projeto achamos que dá para conciliar diversão, arte e respeito às pessoas. A SERTÃO POP tem essa preocupação e queremos mostrar que vale a pena.

O evento acontecerá no próximo sábado, dia 3, a partir das 18h, com as maravilhosas bandas REI BULLDOG – tocando BEATLES sem parar, e LOS THE OS, com seus rocks, blues e o carisma que lhe é peculiar.

Vamos nessa. Acabou o carnaval, agora “Eu quero Rock!”

Os ingressos antecipados custarão 10 reais e serão vendidos nos seguintes locais:

CRATO – LOJA LARAS (Praça da Sé – em frente ao Museu) – 3521.2820
JUAZEIRO – PORÃO ROCK (Rua Carlos Gomes, 441 – ao lado de Prefeitura) – 3511.7527

OS INGRESSOS NA PORTARIA SERÃO COBRADOS A 15 REAIS

https://www.facebook.com/events/242523919169430/?context=create#

ONDE ESTÃO AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A SUSTENTABILIDADE DA REGIÃO DO CARIRI

Falácias, criação de órgãos e conselhos na área ambiental, eventos e mídia, no entanto na prática estamos a procurar há algum tempo, pelo menos um Plano de Governo ou um Programa de qualquer nível que esteja, efetivamente aplicando políticas públicas e de desenvolvimento visando a sustentabilidade da Região do Cariri cearense.


O nosso país já possui um Programa Brasileiro de Cidades Sustentáveis que tem como objetivo sensibilizar, mobilizar e oferecer ferramentas para que municípios brasileiros se desenvolvam de forma econômica, social e ambientalmente sustentável.


Será que nessa Região do Cariri que já por diversas vezes a mídia mostrou ser uma das que mais cresceu vai repetir os erros bem conhecidos de todos, quando não se planeja a ocupação territorial e não se considera ou se mitiga os impactos ambientais visando o desenvolvimento sustentável?

A base do mundo hoje é a economia verde e a conciliação do desenvolvimento com o uso dos recursos naturais. Será que a Região Metropolitana do Cariri vai agora esperar mais um centenário da cidade pólo, Juazeiro do Norte para entender que os preceitos ecológicos do seu ícone, o Padre Cícero não é só de incentivar a produção de mudas de plantas!!



Seria pois, bastante oportuno que a população, os cidadãos, as lideranças, as organizações não governamentais exigissem, nessas eleições de 2012,  dos próximos gestores municipais, um compromisso oficial através de um pacto político, construído com o envolvimento de todos os setores da sociedade, um programa de governo com uma plataforma de cidade sustentável, cuja base fosse efetivamente a governança, ou seja, a participação das comunidades nas tomadas de decisão.


O propósito é de que o poder público tenha a responsabilidade de assegurar o desenvolvimento sustentável, compatibilizando os objetivos ambientais, sociais, políticos, culturais e econômicos para melhorar a qualidade do ambiente local e regional e reduzir o risco de agravamento da qualidade de vida das gerações futuras.



Será que impossível encarar essa tomada de decisão rumo ao desenvolvimento sustentável?! Com a palavra os cidadãos e por que não os eleitores da região?





















Geraldo Gonçalves de Alencar – O poeta de todo o dia

Se todo dia é dia de poesia, Geraldo Gonçalves de Alencar é um dos poetas de todo o dia. Desde a infância se impregna com palavras poéticas. Com uma poesia que versa sobre vários temas, seu Geraldo mergulha do religioso ao erotismo. Rejeitado por Patativa do Assaré torna-se depois seu parceiro. Co-autor do do Livro Ao Pé da Mesa com o seu tio Patativa do Assaré.

Alexandre Lucas – Quem é Geraldo Gonçalves de Alencar?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Sou Geraldo Gonçalves de Alencar, nasci no Sítio Serra de Santana município de Assaré – CE, segundo filho de José Gonçalves de Alencar e Maria Risalva e Silva. Poeta.

Alexandre Lucas – Quando ocorreram os seus primeiros contatos com a poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Quando criança lia apaixonadamente tudo quanto era cordel,a minha infância foi toda voltada para os folhetos, em 1956 Patativa publicou o seu primeiro livro ( Inspiração Nordestina ).
Passei a ler avidamente os poetas da Poesia Matuta: Patativa,Catulo, Zé da luz e os românticos brasileiros.

Alexandre Lucas – Quais suas influências na Poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Os grandes sonetistas me influenciaram bastante, é uma das poesias que mais cultivo, os poetas matutos e os líricos também.

Alexandre Lucas – Geraldo você tem algum tema mais recorrente nas suas poesias?

Geraldo Gonçalves de Alencar – O tema que mais abordo tanto nas poesias sertanejas como no sonetos é o amor, embora me estenda ao religioso, o social, o erótico e outros.

Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória:

Geraldo Gonçalves de Alencar – Fui uma criança estudiosa mas como até hoje já adulto, escravo do pânico, um adolescente boêmio talvez até por conta da minha fobia social. Na minha infância e adolescência Patativa sempre me repudiou como poeta, até que com minha poesia (Pergunta de Moradô), pediu-me a permissão para dar a resposta, consenti tranquilamente só que houve a tréplica, Patativa não gostou. Deixei a bebida depois de 30 anos, 4 anos depois passei a ser escravo da máquina de hemodiálise, fiz o transplante renal, houve a rejeição, continuo no tratamento. Mas nunca deixei de cultivar a minha grande paixão, a poesia.

Alexandre Lucas – Como foi o seu contato com Patativa do Assaré?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Depois de muitas recusas Patativa me aceitou como poeta e até o fim de sua vida passei a ser seu parceiro constante.

Alexandre Lucas – Como você enxerga a poesia de Patativa?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Considero Patativa como um dos maiores poetas brasileiros. Os outros sim, têm mais cultura e conhecimento, entretanto Patativa com seu linguajar rústico, dispõe de mais inspiração e mais sabedoria, sua espontaneidade, sua métrica perfeita, a riqueza de imagens, o gracejo, o trocadilho, a filosofia, a criatividade, fazem de Patativa um gênio do gênero. Um autodidata. Sabia o que estava fazendo.

Alexandre Lucas – Todo dia é dia de poesia para você?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Com certeza, quando não é organizando é escrevendo.

Alexandre Lucas – Você acha que a poesia é instrumento político?

Geraldo Gonçalves de Alencar –A poesia é abrangente, penetra fundo em tudo quanto nossa inspiração permite, principalmente na Política, tema do interesse de todos.

Alexandre Lucas – Quais seus próximos trabalhos?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Sou admirador dos sonetos e da trova tenho dois livros desta poesia inéditos e também outro de poesia campestre ( Na Terra dos Passarinhos )Vários cordéis e algumas composições musicais.

PEÇA DE TEATRO DEFENDE O SÍTIO FUNDÃO

A CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE (Crato-CE) reapresenta seu mais novo sucesso de público. Um grande espetáculo que resgata e valoriza a cultura popular e a mitologia sertanejo-universal numa aventura em que se defende a preservação da natureza.

“A DONZELA E O CANGACEIRO”
Texto e Direção de Cacá Araújo 
Música de Lifanco

Março
17 (sab), 18 (dom) – Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
20 (ter) – Centro Cultural banco do Nordeste (Juazeiro do Norte-CE)
23 (sex) – Teatro do SESC (Juazeiro do Norte-CE)
24 (sab), 25 (dom) – Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
31 (sab) – Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Abril
1º (dom) – Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Sinopse:

A ambição desmedida do homem rico, a ganância cruel do norte-americano e a trama infernal vinda das trevas ameaçam o Sítio Fundão, importante reserva ecológica brasileira. As forças do mal, lideradas pelo Bode-Preto, entram em disputa ferrenha pelo domínio da área, mas são enfrentadas pela legião do bem, liderada pela Caipora, deusa protetora da natureza. Somente o amor pode salvar o sítio da destruição total. Um enigma, proferido pela esfinge de Seu Jefrésso, contém o segredo capaz de restabelecer a paz e a harmonia. Donzela Flor, símbolo de pureza, precisa ser desencantada. O cangaceiro Edimundo Virgulino, valente e destemido, luta com bravura para salvar o sítio e conquistar o coração da donzela.

Proposta do espetáculo:

Ao abordar a ecologia e o meio ambiente a partir de motivo factual doméstico, neste caso a luta pela preservação do Sítio Fundão, importante reserva ecológica na zona urbana na cidade do Crato-CE ameaçada de extinção, o espetáculo amplia o foco ao propor uma leitura da gana imperialista capitaneada pelos USurpAdores das riquezas alheias. Envereda também pelo universo histórico e mítico do homem nordestino e universal, revisitando o cangaço e o mito da Caipora numa história fantástica, mas embrenhada “na” e “de” realidade.

A Donzela e o Cangaceiro é um projeto cênico que dá prosseguimento à determinação do autor em buscar a afirmação de uma dramaturgia nordestina alinhada ao resgate e à difusão da cultura tradicional popular, fundada na expressão do imaginário do povo, nas lendas, nos mitos, nos causos, nas aventuras, nos romances, na história, nos mistérios que habitam a alma afoita e brincante do sertanejo, cujo sangue saltitante se perpetua no riso e na dor, na graça e no sofrimento, na desventura e na esperança.

Elenco:
Personagem/Ator (em ordem de entrada)

Mateus – Cacá Araújo
Catirina – Françoi Fernandes
Pafúncio Pedregôso – Franciolli Luciano
Cafuçú – Paulo Henrique Macêdo
Feiticeira Catrevage – Jonyzia Fernandes
Vicença – Raquel Silva / Rosa Waleska Nobre
Dona Colombina – Rosa Waleska Nobre / Samara Neres
Donzela Flor – Charline Moura
Caipora – Orleyna Moura
Troncho Sam – Márcio Silvestre
Edimundo Virgulino – Jardas Araújo
Bode-Preto – Joênio Alves
Seu Jefrésso – Paulo Fernandes

Técnicos:

Texto e Direção – Cacá Araújo
Assistência de Direção – Orleyna Moura
Música – Lifanco
Sonoplastia – Cacá Araújo e Lifanco
Figurino e Maquiagem – Joênio Alves
Cenografia e Iluminação – Cacá Araújo
Cenotécnica – França Soares, Saymon Luna e Mestre Galdino
Aderecistas – Willyan Teles, Marlon Torres e Cristiano de Oliveira
Criação e execução de efeitos sonoros – Lifanco e os atores
Instrumentalização e efeitos – Lifanco e os atores
Operação de Luz – Laumiro Pereira
Operação de Som – Babi Nobre
Confecção de figurino – Ariane Morais
Guarda-Roupa – Luciana Ferreira
Cinegrafia – Antonio Wideny (Toyota)
Fotografia – Gessy Maia e Mônica Batista