Arquivos mensais: setembro 2011

A questão carcerária – Emerson Monteiro


Um dia, pelas ruas de Mangaratiba, cidade litorânea do Rio de Janeiro, visualizei o passeio dos detentos da Ilha Bela, antigo presídio hoje desativado. Quadro marcante, cortejo de homens válidos, corpulentos, em marcha batida, controlados por guardas e cães, a percorrer trechos daquela cidade. Alguns traziam consigo peças de artesanato de própria fabricação, oferecidas aos circunstantes por preços ocasionais. A cena ficou gravada para voltar ao pensamento quando, como agora, enfeixo a intrincada crise penitenciária brasileira. Aqueles zumbis, de olhos vazios, trajes encardidos, quais reses de tosquia, trastes da culpa, apenas arrastavam o tropel do destino à luz da vontade dos homens.

E revivo também a sensação cotidiana dos noticiosos quando exploram o mundo cão. São raros os meses em que deixam de ocupar o cardápio as rebeliões nas celas, com registros de fugas, incêndios, perdas de vidas e homicídios.

Tais aspectos percebidos significam o estrangulamento do sistema penal; refletem a estrutura da sociedade como um todo, onde deficiências indicam muito chão ainda para percorrer até a perfeição final do processo vida.

Cheira mesmo a repetição dizer que as cadeias, quais viveiros de pássaros indomáveis, converteram-se no campus da monstruosa universidade do crime, imagem conhecida, onde os apenados ali encaram desafios primitivos junto de outros em condições físicas e morais deploráveis. Daí, qual onda avassaladora, estranho relacionamento impõe e multiplica a morbidez de seres vencidos, depois lançados às sarjetas, num ciclo de miséria que aumenta os custos do subdesenvolvimento mórbido.

Intenções honestas de resolver o problema, contudo, não eliminam o atraso dessa área, vistas experiências nos países ricos, mesmo sabidas quantas falhas lá também persistem.

Planos que se cogitem devam sempre vincular a participação efetiva da força de trabalho reclusa às celas, estagnando a capacidade produtiva. Em resposta, as sentenças assim deixariam de inutilizar a mão de obra prisioneira, sobrando ao Estado o mérito de soluções criativas e geração de riqueza, alimentando e estabilizando as contas da instituição punitiva, além de profissionalizar quem chegar, de comum, sem ofício. As prisões agrícolas demonstram a viabilidade desta idéia.

Restam imaginar perspectivas novas para problema tão arcaico. O gesto de segregar aos calabouços, sem outras preocupações racionais, apenas mascara uma chaga que transborda de dor e clama decência. Compromisso pesa, pois, sobre todos os ombros, sabendo que o zelo da liberdade vem assegurado como atributo essencial, dom divino que cabe manter, sobretudo a quem necessita desde criança das poucas e limitadas oportunidades vitais.

Sonora Brasil – SESC

A Banda de Congo Panela de Barro, formada por quatro cantadeiras, um percussionista e o mestre Valdemiro Sales, foi selecionada para participar do Sonora Brasil Sesc, maior projeto de circulação musical do país.
O Panela de Barro vai participar do Sonora 2011 na temática “Sagrados Mistérios – vozes do Brasil”, grupo no qual também estão a Comitiva de São Benedito da Marujada de Bragança (PA), Caixeiras do Divino (MA)e Quarteto Colonial do RJ. Esta formação da banda de congo fará 54 apresentações entre setembro e novembro de 2011 pelas regiões norte, nordeste e centro oeste do Brasil.
Desde sua fundação, em 1998, cerca de 60 grupos já participaram do projeto e, em média, três mil apresentações foram promovidas.
O objetivo do Sonora Brasil Sesc é incentivar o desenvolvimento da música no país. Para o Espírito Santo, será uma oportunidade de levar a música e a cultura capixaba para todo o Brasil. Esta é a primeira vez que um grupo capixaba participa do projeto.
 

Programa Cultura SESC Cariri

(88) 3587 1065 (SESC Juazeiro)
(88) 3523 4444 (SESC Crato)

Lula : Sexto Título de Doutor, agora na Sorbonne

Como disse o autor da matéria, vai faltar Lexotan la nas bandas de Higienópolis e para tantos outros que sofrem de complexo de vira-lata neste Brasil afora.

Será que o entreguista do FHC desta vez corta os pulsos? Tomara que sim!

E viva o nosso Doutor!

Ivan

http://www.ufpe.br/agencia/images/stories/lula02.jpg
Lula recebendo o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/pra-que-discutir-com-madame


Pra que discutir com madame

Enviado por luisnassif, sex, 09/09/2011 – 09:19

O comentário do Marco Antonio me lembrou uma coluna que escrevi em 8 de agsoto de 1994 a respeito da afirmação de Ruth Escobar:

Por Marco Antonio L


LULA recebe o título de Doutor Honoris Causa na Sorbonne

Ele chegou lá. Dia 27 agora, Lula recebe o título de doutor honoris causa na Sorbonne. Desembarca no mesmo solo sagrado do saber que pisou Jean-Paul Sartre, Claude Lévi-Strauss e FH. A informação é de Ancelmo Góis de O Globo.

Vai faltar Lexotan lá nas bandas do Higienópolis


LUÍS NASSIF – 08/08/1994

Prá que discutir com madame?

Na sexta-feira passada Brasil e França experimentaram momentos de grande perplexidade, enquanto em um salão de chá paulistano discutia-se a relevante questão: é melhor um Sartre ou um encanador para presidente da República?

As máquinas pararam na França, houve sensível aumento na mortalidade infantil no Nordeste, todos aguardando que aquelas almas femininas, reunidas no salão renascentista, conseguissem solucionar o mais estimulante desafio intelectual com que se depararam: é “in” ou “out” estabelecer tais diferenças?

A atriz atroz, defensora interessada de todos os intelectuais que assumiram a presidência nas últimas décadas, garantiu que é “in”. A namoradinha do Brasil, boazinha como ela só, rebateu que é “out”.

Grandes banqueiros foram tirados do trabalho por esposas preocupadas, presentes ao ágape, para que repartissem com elas essa grande dúvida, mais estimulante que um vírus eletrônico no Selic.

Sociólogos petistas e tucanos se engalfinharam no campus, entupiram as seções de cartas dos jornais, assaltantes interromperam assaltos, o trânsito engarrafou, os juros subiram, o mercado parou, enquanto não se resolvia a relevante questão, capaz de, por si, ou definir as eleições presidenciais ou resolver a questão da falta de água.

No cemitério existencialista, uma caveira olhou para a outra e comentou preocupada: “Que não é sério, a gente sabia, mas precisavam me envolver nisso?”.

Filósofo “out”

Não há informações se Ortega y Gasset costumava filosofar em chás beneficentes ou se desenvolveu alguma especialização em encanamentos. Há dúvidas até, se vivo fosse, se seria convidado para o festim, posto que filósofo espanhol não é tão “in” quanto um francês.

Se fosse, certamente acharia de um provincianismo feroz, a atriz atroz. Mas ficaria com o encanador, porque conhecia suficientemente os seus – os intelectuais – para não levá-los a sério, fora do mundo das idéias.

Em ensaio clássico sobre Mirabeau – relançado recentemente pela Editora Universidade de Brasília, e que me foi presenteado por um intelectual raro, porque compromissado com a ação – Gasset traça um perfil precioso da espécie.

Não peça a um intelectual que se comprometa com a ação – diz ele. Quando pensa em tomar alguma atitude, imediatamente bate uma dúvida que, até ser removida, matou a iniciativa. O intelectual sempre vai tratar de levantar uma indagação acerca de sua atitude, para dispor do álibi para nada fazer. Utiliza a idealização da realidade como desculpa para o imobilismo.

Em outras palavras, se estourar o encanamento de sua casa, ou se precisar de um presidente da República, não conte com um intelectual. A não ser depois que ele tiver resolvido todas suas perplexidades acerca da conveniência ou não de se envolver em um trabalho de encanador – e depois que a água tiver levado seu último cristal.

Curto e grosso como ele só, o encanador petista encerrou a discussão com uma verdade definitiva: sem encanador essa mulherada não se vira sozinha, sem sociólogo, se vira.

Na rua, um velho passou assobiando antigo samba brasileiro, do grande compositor existencialista Janet de Almeida: “Madame diz que a raça não melhora/ que a vida piora/ por causa do samba/ (…) Madame tem um parafuso a menos/ só fala veneno/ ai meu deus que horror!”

Para ler outras matérias bem porretas, visite o ‘Carcará’ http://carcara-ivab.blogspot.com

PROFESSOR NÃO É MOLEQUE!


E A GREVE CONTINUA…

Mesmo sob ameaças e mentiras do governador Cid Gomes, o destempero verbal de seu irmão problemático Ciro Gomes, a omissão dos deputados estaduais e a conivência do judiciário, os professores do Ceará mantêm erguida a bandeira da dignidade e da ousadia: GREVE GERAL – INTERIOR E CAPITAL!!!

Agenda Crato-CE:

Terça-feira, dia 27.Set.2011
7h30min – Audiência na Câmara de Vereadores
9h30min – Ato em conjunto com os servidores dos Correios e Bancários, em frente à Agência dos Correios

Quarta e Quinta-feira, dias 28 e 29.Set.2011
Mobilização permanente nas escolas e comunidades
Denúncias na imprensa e nas redes sociais

Sexta-feira, dia 30.Set.2011
14h00min – Assembleia Geral dos Professores em Crato, no CEJA

O GOVERNADOR DO CEARÁ 
QUER ACABAR COM A CARREIRA DO MAGISTÉRIO  
Cid Gomes não perde o rebolado de ditador. Diz que se preocupa com a educação, desconversa sobre as reivindicações da categoria e as joga para conversas futuras. Fere de morte a educação cearense. Será que nesse tempo todo ainda não deu para analisar as propostas?! 

Na última reunião com o Comando de Greve, em Fortaleza, o governador blefou. Jogou sabendo que possui aliados fortes no seio da categoria, influentes o suficiente para atraiçoar e enfraquecer o movimento. Ameaçou covardemente os professores ao declarar que vai abrir processo administrativo contra os grevistas. Que bom comportamento esse do Ferreira Gomes para início de negociação.

Como não fosse pouco, seu irmão de palavrório solto e fútil, Ciro, o ex-muita-coisa que leva o tempo em catar holofotes para si, demonstrou o medíocre pensamento de sua dinastia ao desqualificar os professores em greve, chamando-os de “moleques” e “ignorantes”. Isso se deu em Crato-CE, quando de sua vinda para evento de seu partido, o PSB – Partido “Socialista” Brasileiro, sábado, dia 24 de setembro.  
Cid sabe que tem a seu favor toda a estrutura de poder e pressão. São seus serviçais desembargadores, que vergonhosamente lhe dão pareceres favoráveis como pagas de favores de ontem e de hoje, mesmo fundados em mentiras e desvios jurídicos. Hospedam-se na sola de suas botas a quase totalidade da assembléia legislativa, com deputados que se comportam como cães amestrados. Tem a cumplicidade da grande mídia.

O povo está só! À mercê dos prazeres malvados de um louco que trai, corrompe, age ilegalmente, ameaça, intimida… E ninguém o enquadra na lei porque a lei é manipulada em benefício dos poderosos.
Mas podemos muito mais! Digamos NÃO à tentativa de engabelação perpetrada pelo governador e seus prepostos. Sigamos na luta. Mantenhamos a GREVE!
GREVE GERAL
INTERIOR E CAPITAL!!!

As cidades de Chico Buarque – Emerson Monteiro


Cristina Couto reuniu em livro (As cidades de Chico Buarque) fragmentos de uma época histórica do Brasil recente e intercalou-os com páginas das músicas de Chico Buarque de Holanda e. deste modo, criou belo painel que bem representa a fase crítica dos anos de chumbo. Nas marcas que anotou dos passos do poeta nos bastidores da convulsa vida nacional, a escritora conta em linguagem eficiente o que vencíamos do medo e da censura feroz para trazer ao povo os espelhos urbanos que alimentavam apreensivas esperanças e resistência.

Perante o jeito que exercita, Cristina de Almeida Couto, membro da Academia Lavrense de Letras, professora universitária e jornalista, consolidou no seu trabalho a escritura poética de Chico Buarque na visão acadêmica suficiente de dizer o que aconteceu no imaginário da criação artística, contradições e vislumbres doridos, na fase extrema, totalitária. Caminhava-se pelas ruas deserdados; atravessavam as lamúrias de um modelo econômico de época, à força dos poderes internacionais na república ansiosa de algum crescimento material.

Talhes profundos, no entanto, feriam por dentro a alma, sobretudo de jovens da classe média embalados nos sonhos imaginários de liberdades civis ideais, frustradas na quebra institucional da luta brasileira.

Trabalhou com êxito o tema desse encontro das duas vertentes, do real no cotidiano, e das letras que o interpretavam através palcos e discos, a transmitir vozes gritadas ao enlevo dos ritmos novos – misturas de samba do morro, bossa nova e inventividade nativa.

Feliz a executar o projeto estabelecido, Cristina nos permite viver ou reviver a composição popular no mister desses acontecimentos, versão do coração de quem atendeu consignar a poética na história dos vencidos daqueles instantes.

Uma viagem técnica e sentimental, pois, através das letras das cantigas… exercício de fixação salutar e digno de quem deseja guardar as lições amargas da nossa geração urbano-industrial.

1º ANIVERSÁRIO DO TERAÇUS BAR E PETISCARIA

O TERRAÇUS – Bar e Petiscaria está fazendo um ano. Um ano apenas e já se mostra como um local bacana, super agradável e com boa estrutura para receber pessoas de bom gosto. Um local que tem se mostrado com bastante identidade em realizar eventos de qualidade e que conta com a presença marcante de um público maravilhoso. Para comemorar a data, o TERRAÇUS chamou a SERTÃO POP PRODUÇÕES para fazer a festa. Juntos estão trazendo duas maravilhosas bandas: a NIGHTLIFE, que, indiscutivelmente é a banda Pop-Rock mais festejada e amada do Cariri, e a fantástica cover do Pink Floyd CACO DE VIDRO, a sensação do TERRAÇUS no primeiro semestre.
Como é o primeiro aniversário do TERRAÇUS, achamos que essas duas bandas irão coroar a festa. Se você não pôde ver a CACO DE VIDRO da outra vez, esse é o momento. Os caras são simplesmente sensacionais. É você fechar os olhos e sentir o Pink Floyd tocando ao vivo no Cariri.
Vamos comemorar juntos esta data querida!

PS: A festa será de um ano do TERRAÇUS, mas será também em homenagem à memória do nosso grande amigo-irmão SAMUEL GRAVATINHA que nos deixou recentemente.

Hannibal em Matozinho

Assilon Cananéia tremeu do topete ao dedão do pé. De repente, ante as invectivas de D. Soledade, percebeu : tinha sido pego com as cilhas da cangalha frouxas. Ficou de um lado para outro, como galinha procurando canto para pôr o ovo. Parecia que ensaiava os passos cadenciados do Raggae, feito papagaio em areia quente. E agora? Soledade tinha sido categórica, firme, definitiva: amanhã você tem que se confessar, Si-Si, senão não vai poder comungar no casamento de Zuleika! Naquele exatíssimo momento se tinha interposto a última bola que lhe formatara a sinuca de bico. Ainda tentou contra-argumentar com a mulher. Já tinha tanta gente para a fila da hóstia, carecia lá mais um pecador no pé do padre? Soledade enfureceu, fez cara de cachorro pé-duro quando sente cheiro de onça maracajá. Aquilo seria uma desfeita sem tamanho! Onde já se viu? A filha no pé do altar e o pai esborrotando de pecado, se recusando a ajustar as contas com o Salvador? Pois bem, ameaçou a esposa: Zuleika já disse, seu miserável, se o pai não se confessar, ela se recusa a entrar na igreja, prefere viver junta com Senevaldo. Filha de pecador, tem que seguir os rastros do pai. A arapuca estava armada.

Assilon saiu meio capiongo para o trabalho. Cobrador de ônibus por longos anos, atualmente esquentava o banco no escritório da “Viação Rola Cachecha”. Não lembrava a data da última confissão. Ficou pensando na ruma de pecado que ia ter que fazer desfilar nos pés do padre. Alguns cabeludos como jumento novo. Cidade pequena, todo mundo conhecia todo mundo, ficou pensando no constrangimento que iria passar. Primeiro relacionado com o tempo da entrevista que já assustaria todos da fila da confissão e depois com o tamanho da penitência que o rigoroso Padre Arcelino lhe sapecaria. Preocupava-se, sobremaneira, com um namorico escondidíssimo que entabulara com uma beata da igreja, D. Zulena, que, por uma coincidência terrível, era sobrinha logo de quem ? Do vigário da cidade: o brabíssimo Arcelino. Convenhamos que Si-Si estava carregado de muitas razões para entrar no trabalho daquele jeito: mais prá baixo que diferencial de cururu. Os colegas perceberam o carrego , mas ignoraram, não tinham intimidade suficiente para escarafunchar aquele maribondo de chapéu. Havia, no entanto, um amigo mais chegado . Pois bem, Deusamém , montado numa confidencialidade de muitos e muitos anos, cutucou o vespeiro, sem medo das ferroadas. Si-Si , então, com os problemas já vazando pelo ladrão, contou tudo. Estava preocupado com a tarefa inadiável do dia seguinte e temendo a repercussão. Deusamém, macaco velho, saltou de lá com uma idéia brilhante. Lembrou que estava na cidade, visitando o pároco, um Padre alemão, recém chegado ao Brasil. Ainda não falava direito o português, mas teimava em confessar os fiéis. Deusamém acreditava que o Padre Nossinger Radikoff seria uma ótima saída, pois se não falava bem o português, imaginem o Matozinês, um dialeto dos mais intrincados e difíceis do mundo ! Assilon respirou aliviado e voltou para casa mais tranqüilo. Deusamém arranjara uma saída genial. Primeiro a demora seria facilmente compreendida pelo choque lingüístico entre confessor e confessado, depois havia a possibilidade de absolvição plena , sem demais protocolos e burocracias.

No dia seguinte, um contrito Assilon tomou piedosamente lugar na fila da confissão. Quando chegou sua vez, ajoelhou-se candidamente e esperou o palavrório de Nossinger que não demorou a ser escarrado da goela, com aquele sotaque forte de quem se entalou com farinha seca:

— Meurr Filhorrr , digarr seusrr pecadorrrss!

— Seu padre eu botei um “gato” na água lá de casa e no trabalho como cobrador, carrego um monte de “cabrito”no ônibus!

— Meurr filhorrr, deixe de marvadezarrr com os bichinhosrrr de Deusrrr. Não derrr banhorr em gatorr não, viuuu? Agora carregarrr cabritooorr, meu filhoorrr, não serrr pecado não! Querr mais ?

— Seu padre, quando eu vou para a roça, vez por outra eu como uma cabrinha que eu crio por lá.

— Meurr filhorrr, isso não serrr pecadorrrrr, carne de vacarr, de boderrr, de porcorrr só serrr pecado na Semanarr Santarrr… Querr mais, meurrr filhorrr?

— Quando não é a cabra seu padre, gosto de pelar uma sabiazinha…

— Marvadezarrrr com os bichinhorrr de Deus, seu Assilonrrrr, de novorrr? Querr mais ?

— Seu padre, eu tô comendo uma beata, é pecado?

— o quêrrr ? Vocêrrr é caniballll, hein?

— Não seu padre, eu tô fazendo um calamengau com ela toda noite!

— Com elarrr quem ???

— O calamengau é com Zulena !

— Mingaurrr de Maizenarrr não é pecadorrr não seu Assilonrrr !

— Mas seu padre, eu tenho feito com ela é por trás…

—- Porrr trássss? Arrrrr seurrr Assilonrrr ! Pois o senhorrr é um sujeitorrr traiçoeiroorrrr, não errrr ?…

No dia seguinte, devidamente purificado,ante os olhares de gratidão de D. Soeldade, o ex-traiçoeiro, ex-canibal, ex-judiador de gatos e sabiás , o ainda traiçoeiro Assilon lá estava pronto para papar a hóstia sagrada no casamento de Zuleika e Sonevaldo .

J. Flávio Vieira


P.S. – De uma idéia original de Armando Rafael este texto é dedicado ao Capitão Ariovaldo Carvalho, Cidadão Matozense.