Arquivos mensais: agosto 2011

Campanha Legal: Faça o Governador aparecer 10 mil vez por dia – Ajude os professores

Entre na corrente de solidariedade aos professores do Estado do Ceará que estão em greve pelo cumprimento da Lei do Piso Salarial do Magistério que vem sendo descumprido pelo Governador Cid Gomes ( PSB). Os professores dos 184 municípios cearenses já começaram a reagir e reaja você também.


O Governador além descumprir a lei entrou na Justiça contra os professores pedindo a ilegalidade da greve. O desembargador Emanuel Leite Albuquerque concedeu liminar, na última sexta-feira (26), determinando aos professores que normalizem as atividades em até 48 horas de dias úteis, sob pena de pagar multa de R$ 10 mil por cada dia de descumprimento, valor que seria pago pelo Sindicato – Apeoc


A campanha é simples basta enviar esse cartaz para seus contatos, colocar em blogs, Orkut e facebook (não se esqueça de pedir para compartilharem).

COCO PARA MESTRE ALDENIR – por Ulisses Germano

Mestre Aldenir completou 77 anos de idade no dia 20 de agosto. Com mais de meio século brincando de reisado, é considerado por estudiosos como Rosemberg Cariri e Antônio de Nóbrega como uma das personalidade mais autênticas do folclore nacional.
 *****
Mestre Aldenir 
Ninguém pode confundir
É o Mestre da Cultura
Que nasceu no Cariri
Desde menino
No tempo da lamparina
Trabalhava no engenho
Calejando as suas mãos
Quis o destino
Que o reisado o encontrasse
Pra daí nascer o enlace
Do folclore e o coração
Mestre Aldenir
Ninguém pode confundir
É o Mestre da Cultura
Que nasceu no Cariri
Quem o conhece
Sabe bem da sua glória
No Crato fez sua história
Espalhou muita emoção
Agora vive
Consagrado e bem amado
Respeitado e admirado
Sendo a própria tradição
Mestre Aldenir
Ninguém pode confundir
É o Mestre da Cultura
Que nasceu no Cariri
Sua amizade
Para mim é um tesouro
Vale mais que todo ouro
Ninguém pode nem medir
Quando ele brinca
De espada sai faísca
É assim que ele arrisca
Sua vida sem sentir
Mestre Aldenir
Ninguém pode confundir
É o Mestre da Cultura
Que nasceu no Cariri
A companheira
Que tanto o admira
É a musa que o inspira
Se chama Mestra Isabé
Ela é a prova
Do amor que vence tudo
Seu espelho é o escudo
Firme e forte de mulher
Mestre Aldenir
Ninguém pode confundir
É o Mestre da Cultura
Que nasceu no Cariri
Eu me dispeço
Desejando que ele viva
Juntinho da sua diva
Muitos anos bem feliz
É que prossiga
Ensinando humildemente
A alegria pra essa gente
Como ele sempre quiz

EXPOANIME Cariri

CRONOGRAMA EXPOANIME CARIRI
SEXTA FEIRA 02/09
ATIVIDADE
HORA
LOCAL
Exibição
18:00
Teatro
Stands
18:00
Patio
SABADO 03/09
ATIVIDADE
HORA
LOCAL
Ofi. Animação
09:00 – 10:00
Teatro
Ofi. Japonês
09:00 – 10:00
Sala 2
Autografo
10:00 – 11:00
Quadra
S. Inscriçoes
09:00 – *
Pátio
Passaportes
09:00 – *
Patio
Gladiador
09:00 – *
Terreiro
Sala de Games
09:00 – *
Sala 1
Sala Informatica
09:00 – *
Sala Inf
Tiro ao Alvo
09:00 – *
Estaciona
Exibições
11:00 – *
Teatro
Worshow(EDU)
13:00 – 14:30
Quadra
Ofi. Paper Craft
14:45 – *
Sala 2
Karaoke Livre
14:45 – 16:30
Quadra
Concur. Karaoke
16:30 – 17:30
Quadra
Concur. G Expo
18:00 – 19:00
Quadra
Anime Dance
19:30 – 20:30
Quadra
Concur. Frestep
20:30 – 21:30
Quadra
DOMINGO 04/09
ATIVIDADE
HORA
LOCAL
Ofi. AMV
09:00 – 10:00
Teatro
Ofi. Origami
09:00 – 10:00
Sala 2
Autografo
10:00 – 11:00
Quadra
S. Inscrições
09:00 – *
Pátio
Passaportes
09:00 – *
Patio
Gladiador
09:00 – *
Terreiro
Sala de Games
09:00 – *
Sala 1
Sala Informatica
09:00 – *
Sala Inf
Tiro ao Alvo
09:00 – *
Estaciona
Exibições
11:00 – *
Teatro
Palestra(Herme)
13:00 – 14:30
Quadra
Karaoke Livre
14:45 – *
Quadra
Ofi. Maquiagem
14:45 – 15:45
Sala 2
Fotos cosplay
17:00 – 18:00
Concu. Cosplay
18:00 – 20:00
Quadra
Show
20:30 – 21:30
Quadra

A solidão da dor – Emerson Monteiro



É isto, sim, invés de tratar do tema a dor da solidão, tocar um pouco neste tema, a solidão da dor. Naquele momento em que se acha face a face com a solidão de verdade, livre das contradições e dos conceitos. Portas e janelas fechadas ainda que ao sol do meio dia. Quando nem adiante gemer, muito menos chorar… E a dor dói de consumir por forte que se seja. Ali, na beira de nós mesmos, esses grandes desconhecidos, no limiar do Eterno, enquanto a dor dói de não ter tamanho. Onde uivam lobos e choram homens, mulheres e meninos. Sem idade, a dor traz o perdão, reduz a nada e atiça o peito das resistências, num desafio esplendoroso… Doloroso, quero dizer.

Isso de quando as vaidades caem de joelhos e querem entrar de buraco adentro, na fronteira da inexistência. Pouco ou muito importa o tamanho da herança, e a dor dói de não ter juízo que aguente… Irmã dor, qual dizia Francisco de Assis, nas suas longas viagens espirituais.

Os laços com tradição e experiências anteriores somem no abismo infinito onde, soberana, a dor dói… Pássaros cantam pelos quintais em festa; o vento sopra nas árvores; ressurge bonito o Sol; a Lua, linda, desfila no céu… Times jogam na televisão do domingo de tarde… Tocam sinos nas igrejas… E dói a dor com fome feroz de paciência a roer o coração dos humanos.

Meu Deus, como estreita o caminho e tudo de repente nos abandona quando dói a dor e o sofrimento pede passagem na avenida, encostas das florestas escuras do desassossego.

Pedir a quem tem para oferecer. Pedir sempre, que ninguém sabe quando a dor chega trazendo consigo o custo das impiedades desse solo dourado. Surgirá silenciosa no instante certo, mãe e mestra, amiga da plena glória, no tempo da colheita nos calendários que nos abandonarão.

Ah, amigo, quando a dor mostra seu rosto, na vitrine daquela solidão, não há bom, não há melhor… Viva, pois, de saber que maiores são os poderes da certeza, e junto deles manda, senhora, a dor que nos prepara o dia de invadir o leito da saudade na paz dos mistérios em constante movimento.

Paulo Freire : 90 Anos


No período de 12 a 18 de setembro de 2011, a cidade do Crato, no Cariri cearense, sediará a I Semana Freiriana do Cariri. O evento é uma iniciativa da Escola de Políticas Públicas e Cidadania Ativa – EPUCA, com patrocínio do Banco do Nordeste, do Governo do Estado do Ceará e da Revista Nordeste VinteUm. Todas as atividades da Semana serão gratuitas, à exceção das Oficinas Pedagógicas.

Assim, serão realizadas três Rodas de Conversa sobre temas relacionados à Educação, tendo por base as contribuições teóricas e práticas de Paulo Freire e o pensamento de especialistas convidados. As Rodas de Conversa acontecerão no Salão de Atos da URCA (Campus Pimenta), e terão como palestrantes a educadora Fátima Freire Dowbor, filha de Paulo Freire, o educador mineiro Tião Rocha, do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento – CPCD, e o educador e pesquisador freiriano João Figueiredo, da Universidade Federal do Ceará.

Além disso, serão realizadas 14 Oficinas Pedagógicas dirigidas a professores/educadores das redes pública e privada de ensino do Cariri e demais interessados, com ênfase nas áreas de metodologia e didática do ensino e nas novas temáticas e abordagens da Educação.

Todas as Oficinas serão realizadas no horário de 8h00min as 12h00min e de 13h30min as 17h30min, na Universidade Regional do Cariri (Campus Pimenta), e terão duração de 16 horas (2 dias) cada. Isto significa que cada pessoa poderá participar de até três Oficinas. Os valores das inscrições, por pessoa, serão: R$ 40,00 para uma Oficina, R$ R$ 70,00 para duas Oficinas e R$ 90,00 para três Oficinas.

A agenda noturna da Semana terá também uma Mostra de Vídeo com a exibição de 4 vídeos sobre Paulo Freire (biografia, educação, inspirações e legado). Cada sessão de vídeo será seguida de diálogo com os presentes, mediado por estudiosos do pensamento e da obra de Paulo Freire. A Mostra de Vídeo terá lugar no Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva (antigo Cineteatro do Crato).

Durante toda a Semana, tanto a URCA quanto o Teatro Municipal servirão de palco para o Festival de Saberes, Sabores, Sons e Cores da Gente. Serão realizadas atividades artístico-culturais que evidenciem o jeito de ser e de viver de comunidades urbanas e rurais dos municípios do Cariri, através de suas tradições, sua culinária, sua música, seu artesanato e outras formas de expressão.

“Essa é uma dimensão da compreensão freiriana de Educação que precisa ser reconhecida, valorizada e fortalecida”, destaca Joelmir Pinho, diretor geral da EPUCA e membro da comissão organizadora do evento. A programação completa do Festival será divulgada em material específico, no início de setembro de 2011.

Paulo Reglus Neves Freire (Recife, 19 de setembro de 1921São Paulo, 2 de maio de 1997) foi um educador e filósofo brasileiro. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. Autor de “Pedagogia do Oprimido”, um método de alfabetização dialético, se diferenciou do “vanguardismo” dos intelectuais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial[1], tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica.

Serviço

I Semana Freiriana do Cariri, de 12 a 18 de setembro de 2011 | Crato – Cariri – Ceará.

Informações e inscrições

Rua Santos Dumont, 87C | Centro – Crato-CE.

88 9953-0610 | 88 8110-4321 | 88 9624-4866 | 88 8806-1902 | 88 9216-2400 | 88 9211-7600

www.semanafreiriana.wordpress.com | [email protected] | [email protected]

Lógica Maior



Janildo Queiroga era uma espécie de Mithbuster de Matozinho. Todas as pendengas mais delicadas da vila vinham, inevitavelmente, bater às suas mãos para a devida apreciação. Sertanejo de quatro costados , o homem nunca fora afeito aos meandros da filosofia, mas , intuitivamente, descascava toda a Lógica aristotélica. Seus pareceres rápidos em geral e ácidos como solução de bateria saltavam em meio às conversas formais e informais. Como não cobrava pela consultoria, vivia da renda de um quiosque sortido numa das travessas da Rua Cel Uglino: “O Quiosque do Qui-Qui”.

Contavam-se às resmas suas apreciações sobre as mais variadas e intrincadas ingrizias . Tantas e tantas que se foram perdendo , à medida que o cupim inexorável do tempo foi carcomendo as memórias vivas de Matozinho. Para que não se perca definitivamente todo o compêndio de Lógica Menor de Queiroga é que resolvi salvar alguns trechos num material menos perecível que a língua : o papel.

O filho de Janildo chegara um dia revoltado . Fora atravessar a cerca do roçado próximo à casa quando melara aos mãos em excremento colocado maldosamente nos paus do passador. Abramos aqui um leque para explicar este artefato que , com o desaparecimento das cercas de vara, praticamente evaporou-se junto. Pois bem, o passador era uma espécie de escadinha de varas que ascendia de um lado ao outro da cerca, permitindo a passagem de pedestres, em pontos estratégicos. Subia-se pelos degraus de um lado e descia-se pelos do outro. Entenda-se que existem safados por todo canto e que calabreiam de binga as varas da escada para que as pessoas que a vão cruzar terminem por se contaminar inadvertidamente. O menino não se conformava , reclamando enquanto lavava as mãos repetidamente:

— Filhos da puta ! Queria pegar um desgraçado desse. Quem já se viu? Cagar e melar o passador !

Queiroga, calmamente, lavrou seu parecer :

— Meu filho ! É impossível cagar sem melar o passador, num é?

Num sábado, Janildo acompanhava um dos únicos esportes náuticos de Matozinho : a pesca no Rio Paranaporã. Já no mês de agosto, água baixa, o Rio transformava-se em poços esporádicos e a moçada, cheia de mendraca na cabeça, ficava jogando landuá e pegando traíra e cangulo. Na beirada do poço , o fogo feito e a panela fervendo já esperavam os primeiros peixes para o preparo. Era uma algazarra só. De repente, na despescagem, um piau grande escapou das mãos de João Socó que, como bom pescador, gritou de lá:

— Diale ! O bicho escapou ! Parecia uma baleia , tinha uns cinco palmos e pesava bem uns vinte quilo !

De seu lado, um Queiroga observador e atendo lavrou sentença:

— Deu tempo a medir , deu tempo de a pesar, só num deu tempo a pegar, num é Socó ?

Ano de seca braba, alguém chegou no quiosque afirmando que ia chover com certeza, pois tinha observado o céu na noite anterior e notara que a lua pendera. O matuto tem essa história: em lua crescente, se se observar bem a lua fica parecendo um balde de água prestes a derramar o líquido por uma das pontas; por alusão, se depreende que aquela água toda vai cair na terra em forma de chuva. Janildo , porém, matou a charada:

— Conversa , rapaz! Em 1958 a lua pendeu tanto que nós tivemos que escorar para ela não cair e a chuva toda do inverno não deu prá encher um dedal !

Dias atrás, Sulino chegou no quiosque trazendo notícias da capital. Fora visitar um filho que casara recentemente. A noiva havia morado no Rio de Janeiro e , antes do matrimônio, havia contado ao noivo que, infelizmente, não era mais moça. Perdera a virgindade numa queda de bicicleta. O noivo, apaixonado, engolira a história, mas Sulino, cabreiro, voltara ainda com a pulga detrás da orelha. Resolveu, então ,consultar o mithbuster de Matozinho:

— Compadre Qui-Qui , uma mulher pode deixar de ser moça só porque caiu de uma bicicleta?

— É difícil, Sulino, mas onde é que foi mesmo essa queda desastrada?

— No Rio de Janeiro, compadre, na mata da Tijuca…

— Ah! Compadre! Perfeitamente! Lá é muito arriscoso e é danado prá acontecer. Basta cair em cima de uma moita!

— Moita de quê? De mufumbo, Qui-Qui ? De quina-quina?

Queiroga, mais uma vez, concluiu com a lógica irrefutável:

— Não , compadre ! De rola, de rola dura…



J. Flávio Vieira

O gosto das palavras novas – Emerson Monteiro

Há inúmeras formas de ganhar o dia. Dentre as muitas maneiras de tornar saboroso o tempo diário bem pode significar adquirir novas palavras para contar as velhas histórias desse chão. Entre a pessoa e os objetos, ali, imperam as palavras, entes sagrados, o significado de aprender para ensinar aos outros o conhecimento adquirido, nas presenças desta vida.

Assim, quando passamos a outros só os objetos e suas movimentações, transmitimos o que vemos no jeito que podemos. No entanto quando, a isto, acrescentamos o sentimento e repassamos palavras, no reflexo do que vemos, produzimos poesia.

Caso trabalhemos com os frios fenômenos da natureza, descrevendo e ensinando, repetimos, transmitimos técnicas, construímos nos outros a ciência. Quando, porém, dizemos daquilo que nasce dentro, no coração da gente sua forma abstrata, sem comparações com o mundo real, visível, material, trabalhamos os setores da alma. A arte vem desse lugar. Arte, o empenho dos artistas pretenderem que os demais sintam o que eles sentem, e, nisso, elaboram peças de sabor espiritual, os conhecidos bens simbólicos.

O nível de receber essas produções varia ao infinito, no grau de cada indivíduo percebê-las. Esse poder de captar o fazer artística que resolveram batizar de sensibilidade, palavra que representa o padrão de receber os impulsos da criação artística nos seus vários segmentos e manifestações. Música. Pintura. Escultura. Cinema. Literatura. Artesanato. Esportes. Teatro. Televisão. Radiofonia. As elaborações da criação nas diversas modalidades, naquilo que tocam adiante a emoção sem a importância prática imediata de modificar os cursos da matéria no meio dos fenômenos. Sem nutrir o corpo físico, resultar noutros objetos, gerar movimentos imediatos no mundo das ações e dos interesses apenas mecânicos das circunstâncias.

A arte reflete dinamismo, espaço das possibilidades internas das criaturas humanas. Bem dentro do si mesmo das consciências. No âmbito do prazer mais íntimo. Aspecto personalíssimo, insubstituível. Sentir, ou não sentir; ninguém conseguirá depor no lugar da terceira pessoa quanto ao que esta sentirá, ainda que a isso pretendam os bilhões de seres pensantes.

Daí o senso da beleza, a chamada percepção estética, guardar proporções pessoais, particulares. E as palavras novas falarem das oportunidades desconhecidas chegarem ao coração para ofertar riquezas inexistentes, os valores até então ignorados, ricos de letras e melodias, imagens e cores, traços e luzes, sonhos e esperanças… O gosto desse tesouro adormecido trazido pelas palavras novas.

NA PRAÇA



NA PRAÇA

(Para Dona Janete Militão) – 26/08/2011

Na praça a graça dos passantes

Antes pássaros cantavam

Encantavam a alma

Armada de desejos

Nos beijos de amores

Odores de ar gostoso

Gosto de pipoca

No nariz

Refiz minhas passadas

Passadas imagens, lembranças

Criança depois homem

Chamem meu tempo

FOTO: Dihelson Mendonça