Música Negro Drama é tema de análise da Revista Língua portuguesa

Não é de hoje que Hip Hop se transformou em objeto de estudo para teses de graduações, especializações,mestrados e até doutorados.O tema Hip Hop passou a ser visto além das linhas que antes delimitava e marginalizam esta cultura tão popular. As variadas vertentes dos quatro principais elementos do Hip Hop deram a possibilidade de especialistas descobrirem algo que os pertencentes a cultura já conheciam de longa data, como por exemplo,o poder transformador no Hip Hop, a rica linguagem expressada nas letras e melodias do Rap, os passos criados e perpetuados pelos B.boys, a importancia e os ótimos resultados da incorporação do Hip Hop nas salas de aula.

Neste mes o Rap foi o objeto de estudo da Revista Língua Portuguesa, na coluna Obra aberta a música Negro Drama do grupo Racionais Mc’s ganhou a percepção e observação de Edgar Murano que destrinchou cada estrofe para entender a idéia que o Racionais Mc’s tentou passar na canção.

Crime Futebol e Música

Em Negro Drama, o genero rap ganha contornos épicos

E com a tríade, “crime, futebol,música” que o vocalista Mano Brown, do Racionais MC’s,

inicia Negro Drama,tratado na forma de rap sobre condição social do negro.Na quinta faixa do disco “Nada Como um Dia Após o Outro”,vencedor do premio Hutúz de melhor albúm em 2002,Edy Rock e Brown se revezam nos vocais para narrar o estigma e os caminhos perigosos que aos negros são dados trilhar.

Versos como “Negro drama, entre o sucesso e a lama/dinheiro, problemas, inveja,luxo, fama…”resumem os extremos da existencia dessa população,cuja falta de perspectivas reduz suas chances ao crime,ao esporte ou a música- o fátídico tropé no qual se apoia a composição.

Na primeira metade, Esy canta os traços caracteristicos desse “complexo”.” o trauma que eu carrego pra não ser mais um preto fodido/o drama da cadeia e favela/túmulo,sirene, choros e velas”. A regularidade do ritmo e das rimas dessa parte servirá para aprofundar o contraste com a métrica complexa, os versos longos e as imagens grandiosas de Mano Brown na segunda parte (objeto de análise neste artigo),marcada pelo tom de testemunho.

Com recursos cinematográficos e literários,embalados pelo “cantofalado” do rap, a dicção de Brown se faz sentir em expressões lapidares e num potencial dramático que não se contenta em só descrever ou aludir.”Eu não li, eu não assisti, eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama.”

Crime,futebol,música…caraio, Eu também não consegui fugi disso aí. Eu sou mais um.Forrest Gump é mato. Eu prefiro contar uma historia real., vou contar a minha.

O trecho é apresentado sob a entonação da fala comum, sem a modulação peculiar do rap.Daí em diante o relato vai adquirindo um tom mais inflamado,mais cantado, numa crescente retórica cada vez mais agressiva e contudente. Brown se vale da alusão ao filme Forrest Gump: O contador de Histórias para ironizar a ficção, a qual seu relato se opõe.

Daria um filme Uma negra e uma criança no braço solitaria na floresta de concreto e aço veja, e olhe outra vez, O rosto na multidão

A expressão “Daria um filme!” delimita o inicio da ação,funcionando como uma claque de cinema. Em seguida o rapper descreve uma cena que, a julgar pelo caráter autobiográfico da letra,corresponde á sua chegada a São Paulo nos braços da mãe.A cidade ganha contornos dantescos,feéricos como se ambos estivessem perdidos numa selva escura(“solitária na floresta de concreto e aço”).

A multidão é um monstro, sem rosto e coração. Hey,São Paulo Terra de arranha céu, a garoa rasga a carne, é a Torre de Babel, familia brasileira, dois contra o mundo mãe solteira de um promissor vagabundo.

O mito de Babel é uma metáfora da falta de comunicação entre os habitantes da metrópele. A sensação da garoa no rosto torna o retrato mais pungente,aumentando o sentimento de desamparo.

Luz,camera e ação gravando a cena vai um bastardo mais um filho pardo sem pai

Uma vez a remissão á linguagem do cinema reitera a semelhança do relato a uma obra cinematográfica,ao drama de “mais um filho pardo sem pai”, uma história como a de muitos outros.

Ei senhor de engenho eu sei bem quem voce é,

Com “senhor de engenho”(personificação da elite branca) Brown assinala o abismo entre classes.Ao mesmo tempo,considera-se um ser anacronico, aquém das novidades tecnológicas.Para isso, vale-se da metáfora do leão, selvagem e indomável,grande demais para o quintal da elite.

Analise completa no site da revista Fonte da noticia:www.rapnacional.com.br Fonte primaria:Revista Lingua Portuguesa Texto:Edgard Murano

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