Arquivos mensais: março 2011

Agenda Geraldo Junior – Abril/Maio Ceará e Paraíba

Shows Geraldo Junior e Banda, Abril/Maio Ceará e Paraíba:
Dia 27/04 CCBNB – Centro Cultural Banco do Nordeste – Fortaleza CE às 12h
Dia 27/04 CCBNB – Centro Cultural Banco do Nordeste – Fortaleza CE às 18h30m
Dia 28/04 CCBNB – Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri – Juazeiro do Norte CE às 19h
Dia 29/04 CCBNB – Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa PB às 19h
Dia 30/04 CCBNB – Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa PB às 19h
Dia 01/05 Teatro Violeta Arraes – Fundação Casa Grande – Nova Olinda às 19h

Abraços,

Homens peixes – Emerson Monteiro

Isto porque há peixes que morrem pela boca… E nos dias acelerados dos tempos atuais, quantos milhões, bilhões, talvez, encontram prazer no desfrute da boca, feitos peixes que se entregam aos anzóis, num total descaso pela integridade física e pelas consequências às quais desprezam a própria vida.
Na farra da satisfação dos sentidos, pensar quase não conta, no agir das multidões. Máquinas produzem mercadorias e os corpos engolem feitos feras; uns, na busca do lucro; outros, no desejo incontido da busca desarvorada de guloseimas preparadas na indústria. Para surpresa de tantos, as criações artificiais dessa culinária mecânica criam sabores jamais vistos, semelhantes aos mais incríveis cardápios, combinando moléculas em laboratórios, formando apetitosos pratos de gostos assemelhados com as ofertas anteriores dos sabores de carnes e de vegetais, fontes ideia do que querem os seres humanos. Achar hoje um chocolate originário do cacau nativo exige tempo e dinheiro, porquanto a engenharia alimentar desenvolveu sabores de chocolate procedentes dos componentes sintetizados, resultando no cheiro e no paladar aperfeiçoados, por vezes até mais do que se viessem fabricados com o fruto do cacaueiro.
E nesta pisada andam os negócios entre as pessoas e a tecnologia, criatura das próprias pessoas; assim, a máquina começa dominar seu criador. Nisso os homens correm feitos peixes às iscas que elaboram, virando autores e vítimas das doenças, as célebres viroses, que invadem os territórios minados da paz orgânica, deflagrando cruzada inimaginável de combate aos males que os afligem desde a primeira infância. Quase comum, na passagem da adolescência à idade adulta, os jovens terão seus corpos, antes esbeltos e bem desenhados, livres de deformações e frustrações, torturados na escravidão alimentar grosseira da modernidade, causa das deficiências que escravizam as famílias da atualidade.
Na cultura, sobretudo ocidental, impera o desconhecimento por inteiro do valor nutritivo dos cereais integrais, das frutas e verduras, os riscos cancerígenos do açúcar, com raras, raríssimas, exceções de poucas famílias e grupos sociais. Existe a cruel mentalidade de comer o que aparece à frente, pela ânsia famélica de satisfazer o desejo sem pesar nem medir as consequências orgânicas das refeições. Comer virou atividade arriscada. Comer por comer, jogar dentro do corpo o que vem de fora, independente das cogitações necessárias, esquecidos de que alimento é medicamento e vida saudável todo instante.
A crise da saúde pública desta era, com isso, representa mais a crise da cultura de massa que tanto prevalece nos países atrasados, quando nos desenvolvidos, haja vista haver, nos Estados Unidos, algo em torno de 60% de sua população formada de obesos, o subproduto da ignorância nutricional daquele povo.
O Brasil já acompanha de perto essa margem preocupante na aberração dos hábitos pessoais quando usam os alimentos. Portanto, morrer pela boca deixou de ser costume autodestrutivo tão só dos peixes, e larga faixa de apreciadores, no gênero humano, também renunciaram aos fundamentos originais das leis alimentares da natureza.

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO SONORIDADES

CONEXÕES MUSICAIS: BELCHIOR, APENAS UM TROVADOR LATINO-AMERICANO
Belchior não é apenas um cantor e compositor brasileiro; é um grande poeta e autor de manifestos musicais representativos de toda uma época e de várias gerações de jovens. Nasceu em Sobral, Ceará, em 26 de outubro de 1946. Depois dos baianos tropicalistas, foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional, em meados da década de 1970.
Durante sua infância no Ceará foi cantador de feira e poeta repentista. Estudou música coral e piano. Foi programador de rádio em Sobral, e em Fortaleza começou a dedicar-se à música, após abandonar o curso de medicina. Ligou-se a um grupo de jovens compositores e músicos, como Fagner, Ednardo, Rodger Rogério, Teti, Cirino, entre outros, conhecidos como o Pessoal do Ceará.
Ainda criança conheceu o Cariri, trazido pelo pai, numa inesquecível viagem de trem. Desde então, sempre tem retornado à região; ultimamente para realizar shows, em apresentações que reúnem grande público, a exemplo das que aconteceram na Expocrato, em 1997, e na Festa de Santo Antonio, em Barbalha, em 2005.
Sua obra é, portanto, admirada pelos caririenses, tendo influenciado muito compositores locais, tanto pela sua elaborada música e intrigantes arranjos e interpretação, como pela sua poesia ao mesmo tempo contundente e lírica.
O programa Cariri Encantado Sonoridades, em conexões musicais, apresenta Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou apenas Belchior, um trovador latino-americano.
Programação Musical
1. Apenas Um Rapaz Latino Americano
2. Todo Sujo de Batom
3. Na Hora do Almoço – Participação: Ednardo
4. Sujeito de Sorte
5. Alucinação
6. Não Leve Flores
7. Caso Comum De Trânsito
8. Divina Comédia Humana
9. Terral – Participações: Ednardo e Amelinha
10. Tudo Outra Vez
11. Comentário a Respeito de John
12. A Palo Seco – Participação: Los Hermanos
Obs.: Todas as composições são de autoria de Belchior, exceto Terral (Ednardo) e Comentário a Respeito de John (Belchior e José Luiz Penna)
Ficha Técnica
O programa Cariri Encantado Sonoridades é produzido pelas Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados – OCA, e transmitido todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas pelas ondas sonoras da Rádio Educadora do Cariri AM 1020.
Pesquisa, redação e apresentação de Carlos Rafael Dias. Operação de áudio de Iderval Silva.

SAGA DE GUERREIROS

DANÇA AFRO CONTEMPORÂNEA

SAGA DE GUERREIROS

Boa Noite a todos e a todas!

Hoje é noite de SAGA.
Noite de “dizer” algo importante, um fato.

Noite de uma canção heróica baseada nalguma narrativa.
Noite de histórias e narrativas ricas de um povo guerreiro, dessas
tantas gentes.
Noite de arte e realidade, sonhos e verdades, lendas e reflexões.
Noite de Guerreiros.

Portanto, me diga:
De onde vem o baião?
Vem debaixo do barro do chão.

É como se Deus irradiasse uma forte energia Que sobe pelo chão
E se transforma em ondas de baião, axé, maculelê, afoxé, xaxado, capoeira, candomblé.
Que balança a trança do cabelo da menina, e quanta alegria!

De onde é que vem o baião?
Vem debaixo do barro do chão
De onde é que vêm o xote, o axé, o cheiro, a saga, a luta, a dança afro?
Vêm debaixo do barro do chão.

De onde vêm a esperança, a sustança espalhando o verde dos teus olhos pela plantação?
Vêm debaixo do barro do chão.

Saga de Guerreiros conta a história primeira dos primeiros moradores do Bairro Maria Pinheiro a partir de lutas travadas contra a desigualdade social, a força das
águas e contra os sonhos negados sorrateiramente pela história.

É um espetáculo pensado em parceria pelo Ponto de Cultura ACAI e o
Grupo de Dança e Percussão Afro Encantarte. O resultado é esse espetáculo montado
a partir de ideias discutidas e analisadas por todos os membros dos referentes grupos, abusando da riqueza natural que nos cerca e da criatividade
popular, da arte de amar e de se fazer a vida.

Retrata a memória daqueles e daquelas que se fizeram presentes na busca por soluções, mesmo que de forma pequena, para a melhoria da vida de
todos que se banharam nas águas forçadas do Rio Cachoeira.

Retrata ainda, a magia da força do povo negro na conquista pelo respeito e garantia de seus direitos baseados na lei e na justiça.

Com patrocínio do Ministério da Cultura – Programa
Mais Cultura– Programa Cultura Viva – Secretaria
de Cultura do Estado da Bahia – Fundação Cultural
do Estado da Bahia – Programa Pontos de Cultura
da Bahia e ACAI, desejamos a todos e a todas um
maravilhoso espetáculo

Chrystian Marques – Artista do Cariri Contemporâneo

A contemporaneidade criar artistas inquietos e antenados nas mais diversas poéticas. Chrystian Marques é fruto deste tempo. Ele bebe do universal e regional para compreender uma produção visual que esteja ligada a compreensão do Cariri/CE. Chrystian mescla o seu trabalho entre convencional e as novas tecnologias.
Alexandre Lucas – Quem é Chrystian Marques?

Chrystian Marques – Cratense, persistente, roqueiro, jazzista, regueiro, cristão, ousado no que diz respeito à luta e a arte. Amigo do bem, Aprendendo sempre, sonhando sempre e realizando quando posso.

Alexandre Lucas – Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Chrystian Marques – Teve início o despertar mesmo para a arte em 1980 quando por ocasião de um curso que fiz aqui no Crato no antigo espaço da Biblioteca Municipal e no Museu de Arte Vicente Leite. Já tinha forte influência de meus pais, principalmente de minha mãe que pintava na sua juventude. E já me via pensando que aquilo seria importante pra mim como algo que fosse realmente profissional. Gostava de pensar que queria ser desenhista, artista num todo. O curso que fiz me ajudou a começar aprimorar a visão dos traços e a visão da arte como algo feito pela contemplação e não apenas como algo de cópia que pudesse imitar. Olhar sinhá D´amora, outros artistas daquele museu riquíssimo, me marcou muito. Aquele artista pediu que amassássemos um papel e que começasse a desenhar do jeito que ficou para aprendermos a ver os traços e as sombras que nasciam com a incidência da luz. Dai logo após outro curso fiz minha primeira exposição no SENAC em Crato, numa coletiva.

Alexandre Lucas – Quais as influências do seu trabalho?

Chrystian Marques – Estudo sempre por conta própria e estou sempre a devorar trabalhos e isso significa dizer que temos sempre uma influência, alguém que admiramos, alguém que nos faz sentir fortes emoções ao olhar para um artista como Sinhá D´ámora, Pablo Picasso, Portinari, Chagal, Munch. O expressionismo é uma fonte da qual bebo sempre. Estou ligado as minhas raizes e nesse regionalismo há vários artistas como cearenses importantíssimos como Sérvulo Esmeraldo, Karimai. Cristafari, Coldplay, Chapada do Araripe, Rock, Gilberto Gil, Reggae , amor, revista em quadrinho. Ter uma influência artística não significa dizer que imite tal trabalho, ou movimento. Procuro fazer arte com minha própria visão que venho aperfeiçoando.

Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória?

Chrystian Marques – Vai sendo a cada dia no caminho que planejamos, mas que seguidos por uma transpiração com uma pouca inspiração vou trabalhando. Produzindo sempre.
Vou fazendo arte do meu jeito. Vou fazendo uma trajetória de realização pessoal. Fiz a partir de 1980 exposições, cursos, workshops e não paro por ai. Em 2007 participei de uma coletiva no Centro Cultural dos Correios, Rio de janeiro e em 2008 fui selecionado pelo Centro Cultural BNB com desenhos meus. Participei de 4 edições da Mostra Cariri das Artes. Fui nessa onda apesar dos percalços. Artistas que criavam realmente eram poucos, estavam talvez cansados de exporem seus trabalhos pois preferiam vender a amigos, doar, etc. Acredito que uma turma da qual fazia parte como eu, Augusto Bezerra, Junior Erre, Edelson Diniz, Alexandre, outros se movimentavam na Mostra Sesc , em ateliês, expondo nossos trabalhos mesmo contra a maré da desvalorização. Fiz minha escolha de colocar meus trabalhos não nas praças ou outros lugares a não ser naqueles que o artista é realmente respeitado, como espaços interessantes. Um artista deseja não apenas passar emoções, idéias, mas ganhar dinheiro como uma profissão como qualquer outra. E por isso minha trajetória é essa que vai sendo feita por esse caminho.

Alexandre Lucas – Como você caracteriza seu trabalho ?

Chrystian Marques – Tento, investigo o meu tempo, falar do meu tempo, procuro ser puramente regionalista mesmo que fale do universal.

Alexandre Lucas – Qual a importância do seu trabalho artístico?

Chrystian Marques – A arte feita com uma consciência de discutir, provocar, trazer à superfície da vida elementos do bem, com intuito de falar, trazer o melhor para o homem é um dos motivos pelo qual me baseio. Pra mim isso é importante.

Alexandre Lucas – Como você observa a produção de artes visuais no Cariri?


Chrystian Marques –
Super abundante. Muitos artistas que conheço como Guto Bitu, Junior Erre, outros, estão sempre produzindo. A qualidade de artistas que o Cariri tem é impressionante. O bom disso tudo é que vejo artistas com olhar no cariri, ou seja, ninguém precisa ser bombardeado de culturas de outros territórios sendo moldado conforme essas culturas. Há uma excessiva perda de identidade clara, mas no caso dos artistas vejo regionalismo artístico em seus trabalhos porque estamos falando do que deveríamos discursar mesmo que tenhamos visão universal. Isso se transforma se mistura sem se tornar uma coisa homogenia.

Alexandre Lucas – Como surgiu a idéia de criar o blog de Artes visuais no Cariri?

Chrystian Marques – Surgiu da necessidade de viver, discutir, divulgar, provocar, trazer a discussão e a valorização das artes plásticas no cariri por meio da internet. Assim estamos mais ligados com a arte que acontece nas metrópoles e a que acontece no interior. Seguindo a onda muito forte de criação de blogs de todo os tipos aqui no Cariri, também fui incentivado a isso. O Blog há três anos está online, uns 15 mil acessos já foram registrados. Já foi visto por grandes jornalistas como grandes artistas no sudeste. Assim também é uma forma virtual também de exposição dos nossos trabalhos como uma exposição física. Procuro agregar sempre os artistas nesse blog para juntos levarmos nossa arte pro mundo. Gostaria que muitos participassem dele como comentaristas, publicassem suas idéias, seus trabalhos. Vai ai o link. www.artesvisuaiscariri.blogspot.com.

Alexandre Lucas – Como você ver a relação entre arte e política?

Chrystian Marques – Arte é uma manifestação que tem sua liberdade própria, não precisa de paradigmas, ela é arte. mas precisamos da política para que a estrutura das organizações possam encaminhar bem projetos, instituições, museus, estado, quando se fala em política honesta e democrática. A arte e a política sempre estão unidas.
Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Chrystian Marques – Estou trabalhando numa série que justamente fala sobre o cariri, um cariri contemporâneo.

www.artmajeur.com/chrystianmarques

Dia 27 de março dia do grafite

Mesmo sem ser oficial, o dia 27 de março é celebrado para preservar a trajetoria da arte de rua brasileira e reafirmar lei extinta pela prefeitura. Pouca gente sabe que São Paulo já teve oficialmente, o dia do grafite, a data 27 de março,não faz mais parte do calendário da cidade – em 2007, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) acabou com a lei que determinava a homenagem, a fim de seguir à risca a Lei Cidade limpa -, mas continua sendo celebrada por muitos artistas. Desde 2004, a ONG Ação Educativa comemora o dia com atividades gratuitas no centro paulistano.

O dia do grafite foi criado informalmente em 1988 para homenagear Alex Vallauri, um dos pioneiros da arte de rua no Brasil, morto em decorrência da aids, em 27 de março de 1987. No aniversário de um ano de sua morte, um grupo de artistas veteranos, entre eles Ozi, Mauricio Villaça e Julio Barreto, se reuniu para grafitar instalações públicas de são Paulo, como o túnel da avenida Paulista.

texto adaptado da internet

Um novo livro de Flávio Morais – Emerson Monteiro

Quem estudar a literatura caririense encontrará um filão de autores dos mais variados matizes, bons e férteis, às vezes solitários e até desconhecidos, que, no entanto, circunscrevem profundas e inestimáveis criações da tradição culta e popular de nossa gente. São memorialistas, historiógrafos, contistas, novelistas, romancistas, poetas, jornalistas, cientistas sociais, juristas, a formar rico material de perpetuação da cultura deste pedaço surpreendente de chão, que agasalha civilização altiva e heróica em natureza aconchegante, a se expandir para o mundo inteiro. Acervo dos melhores, reúne herança da história social das gerações e supera os limites da perecividade.
Dentre esses nomes formadores das nossas letras alguns ganham destaque pelo conjunto da obra e pela qualidade do que publicam, tamanho do que contém na utilidade futura e no intento das suas publicações. E no meio dos tais profícuos e organizados homens da escrita caririense se acha José Flávio Bezerra Morais, ora a lançar mais uma de suas obras, para gáudio de todos os apreciadores beletristas.
Caririense provindo de Milagres, Ceará, nascido a 23 de julho de 1970, filho de Francisco Ivo Morais e Maria Socorro Bezerra Morais, Flávio marca a literatura regional com trabalhos de fina valia e denso fôlego. Jovem, porém autor de um vasto acervo, cujo conteúdo revela quatro nítidas vertentes de abordagens de gêneros e estilos.
Primeiro, aos inícios de sua produção literária, enfeixou, em dois saborosos livros, os contos que escutou na oralidade sertaneja do lugar onde viveu a infância, nos rincões do Cariri. “Histórias que ouvi contar”, de 1993, e “Histórias de exemplo e assombração”, de 1997. Dois belos trabalhos escritos com o zelo acadêmico de aluno do Curso de Letras da Universidade Regional do Cariri, eles foram editados com a modéstia de nossas gráficas da ocasião, e levados às bancas para apreciação de muitos, marcos imprescindíveis do gênero fantástico da nossa literatura, agora dignos de figurar em novas edições, uma vez esgotados nas livrarias e bancas.
A seguir, sob o mesmo prisma das histórias anteriores, elaborou “Sete contos de arrepiar”, um clássico deste gênero no Brasil, publicado através de importante casa editora, a Rocco, isto em 2006, já revelando outro dos quatro víeis considerados na sua obra, o de autor infanto-juvenil que ora se consolida com esta obra lançada. O livro ganhou maiores âmbitos, rendendo ao autor participar da 44th Bologna Children’s Book Fair 2007 (44.ª Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil, em Bolonha, Itália, no ano de 2007), consagração digna dos bons escritores mundiais.
Ao sabor das considerações de quantos aspectos dispõe o roteiro autoral de Flávio Morais, em 1989, editou “Milagres do Cariri”, uma abordagem telúrica dirigida à sua terra natal sob pontos de vista físicos, geopolíticos, antropológicos, etc.
Daí, seguiu um outro título, “Nas veredas do fantástico”, em 2002.
Graduado em Direito pela Universidade Regional do Cariri, Flávio Morais encetou os esforços da sua intelectualidade também às hostes jurídicas, galgando com sucesso o posto de juiz do Tribunal cearense, funções que abraça com os vigores da responsabilidade. No espaço das letras voltadas ao ministério do Direito, pois também exerce cátedra na Universidade do Cariri, em 2003, publicou “Dívidas: como preveni-las ou livrar-se delas”, sequenciado, em 2004, pelo “Compêndio de Prática de Processo Penal”, e, em 2008, pelo romance de cunho jurídico “A sombra do laço”, pesquisa histórica de um episódio da existência do Padre Ibiapina, figura emblemática da Igreja Católica no Nordeste brasileiro, e que também cumpriu o papel da advocacia aos tempos do século XIX.
Destarte, no ímpeto da arte literária, nosso autor revela acuidades e aceita com afeto o fazer da inspiração, legando-nos, agora, “Daniel Alecrim e o talismã de ébano”, produção estabelecida sobre o primor das anteriores, realimentando seu público jovem dos insumos do estilo correto, da imaginação penetrante e do talento raro, demonstrações do quanto revelam seus textos das duas primeiras edições ao crivo do inesperado, do fantástico, sem, no entanto, fugir à seriedade austera decantada nas histórias da infância, nem abrir concessões ao vulgar da pura fantasia comercial.
O território que Flávio Morais permeia no seu universo criativo alimenta de satisfação os leitores, porquanto os encaminha dentro de valores sóbrios e justos, ao fragor dos bons e pródigos narradores. Esta revelação, que consolida cada vez um pouco mais nos livros posteriores, enriquece nossas letras e agrega qualidade ao gênero infanto-juvenil da literatura brasileira, portanto.
Ao me convidar a esta pequena introdução talvez Flávio Morais nem imaginasse acertaria em cheio em um dos seus admiradores desde seus primeiros trabalhos, quando, antes mesmo de conhecer a pessoa do escritor, os localizara numa das bancas de jornais de Crato, trazendo-me de volta aos universos imaginários da minha infância interiorana e suas histórias de causar espanto, contadas nas varandas de noites escuras do Sertão. Depois, aficionado, acompanho de perto os passos generosos deste expoente das letras caririenses, amigo e pessoa humana digna do nosso apreço.