Arquivos mensais: fevereiro 2011

Renato Rabelo: “Estão plantando denúncias para atingir o PCdoB” – Portal Vermelho

Renato Rabelo: “Estão plantando denúncias para atingir o PCdoB” – Portal Vermelho

O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, esteve em Brasília nesta quarta-feira (23) e, entre os assuntos que marcaram sua agenda na capital federal, esteve a série de reportagens publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, que acusa o PCdoB de se beneficiar financeiramente do programa Segundo Tempo, mantido pelo Ministério do Esporte, pasta comandada pelo comunista Orlando Silva.

Em entrevista ao Vermelho, Rabelo reafirma o conteúdo da nota emitida pelo PCdoB na segunda-feira (21), negando de forma veemente o suposto beneficiamento e acusa o jornal de travestir de notícia acusações sem fundamento que são plantadas propositalmente para atingir o partido e tentar criar um desentendimento entre os comunistas e o governo.

Ele ainda refuta a informação de que o partido está sendo “enquadrado” pelo governo por causa de um suposto “apetite” por cargos. “Quem conhece o PCdoB sabe que isso não é do nosso feitio”, afirma o dirigente comunista. Rabelo também diz que a relação do PCdoB com o governo é excelente e não há qualquer tipo de pressão de nenhuma das partes.

Veja, abaixo, a íntegra da entrevista:

Vermelho: O Estadão parece que está numa cruzada particular contra o PCdoB. Todo dia publica supostas denúncias envolvendo o Ministério do Esporte e ataques ao Partido. Você saberia dizer qual a motivação do jornal para isso?
Renato Rabelo: Primeiro, o Estadão está dando uma dimensão muito grande a isso que eles chamam de denúncias contra o PCdoB. Antes se tentava sempre encontrar irregularidades no programa Segundo Tempo, isso é recorrente, mas agora eles vão além e tentam envolver o PCdoB em supostas irregularidades, acusando o partido de usar este programa do Ministério como instrumento para obter dividendos eleitorais e até como meio de financiamento partidário. Essa é uma acusação séria, a qual respondemos, inclusive apontando que se trata de uma acusação criminosa. Merece de nossa parte até mesmo medidas judiciais contra o jornal e quem sustenta esta calúnia e estamos estudante esta possibilidade. E é bom frisar que estas coisas não acontecem por acaso. Já vamos para o quarto dia de denúncias, sendo que a primeira delas ocupou a manchete principal do jornal na edição de domingo. Por que gastar tanta tinta e tanto esforço jornalístico em cima de denúncias absolutamente frágeis, sem nenhuma comprovação? A nossa conclusão é que tem gente grande interessada em nos atingir.

Vermelho: O grau de detalhes das reportagens –ainda que sejam manipuladas para dar um ar de gravidade às denúncias– sugerem que há alguém que conhece bem o ministério e o partido passando informações ao jornal. O Partido sabe quem pode estar por trás disso?
Renato: Não, porque muitas questões que eles levantam são questões públicas e pessoas que eles chegam até elas e interrogam fazendo um trabalho do tipo policial. O ministério tem dado resposta a estes casos levantados, esclarecendo cada um deles. Mas o jornal insiste na tentativa de acusar a qualquer preço o partido. Chama atenção o fato de que ao se examinar todas as matérias publicadas se conclui que esta afirmação de que o PCdoB se beneficia dos recursos do Segundo Tempo é completamente arbitrária, feita para chegar a um obejtivo premeditado. Não há nada que sustente esta ilação.

Vermelho: O Partido avalia então que são acusações sem fundamento, já que não há nas reportagens nenhuma informação que justifique estas denúncias?

Renato: Exatamente. Não tem nada, nenhum fato, nenhuma evidência, nenhuma prova de que o partido se beneficie do programa ministerial como acusa o jornal. Então você veja a que nível que chega a manipulação no sentido de denegrir o partido. Fica evidente que se trata de uma matéria feita sob encomenda.

Vermelho: Os jornais alegam que a relação do PCdoB com o governo Dilma está estremecida. A jornalista Vera Rosa, do Estadão, chega a dizer que a presidente estaria usando as denúncias contra o Ministério “para enquadrar o PCdoB” e controlar o “apetite” do partido por cargos. Há alguma verdade nisso?
Renato: Eu estive conversando hoje com a jornalista Vera Rosa. Ela alega que estas afirmações partiram de fontes que ela não pode revelar mas que seriam fontes de dentro do próprio governo. Eu avalio que são mentiras. Primeiro porque nossa relação com o governo é a melhor possível. Em nenhum momento a presidente Dilma “enquadrou”o partido como afirma a matéria do Estadão. Ontem mesmo conversei com a presidente por telefone e ela sequer mencionou estas denúncias do jornal. Nem mencionou. Portanto não há nenhum enquadramento, isso é uma mentira. Além disso, conversando com o nosso ministro, Orlando Silva, ele disse também que da parte da Presidência não houve nenhuma iniciativa no sentido de orientar que o ministro devesse fazer isso ou aquilo, como é dito pelo jornal. Portanto, fica claro que tem alguém aí plantando notícias com o objetivo de nos incompatibilizar com o governo. Então você veja que tem fonte interessada em alimentar um desentendimento e atingir o Partido.

Vermelho: Seria uma fonte interessada em ocupar posições que hoje são ocupadas pelo partido?
Renato: Sim, podemos concluir desta maneira. Existe uma lógica que nos permite chegar a esta conclusão. Agora, a questão que se coloca sobre o suposto “apetite” do partido por cargos é de uma leviandade sem tamanho. Quem conhece minimamente o partido sabe que isso não é do feitio do PCdoB. Nós temos apresentado, nas instâncias onde tivemos responsabilidades de governo, um balanço de nossa atividade. Mostramos que nós contribuímos em todos os espaços para os quais fomos convidados a contribuir até agora. Como é o caso do Ministério do Esporte. Mostramos que nossa contribuição foi importante. O ministério, que antes nem existia, passou a ser um órgão destacado. O Ministro Orlando é uma figura importante no meio esportivo. Ajudamos a solidificar o papel do esporte como política social no país, a trazer para o Brasil eventos importantes como a Copa do Mundo e a Olimpíada. Portanto, é um ministério que alcançou grande dimensão. Nós achamos que isso é que é importante, participar onde achamos que podemos contribuir efetivamente. Agora temos clareza de que é o governo, é a presidente que vai julgar qual o papel que o PCdoB terá no governo. Então não tem nenhum sentido dizer que o PCdoB está correndo atrás de cargos. O que nos anima –e isso sempre ficou muito claro—é poder participar de um projeto coletivo de desenvolvimento do país.

Vermelho: O ministro Orlando Silva prometeu que será aberta uma sindicância para apurar as denúncias. Mas como você mesmo disse, as denúncias feitas até agora são todas frágeis, um amontoado de ilações e informações truncadas sem nenhum indício de desvio de recursos. O partido também acha que é preciso fazer uma sindicância?
Renato: Isso cabe ao Ministério, não cabe ao partido investigar questões como essa. Mas temos afirmado que em todas as questões que são levantadas o Ministério deve ter uma atitude sempre rigorosa e essa orientação sempre pautou a ação do Ministério. Mas repito: os jornais assacam contra o Ministério uma série de acusações que carecem de qualquer evidência. Muitas pessoas que leram as matérias vieram comentar comigo que as denúncias são absurdamente forçadas, coisa de encomenda. Acredito que a sindicância vai comprovar isso.

Da redação, Cláudio Gonzalez

As emissoras internacionais – Emerson Monteiro

Houve um tempo quando apreciei com intensidade as transmissões da radiofonia mundial em ondas curtas, reservando horas e horas noturnas para ouvir as programações em português e espanhol, elaboradas nos mais diversos países. Esse gosto veio despertado por amigos e colegas de colégio que nutriam interesses ocasionais em colecionar selos, quadros de fitas de cinema, estudar inglês e acompanhar lançamentos cinematográficos, assuntos que preencheram a minha adolescência.
Além de seguir de perto as grades de programação, também escrevia às emissoras, dando notícias das recepções e apresentando ideias e motivos talvez a serem aproveitados pelas estações de rádio.
Era uma época de extrema efervescência e movimentação das forças políticas, na primeira metade da década de 60, auge da Guerra Fria, quando, inclusive, o rádio se prestou à divulgação e propaganda ideológica dos blocos nela envolvidos. De um lado, o capitalismo internacional do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos. Do outro, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ponta de lança do que propunha o comunismo, já instalado também na China, desde 1949, com Mao-tsé-tung no poder; em Cuba, após a revolução de Fidel Castro, em 1959; no bloco dos países da Europa Oriental, na Coréia do Norte, como alternativa ao modelo da democracia americana para as outras nações, após a Segunda Guerra.
Recordo que, nessa fase, ouvia com assiduidade transmissões da Rádio Difusão e Televisão Francesa, Rádio Canadá, BBC de Londres, Rádio Havana, Voz da América, Rádio Holanda, Rádio Suíça Internacional, Rádio Suécia, Rádio Praga, Rádio Sofia, Rádio Cairo, Rádio Espanha Internacional, Rádio Pequim, Rádio Central de Moscou, Rádio Tirana, Rádio Vaticano, Voz da Alemanha, dentre outras, que mantinham horários para o Brasil e os demais países de língua portuguesa.
Informações fervilhavam a cruzar os céus logo que chegava a noite, das 19 às 23h, horário de melhor propagação das ondas. O meu receptor, rádio a válvulas, permanecia ligado todo tempo, enquanto promovia anotações e apurava os ouvidos, nas faixas de 16 a 49m, vezes sob chiados e ruídos intensos que dificultavam as audições.
No país, eram as notícias peneiradas pelos órgãos de segurança e que, entretanto, vazavam pelos correspondentes estrangeiros, chegando ao nosso conhecimento pelos departamentos internacionais, época de clandestinidade e repressão, anos de chumbo, quais se dizem.
Remetia cartas aos endereços dessas emissoras, que as respondiam com regularidade e juntavam às respostas publicações dos países; livros, revistas, jornais, postais, selos, broches, flâmulas e outros brindes. Cada recebimento dessas respostas era um dia de festa. Abria o envelope e examinava com cuidado seu conteúdo, estimando o valor em face da distância que percorrera. Nisso, espécie de fetichismo logo invadia a alma de mistério.
Depois, novos apegos surgiriam com a descoberta do prazer da literatura e seus variados autores brasileiros e estrangeiros. Mais adiante, os filmes de Hitchock, do Cinema Novo, os clássicos da Cristandade, os faroestes inolvidáveis, o cinema de arte europeu, além dos festivais da canção, e a MPB, reunidos às emoções dos primeiros namoros, para, assim, excluir em definitivo o pouco espaço que restara entre os estudos e aqueles solitários serões radiofônicos.

Sabença de caboclo – Emerson Monteiro

Talvez por pretender contrariar o princípio de que cavalo ruim se vende longe, Chico Ivo tratou de camuflar muito bem a deficiência do animal com a instala-ção mais do que perfeita de outro belo rabo no baita cavalo luzidio, untado com esmero numa mistura gosmenta de breu e cola de marceneiro, disfarce primoro-so da alisada vassoura de longos fios selecionados.
Junto ao toco, implantara a nova cauda, recolhida de outros bichos no decorrer de longos meses, cabelo a cabelo, que, de firme, mostrava-se suficiente para confundir os maiores especialistas, como deixará provado. Concedia, inclusive, ao equino ginga do tanto de esboçar ligeiras e saudosas abanadas, qual nos ve-lhos tempos de inteiro.
Bom, foi assim que resolveram desafiar o furdunço da feira de Lavras da Man-gabeira, buscando o pátio dos bichos, onde não teve mesmo quem viesse de no-tar a gauribagem. Tudo limpo no céu do meio-dia.
Interessados não custaram a aparecer com suas pretendências e propostas. E-xaminavam o cardão de cima a baixo, coleando a pelagem, friccionando o lom-bo, sempre cuidando de olhar dentes, cascos, orelhas, na mania dos espertos. Porém foram, de verdade, os ciganos que primeiro se fixaram na intenção explí-cita da compra, seguindo logo, logo, saber do preço.
Conversa vai, conversa vem; regateia daqui, regateia dali; negócio realizado. Ca-bresto na mão, dinheiro no bolso, e, satisfeitos, certos de uma boa transação, restava aos negociantes pegarem estrada e buscarem o destino da tropa nas es-tradas poeirentas do sertão.

Passadas se foram algumas luas, ritmo obediente das coisas naturais. A tranquila cidade mudou quase nada em meio à falta de acontecimentos marcantes.
Lá noutro dia, noutra feira de grande movimento, gente muita, muita animação comercial, difícil até de se achar quem se procura entre as tantas caras, eis com quem Chico Ivo se defronta, de imediato reconhecido… Com os mesmos ciga-nos que lhe haviam adquirido o cavalo. Vinham de longe acenando, para garan-tir o encontro casual inevitável:
– Ganjão, ganjão! Aguarde um pouco que seja.
– Não quero nem saber, – reagiu enfático o antigo proprietário do animal. – Ne-gócio feito ninguém desfaz. Fechado está, assim restará.
E quão admirado ficou da resposta que lhe veio do cigano à frente dos demais:
– Se despreocupe, ganjão. Nosso objetivo é outro. O que passou tá pra trás. Vi-emos aqui foi lhe fazer uma outra proposta, de que o senhor aceite, a partir de hoje, seguir com a gente e chefiar nosso bando.

NÃO DIGA PRA NINGUÉM: ESPALHEM!!!

RESISTÊNCIA NECESSÁRIA

Eita Brasil complicado
De difícil solução
Está sendo leiloado
Pela fome da ambição
Espalharei a notícia
Da crueldade e malícia
Desta louca exploração

Ulisses Germano 
Crato/ 21.02.2011




Segue abaixo o relato de uma pessoa conhecida e séria, que passou recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima. Trata- se de um Brasil que a gente não conhece.

As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.

Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução.

Para começar, o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense. Pra falar a verdade, acho que a proporção de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto, falta uma identidade com a terra.
Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, (e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro) ou a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo.

Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do território roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%, descontando- se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades.


Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km ) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena (Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados.


Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena, diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.

Outro detalhe: americanos entram à hora que quiserem. Se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem-se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo nerd com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas, pasme, se você quiser montar um empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí, camu-camu etc., medicinais ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar ‘royalties ‘ para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia…

Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: Os americanos vão acabar tomando a Amazônia. E em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:
‘Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa’.

A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo
objetivo de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem estrada para as Guianas e Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático). Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil com prar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares.
Pergunto inocentemente às pessoas:  porque os americanos querem tanto proteger os índios ?  A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animal e vegetal, da abundância de água, são extremamente ricas em ouro – encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO.

Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a  alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa.
É, pessoal… saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho.
Será que podemos fazer alguma coisa???
Acho que sim.
Repasse esse e-mail para que um maior número de brasileiros fique sabendo desses absurdos.
Mara Silvia Alexandre Costa
Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag.Patog. FMRP – USP

Opinião pessoal:
Gostaria que você que recebeu este e-mail, o repasse para o maior número possível de pessoas. Do meu ponto de vista seria interessante que o país inteiro ficasse sabendo desta situação através dos telejornais antes que isso venha a acontecer.
Afinal foi num momento de fraqueza dos Estados Unidos que os europeus lançaram o Euro, assim poderá se aproveitar esta situação de fraqueza norte-americana (perdas na guerra do Iraque) para revelar isto ao mundo a fim de antecipar a próxima guerra.
Conto com sua participação, no envio deste e-mail.
Celso Luiz Borges de Oliveira
Doutorando em Água e Solo FEAGRI/UNICAMP

Mestre Armando Leão visita o Cariri para articular congresso da UNEGRO


O mestre de Capoeira de Angola, Armando Leão esteve nesta segunda-feira (21/02) na região do Cariri para se reunir com lideranças do movimento negro com o objetivo de articular a mobilização para o congresso nacional da União de Negros pela Igualdade – UNEGRO que será realizado em julho deste ano.
O Congresso da entidade é composto por etapas regionais e estaduais. De acordo com o coordenador estadual da UNEGRO, Armando Leão o congresso desempenha papel importante na defesa de bandeiras de lutas pela igualdade racial, tolerância religiosa e também serve para ampliar as lutas e fortalecer as conquistas políticas e sociais para o conjunto da população.

No Ceará será realizado neste sábado, dia 26, no auditório do Sindicato dos Bancários, em Fortaleza, o Seminário preparatória para etapa estadual do Congresso. Armando frisa que do Cariri deverão participar cerca de 15 lideranças dos diversos segmentos do movimento negro, como quilombolas, copoeiristas, MCs, mães e pais de Santo. Ele destaca que manteve contato com representantes do Grupo de Valorização Negra do Cariri – Grunec, Coletivo Camaradas, Berimbalarte, quilombolas e pessoas de terreiro.

A Pró-Reitoria de Extensão PROEX da Universidade Regional do Cariri – URCA, A secretária de Esporte e Juventude de Juazeiro do Norte e a Prefeitura de Potengi são algumas das parcerias no Cariri da UNEGRO, além dos movimentos sociais.

Carta de representantes da sociedade civil à Presidente Dilma Roussef e à Ministra da Cultura Ana Buarque de Hollanda

Nós, pessoas e organizações da sociedade civil abaixo-assinadas, explicitamos nesta carta expectativas e pautas relativas à formulação de políticas públicas para a cultura, dando as boas-vindas à Ministra Ana de Hollanda, primeira mulher a ocupar o cargo.

Escrevemos no intuito de cooperar com sua gestão que se inicia, como vimos fazendo nos últimos oito anos de Ministério da Cultura, certos de que a presidente Dilma deseja que as políticas e diretrizes que fizeram o MinC ganhar relevância, projeção e amplo apoio da sociedade civil sejam continuadas e expandidas.

A esse respeito, a presidenta Dilma, bem como o ex-presidente Lula, participaram ativamente nos últimos anos do Fórum Internacional Software Livre em Porto Alegre, onde deixaram claro sua política a respeito da internet, da cultura digital e dos direitos autorais. [1]

Nesse contexto, nos últimos anos, a sociedade civil teve a oportunidade de construir um importante trabalho junto ao governo, que parte de uma visão contemporânea para a formulação de políticas públicas para a cultura. Essa visão considera que nos últimos anos, por causa do avanço das tecnologias da informação e dos programa de inclusão digital, um contingente de milhões de novos criadores passou a fazer parte do tecido cultural brasileiro. São criadores que acessam a rede através das mais de 100 mil lan-houses de todo o país, através dos Pontos de Cultura ou outros programas de inclusão digital, cada um deles exercendo um papel determinante para a formação da cultura do país.

Os Pontos de Cultura, o Fórum da Cultura Digital, o Fórum de Mídia Livre, o desenvolvimento de softwares livres, a iniciativa de revisão da lei de direitos autorais, a recusa a propostas irracionais de criminalização da rede, a construção do Marco Civil da Internet e a rejeição ao ACTA [2], são exemplos reconhecidos dessa política inclusiva e voltada para o presente, fundamentada na garantia do direito de acesso à Rede e ao conhecimento, viabilizando um ambiente de produção cultural fértil e inovador.

Os pontos positivos dessa política têm sido percebidos tanto no Brasil quanto no exterior, onde o país tem exercido liderança na tentativa de alinhar países em torno da implementação dos pontos da Agenda do Desenvolvimento, visando balancear o sistema internacional de propriedade intelectual de acordo com os diferentes estágios de desenvolvimento dos países e com as novas formas de produção cultural que as tecnologias possibilitam. O país também tem sido frequentemente citado no cenário internacional [3] como referência positiva sobre o uso das tecnologias para a formulação colaborativa e democrática de políticas públicas nessas áreas.

Com sucesso, o país tem dado passos substanciais ao considerar que as tecnologias da informaçao e comunicação desenvolvidas nos últimos anos trazem novos paradigmas para a produção e difusão do conhecimento, com os quais as políticas públicas no âmbito da cultura devem necessariamente dialogar.

Vivemos um momento em que são muitas as tentativas de cerceamento à criatividade, à abertura e à neutralidade da internet. No Brasil, isso se manifesta na chamada “Lei Azeredo” (PL 84/99), assim conhecida por conta de seu principal apoiador, o ex-Senador Eduardo Azeredo. Tal proposta encontrou relevante resistência por parte da sociedade civil. Apenas uma petição alcançou mais de 160 mil assinaturas contrárias, o que fez com que sua aprovação fosse devidamente suspensa e um debate maior iniciado. [4]

Entendemos que a legislação de direitos autorais atualmente em vigor no Brasil é inadequada para representar a pluralidade de interesses e práticas que giram em torno das economias intelectuais. [5] A esse respeito, a lei brasileira adota padrões exacerbados de proteção, sendo significativamente mais restritiva do que o exigido pelos tratados internacionais ou mesmo que a legislação da maior parte dos países desenvolvidos (como EUA e Europa). Com isso, ela representa hoje significativos entraves para a educação, inovação, desenvolvimento e o acesso, justo ou remunerado, às obras intelectuais.

Há também a necessidade de regulação do ECAD – entidade que arrecada mais de R$400 milhões por ano, em nome de todos os músicos do país e cujas atividades não estão sujeitas a nenhum escrutínio público. [6] Vale lembrar que o ECAD foi alvo de CPIs, bem como encontra-se sob investigação da Secretaria de Direito Econômico, por suspeita de conduta lesiva à concorrência. Acreditamos que garantir maior transparência e escrutínio ao seu funcionamento só trará benefícios para toda a cadeia da música no país, fortalecendo o ECAD enquanto instituição e dificultando sua captura por grupos particulares.

A esse respeito, o MinC realizou extensivo processo de consulta pública para a reforma da Lei de Direitos Autorais, que teve curso ao longo dos últimos anos, contando com seminários e debates realizados em todo o país. Esse processo, concluído ainda em 2010, culminou com a consulta pública para a reforma da Lei de Direitos Autorais, realizada oficialmente pela Casa Civil através da internet.

Os resultados, tanto dos debates como da consulta pública, são riquíssimos. [7] A sociedade brasileira teve a inédita oportunidade de participar e opinar sobre esse tema, e foram muitas as contribuições fundamentadas, de grande peso. Tememos agora que todo esse processo seja ignorado. Ou ainda, que a participação ampla e aberta da sociedade seja substituída por “comissões de notáveis” ou “juristas” responsáveis por dar sua visão parcial sobre o tema. A sociedade brasileira e todos os que tiveram a oportunidade de se manifestar ao longo dos últimos anos não podem e nem devem ser substituídos, menosprezados ou ignorados. O processo de reforma da lei de direitos autorais deve seguir adiante com base nas opiniões amplamente recebidas. Esse é o dever republicano do Ministério da Cultura, independentemente da opinião pessoal daqueles que o dirigem.

Os últimos anos viram um avanço significativo na assimilação por parte do Ministério da Cultura da importância da cultura digital. Esse é um caminho sem volta. Cada vez mais o ambiente digital será determinante e influente, tanto do ponto de vista criativo quanto econômico, na formação da cultura. Dessa forma, é fundamental que o Ministério da Cultura esteja capacitado e atuante para lidar com questões como o software livre, os modelos de licenciamento abertos, a produção colaborativa do conhecimento, as novas economias derivadas da digitalização da música, dos livros e do audiovisual e assim por diante. Muito avanço foi feito nos últimos anos. E ainda há muito a ser feito. Uma mudança de direção por parte do MinC implica perder todo o trabalho realizado, bem como perder uma oportunidade histórica do Brasil liderar, como vem liderando, essa discussão no plano global. Mostrando caminhos e alternativas racionais e inovadores, sem medo de inovar e sem se ater à influência dos modelos pregados pela indústria cultural dos Estados Unidos ou Europa.

Por tudo isso, confiamos que a Ministra da Cultura terá a sensibilidade de entender as transformações que a cultura sofreu nos últimos anos. E que velhas fórmulas não resolverão novos problemas.

Permanecemos à disposição para dar continuidade à nossa cooperação com o Ministério da Cultura, na certeza de que podemos compartilhar nossa visão e objetivos.

Referências:

[1] Dilma e Lula no FISL 2010: Cultura Digital, Software Livre, Lei Azeredo, Pontos de Cultura e Open Source! “Nesse governo é proibido proibir”

[2] Brasil rejeita acordo internacional sobre pirataria

[3] Gilberto Gil and the politics of music – New York Times

Pontos de Cultura no exterior – CMI

[4] Pelo veto ao projeto de cibercrimes – Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira

[5] Materiais de referência sobre a Reforma da Lei de Direito Autoral – Rede pela Reforma

[6] Relatório da CPI do Ecad sugere maior controle público dos direitos autorais

[7] Consulta Pública para Modernização da Lei de Direito Autoral

Fonte:
Carta de representantes da sociedade civil à Presidente Dilma Roussef e à Ministra da Cultura Ana Buarque de Hollanda

Demissões na fatec cariri

Na ultima sexta feira dia 18/02/2011 o Governador do estado do Ceara fez uma demissão em massa na FATEC Faculdade de Tecnologia de Juazeiro do norte, foram demitidos 35 funcionarios e mais 2 no CVT do crato.E o pior de tudo é que não foi dada nenhuma justificativa do porque de tal ato.
Professores e alunos paralizaram as aulas e fizeram manifestação em protesto contra as demissões.Os estudantes afirmam que vão ter as aulas prejudicadas.
Os estudantes e funcionarios se encontram em greve na esperança de ter a situação regularizada.

Lifanco – Um guerreiro da Nação Cariri


Compositor, músico e fundador do reisado Nação Cariri. Lifanco deve produzir em breve uma coletânea de músicas engajadas. Lifanco tem composições com artistas do Cariri como Fatinha Gomes, Luciana Dantas, Cacá Araujo e o musico paraibano Rangel Junior, além de várias outras parcerias.
Alexandre Lucas – Quem é Lifanco?

Lifanco – Uma pessoa do bem

Alexandre Lucas – Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Lifanco – Como musico aprendiz em 74, tempos de rock´s, baladas e leves blues que falavam de paz e de amor…que tempo !!!!

Anos 80 comecei a tocar em bandas, só a partir de 98 comecei a compor e cantar minhas vivências e também imaginações, pois ninguém é de ferro, né?!

Alexandre Lucas – Quais as influências do seu trabalho?

Lifanco – Todas!! Ainda hoje tenho influências… Desde que passem pelo crivo critico da minha capacidade de sentir.

Alexandre Lucas – O que é música para você?

Lifanco – Tudo !!! A musica tem o poder tipo: moldar pensamentos e atitudes, por isso o cuidado meu e de outros artistas na qualidade do que faz !!

Exemplos ??!! Temos de sobra estão ai no “mêi do mundo´´ o que se esta criando em termos de comportamentos tendo como meio divulgador a musica ??!! É brincadeira!!
Os que podem fazer alguma coisa preferem ficar em suas casas e mansões com os seus, ouvindo e assistindo o que acham melhor. Ao resto? Resta a pergunta : Será ?!!

Alexandre Lucas – Você tem composições em parcerias com vários artistas. Fale dessas parcerias.

Lifanco – Ressumo numa pequena frase : É o que sustenta a vida e me dar a alegria de vivê-la.

Alexandre Lucas – Você tem composições engajadas?

Lifanco – Sim, divulgadas ? Esta perto(espero).

Alexandre Lucas – O seu novo trabalho será uma coletânea dessas musicas engajadas?

Lifanco – Com certeza !! Aguardo paciente o que falta, não depende mais só de mim.

Alexandre Lucas – Como você analisa o cenário musical do Cariri?

Lifanco – Sobre apresentações musicais com os nossos artistas não sei se posso analisar, até porque saio muito pouco, se esta acontecendo alguma coisa, falta divulgação.

Alexandre Lucas – Qual a sua relação com a brincadeira do Reisado?

Iiihhh !!! A mais prazerosa e descontraída possível !! A gente vira criança! É um outro mundo !!

Fundamos o “Reisado Nação Cariri´´ gravamos 02 cd´s que considero uma das coisas mais importantes na minha historia. Mas…. (tem sempre esse mas, né?) Por força da falta de força tivemos que parar.

Alexandre Lucas – Como você ver a participação dos músicos e interpretes do Cariri nos grandes eventos da Região?

Lifanco – Relação intima nenhuma rsrsrsrsr, temos eventos promovidos com outras intenções.

O trabalho dos nossos artistas deve ter uma boa estrutura financeira e estética pra poder ser mostrado aos que nos visitam, ficamos com um espaço quase que vergonhoso em expocratos, expoafres, berros e etc… Os artistas da região foram os pioneiros, hoje não são nem chamados, mesmo que seja pra se submeterem a uma seleção… Também pudera !! Então é isso (os artistas que falo são os que estão engajados num bem comum, que fazem um trabalho consciente, musical e poético) os que estão na midia (nada contra) não passam por esse tipo de coisa.

Valeu !! E viva a nossa guerrilha, o nosso coletivo camaradas, a Mostra Sesc de teatro, o nosso festival cariri da canção, a mostra sesc de musica, nossas terreiradas com seus mestres e mestras, nossos compositore(a)s, atore(a)s,poetas, poetisas e cantores e viva nossa cultura viva e pulsante nas veias dos pensantes e atuantes caririzeiros.

Alexandre Lucas – Quais são os seus próximos trabalhos?

Lifanco – Compor sempre que sentir ser necessário e gravar quando for possível.

Jorge Mautner: a lucidez de um mutante brasileiro – Portal Vermelho

Jorge Mautner: a lucidez de um mutante brasileiro – Portal Vermelho

Com coração de menino, o poeta da Bandeira do Meu Partido completa setenta anos de idade.

Por José Carlos Ruy

É inacreditável que Jorge Mautner, com seu espírito de menino, tenha completado sete décadas de existência! Fértil, provocativa, provocadora, a vida de Mautner tem sido um furacão de criatividade na música e na literatura. Ilustre mistura de judaísmo (do pai), catolicismo (da mãe) e do candomblé (da babá, que era ialorixá), filho de refugiados do nazismo que se conheceram no Brasil, Mautner é uma espécie de exemplar da mistura cultural e étnica fundida no cadinho humano que é o Brasil e a frase que melhor define sua postura talvez seja aquela onde ele diz: “ou o mundo se brasilifica ou vira nazista!”

Ele nasceu em 17 de janeiro de 1941. Desde a infância foi empurrado para os livros e para a música – nascia, naquele garoto que crescia em São Paulo essa mistura de pensador e músico que deixaria, no futuro, uma marca notável a cultura brasileira.

Escreveu seu primeiro livro, “Deus da chuva e da morte”, quando tinha 15 anos, que compõe a trilogia ”Mitologia do Kaos”; nele está a marca da ousadia experimental daquele adolescente inquieto. Desde então (o livro foi publicado em 1962) publicou 13 livros (o último é O filho do hjolocausto – memórias (1941-1958). Na música, até agora são também 13 discos. Em 1962, filiou-se ao Partido Comunista e passou a militar na área cultural. Preso em 1964, exilou-se nos EUA em 1966. Na década seguinte, aproxima-se – ainda no exílio – de Caetano Veloso e Gilberto Gil. No Brasil, conhece Nelson Jacobina, com que iniciaria uma parceria que atravessaria as décadas seguintes.

Algumas de suas canções se tornaram clássicas, colmo O vampiro e Maracatu atômico. Entre elas se destaca A bandeira de meu partido que se transformou num hino informal dos comunistas brasileiros.

Canções

A Bandeira do Meu Partido

A bandeira do meu partido
é vermelha de um sonho antigo
cor da hora que se levanta
levanta agora, levanta aurora!

Leva a esperança, minha bandeira
tú és criança a vida inteira
toda vermelha, sem uma listra
minha bandeira que é socialista!

Estandarte puro, da nova era
que todo mundo espera, espera
coração lindo, no céu flutuando
te amo sorrindo, te amo cantando!

Mas a bandeira do meu Partido
vem entrelaçada com outra bandeira
a mais bela, a primeira
verde-amarela, a bandeira brasileira

Maracatu Atômico

Atrás do arranha-céu tem o céu, tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva tem a chuva, tem a chuva
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de comê-las

No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas negras e tão afiadas se esqueceu de por

No fundo do pára-raio tem o raio, tem o raio
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro-negro é todo negro, é todo negro
E eu escrevo o seu nome nele só pra demonstra o meu apego

O bico do beija-flor beija a flor, beija a flor
E toda a fauna aflora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte tem arte, tem arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico

Vampiro

Eu uso óculos escuros pras minhas lágrimas esconder
E quando você vem para o meu lado, ai, as lágrimas começam a correr
E eu sinto aquela coisa no meu peito
Eu sinto aquela grande confusão
Eu sei que eu sou um vampiro que nunca vai ter paz no coração
Às vezes eu fico pensando porque é que eu faço as coisas assim
E a noite de verão ela vai passando, com aquele seu cheiro louco de jasmim
E eu fico embriagado de você
Eu fico embriagado de paixão
No meu corpo o sangue não corre, não, corre fogo e lava de vulcão
Eu fiz uma canação cantando todo o amor que eu sinto por você
Você ficava escutando impassível e eu cantando do teu lado a morrer
E ainda teve a cara de pau
De dizer naquele tom tão educado
“Oh! pero que letra más hermosa, que habla de un corazón apasionado”
Por isso é que eu sou um vampiro e com meu cavalo negro eu apronto
E vou sugando o sangue dos meninos e das meninas que eu encontro
Por isso é bom não se aproximar
Muito perto dos meus olhos
Senão eu te dou uma mordida que deixa na sua carne aquela ferida
Na minha boca eu sinto a saliva que já secou
De tanto esperar aquele beijo, ai, aquele beijo que nunca chegou
Você é uma loucura em minha vida
Você é uma navalha para os meus olhos

Manjar de Reis

Tu és manjar de reis
Dos mais finos canapés
Mas agora é minha vez
De te fazer mil cafunés
Tu és manjar de reis
Dos mais finos canapés
Mas agora é minha vez
De te fazer mil cafunés
Quero a tua nudez
Da cabeça aos pés
Quero que sem timidez
Tu chupes picolés
Quero que tu me dês
Tudo que tu és
Quero que tu me dês
Tudo que tu és

Coisa assassina

(Com Gilberto Gil)
Se tá tudo dominado pelo amor
Então vai tudo bem, agora
Se tá tudo dominado, quer dizer, drogado
Então vai tudo pro além
Antes da hora, antes da hora

Maldita seja essa coisa assassina
Que se vende em quase toda esquina
E que passa por crença, ideologia, cultura, esporte
E no entanto é só doença, monotonia da loucura, e morte
Monotonia da loucura e morte

Homem Bomba

Lá vem o homem bomba
Que não tem medo algum
Porque daqui a pouco
Vai virar egun

Lá vem o homem bomba
Que não tem medo algum
Porque daqui a pouco
Vai virar egun

Mas até lá, mata um, mata dois
Mata mais de um milhão
Não vai deixar sobrar nenhum
Mas eu sou contra essa ideologia da agonia
Sou a favor do investimento
Pra acabar com a pobreza
Sou pelo estudo e o trabalho em harmonia
O amor e o cristo redentor
Poesia na democracia