Lágrimas entre rios

Da varanda fotografo

A textura do barro que se fez homem

O rio que preso se revolta

As caras abismadas

As casas arrobadas

A lama maquiando o asfalto

O rodo espalhando a mágoa

E escondendo as lágrimas

Os pombos pousam no arco em paz

Os pés humanos se pintam de terra e água

Um mangue urbano vai se formando

Uma cratera vai se aflorando

A água vai afogando

As árvores vão se empilhando

Como lastimas de guerra

E o povo vai se ajuntando

Vai se espremendo

Uns assistem a novela do Rio

Outros tateiam a vida

Comungam com as suas mãos

A feitura de uma corrente

Composta de resistência

Entre os caranguejos

Transitamos no lamaçal

Nutrindo o sopro de ser humano castiçal.

Alexandre Lucas




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