Arquivos mensais: agosto 2010

Vl SALÃO DE OUTUBRO DE 2010
RESGATANDO AS ARTES NO CARIRI


Numa iniciativa da artista plástica Edilma Rocha, tendo como principal proposta o incentivo e fomentação para as artes plásticas e visuais no Cariri, e para suprir a ausência dos salões de outubro em que o silêncio fechou durante um longo período as portas das oportunidades de revelações artísticas, reabre o SALÃO DE OUTUBRO.

O projeto é resgatado pela SOCIEDADE DOS AMIGOS DO MUSEU DO CRATO, através do seu presidente Dr. Ricardo Saraiva da Rocha em parceria com a Fundação J. de Figueiredo Filho, e o seu presidente Dr. George Macário de Brito, Fundação Cultural do Crato com a Secretária de Cultura, Daniele Esmeraldo e o Instituto Cultural do Cariri, e o seu presidente, Manoel Patrício de Aquino.

O salão será reaberto no pátio do Teatro Salviano Saraiva na cidade do Crato no dia 30 de outubro de 2010, às 20:00hs. Tem como meta acolher trabalhos representativos das artes plásticas e visuais com temáticas livres nas categorias de desenho, pintura, gravura e escultura.
Os artistas poderão participar com até dois trabalhos originais, assinados e produzidos a partir de 2009. Só poderão se inscrever em apenas uma categoria na amostra. Dentre os artistas serão escolhidos, o Primeiro, segundo e terceiro lugares pelas categorias por uma comissão Julgadora com premiações em medalhas e diplomas.

Os interessados podem fazer as suas inscrições a partir de um até 24 de setembro no Museu Histórico do Crato, à Rua Senador Pompeu, 502, no período da manhã de nove ases 11 horas. A inscrição é gratuita. A entrega dos trabalhos será de 25 até 27 de outubro no mesmo local da inscrição com os responsáveis, Antunes ou Mana.

O período da amostra se estenderá nos dias, 1, 3, 4, 5 e 6 de novembro. A divulgação dos premiados será feita no dia da abertura.

SOCIEDADE DOS AMIGOS DO MUSEU DO CRATO

Contatos:

Museu: (88) 3523 5491
Edil ma – TIM: (85) 9688 6043

E-mail:
[email protected]
[email protected]

Vote no João !

Pois é, amigos, vocês repararam que a as ruas estão com outro aspecto? Sorrisos fartos e rasgados, solidariedade franca, bandeiras tremulando pelas esquinas. Banners poluem as vielas com fotos feias e photoshopadas . Só falta mesmo a orientação no topo : “Procura-se”. Velhinhos têm sempre um braço amigo para atravessar a avenida, criancinhas catarrentas são abraçadas sem receio, bacanas visitam casebres e favelas e apertam mãos calejadas, sem o costumeiro uso de desinfetantes. É que começou a temporada de caça ao voto e os cães farejadores já foram estumados cidade afora. Observem bem as caras, pois, como cometas, aqui só aparecerão, novamente, a cada quatro anos: ainda bem ! A maioria deles expõe, claramente, a única obra que farão se eleitos: sua propaganda descolorida, pálida e de mal gosto.
Não bastasse a poluição visual, de todos os momentos, recebemos junto, num kit, a sonora. Nem me queixo dos programas eleitorais, estes , ao menos, podemos evitar com um simples toque do remoto, ou assistir a eles : não existe, atualmente, melhor programação humorística na rede. O terrível , no entanto, são os carros de som com suas musiquinhas insuportáveis e repetitivas. A repetição , por si só, já desgasta qualquer obra refinada de arte. Quem suporta, por exemplo, “Pour Élise” de Beethoven, tocada ad infinitum pelas secretárias eletrônicas ( “um minuto, por favor: taram-ram-ram-tam-ram-ram-ram…”) e pelas companhias de gás butano avisando a entrega sistemática ? As políticas, então, trazem paródias horrorosas de melodias que, no original, já mereciam a lata do lixo. E não há como fugir delas, estão espalhadas por todo canto. E ainda as apelidam de propaganda eleitoral gratuita. Salve-se quem puder!
Rui Pincel , nestes dias, contou-me duas histórias da publicidade eleitoral sonora, na última campanha, em Matozinho. De uma efetividade de fazer inveja ao Duda Mendonça ou ao Washington Olivetto. João da Birosca tinha uma pequena bodega nas cercanias de Bertioga, Distrito de Matozinho. Resolveu se candidatar a vereador, por infunca do prefeito Sinderval Bandalheira que precisava de um corretor de votos naquela localidade, historicamente infestada de adversários seus. João pegou ar na bomba e meteu-se na enrascada, sem perceber que corria sérios riscos de ver seu pequeno empreendimento na falência total e irreversível. De parcos recursos (sem caixa nem 1, que dirá 2) , João providenciou, ele mesmo, a música emblemática da sua campanha e escolheu aquele hit sertanejo : “Quero você!/ Quero você/Quero você, todinha prá mim!” Sem largos recursos poéticos, já montado num pangaré tão sem futuro, a paródia saiu assim:
“Vote no João,
Vote no João!
Vote no João!
Vote no João!
E , depois da infindável repetição, como um mantra, finalizava:
“Ele é nosso amigão!”
Terminada a primeira parte, repetia-se a música novamente, eternamente, infindavelmente, desde as cinco horas da manhã, até as dez da noite. Eram mais de cinco meninos com sons roufenhos adaptados em bicicletas antigas, os famosos picossons, correndo todas as ruas. E vejam que eram dois meses ininterruptos de Campanha. Segundo Rui, por incrível que possa parecer, Birosca terminou como o candidato mais votado de Matozinho. Nem a W / Brasil, se contratada , teria feito uma melhor publicidade. E explica: na segunda semana, toda Bertioga já não suportava o “Vote no João” e pediram, por todos os santos do céu e do purgatório para que ele cancelasse a veiculação da propaganda. Havia o sério risco de , no dia da eleição, todos os bertioguenses não puderem votar em tratamento psiquiátrico em algum asilo da capital. Birosca concordou, com uma condição: tinham de jurar, de mãos postas, pela alma de Frei Damião , que votariam nele para vereador. Bingo!
Na mesma campanha, Joca Fubuia, o maior pau-d´água da vila, andou botando boneco na rua do Caneco Amassado e as meninas chamaram a polícia. Joca foi recolhido à prisão local, no início da noite, mais melado do que gamela de engenho. Deitado na masmorra, sem ter o que fazer, pôs-se a cantar a musiquinha do seu candidato João da Birosca, que lhe fornecera a mendraca gratuitamente, para aquele porre fenomenal:
“ Vote no João!
Vote no João
Vote no João
Vote no João…”
Os soldados, de plantão, ainda agüentaram uma hora daquele mantra interminável e, aí, com os ouvidos em fogo, como se atacados por marimbondo de chapéu, começaram a reclamar:
— Para com essa zoada aí, bêbado safado! Pára !
Fubuia, no entanto, não se intimidava: “Vote no João/ Vote no João” e respondeu :
— Páro nada, rapaz ! Me prenda se estiver achando ruim! Me prenda!
Às dez da noite, ninguém mais suportava aquilo e como prender quem já estava enjaulado? Até o delegado que era meio mouco estrilou. Depois de uns dois ou três safanões de praxe, soltaram Fubuia para os prazeres da noite e das oiças. Como não eleger um candidato de tamanho prestígio? Vote no João!

J. Flávio Vieira

Coletivo Camaradas faz ação contra poluição visual de candidatos

Candidatos disputam imagens nas praças do Crato e abusam da poluição visual.
O Crato é um dos exemplos de cidade poluída visualmente no período eleitoral. Diversos cavaletes são colocados todos os dias nas praças com imagens de candidatos dos diversos partidos políticos. O caso vem promovendo uma insatisfação na cidade. As imagens dos candidatos na maioria dos casos chegam a tomar a passagem dos transeuntes e prejudicar a visualidade dos motoristas.
A poluição visual gerada pelos candidatos motivou o Coletivo Camaradas a promover uma intervenção urbana denominada de “ação poluição” em conjunto com artistas de outros estados brasileiros durante o Encontro do Programa de Interferência Ambiental no Cariri. A intervenção consiste na colocação temporária de cavaletes em frente às propagandas eleitorais e registro fotográfico que será disponibilizado na rede mundial de computadores, através de sites de relacionamentos, blogs e emails. Os camaradas ao fazerem a ação usam uma mascara cirúrgica simbolizando uma proteção contra a poluição.
Para a integrante do Coletivo Camaradas e acadêmica de Geografia, Karyny Feitosa existe abuso do poder econômico e um desrespeito não só aos eleitores, mas o próprio meio ambiente.
Eliana Soares, integrante dos Camaradas destaca que é preciso fomentar a discussão sobre a questão ambiental e a poluição tanto sonora como visual no período eleitoral.
O registro fotográfico será encaminhado também a Justiça Eleitoral para ser avaliado e tomada as devidas providências.

SHOW: “O QUE VIRÁ” – com APARECIDA SILVINO & MARCOS LESSA

LOCAL: Teatro Municipal Salviano Arraes (antigo Cine Moderno – Crato)
DATA: 29/08/10 (domingo)
HORA: 20 HORAS
MÚSICOS CONVIDADOS: Ibertson Nobre e Li Fanco
INGRESSO: R$ 7,00
APARECIDA SILVINO
Com 16 anos de carreira como cantora, compositora, pianista, regente, arranjadora e preparadora vocal, a cearense Apá Silvino apresenta-se com um aval de muito peso. “Trata-se de uma das melhores vozes nacionais”, atesta o cantor e compositor Milton Nascimento, que fez questão de ter Apá como convidada especial no show “Crooner”, apresentado em Fortaleza.
Conhecida e com público cativo no Ceará, ela tem sido requisitada a abrir shows para grandes nomes da nossa música, tendo se apresentado ao lado de Fagner, Nana Caymmi, Suely Costa e Belchior, seu convidado no LP (vinil) “Vidro e Aço”, em 1992. Uma performance que lhe garantiu o prestigiado Prêmio Nelsons da Música Cearense em 2003 e 2004, como Melhor Intérprete Cearense e Melhor Intérprete Feminina. Além disso, ela já participou como convidada em 16 CDs de cantores cearenses.
Tal prestígio já havia sido comprovado em 2002, quando, acompanhada pelo violonista Nonato Luiz, Apá interpretou o Hino Nacional Brasileiro no primeiro jogo realizado no País pela Seleção Brasileira pentacampeã mundial de futebol. A partida foi realizada no Estádio Castelão, em Fortaleza.
Ultimamente, Apá Silvino tem percorrido várias capitais com o show “Presente”, título do CD lançado em 2001, e como intérprete da compositora Cristina Saraiva, na divulgação do CD “Só Canção”. Com este último participou do I Encontro Bossa Nova in Argentina, realizado em abril de 2005, em Buenos Aires.
A voz e o talento de Apá já chegaram a locais como a Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, o Feitiço Mineiro, em Brasília (agosto, 2004), a Sala Sidney Muller, da Funarte-RJ, e a Expo 2000 Hannover, na Alemanha. Em abril de 2005, esteve no Teatro Crowne, em São Paulo, onde participou como convidada especial do show “Dois Em Umas”, de Sonekka e Zé Edu Camargo, espetáculo que deu origem ao CD do mesmo nome.
Esse seu lado ganhou força nos últimos anos, com conquista de novos parceiros, muitos deles conhecidos através da M-Música, uma comunidade virtual que faz canções e amizade pela Internet, e do Clube Caiubi de Compositores, de São Paulo. Entre esses parceiros estão Sonekka, Zé Edu Camargo, Gilvandro Filho, Luhli, Sérgio Veleiro, Ferreira e Nilton Bustamente. No momento, Apá prepara o seu segundo CD, “Sinal de Cais” (título de uma parceria com Gilvandro Filho), onde boa parte dessas novas canções e parcerias será mostrada ao público.
MARCOS LESSA
Marcos Lessa iniciou sua carreira musical em 2007,quando lançou o cd “Olhares da Vida”, com musicas e letras de sua autoria e de sua parceira musical ,na época, a cantora e compositora :Clarissa Araripe, que também assina em algumas composições e cantou junto de Marcos no cd. O cd teve a produção de Gabrielle Guimarães e forte apoio do Banco do Nordeste. Foram prensadas e vendidas 500 unidades. O show de lançamento do Cd aconteceu no dia 28 de Novembro desse mesmo ano, no teatro do SESC Emiliano Queiroz. Teve a produção visual do artista plástico Marcelo Santiago e contou com a participação de Tailandia Montenegro e Daniel Cortez.
No período de 2007 a 2010, dedicou-se no aprimoramento da sua voz, através do estudo de técnica vocal, participando de cursos, durante 3 anos, no festival Musica na Ibiapaba.
Em 2010, no Festival de Jazz e Blues, Marcos Lessa conhece o compositor e instrumentista Manassés Souza com quem, em Abril desse mesmo ano, realiza em Guaramiranga, um show de homenagem ao Pessoal do Ceará (Fagner, Ednardo, Belchior, etc.). Até agora foram feitas três apresentações desse projeto.
Em Maio de 2010, lança o seu segundo cd, em parceria com o letrista Ricardo Alcântara. O cd “luzazul”, que teve nos arranjos o pianista Sávio Dieb, foi lançado nos dias 21 e 22 de Maio, no teatro Dragão do Mar e contou com a participação do cantor cearense, Lucio Ricardo e de Manassés.
No ano de 2010, Marcos Lessa participou junto do saxofonista Marcio Rezende e do violonista Padua Pires, de shows de homenagem a Dorival Caymmi. Os shows aconteceram no Café Pagliuca e no Passeio Publico. Desse projeto também faziam parte os instrumentistas cearenses, Cainã Cavalcante (violão), Thiago Almeida (teclado), Igor Caracas (percussão) e Luciano Franco (baixo).

O gol – Emerson Monteiro

Início dos anos 70, tempos blindados e sonhos lotéricos também na Miranorte, cidadezinha do atual estado de Tocantins, onde Alemberg viveu parte de sua infância e guardou muitas histórias como esta que vamos contar.
Numa tarde de domingo, após a feijoada do meio-dia, na sala de visita de seu Luiz Torneiro, os amigos se achavam reunidos para acompanhar os jogos da Esportiva pelo País a fora. Na verdade era essa a diversão maior da semana.
Dona Iracema bem que se esforçava para dar de conta dos tira-gostos improvisados. Uns poucos aperitivos quentes e a festa enchiam todas as medidas, depois dos buchos cheios de feijão preto e dobradinha do almoço.
Lá pelas cinco e meia, a maioria dos placares recolhidos atendia ao cartão da apostas de seu Luiz, que muito se alegrava na transmissão da partida principal: no Maracanã. Jogavam Flamengo e Fluminense. Excluídos dois vascaínos da roda, os outros sete torciam pelo rubro-negro da Gávea, opção cravada sem sombra de dúvidas no sonho dos treze pontos.
A noite se definia calorenta, apesar de ligeira brisa que entrava pela janela da sala abafada. Sofá e poltronas pareciam mais aquecedores do que conforto, quando a soma dos pontos principiou a esfriar o sangue da turma com a hipótese do sucesso integral dos palpites. Nove jogos completados e o território ficava pequeno para tanta expectativa.
Seu Luiz chamou um dos filhos e passou as instruções:
– Vá na venda e pegue, adiantado, três brahmas geladas. – Percebeu que denunciava a certeza suada na vitória, mas disfarçou, acrescentando: – Traga também duas latas de quitute, que as coisas vão melhorar mesmo.
Compadre Zé Pedro administrava a totalização dos pontos, de ouvido ligado no receptor a válvulas, lápis e papel na mão. Outro resultado favorável, e a sorte se oferecia dadivosa.
Veio o material requisitado na bodega e a notícia se espalhara pela redondeza, arrebanhando os primeiros perus, que engrossaram o grupo e agitaram a casa. No meio do labacéu apenas uma figura permanecia quieta, desconfiada, impaciente da sala para a cozinha. Dona Iracema parecia concentrada na devoção ao santo para o empurrãozinho que faltasse. Ainda assim, cuidou com zelo de esquentar as conservas numa vasta travessa, combinadas de tomates e farinha que dessem para atender a todos.
Outros jogos se completavam e emoção grande se reservava do décimo primeiro ao décimo segundo. Houvesse saldo, teriam espocados os primeiros rojões. No entanto ouviam-se apenas os gritos estridentes da numerosa torcida. Restava aí tão só o garboso Fla X Flu. E tomem choro e gemidos.
Pelo visto, a fortuna sorriria naquela casa, naquela tarde. Daria Flamengo na cabeça, pois a partida pendia para seu término e o time garantia com facilidade o 2 x 1.
Daí generalizou-se a tensão, parecido como se os circunstantes sentissem a gravidade do momento. Por certo cada qual se punha no lugar da família de seu Luiz, em vias de realizar grande transformação. Passaria de pobre a rico, num golpe do destino. E escutaram, vindo de dentro do quarto, pungente a reza da dona Iracema, devota respeitável na frente do santuário. O locutor tremia a voz, como se vivesse o drama distante. Mãos suadas. Atenção redobrada nos lances de pequena área. E o tempo cooperando.
43 minutos do segundo tempo. 44. 45, e os descontos. Nessa hora, uma falta na cabeça da grande área a favor do Fluminense. Barreira formada, derradeiro cartucho, escaramuça debaixo das traves, e o tricolor converte:
– Gooooooooooooool! – de dentro do quarto, a explosão de alegria da fiel companheira de seu Luiz, braços aos céus, num gesto de agradecimento.
A princípio, calculou-se ter a mãe da família desvairado, produto da frustração que todos transpareciam, isso para susto de seu Luiz, que foi dizendo:
– Mas Iracema o gol foi do time adversário, e nós perdemos os treze pontos. Por que essa manifestação de alegria? – indaga receoso.
– Não é isso, não, Luiz. É que antonte faltou tempero em casa e com o dinheiro que deste para o jogo eu comprei foi os legumes e a perna de porco que vocês comeram no almoço de meio-dia, homê.

(Do livro Cinema de Janela, Terceira Margem Editora, São Paulo, 2001).

COMÉDIA CRATENSE BRILHA EM JUAZEIRO DO NORTE-CE

ESPETÁCULO “A COMÉDIA DA MALDIÇÃO”
ENCANTA PÚBLICO EM JUAZEIRO DO NORTE-CE

Cerca de 500 pessoas lotaram a arena montada pela Cia. Cearense de Teatro Brincante na Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte-CE, para apresentação da peça teatral “A Comédia da Maldição”, gentilmente doada pela Sociedade Cariri das Artes ao Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB Cariri), na noite do último sábado, 21 de agosto, com participação especial da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, de Crato-CE.

O espetáculo, que tem texto e direção de Cacá Araújo, está em cartaz há 5 anos e resgata o mito sertanejo-universal da mula-sem-cabeça, retratado num ambiente tipicamente nordestino.

A Cia. Cearense de Teatro Brincante é órgão da Sociedade Cariri das Artes, Ponto de Cultura do Brasil, com apoio do Ministério da Cultura, SECULT-CE e Prefeitura Municipal do Crato, desenvolvendo o que denominam de estética brincante de encenação, concebida a partir da incorporação de elementos da cultura tradicional popular na concepção de seus traços constitutivos, quais sejam:

a) Dramaturgia que busque temática alinhada aos contos, causos, lendas, romances e aventuras bebidas do vasto imaginário e romanceiro populares, da sabedoria ancestral de base ibérica, ameríndia e africana.

b) Interpretação que se construa a partir do e no universo dos folguedos, dos cantadores, emboladores, rabequeiros, penitentes, cânticos e dançares negros e indígenas, palhaços, pássaros e bichos da nossa fauna, brincadeiras e brinquedos populares, esculturas e objetos artesanais, bonecos e desenhos animados, temperada com elementos do Circo, da Gestualidade Física e Espiritual Nordestina e da Commedia dell’Arte.

c) Carpintaria Técnica que produza cenografia, figurino, maquiagem, coreografia, caracterização, sonoplastia, música e iluminação, fundados na xilogravura, nas inscrições rupestres, nos símbolos rurais, nos desenhos de crianças, nos cantos, danças, cantigas e instrumentos musicais populares, nas cores e sons primitivos da natureza sertaneja.

O grupo cratense levará também para as ruas outra peça de seu repertório popular, O PECADO DE CLARA MENINA, também escrita e dirigida por Cacá Araújo, e está montando mais dois espetáculos que deverão estrear em breve: O MAPA DA BOTIJA (texto de Cacá Araújo e direção de Orleyna Moura) e A DONZELA E O CANGACEIRO (texto e direção de Cacá Araújo).







SÁBADO: A COMÉDIA DA MALDIÇÃO NA PRAÇA PADRE CÍCERO EM JUAZEIRO

Juazeiro do Norte-CE receberá o maior espetáculo de teatro popular deste século!!! 5 ANOS EM CARTAZ!!!

A Cia. Cearense de Teatro Brincante apresentará, neste sábado, dia 21 de agosto de 2010, às 19 horas, na Praça Padre Cícero, o espetáculo teatral “A COMÉDIA DA MALDIÇÃO”, com texto e direção Cacá Araújo, resgatando o mito nordestino da mula-sem-cabeça, e tendo a participação especial da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, da cidade do Crato-CE, um dos maiores ícones da cultura tradicional popular do Brasil.


Atores/Personagens

Cacá Araújo: Tandô
Carla Hemanuela: Mãe Luzia
Charline Moura: Irmã Francilina
Jardas Araújo: Cantador
Edival Dias: Padre Sebastião
Joênio Alves: Dono da Bodega
Jonyzia Fernandes: Ana Expedita
Joseany Oliveira: Leide Zefa
Josernany Oliveira: Brincante da Mula
Lílian Carvalho: Beata Carmélia
Lorenna Gonçalves: Cibita
Márcio Silvestre: Vigário Felizberto
Orleyna Moura: Viúva Fantina
Paula Amorim: Ladra
Paulo Henrique Macêdo: Fotógrafo Jorjão
Samara Neres: Zulmira

Músicos

Lifanco (viola) e elenco (percussão)

Técnica

Texto e Direção Geral: Cacá Araújo
Assistência de Direção: Orleyna Moura
Cenografia: França Soares
Sonoplastia: Cacá Araújo
Iluminação: Danilo Brito
Maquiagem: Carla Hemanuela e Joênio Alves
Figurino: Orleyna Moura e Carla Hemanuela
Guarda-Roupa: Luciana Ferreira
Operação de Som: Lílian Carvalho
Operação de Luz: Danilo Brito
Música: Lifanco e Cacá Araújo
Produção Executiva: Mônica Batista
Produção Geral: Sociedade Cariri das Artes

A apresentação foi doada ao Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB-Cariri) pela Cia. Cearense de Teatro Brincante / Sociedade Cariri das Artes.

A Primeira Pedra

Sakineh Mohammadi Ashtiani é uma iraniana de 43 anos e que nestes dias se tornou notícia na imprensa mundial . O motivo, como sempre, nestes casos em que envolve países do terceiro mundo, vem à tona com as piores causas.Mais ainda quando o Irã vê-se metido numa controvérsia mundial sobre a produção de armas nucleares. Nada de fatos heróicos, de recordes , de fabulosas obras de arte . Sakineh foi condenada à morte , por um motivo banalíssimo. Viúva, mesmo assim, foi acusada de adultério e recebeu a penalidade absurda e, não bastasse isso, mais terrível ainda na sua forma. Deverá ser enterrada a meio corpo e morta por apedrejamento. A sentença parece até ter sido arrancada de tempos bíblicos. E, por mais incrível que possa parecer, o foi. Boa parte dos países islâmicos não têm qualquer separação entre Igreja e Estado e a Constituição do país, os Códigos Civil e Penal terminam por se resumir nas páginas do Alcorão. O livro sagrado dos mulçumanos tem mais de mil anos e, como tal, não sofreu qualquer upgrade em todos esses anos. A maior parte das religiões do planeta padece deste dissonância entre as inflexíveis regras de moralidade ditadas por seus livros ditos sagrados e a dinâmica natural do universo e dos costumes. Como conciliar a estática daquilo que foi ditado há séculos, com o dinamismo da vida e as transformações avassaladoras do mundo que a cada instante modifica-se da água para o vinho, como um caleidoscópio? Quando Estado e Igreja formam um só corpo, então, as fissuras se tornam presentes, enormes, irreconciliáveis. Imaginem se no Brasil os casos de adultério fossem todos tratados da mesma forma? Ia faltar pedra no mercado para atirar em tanto condenado. Houve uma forte pressão da comunidade mundial e, ao que parece, o apedrejamento foi cancelado e a pena comutada para enforcamento. Grande vitória da diplomacia mundial!
A questão referente a Sakineh traz consigo um sério impasse ético. Na nossa visão ocidental, existe uma perversidade impensável na sentença imposta à iraniana. Que direito tem o estado de se imiscuir numa pendência de caráter francamente afeito à individualidade da pessoa humana? E mesmo que se tipifique o adultério como crime, a pena de morte nos salta aos olhos como uma loucura ímpar. Mas surge, no horizonte, a encruzilhada ética: temos o direito, com nossa cultura ocidental, de julgar os atos, as leis, os costumes de uma outra cultura? Qual o balizamento para se depreender que nós estamos certos e eles errados? Eles, do seu lado, têm o mesmo sagrado direito de nos julgar segundo suas regras e tradições. Para que lado a verdade puxará o fiel da balança?
Por outro lado, quase ao mesmo tempo, os jornais estamparam o caso da Eliza Samúdio suspeita de ter sido trucidada cruelmente pelo goleiro Bruno em Belo Horizonte. Sem falar no assassinato da advogada Mércia Nakashima, de São Paulo, cujas evidências levam a suspeita da autoria ao namorado Mizael. Mera coincidência? Infelizmente, não! No Brasil, por incrível que possa parecer, a pena de morte contra a mulher é uma instituição organizada e azeitada. Na última década mais de 41.000 mulheres foram mortas, uma média de 10 a cada dia. Destes casos, mais da metade foi causada por motivo fútil, como meras discussões domésticas. 10% envolviam ciúmes e, um outro tanto, o uso de drogas. No Ceará mais de mil boletins de ocorrência são feitos a cada mês por violência contra a mulher.E aqui, entre nós, só no ano passado, foram assassinadas 147 e –pasmem, amigos ! — 23 só aqui no Cariri.
No mundo todo, a situação do sexo feminino não é menos vulnerável. Estima-se que na América Latina e Caribe entre 25% a 50% das mulheres sofrem violência doméstica. Segundo o Banco Mundial entre 5 a 16% dos anos saudáveis de uma mulher são perdidos por conta da violência, que só nos Estados Unidos custa entre 5 a 10 bilhões de dólares todo ano.
Como vemos, a absurda penalidade imposta a Sakineh, não lhe é exclusiva. Até mesmo a crueldade da execução é quase uma regra: apedrejada , esquartejada, oferecida à ração de cães, afogada, queimada. O que varia ? No Irã, o estado submete o réu ao menos a um a julgamento, faccioso , parcial, certamente. Entre nós, no entanto, o júri , o juiz e o carrasco são os próprios companheiros destas jovens que as executam sumariamente sem nenhum direito a defesa.
Para combater essas as formas de opressão é preciso ter coragem de mergulhar no pântano e buscar a raiz da árvore carnívora.. É preciso, no entanto, lembrar que a absurda pena imputada a Sakineth é mais visível e mais fácil de se lutar contra ela. A violência doméstica, no entanto, é mais insidiosa, mais virulenta, mais oculta, mais multifacetada. Ela está na raiz de quase todas as formas de violência do mundo e, como um cupim, destrói lentamente toda a tessitura das relações humanas. Uma estranha ponte une Sakineth a Eliza Samúdio. Desarmemos os corações e as mentes! Antes de tudo tem-se que entender que somos todos animais que há pouco descemos das árvores e ainda não conseguimos de todo escapar da Lei da Selva, da prevalência do instinto sobre a razão. Quem nunca compactou com alguma forma de violência que atire a primeira pedra!

J. Flávio Vieira