Arquivos mensais: junho 2010

Identificação ou Manipulação?


IDENTIFICAÇÃO OU MANIPULAÇÃO?

É verdade que a televisão hoje assume papel de “pais”, chefes de família, visto que a maior parte do tempo estamos pertinho da televisão e nossos familiares tendem a ficar em segundo plano, isso ocorre em todas as esferas sociais contidas em nosso país. Durante maior parte do dia, nossas crianças, adolescentes, adultos estão ligados, vidrados, numa caixa eletrônica recheada de imagens e notícias de todas as partes do país e do mundo. As pessoas se veem na televisão, se identificam diante dos acontecimentos registrados por nossas emissoras?
Esse instrumento hoje tomou uma proporção gigantesca, o alcance das imagens geradas pelos monitores no nosso país atingi mais de 90% das casas. Temos como companheira diária (24 horas) a televisão e suas faces.
Interessante percebermos como são divulgadas as notícias e quais os interesses por trás desta divulgação.
A toda poderosa “senhora” Rede Globo de Televisão, assume esse status de ser a primeira em audiência no país, e vejamos que toda a programação desta emissora está voltada para a manunteção deste poder. As grades de programação são muito parecidas em todas as emissoras, visto o entediamento constantes dos telespectadores, e podemos afirmar com a seguinte indagação: “não passa nada que preste!” Quem nunca fez essa pergunta!
A ideia desta discussão está acompanhada ao que nós podemos refletir sobre o que estamos assistindo, e quais são as informações absorvidas por nós sem os devidos questionamentos?
As novelas, reality show, são uma amostragem da vida real humana? ou uma banalização da vida real humana?

Michael Medeiros Marques
Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Regional do Cariri
Bacharelando em Ciências Sociais pela Universidade Regional do Cariri
Secretário de Finanças do Coletivo Camaradas www.coletivocamaradas.blogspot.com
Professor de Sociologia

Show da Banda Black Dog.


Aconteceu. Não virou manchete, mas virou uma epidemia entre os amantes de um gostosíssimo Rock and Roll. A Banda Black Dog veio ao Cariri e dele está possuída, e nós caririenses também. Foram dois pockets-shows e um super show. Primeiro, dia 18 no SESC Crato, com a produção local do Centro Cultural Banco do Nordeste. Os caras fizeram uma apresentação básica de uma hora, no formato de show-de-rock-em-teatro. Uma bela apresentação que fez lotar aquele espaço fantástico do teatro do SESC do Crato. No dia seguinte, 19/06, a primeira apresentação do dia foi no Centro Cultural do Banco do Nordeste, aquele que é o centro cultural referência no nosso Cariri. O show começou por volta das 20h. Quem foi adorou e os caras fizeram também uma apresentação memorável. Mas foi mais adiante, lá por volta das 23h que os caras realmente arrebentaram. Botaram rock na veia da galera. O ambiente? Nada mais perfeito que o Pink Floyd Bar. Aquele espaço maravilhoso onde você pode sentir o clima mais que bacana de liberdade, prazer e alegria. Os quatro cachorros pretos, não entendiam aquilo. Eles ficaram de queixo caído, literalmente. Como pode se chegar ali, a cerca de 9km do centro do Crato, gente de Crato, Juazeiro, Barbalha e mais algumas outras cidades do Cariri? E para ouvir Led Zeppelin? Que locura era aquela? Mas a loucura aconteceu. E veio carregada de muita energia. A noite prometia. As 21h a gostosíssima banda NIGHTLIFE entrou em cena para nos trazer a magia dos flashes backs dos anos 70/80, com aquele seu formato único de se apresentar sentados. Antonio do baixo, Marquinhos e cia fizeram a abertura do show do Black Dog e muito nos honraram com sua brilhante apresentação, sempre. Por volta das 23h a Black Dog acho que soltou algum “raio paralisante qualquer”. As pessoas não conseguiam dançar! Ficou grande parte do público de braços cruzados, de frente pra banda, olhando os caras tocar! Aí, quem ficou de queixo caído foi a galera!Mas calma! Isso não foi todo o tempo! Quando, lá pela terceira ou quarta música, os caras sentiram a simbiose e ela realmente aconteceu, a festa se tornou um vírus. Um vírus que se alastrou por todas as cabeças do bar, inclusive de Erisvaldo (o Pink) e Sandra, donos da casa. Foi delírio geral. A festa foi um completar-se mútuo. Banda, galera, produção, donos da casa. Ninguém conseguia parar mais. Parecia que soltaram algum gás de efeito naquele ambiente, que a todos contaminou. A alegria e o rock estavam juntos. A Banda Black Dog marcou a nossa produção. Marcou o pink Floyd Bar. Marcou o coração da galera.
A emoção continuou por mais alguns dias. Os caras ficaram ainda o domingo e a segunda-feira aqui junto conosco. Conheceram mais um pouco da nossa terrinha. Conhecemos alguns outros projetos da banda. Conhecemos-nos mais. Pintou outros trabalhos, outras idéias, outros projetos. Pintou muita energia, muitos planos para o futuro e a sensação de que esse contágio mútuo vai dar ainda grandes encontros e realizações.
Gostaria de agradecer às empresas e pessoas que nos deram a força para que o evento rolasse. A Prefeitura Municipal do Crato, A Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato e ao SEBRAE Crato pelos apoios culturais. Às empresas Porão do Rock, Posto São Miguel, Moto Shopping Suzuki, Cevema, Frank Tatoo, Clínica da Bike, Nap Informática, Posto Palmeiral, ao Grupo São Geraldo e a Pororoca, por patrocinar esse evento que veio marcar a nossa região do Cariri. Obrigado a todos. Obrigado também ao amigo Junior Balu, pela cessão do seu espaço, sua casa, para “abrigar” essa querida banda. A casa de Balu se tornou o nosso “QG”, onde a banda se sentiu bastante confortável e curtiu a maravilha da companhia dessa grande figura caririense. e por último gostaríamos de agradecer a Ives, Fernando, Daniel e Christian, os Cachorros Pretos. Pelas suas performances, pelos seus talentos, pelas suas amizades e força. E mais ainda por tudo que aconteceu e como aconteceu, marcando para sempre os nossos corações e mentes. A Banda Black Dog nos trouxe o Led Zeppelin ao Cariri. Só isso e nada mais. Daqui pra frente, tudo será completamente diferente, porque nós queremos. Assim seja.

O alcoolismo – Emerson Monteiro

Das primeiras vezes, acha-se divertido. Envolve-se. Alegra-se. Facilita participar de grupos sociais com mais satisfação. Torna-se um passaporte para novas amizades. Fácil de encontrar, a bebida se oferece nos variados recantos deste mundo dito civilizado. Torna-se algo semelhante a sonhar de olhos abertos.
Mas que fica apenas nisso mesmo. Depois de algum tempo, qual dragão indomável, o vício sujeita a vida e o que antes era sonho torna-se pesadelo a desafiar o ser humano e sua força de reagir e se libertar.
Eis o alcoolismo, flagelo indescritível dos dias atuais. Monstro devorador da personalidade, intruso destruidor de famílias, de jovens e adultos, homens e mulheres, ricos e pobres, de esperanças e ideais. Tudo sob a permissão das instituições, fonte de lucros tributários e origem de receitas empresariais.
Hoje, o alcoolismo vem sendo analisado sob outros prismas e passa a ser considerado pela ciência como um mal de solução difícil, agente nocivo desagregador de graves riscos à saúde pública.
Quando termina o dia de trabalho, começam os litígios. Pais de família saem pelos bares e casas de espetáculos a satisfazer o cruel instinto da sede alcoólica, expostos à sanha perversa de piores consequências, porquanto portas se abrem fácil a quem busca as malhas do vício.
A aceitação social, a falta de prevenção e publicidades enganosas são as principais fontes que explicam a quantidade de pessoas que abusam do álcool. A falta de conscientização e o desconhecimento dos efeitos do álcool levam jovens e mulheres grávidas serem parte dos grupos de risco.
A isto tudo pode somar o vazio que gira em torno das pessoas que sofrem dessa doença. O problema com os jovens, e, sobretudo, com os adolescentes, é o alto grau de violência que o excesso de álcool neles ocasiona, como também a quantidade de acidentes de trânsito que produzem quando se encontram em tal grau de alteração. Costuma acontecer, também, que um adolescente beba até chegar a limites perigosos, simplesmente para fazer graça com o grupo de amigos.
No caso das mulheres em período de gestação, o abuso de álcool nas primeiras semanas de gravidez pode produzir uma formação defeituosa no crânio, no rosto e deficiência mental no feto. É por causa disso que normalmente se aconselha às grávidas que a se absterem de beber durante os primeiros três meses de gravidez, e que depois, se houver vontade de beber, que o faça com moderação. Como normalmente a mulher fica sabendo do seu estado de gravidez após a concepção, é muito perigoso que ela beba em demasia. Um outro grupo de risco são os desempregados e aqueles trabalhadores denominados não qualificados, pois eles se dedicam ao consumo de bebida alcoólica em excesso por causa das condições sociais nas quais estão obrigados a viver.
O segundo fator encontra o seu componente mais forte na pobreza. O álcool é uma droga a mais, e em alguns casos, é muito mais fácil de adquirir do que outros elementos nocivos. Por causa disso, algumas pessoas humildes e de baixos recursos intelectuais e culturais buscam afogar os problemas e prejuízos sociais na bebida, mais barata e fácil de conseguir que outro tipo de droga.
Abrir os olhos o quanto antes, eis a forma de se garantir uma vida saudável e livre dessas mazelas suicidas a que muitos se submetem nem sempre por falta de aviso.

A JURIDICIZAÇÃO DA ALIENAÇÃO PARENTAL – Um dos Aspectos da Desconstrução do ‘Outro’ – Por: Reno Feitosa Gondim

Tudo é possível numa sociedade em que a existência do outro enquanto ‘alteridade’ é tomada como uma ‘coisa’ dispensável, e, se possível, uma ‘ausência’, nesse último caso, como se da ‘coisa’ fosse possível purgar-lhe a materialidade e convertê-la em puro ‘objeto-de-desejo’ (uma certa neurose da sociedade contemporânea denunciada pelo Niilismo). Com efeito, a gravidade da questão da ‘alteridade’ aponta para a superação da sua posição iniciática esclarecida pelo Marxismo no século XIX, haja vista que, hodiernamente, não se imiscui apenas nas relações de produção, expandindo-se num movimento também antevisto, das correlações entre infra e superestrutura. Das relações econômicas, a coisificação alcançou as instâncias ideológicas superestruturais clássicas (assim como a acumulação de capital tem pretendido tomar de assalto os céus – anteriormente prometido aos pobres).
Aliás, essa é a tônica das relações sociais que doravante alcançam a instituição tida como fundamento da sociedade: a família.
A redefinição do papel dos membros do núcleo familiar na sociedade atual, como um desdobramento do processo histórico de desconstrução da ‘Família Patrimonialista’, tem gerado um dos mais viscerais elementos de violência contra as crianças e os adolescentes no âmbito intrafamiliar, notadamente pela exposição às mais variadas formas de crueldade e coisificação, que vão da exploração sexual à alienação parental.
Nesse sentido, a ‘alienação parental’ enquanto novidade nos foros judiciais e nos debate jurídico acadêmicos representa o abuso do poder que um dos pais exerce sobre os filhos menores, causando-lhes distúrbios emocionais e mentais pela implantação de falsas representações do outro consorte, podendo este último ser o pai ou a mãe. O pano de fundo sobre o qual se desenvolvem esses espetáculos degradantes de desconstituição do ‘outro’, quotidianamente tem se exibido nos processos judiciais que envolvem a ruptura do casamento ou estado de convivência.
Com efeito, alhures, o núcleo familiar tem se convertido no palco da violência contra os impúberes, lá no impenetrável convívio da intimidade. O mais grave que se tem mostrado nesse contexto e pelos casos concretos, é o desejo indisfarçável de ver as crianças desconstituídas ou ausentes (em sua condição singular). Os maus-tratos emocionais pela alienação, o desprezo pelo processo de constituição da pessoa dignificado na criança e a substituição da ‘educação para a cidadania’ pela ‘educação para o consumo’, conformam a apresentação de um circo de horrores que mais adiante eclodirá na incapacidade de alteridade, isto é, na incapacidade de auto-realização do homem em convivência comunicativa com os outros (essencialmente em sua realidade conflituosa).
A difusão massiva e midiática dos preceitos darwinistas pelo neoliberalismo, o que, ademais, é também uma novidade da sociedade global em seu ‘pensamento único’, tem convertido o ‘outro’ em inimigo, em alguém a ser vencido e subjugado, isso dentro da liberdade mercadológica e sua ‘mão invisível’ (uma expressão eufemista para um produto convertido à ‘teoria da conspiração’).
A negação da ‘condição’ do outro e sua conversão em coisa é uma daquelas forças dialéticas da história capaz de produzir uma sociedade de massa repleta de indivíduos solitários, e de condensar sociologicamente um fenômeno a priori puramente psicológico. Nesse sentido, mais lacaniano que freudiano, eclode a ‘perversão’ como uma instituição social que quotidianamente nos invade midiaticamente e desse mesmo modo, nos despe do humanamente dignificante.
Dentre o leque de possibilidades que o futuro encerra, pode-se admitir a hipótese pela qual esta será a ‘sociedade dos ausentes’ em que os homens buscarão apaixonadamente a realização dos seus desejos pela via da desconstituição do outro e da ausência, e nesse aspecto, na infância de hoje, muitos estão plantando as sementes da coisificação e da indiferença que, pelo esvaziamento da condição humana, desconstituirão o porvir (ou, quiçá, confirmarão a hipótese escatológica do ‘fim da história’).
Todavia, algo permanece autêntico ao se considerar que a consciência bate à porta do homem na ambiência histórica do presente (‘dasein’ do existencialismo), embora as suas possibilidades comecem a se constituir desde o seu nascimento num núcleo familiar (pré-concepções da práxis e sua dialética negativa). A redefinição do papel dos membros do núcleo familiar na sociedade atual, da mulher e do homem, deve ser seguida por uma reflexão personalista e existencial que reconheça nos outros a alteridade contida nas pessoas que realmente existem e se fazem presentes.
Sem embargo, de modo inexorável, e dentro desse turbilhão de desencontros e falsificações, a alienação parental é um signo da decadência na qual a sociedade atual mergulhou e contra a qual se deve reagir, para além de positivas fórmulas engendradas no âmbito do Estado e suas políticas oficiais de controle seletivo da violência institucionalizada.
Resumidamente, o que a reflexão jurídica começa a perceber é que o problema e a sua solução estão além das formulações jurídicas positivistas e positivadas. Quiçá, estejam relacionados com o modo de vida da sociedade de consumo, onde absolutamente tudo é descartável (“Admirável mundo novo!” – diria Huxley, horrorizado.).
Reno Feitosa Gondim
Professor da URCA

O beijo

Edith Shain partiu neste último domingo, aos 91 anos. Vida longa. Três filhos, seis netos e oito bisnetos gravitavam em torno dela, numa casa em Los Angeles. A idade lhe consumira o frescor dos anos primaveris : Quase não lembrava a mocinha doce que fora enfermeira no Doctor´s Hospital em Nova York , nos anos 40, e, depois, professora de uma creche pública. Sua existência nada teve de muito extraordinário em se comparando com outras mulheres da sua geração. Nada. Trabalho, família constituída, atribulações cotidianas de uma enfermeira com seu ofício e afazeres domésticos. Apenas um fato inusitado, célere, imprevisível, a levou à celebridade. Destes acasos que fogem à perscrutação dos maiores visionários e que , tantas vezes, soprando em vento contrário, fazem com que o raio caia na nossa cabeça, ou pombo, em vôo, nos acerte a fronte com seu excremento. Mesmo assim, Edith manteve o segredo por quase quarenta anos. Temia a exposição às câmaras ou uma interpretação maliciosa por parte dos familiares e da sociedade norte-americana tão afeita ao falso moralismo e à hipocrisia.
Naquele 15 de Agosto de 1945, Shain , como toda Nova York, saiu mais cedo do trabalho e dirigiu-se à Time Square. Comemorava-se o Dia da Vitória , com a rendição final dos japoneses. O fim das agruras da II Guerra Mundial que havia ceifado tantas vidas daquela sua geração e posto sérias interrogações sobre o futuro da humanidade depois das imagens de Auschuwitz, Hiroshima e Nagasaki . Lá, uma alegria epidêmica contagiava a todos: vários militares beijavam as moças nas ruas, prenunciando uma época de aumento nos nascimentos , em todo o mundo, que se chamou, depois de Baby Boom. Como se a vida tentasse recuperar as perdas e estabelecer, claramente, sua soberania sobre a morte.
De repente, um marinheiro tomou Edith nos braços e sapecou-lhe um beijo cinematográfico – em meio à beijação generalizada . Tão vigoroso o ósculo que a curvou, como se iniciasse um processo de levitação. Durou apenas alguns segundos e o militar continuou a comemoração em outras bocas pela 7ª. Avenida. A cena teria se repetido por incontáveis lábios naquele dia e , nas suas velocidade e fugacidade, terá permanecido na memória gustativa dos protagonistas e na lembrança visual, igualmente efêmera, de alguns circunstantes. Em tempos em que a mídia engatinhava e as reportagens externas de TV ainda eram um sonho, pouco restaria daquele momento não fosse uma casualidade mágica. As lentes da Leica de um fotógrafo polonês : Alfred Eisenstaedt. Um clique apenas e estava imortalizado aquele instante único e icônico, uma foto, que por si só, consegue captar , na sua simplicidade, toda a profundidade da história. Aquele poder da imagem de consubstanciar nas suas nuances aquilo que as palavras, por mais que se sucedam, não conseguem resumir.
Por muitos e muitos anos, a foto célebre mantinha um tempero especial. Seus protagonistas eram anônimos, rostos perdidos em meio à turba. Só no final dos anos 60, Edith, com o despojamento que os anos lhe trouxeram, assumiu a participação. O marinheiro, no entanto, ainda é uma incógnita, embora peritos, posteriormente, tenham concluído, com alguma margem de segurança, se tratar de Glenn McDuffie,de Houston, hoje aos 82 anos. Um dia, entrevistada, disse Shain : “O Sol nasce, o Sol põe-se. Não muda nada. Nem foi grande coisa. Afinal meninas bonitas recebem sempre mais do que um único beijo, não é? Foi um bom beijo, longo. Fechei os olhos e não resisti.”
A imutabilidade do universo é apenas uma visão de superfície. Como se olhássemos o rio à distância, sem perceber seu fluxo incessante. Hoje , com a explosão midiática, quebraram-se todas as fronteiras da privacidade. O mundo transformou-se num reality show. A internet com suas webcams devassam todas as alcovas. Os paparazzi invadem todos os banheiros. Câmaras digitais e celulares saltam dos bolsos de cada habitante e registram os mais íntimos movimentos. E mais: as pessoas se expõem de vontade própria, cada um na busca de seu Time Square. Estudantes se filmam em transas e divulgam abertamente as imagens; mulheres e homens põem câmeras em casa e se ligam na net. Artistas registram a lua-de-mel , fingem roubo das fitas , liberando imagens tórridas no youtube. Depois, mostram-se revoltados e indignados. Antes as pessoas se apresentavam com duas máscaras: uma social mais simpática, educada e palatável: o Dr. Jekyll; e uma outra ,privada, onde mostrávamos, para nós mesmos e para uns poucos, nossa verdadeira natureza: o monstro. Agora só nos resta , a transparecer, quebradas os limites da privacidade, o que temos de pior : o Dr. Hyde.
Que distância separa o clique mágico de Alfred Eisenstaedt; da auto-exposição da Cicarelli, nas praias espanholas ou da Geyse na UNIBAN ? Acredito que a espontaneidade. A foto da Time Square eterniza um momento único e etéreo; sem que se tenha montado cenário e sem script pré-estabelecido. Ele é pleno de poesia, pois traz em si a essência plena do poeta, aquela capacidade de perenizar o volátil. Talvez , por isso mesmo, é que ainda hoje o beijo de Glenn e de Edith sabe a uruçu nos lábios de cada um de nós, como se a guerra tivesse acabado agora mesmo e a paz fosse uma verdade única e duradoura.

J. Flávio Vieira

Documentário contará história da Mestre Zulene Galdino

A mestra da Cultura Popular Zulene Galdino que desenvolve suas atividades na Vila Novo Horizonte no Crato terá o registro do seu trabalho transformado em documentário, através do Projeto “No terreiro dos Brincantes” desenvolvido pela Universidade Regional do Cariri – URCA, através da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX e do Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC.
A Mestra Zulene, desde criança dançava quadrilha junina, tendo criado dois grupos, um de infantil e outro de jovens. Além da quadrilha, a Mestra mantém vivo outras manifestações na comunidade, como a lapinha, maneiro-pau e o grupo Cintura Fina.
O projeto “No Terreiro dos Bricantes” visa contribuir para memória social e afirmação da identidade e diversidade cultural das manifestações artísticas e culturais da região do Cariri. O projeto é desenvolvido através de registros audiovisuais e entrevistas com os mestres e mestras do saber popular na própria comunidade. Um dos objetivos do documentário é contextualizar a realidade socioeconômica dos brincantes. Deverão ser feitos 10 documentários, o primeiro que está em fase de finalização contará a história das mulheres do Coco da Batateira. O Projeto conta com 07 acadêmicos monitores. O primeiro registro na Vila Novo Horizonte será neste sábado, dia 26, a partir das 14h00.
Serviço:
Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC
Pro – Reitoria de Extensão – PROEX/URCA
(88) 3102-1200