Arquivos mensais: março 2010

MALHAÇÃO DO JUDAS NO CRATO-CE

PROGRAMAÇÃO

15 horas: Cortejo do Judas: trecho Centro (Bodega do Joquinha, rua dos Cariris) – Praça 3 de Maio – Rua Mons. Esmeraldo – Rua São Francisco – Rua Mons. Assis Feitosa – Centro Cultural do Araripe (RFFSA). Participação do Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista (Mestre Cirilo), Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, Boi, Burrinha, Jaraguá, Chica Curuja (Joseany Oliveira), Geroplícia (Orleyna Moura), Zé de Baca (Cacá Araújo), Buneca de Lôça (Mª Isaura Araújo), Chicó (Flávio Rocha), Sivirino Cipó Cravo (Franciolli Luciano), Maria Capionga (Tereza Cândido), Fofolete do Sertão (Gabriela Melo), Zefa Rapa-Côco (Charline Moura), Eufrosina Barraquêra (Lílian Carvalho), Carrim do Bago Mole (Edival Dias), Cabôco Fumadô (Jardas Araújo), Cumade Meropéia (Mônica Batista), Tanajura Cafuné (Jonyzia Fernandes), Perpa Criolina (Lorenna Jéssica), Lôra do Banhêro (Françoi Fernandes), Cão Côxo (Josernany Oliveira), Serpentina Vuadora (Joênio Alves), Mutuca Lombrada (Felipe Tavares), Carrapato de Musquito (Márcio Silvestre), Medusa Bombril (Andecieli Martins), Dona Pomba (Mariana Nunes), Tranquilino Ripuxado (Pedro Ernesto Morais), Coroné Barduíno (Adauberto Amorim), Cabinha do Babado Forte (Paulo Henrique Macêdo), Luizinho Brega Star (Tio Bibi), Zé Bocoió (Aécio Ramos), Maria Matusquela (Teresa Ramos), Raul Canga-Seixas, Jurema Catolé (Carla Hemanuela), Beata do Chafurdo Bom (Kelyenne Maia), Virgulino Goiaba (Danilo Brito), Cipriano Tabaquêro (Veylla Duarte), Vitalino Fura-Fura (Lifanco), Julião Paçoca (Italo Benui), Capeta do Engenho (Willyan Teles), Rodonézio Viramundo (Hamilton Holanda), Maripôsa Cansanção (Aline Pinheiro).
17 horas: 1. Chegada ao Sítio do Judas, no Centro Cultural do Araripe, onde o traidor permanecerá até a hora de seu julgamento e malhação, sob a vigilância dos Caretas; 2. Tradicional roubo do Sítio do Judas: Os Caretas vigiam o sítio montado e açoitam com chicotadas os que ousarem roubar. A façanha é sair do sítio sem apanhar (e com o roubo).
19 horas: 1. Leitura do Testamento do Judas; 2. Malhação do Judas, com show pirotécnico e artistas circenses.
20 horas: Forró pé-de-serra com Luizinho Brega Star, Sílvio Clay e Trio Flor do Pequi.
22 horas: Encerramento.

Programa Instrumental & Qual – O Som da Terra nº 7 recheado de sons brasileiros

Todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas, os aficionados por música instrumental têm encontro marcado com o Instrumental & Qual – O Som da Terra, programa especializado no ramo, cuja característica é a diversificação no tocante a gêneros, ritmos, tendências e origens. Mas, cada vez mais, o programa dá destaque à música brasileira por acreditar na excelência dos compositores e músicos aqui surgidos. Das quinze músicas selecionadas para o programa desta quarta, dia 31 de março, nada mais nada menos do que onze são brasileiras ou executadas por músicos brasileiros. Isso é apenas um dos sintomas que indicam que a música brasileira é uma das mais ricas e apreciadas do mundo.

Salve o Brasil! Salve a música brasileira!

Roteiro musical
1. Abertura: Head For Backstage Pass (Wilbur Bascomb), com Jeff Beck
2. Honeysuckle Rose (F. Walter e A. Razart), com Toots Thielemans
3. Saudade da Bahia (Dorival Caymmi), com Raul de Barros
4. Mestre Bimba (Luiz Eça, Bebeto e Hélcio Milito), com Michel Legrand
5. La Mer (C. Trenet e Bretton), com Ray Conniff
6. Pedacinho do Céu (Waldir Azevedo)
7. La Cumparsita (Paulo Moura)
8. Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), com Orquestra Tabajara
9. Água de Beber (Tom Jobim e Vinícius Moraes), com Quarteto Maogani
10. Perto do Céu (Ulisses Rocha)
11. Amigo (Lula Cortes e Lailson)
12. O Passeio da Boa Vista (Dado Villa-Lobos e Renato Russo), com Legião Urbana
13. Malacaxeta (Pepeu Gomes), com Pepeu e Armadinho
14. Maria Bonita (Agustin Lara), com Orquestra Super OARA
15. Encerramento: Mr. Funky Samba (Jamil Joanes), com Banda Black Rio

O programa Instrumental & Qual é transmitido às quartas-feiras, às 14 horas, pela Rádio Educadora do Cariri AM 1.020 e Internet (cratinho.blogspot.com), e retransmitido pela Web-Rádio Chapada do Araripe (http://www.chapadadoararipe.com/), às sextas-feiras, 21 horas.

Fique ligado!

Ficha Técnica
O programa Instrumental & Qual – O Som da Terra é uma produção das Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA) e revista virtual Cariricult, com apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste em parceria com a Rádio Educadora do Cariri AM 1.020.
Redação e programação musical: Luiz Carlos Salatiel, Dihelson Mendonça e Carlos Rafael Dias.
Apoio logístico: Guilherme Farade e Amilton Som – CDs, DVs e Acessórios.
Apresentação: Carlos Rafael Dias.
Operador de Áudio: Iderval Silva.
Operador de transmissão: Iran Barreto.
Gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri: Lenin Falcão.
Diretor da Rádio Educadora do Cariri: Geraldo Correia Braga.

MANIFESTO CONTRA RETROCESSO

[Manifesto contra o Projeto de extinção da Secretaria da Cultura de Juazeiro do Norte – Ceará]

Juazeiro do Norte/CE, 23 de março de 2010.

Ao Ministro da Cultura,

ao Secretario de Cultura do Estado,

ao Prefeito de Juazeiro do Norte,

a Câmara Municipal,

aos artistas e a população de Juazeiro do Norte.

Qual seria a função da cultura? Qual seria a função do artista?

As respostas para estas perguntas são inúmeras, eu ou você poderíamos escrever laudas e laudas e cada um que lê este documento iria escrever outras dezenas completamente diferentes. Agora a pergunta é:

Qual o função do governo federal, estadual e municipal na Sociedade?

Qual é a função das secretárias de cultura estaduais e municipais?

Nós sinceramente acreditamos que uma das funções seja compartilhar as necessidades dos artistas para juntos com o poder público, pensar, criar, desenvolver ações e projetos culturais que favoreçam a maior parte da população da cidade.

Pois bem, eis que Juazeiro do Norte, a segunda cidade mais importante do Ceará, eixo principal da região conhecida como Cariri, com uma população estimada em 242.139 habitantes, teve recentemente um estranho e lamentável retrocesso, o Governo Municipal, sem nenhum tipo de convocação ou satisfação com os artistas e população, simplesmente quer extinguir a Secretária de Cultura Municipal e transformá-la em um mero departamento da Secretária de Turismo e Romarias. Essa não é a primeira vez que a cidade assiste a ações de políticos, em atrelar a Cultura a Secretarias de Educação, ou Esporte, ou Turismo Religioso. Em gestões passadas, a responsabilidade ficou atrelada na pasta da educação. Funcionou? Não, não funcionou. Frustou!

O que fica mais absurdo neste Ato e se torna contestável é acontecer num governo que se denomina Governo da Revolução Democrática. Um governo que deveria ser constituído por pessoas de mentes abertas, com conhecimento, sensibilidade e uma postura contrária a todos anteriores. Recorrer ao mesmo erro de gestões passadas e criticadas em épocas de militância é afrontar todos os artistas. A cultura é parte da sociedade e seu desenvolvimento, depende também de cuidado pelo poder público.

Como uma cidade considerada “celeiro cultural” encara uma Ação como essa? Com Re-Ação, temos que reagir, temos que criticar e se unir. Esta é uma medida que nos renega articulações estaduais e federais, porque o Ministério da Cultura esta cada vez mais atuante, ações, editais, projetos, incentivos, fóruns, plenárias e encontros. E quem garante que essas articulações chegarão a nós sem uma Secretaria específica.

Tempos atrás, a Secretaria de Cultura do Estado percorreu as cidades do Ceará, divulgando e convidando os municípios a aderirem ao Sistema Nacional de Cultura (SNC) e o Plano Estadual de Cultura. Ressaltando a importância de um órgão específico para a gestão cultural, com dotação orçamentária própria. Na ocasião dos 184 municípios cearenses, 171 assinaram o protocolo de intenções do SNC, comprometendo-se, entre outras competências, a participar da definição de planos e ações públicas para a cultura em todo o país. Juntando-se a “luta” para se chegar a 1% o orçamento cultural nos municípios. Juazeiro esteve presente e construiu também seu Plano de Cultura, mas a atual gestão tomou este documento durante a transição das Secretarias e quando do Planejamento para ações da gestão dessa pasta?

Desse movimento nossa cidade caminhou em passos lentos e limitou-se a realizar as conferências municipais, mesmo sem força nas articulações com artistas e com a secretaria de cultura, realizou projetos que distribui uma verba aqui outra acolá para grupos ou eventos, como se cachês esporádicos resolvessem questões eminentes para a produção e fomento da cultura.

Neste momento queremos nos fazer ouvidos. Pois as seguintes questões têm de ser respondidas e refletidas:

– Como uma cidade do porte de Juazeiro do Norte limita uma secretaria de suma importância para uma coordenação?

– Como uma cidade com a produção cultural tradicional e contemporânea tão latente e pulsante perde assim extra-oficialmente, um veículo de comunicação e interlocução entre artistas com o poder público?

Esta carta/manifesto tem caráter político, mas apartidário e deseja comunicar a população do Cariri que atual crise do Governo chega a Cultura e da fragilidade que nos encontraremos sem uma Secretaria em nossa Cidade. Queremos também que nossos direitos como cidadãos nos possam ser dignos pela gestão do Prefeito Sr. Santana e que o mesmo revogue esta decisão pela classe artística e pela população de Juazeiro do Norte.

Aproveitamos também que este novo momento que se inaugura, a exigir desta administração que as discussões de políticas públicas de nossa Secretaria passem de forma democrática com a participação do Fórum de Defesa da Cultura de Juazeiro que a partir deste momento instala-se criado pelos que aqui assinam:

Aline Sousa – Bailarina e estudante de Educação física

Alysson Amancio – coreógrafo, bailarino, professor universitário e presidente da Associação Dança Cariri

Dakini – Coreógrafa da Dakini Cia de dança e estudante de Teatro

Edival Dias – Arte-Educador e membro do Coletivo Camarada

Fanka – Educadora

Gil – Presidente da Quadrilha do GIL e Ponto de Cultura

Jaiane Diniz – Bailarina e estudante de Educação física

João Alves – Representante do Movimento LGBT do Grupo GALOSC

João Batista Cavalcante – bailarino

Jota Junior Santos – Produtor Cultural e Gestor da Associação Dança Cariri

Luciana Andreza Araujo – Bailarina

Luciana Malti – Decoradora e cidadã de Juazeiro

Luciany Maria – Fisioterapeuta, Psicanalista em formação e tesoureira da Associação Dança Cariri

Luis Carlos – membro do Grupo GALOSC

Luiza Lubeck – Produtora Cultural

Manuela Arruda de Mattos – Universitária, estagiária da biblioteca pública pela Secult

Mari Eli Alves Bezerra – Realizadora em Audiovisual, proponente do Curso de Formação de produtores culturais premiado pelo Mais Cultura

Maria Dias Menezes – Realizador em Audiovisual e Educadora

Orlando Pereira, Realizador em audiovisual e Artista Visual

Renan Motta – Ator
Socorro Silva – Bailarina

José Clerton de Oliveira Martins – Comissão Cearense de Folclore e ProDança

Quim-Quim

Pouco tinha do estereótipo de um guru indiano. Baixinho, atarracado, cabeça de cearense com olheiras pronunciadas ; cabelo ralo com grandes entradas laterais. Parecia uma caricatura de si mesmo, uma espécie de amigo da onça. Visto ao longe , concluir-se-ia tratar-se de um chapeado, um carregador de encomendas. Tirante os olhos profundos e perscrutadores, nada havia de especial ou transcendental naquela figura. Morava num bairro pobre, a Vila Lobo, numa casinha humilde e sem muito conforto. Descendia , porém, de uma ala muito mística dos Bezerra de Menezes que teve em suas hostes meus tios João e Estácio provindos todos de uma ascendência nobre : o cultuado kardecista, do Riacho do Sangue, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes.
Chamava-se Joaquim, mas ninguém o conhecia por este nome, mas por um outro bem mais doce e artístico: Quim-Quim. A cidade , nos anos 40-60, antes do advento da TV, do Computador, do DVD, ainda vivia imersa num Big-Brother particular. O mundo , ainda sem energia elétrica, povoava-se de caiporas, duendes, pais-da-mata, sacis-peperês. As doenças deste mundo eram causadas, o mais das vezes, pela influência misteriosa de muitas forças malignas: o zodíaco, a inveja, a coisa-feita, o mau-olhado,as pragas, as maldições, o feitiço, a ziquizira, o caboje, o olho-gordo. Nossos livros populares de patologia estavam repletos de muitas moléstias perfeitamente preveníveis: o quebranto, a espinhela-caída, a apoplexia, o defluxo, o ventre-caído. Os médicos ainda se mostravam raros pelo interior do Nordeste e os rezadores, assim, num misto de pajés, encantadores de serpente, milagreiros, utilizando um ritual profundamente sincrético, atendiam à população nos seus anseios mais prementes. Quim-Quim desdobrava-se no atendimento às mordeduras de cobras de homens e animais, às infecções intestinais e respiratórias das crianças, às moléstias as mais variadas da terceira idade. Tinha orações fortíssimas para os entalados com espinhas de peixe. Nas doenças de fundo emocional, então, a força do ritual de suas preces possuía um efeito invejável na cura das neuroses mais comuns. Era de arrepiar vê-lo em transe, sussurrando as palavras milagrosas: “Gloriosos São Sebastião e São Jorge, São Lázaro e São Roque, São Benedito, São Cosme e São Damião. Todos Vós, Bem-aventurados Santos do céu, que curais e aliviais os enfermos, intercedei junto ao Senhor Deus pelo seu servo .Vinde, Gloriosos Santos, em seu auxílio. Fechem-se os olhos malignos, emudeçam as bocas maldosas, fujam os maus pensamentos e desejos.”
Um dia a luz elétrica invadiu o mundo, espantou a lua e tangeu para longe nossos mitos ancestrais. Aparentemente se desvendaram os mistérios do mundo com o telescópio, o microscópio, o computador. A Medicina utiliza-se de um sem números de modernos instrumentos para tratar moléstias antigas e fabricar a cada dia novas patologias e novos medicamentos. A morte a vista se substituiu por um longo velório em caras prestações diárias. Hoje nossos temores são bem mais objetivos e reais : a violência urbana, o stress de todos os dias, o trabalho de todas as horas. A plástica e o Viagra nos remetem ao mito da fonte da juventude. A humanidade aumentou em muito sua esperança de vida, mas consegue ser mais feliz nestes anos que lhe foram acrescentados? Quim-Quim hoje está bem presente nos livros de auto-ajuda e nos divãs dos analistas , mas já sem a mesma eficácia de outrora.

J. Flávio Vieira

Ritmos brasileiros em destaque no programa Instrumental & Qual – O Som da Terra nº 5

Programa radiofônico de música instrumental transmitido às quartas-feiras, 14 horas, pela Rádio Educadora do Cariri AM 1.020 e Internet (cratinho.blogspot.com), e retransmitido pela Web-Rádio Chapada do Araripe (http://www.radiochapadadoararipe.com/), às sextas-feiras, 21 horas

No Brasil existem muitas manifestações musicais. Uma linha é especialmente encantadora: a música instrumental brasileira.

A mistura de samba, frevo, maracatu, xote, maxixe, xaxado, forró, baião, com o jazz, se manifestou por aqui com mais flexibilidade na chamada música instrumental brasileira, a vertente que mais comeu desse pasto e bebeu dessa fonte multicultural.

Sendo assim, vale considerar que a vanguarda do mundo no campo da música éramos nós já há 30 ou 40 anos. Isso, quando surgiram grupos como Som 4, Sambrasa Trio e Quarteto Novo. Propositadamente, a citação desses grupos deve-se ao fato de que o magistral músico instrumentista Hermeto Pascoal fez parte deles.

A música instrumental brasileira é revolucionária. Isso se constata ouvindo. Enquanto alguns estilos musicais são tão populares porque grudam logo nas primeiras audições, a improvisação musical tem como mola-mestra um caráter criador do ouvinte.

Ouvir música não deveria ser uma atividade banal. Fazer música menos ainda.

(Excertos adaptados do artigo “A música que poucos ouvem”, de Felipe Obrer).

Roteiro musical
1. Desafinado (Tom Jobim), com Eliane Elias
2. Fragile (Sting), com Freddie Hubbard
3. Forró Brasil (Hermeto Pascoal)
4. You’ve Got to Hide Your Love Away (Lennon e McCartney), com Rick Wakeman
5. Vira e Mexe (Luiz Gonzaga)
6. Gréia (Jefferson Gonçalves e Kleber Dias), com Jefferson Gonçalves
7. I Have a Dream (Herbie Hancock)
8. Estesia (Dihelson Mendonça)
9. Bebê (Hermeto Pascoal), com Eumir Deodato
10. Honeysuckle Rose (F. Walter e A. Razart), com Toots Thielemans

Ficha Técnica
O programa Instrumental & Qual – O Som da Terra é uma produção das Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA) e revista virtual Cariricult, com apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste em parceria com a Rádio Educadora do Cariri AM 1.020.
Redação e programação musical: Luiz Carlos Salatiel, Dihelson Mendonça e Carlos Rafael Dias.
Apoio logístico: Guilherme Farade e Amilton Som – CDs, DVs e Acessórios.
Apresentação: Carlos Rafael Dias.
Operador de Áudio: Iderval Silva.
Operador de transmissão: Iran Barreto.
Gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri: Lenin Falcão.
Direto da Rádio Educadora do Cariri: Geraldo Correia Braga.

Fique ligado!

PC do B – 88 anos de Socialismo sempre renovado*

Por José Cícero
Um tributo ao aniversário dos 88 anos de existência do PC do B.

Um sonho antigo
Que ainda não se esmaeceu
por completo
No horizonte do mundo.
[Socialismo.
PC do B – fortalecido: 88 anos.
Um bastião de jovens valentes.
Próspera semente.
Plantada no solo fértil
Dos horizontes altissonantes.
Esperança que a cada dia
Se renova,
Nos nossos braços fortes
Corações e mentes;
Como glicose aplicada
Nas nossas veias.
[Socialismo.
Busca incessanteda
coletiva felicidade
que acreditamos.
Enormes utopias do gênero humano.
PC do B – timoneiro: 88 anos.
Glória de toda uma história
Travada em favor do bem.
Combate pela igualdade
esperanças conjugadas
Em seu próprio Norte.
[Socialismo.
Sonho convicto dos homens
E das mulheres conscientes,
Juntos edificando,
Em pleno uníssono
Os alicerces
Inquebrantáveis do futuro.
[Socialismo.
PC do B – Araguaia: 88 anos.
Utopia em favor da paz.
Sociedade libertária.
Mansuetude do mundo.
Comunhão dos que não têm medo
idéias iluminadas, revolucionárias…
Sol do futuro.
Desprendimento guevariano.
Dias alvissareiros
Revolução.
Democracia Popular
Garantida ao mundo inteiro.
[Socialismo.
PC do B – heroísmo: 88 anos.
Farol de um novo tempo.
Luta da memória e dos anos
Contra o fantasma do esquecimento.
João Amazonas e tantos outros
Magnos combatentes;
Ainda hoje a segurar conosco,
– Os contemporâneos,
a foice e o martelo
Como instrumentos
de uma construção
Diária, necessária.
Rubra rosa, vermelha bandeira
Fogueira a iluminar os guetosdo Brasil
e os jardins floridos do planeta.
Pavimentando de determinismo revolucionário
os novos caminhos do futuro.
[Socialismo.
PC do B – jovialidade de idéia: 88 anos.
Perspectiva de tudo o mais que é novo.
Luta dos povos
Em favor dos que ainda não se deram por vencidos.
[Socialismo,
PC do B – combativo: 88 anos
Juventude, experiência e compromisso.
Socialismo, socialismo, socialismo!…
______________
José Cícero
Professor, pesquisador e poeta
Dirigente municipal do PC do B
Secretário de Cultura
Aurora – CE.
LEIA MAIS EM:

A longa espera de um náufrago – Emerson Monteiro

Que inigualável o pensamento!… De um momento a outro, formam-se nuvens de imagens e apontam no horizonte as palavras, quadro nítido a contar o que isso quer dizer, no trânsito filosófico de conceitos, à pulsação de significados. Existência quer falar, neste mar sem fim. Os endereços das mensagens abrem portas, pedindo clemência, num fervilhar de ancas, dançarinas fogosas de lábios convidativos, e descem pelas veias do instante a seiva de persistir, diferente de quando o barco afundou, largou tripulantes no alto mar, ou em meio aos rochedos afiados de continentes escuros, ou areias escaldantes de ilhas desertas, indiferentes projetos ilusórios que antes alimentavam sonhos fantasmagóricos, perdas largadas nas ondas por náufrago agarrado a vida incógnita qual derradeira esperança irresponsável.
Vem o Sol, vem a Lua, as Estrelas, dias e noites pontuais… Popas distantes de outros barcos passam ao largo inalcançáveis… Chuva… Vento… Uma lâmina impaciente de vagas brilhantes cobre de espumas cinzentas narinas ofegantes.
Boiar sobre escombros, agarrado aos laços de cordas rotas, língua seca e lábios tostados, marcas purulentas de esverdeadas escamas lhe cobrem a pele. Nisso, luz intensa perfura-lhe os olhos, enquanto a pulsação das águas fustiga o flanco do destino à deriva, ritmo de canção entranhada na memória sem qualquer sentido, que persiste no oceano de inconsciente sonâmbulo, vadio marulhar forte na caverna dos ouvidos.
Lento esperar por quem nunca avisou que chegaria aos comboios próximos das circunstâncias possíveis… Porém mandara subscrito inevitável demonstrando a obrigação de viver enquanto no peito sacudir o tambor do coração…
Ao apagar das luzes do verão absurdo, fogo-fátuo indiferente crepita o infinito da planura e saltam mechas derradeiras de poente, cenário próprio ao delírio da sede que lhe corrói as entranhas, aviso pegajoso do trilho comum a todos os seres vivos.
Retornam, através da sensação, espasmos frios de gotas saltitantes, desejo apreensivo de rever a família reunida em torno do pão, à mesa do jantar, quando filhos se divertem com menores assuntos. Ouvir o futuro, abandonar asas ao crepitar sereno das tardes simples, solenes, espaço das certezas que fogem, fagulhas amolecendo na brisa de ausências que apenas aguardam outras combinações de letras e argumentos, exemplos eternos da cena seguir em frente, maior do que meros organismos que se dissolvam.
Essa espera também domina o Universo; aves resvalam terras douradas, às vezes bem aqui, outras distantes, reforços do instinto de sobreviver, contenção da indesejável solidão do cérebro tostado no calor das tempestades da alma. Dormir bem que acalmaria por algum tempo o impulso de levar aos outros aquela aventura vivida, e ver outra vez nascer o dia.

Por Amor e Pela Arte…

“Se os legisladores se recusam a considerar poemas como crimes, então alguém precisa cometer os
crimes que funcionem como poesia, ou textos que possuam a ressonância do terrorismo. Reconectar
a poesia ao corpo a qualquer preço. Não crimes contra o corpo, mas contra Idéias (& Idéias-dentrodas-
coisas) que sejam letais & asfixiantes. Não libertinagem estúpida, mas crimes exemplares,
estéticos, crimes por amor.”
Hakim_Bey

Os encantados Zabumbeiros Cariris no Cariri Encantado

Foto: Alan Bastos

Nesta sexta, 19 de março, Dia de São José, o grupo Zabumbeiros Cariris (ZC) vai desaguar nos corações dos ouvintes do programa Cariri Encantado. Por sinal, e não por mera coincidência, o chão batido onde o ZC lançaram a semente inicial é justamente o Bairro São José, local que intersecciona Crato e Juazeiro, os dois maiores pólos dessa região encantada.

O ZC é um dos mais autênticos grupos musicais inspirados nas raízes nordestinas, em especial na musicalidade do cariri cearense.

Um dos que “tiraram fino” ao falar sobre o trabalho desta rapaziada foi o escritor José Flávio Vieira, em resenha sobre o disco de estréia do grupo:

“Eis os Zambumbeiros Cariris! Pleno de ângulos obtusos e faces pontiagudas. Traz no seu bojo toda coerência das nossas mais profundas incongruências. O Sacro/profano, o afro/indígena/ibérico, o cearense/pernambucano, o fúnebre/festivo e o romântico/erótico saltam como um saci, no terreiro de cada acorde deste disco. Os Zabumbeiros beberam nas fontes pródigas das bandas cabaçais, do reisado, do coco de roda, do baião, dos benditos, do maracatu cearense e de além-Araripe. Souberam , no entanto, destilar, desta calda sonora, um mel puro e original. Fizeram deste amálgama de sons um trampolim e se projetaram para além do simplesmente telúrico/ regional. Sua música sabe a pequi e a morango, tem o doce aroma do canavial e o acre cheiro do asfalto. Não se avexe, pois, quando a forte batida do zabumba penetrar pelos poros e vier a invadir suas artérias e sentidos. Relaxe e embarque nesta viagem futurística em busca dos nossos primórdios, em procura das fontes de onde flui nossa essência. Avançando para o começo, criançando os instantes, enquanto os Zabumbeiros nos descortinam o arcano: o estame do Som !”

Serviço
O programa Cariri Encantado é veiculado às sextas-feiras, das 14 às 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri AM 1.020 e na Internet pelo site cratinho.blogspot.com. Apresentação de Luiz Carlos Salatiel. Apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste.

Se ligue!

Chicote Queimado

Esta semana, em Fortaleza, a jovem empresária Marcela Montenegro foi morta numa tentativa de assalto. Uma família abalada autorizou a doação de órgãos terminando por beneficiar seis pacientes que, desesperadamente, aguardavam na fila de transplantes. Há que se louvar a força de familiares que, em meio a uma tragédia desse vulto, conseguem, mesmo assim, dar a volta por cima e transformar a dor e a revolta num ato de profunda solidariedade humana. Em meio à violência cotidiana, ficamos atônitos, na certeza de que é tênue a linha divisória entre o meu bem-estar e minha infelicidade . Eles dependem de meros fatos aleatórios e imprevisíveis. Parodiando Kipling , percebemos : quando se imola uma vida , de alguma maneira, se destrói o mundo. Postamo-nos todos, no meio da rua, buscando soluções para a guerrilha urbana que se vem instalando nos grandes centros populacionais. O mais das vezes, as propostas , emanadas no calor da paixão, trazem consigo um ranço vingativo que faria enrubescer o Código de Hamurabi. No caso da Marcela, há um perigoso agravante: a participação de um menor de 11 anos no assalto. Imediatamente nestes casos, salta em todos os noticiários a discussão interminável sobre a maioridade penal.
As justificativas para a diminuição da maioridade são amplas e repetitivas. Crianças com 15, 16 anos sabem perfeitamente o que estão fazendo, já podem inclusive votar e saem por aí dirigindo veículos. Por que , em caso de crimes cometidos, devem ser tratados como guris de berço, amparados e liberados rapidamente como se nada tivesse acontecido? Um tio da Marcela lembrou inclusive a condenação nos EUA à pena de morte, recentemente, de um menor homicida. Na Inglaterra, também, sabe-se de vários julgamentos à prisão perpétua para infratores juvenis. Por que só no Brasil isso não é permitido ? — bradam os programas policiais. Cientes dessa aparente impunidade, bandidos aliciam menores para participarem de suas paradas e , em caso de morte de vítimas, colocam a culpa do homicídio neles , já que praticamente não respondem processo e , no máximo com dois anos, independentemente da gravidade do delito, estarão de volta às ruas. Reconheço que muitos desses argumentos são fortes e irrefutáveis e impossíveis de serem destruídos, máxime em momento de revolta e ânimos exaltados. Sei, também, que é bem mais fácil encontrar caminhos mais pacíficos quando o holocausto ainda não bateu à nossa porta.
Pois bem, vou meter minha passadeira nessa gamela. Vou desfiar algumas reflexões pessoais sobre o assunto. Sei perfeitamente que há menores violentos em todas as classes sociais, mas no Brasil ao menos, os infratores juvenis são quase sempre aqueles das classes mais desfavorecidas. São órfãos de escola, de saúde, de moradia, de cidadania e dignidade, de pais e de país. Criaram-se numa selva terrível onde tiveram que adquirir meneios de chacais para poder sobreviver. Talvez, por isso mesmo, tenham amadurecido tão rápido e já pareçam velhos e truculentos ainda na adolescência. Vêm armados para cobrar uma conta que sabem perfeitamente que a nação lhes deve. Como levá-los a julgamento , se a sociedade que os vai julgar não lhes concedeu as oportunidades necessárias para viverem condignamente? Como compará-los aos adolescentes dos países desenvolvidos a quem a maior parte das vezes foram fornecidos todos os ingredientes para um desenvolvimento humano saudável? E se fôssemos reduzir a maioridade penal, de que adiantaria? Em que idade a fixaríamos? Vejam que um dos assassinos da Marcelo tinha apenas 11 anos. Os bandidos imediatamente passariam a aliciar menores agora já na nova menoridade penal. Reduzir a maioridade penal é tão inócuo como vender a cama para evitar o adultério ou derrubar a casa para solucionar o problema da violência doméstica. E mais, se pena de morte resolvesse o problema, ele já estaria sanado, pois ela já existe extra-oficialmente. Todo dia o noticiário policial está prenhe de execuções de jovens por policiais, justiceiros e traficantes. E o pior é que essas mortes são veiculadas pela mídia com uma naturalidade impressionante, como se fosse uma coisa normal e previsível, quase pedagógica. No Brasil não há socialismo nem na morte. Até 2012 calcula-se que 34.000 jovens serão assassinados, nas 267 cidades brasileiras com mais de 100.000 habitantes, uma média de 13 adolescentes imolados a cada dia.
Soluções simplistas e milagrosas não existem e não surtirão efeito maior. A repressão apenas é inócua. Há que se revolver as raízes do problema que se encontra encravado nas nossas imensas desigualdades sociais. A resposta não está na razão da criança ter amadurecido já aos quinze anos sendo assim imputável, mas no porque lhe terem arrancado a infância a fórceps e forçado a se tornar um adulta antes do tempo. Ele procura na rua aquele menino que esconderam dele como a um chicote queimado . E a única ajuda que a sociedade parece lhe dar é gritar sem nenhuma convicção um tá-quente-tá-frio .

J. Flávio Vieira