Arquivos mensais: Fevereiro 2010

ASSOCIAÇÃO CEARENSE DE FORRÓ

Ontem estive na reunião da ASF – ASSOCIAÇÃO CEARENSE DE FORRÓ, uma entidade que funciona em Fortaleza há pelo menos três anos. O local do encontro foi no KUKUKAYA, casa de shows já tradicional na capital cearense em apresentações de grupos e músicos do verdadeiro forró. Uma das melhores características da ASF é sem dúvida a valorização do autêntico ritmo nordestino que anda meio que deturpado, diante da proliferação de bandas e de músicas que só denigrem a imagem do povo cearense, com letras que incitam ao sexo, drogas, alcoolismo, violência, baixaria e desvalorização da mulher. O que a associação pretende é tão somente valorizar os músicos que dela participam, dando-lhes apoio e procurando divulgar os seus trabalhos de forma cooperativa e mostrando a qualidade de suas composições, sem a necessidade de requisitos totalmente fora do contexto do forró.
Estive lá a convite do artista NEO PI NEO, que é um dos diretores da ACF. Mas essa não é a primeira vez que estive por lá. Antes, participei das reuniões iniciais, no mesmo KUKUKAYA, sob a direção do Valtinho, que é o seu Presidente, e na ocasião estava lá o sanfoneiro SANTANA, de Juazeiro do Norte, que já participa de uma associação com as mesmas características na cidade de Recife.
Na reunião de ontem, uma ótima coincidência aconteceu. O encontro com João do Crato, que estava conhecendo a ASF e que, junto comigo, se prontificou em dar impulso a uma interiorização da associação através do Cariri. Então marcamos uma reunião para o Crato para a próxima semana, segunda ou terça-feira (mandaremos os convites para os interessados), com a presença de boa parte da diretoria da associação de Fortaleza. No momento, confirmaram as presenças: Valtinho (Presidente da ACF), Neo Pi Neo (Diretor) e outros integrantes da diretoria e sócios. Então desde já fiquem atentos, pois estaremos provocando esse encontro no nosso Cariri, para o lançamento da ACF-CARIRI, com o mesmo sentido que existe a associação em Fortaleza, ou seja, a valorização do verdadeiro forró, do qual temos orgulho de conhecer e de ser um dos ritmos que nos identifica.

Instrumental & Qual – O Som da Terra

Programa radiofônico de música instrumental nas tardes de quarta, das 14 às 15 horas pela Rádio Educadora do Cariri AM 1.020 e Internet (cratinho.blogspot.com)

A música é como o amor que quer ser supremo. Ela busca a perfeição e depende, assim, da reciprocidade entre o som e o compositor, o arranjador e o músico, o músico e o intérprete, o intérprete e o ouvinte. E a supremacia da música é o que se pretende estabelecer neste programa, o Instrumental & Qual – O Som da Terra: música que não penetre somente pelos ouvidos ou pelos outros cinco buracos da cabeça; mas música transcendental que atinja coração & mente e que preencha a alma e vire vida plena de plenitude, atitude e altitude espiritual.

Roteiro musical
1. Pegao (José Feliciano)
2. Moonlight in vermont (Kurt Suessdorf e John Blackburn), com Stan Getz
3. “A” 200 (Ian Paice, John Lord e Ritchie Blackmore), com Deep Purple
4. Chorinho pra ele (Hermeto Pascoal)
5. Mozambique (Sérgio Mendes, Michael Sembello, Natan Watts e Sebastião Neto), com Sérgio Mendes And The New Brasil’ 77
6. Cantaloupe island (Herbie Hancock)
7. Quem viver chorará (Raimundo Fagner)
8. Mood for a day (Steve Howe) com Synphonic Music of Yes
9. Brejeiro (Ernesto Nazareth) com Beto Preah
10. Pout-porri de músicas de Luiz Gonzaga, com Banda de Música Municipal do Crato

Ficha Técnica
O programa Instrumental & Qual – O Som da Terra é uma produção das Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA) e revista virtual Cariricult
Apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste em parceria com a Rádio Educadora do Cariri AM 1.020
Redação e programação musical: Luiz Carlos Salatiel, Dihelson Mendonça e Carlos Rafael Dias
Apoio logístico: Guilherme Norões
Apresentação: Carlos Rafael Dias
Operador de Áudio: Iderval Silva
Operador de transmissão: Iran Barreto
Gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri: Lenin Falcão
Diretor-Gerente da Rádio Educadora do Cariri: Geraldo Correia Braga

Fique ligado!

Documentário “Poro – intervenções urbanas e ações efêmeras”

Fonte: http://poro.redezero.org/video/documentario/

O documentário aborda as principais intervenções urbanas realizadas entre 2002 e 2009 pelo Poro. Além das imagens e registros, boa conversa sobre arte no espaço público e questões tangentes.

Produzido pela Rede Jovem de Cidadania em parceria com o Poro. Realização: Associação Imagem Comunitária.

Estimulamos todos a baixar o vídeo, repassar o arquivo pra frente e/ou exibir onde quiserem. Da mesma forma, agradecemos todos que quiserem colocar o vídeo em seus sites e blogs e/ou divulgar para pessoas, listas e redes que possam se interessar.

O documentário foi produzido durante o ano de 2009 e finalizado em fevereiro de 2010.

Documentário “Poro – intervenções urbanas e ações efêmeras”

Fonte: http://poro.redezero.org/video/documentario/

O documentário aborda as principais intervenções urbanas realizadas entre 2002 e 2009 pelo Poro. Além das imagens e registros, boa conversa sobre arte no espaço público e questões tangentes.

Produzido pela Rede Jovem de Cidadania em parceria com o Poro. Realização: Associação Imagem Comunitária.

Estimulamos todos a baixar o vídeo, repassar o arquivo pra frente e/ou exibir onde quiserem. Da mesma forma, agradecemos todos que quiserem colocar o vídeo em seus sites e blogs e/ou divulgar para pessoas, listas e redes que possam se interessar.

O documentário foi produzido durante o ano de 2009 e finalizado em fevereiro de 2010.

Documentário “Poro: intervenções urbanas e ações efêmeras” from Poro on Vimeo.

Mestre Nice recebe os convidados do lançamento do V Encontro Mestres do Mundo


Uma ação cultural promoverá em Fortaleza no próximo dia 25, às 16 horas, o lançamento do V Encontro Mestres do Mundo. para celebrar, uma “Terreirada” marca a apresentação do evento, em momento em que um mestre da cultura popular recebe os convidados em sua casa, mostrando seus costumes e a sua arte. A Mestre anfitriã será será Dona Nice Firmeza, diplomada Mestre da Cultura em 2007 e cuja arte é o bordado, pintura e a gastronomia. O encontro acontecerá no sítio em que ela reside, que também abriga o Minimuseu Firmeza, na Via Férrea, 259, bairro do Mondubim, em Fortaleza (CE) e contará com uma apresentação do Boi Ceará do Mestre Zé Pio (Fortaleza). Ainda durante o lançamento, serão apresentados os produtos do último Encontro, que aconteceu em dezembro no Cariri Cearense, com um DVD, o catálogo e o registro em livro das ações educativas do Mestres Do Mundo.

O Ceará é referência para os Estados brasileiros no desenvolvimento de políticas de preservação e promoção do patrimônio imaterial. Para coroar estas ações, a Secretaria da Cultura apresenta os sete novos mestres da cultura, selecionados no edital da Lei dos Tesouros Vivos. Com o diploma, os novos Mestres são contemplados com um salário mínimo mensal temporário ou vitalício. Atualmente, o Estado possui 50 Mestres da Cultura diplomados e reconhecidos pela lei. Além deles, o edital prevê duas outras vagas para o registro de grupos e duas vagas para registro de coletividades (comunidades).

Na ocasião, os secretários da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC, Ricardo Lima, e da Cultura do Estado do Ceará, Auto Filho, apresentam a edição do evento, ao lado da Comissão Cearense de Folclore, presidida por Clerton Martins. O V Encontro Mestres do Mundo será realizado entre 17 e 20 de março, no município de Limoeiro do Norte (Ceará), localizado a 198 quilômetros de Fortaleza, e reunirá cerca de 150 Mestres brasileiros e latino-americanos.

A iniciativa do V Encontro Mestres do Mundo é do Governo do Estado do Ceará, por intermédio da Secretaria de Cultura (Secult), e do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID/MinC), em parceria com a Comissão Cearense de Folclore e a Prefeitura de Limoeiro do Norte.

Sobre Dona Nice

Dona Nice é artesã, artista plástica e professora, ministrando cursos de desenho, pintura e bordado. Foi a primeira mulher a ingressar na Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), na década de 1950, como aluna do Curso Livre do Desenho e Pintura e de Iniciação à História da Arte. Fundou em 1969, juntamente com o marido, o artista plástico Estrigas, o Minimuseu Firmeza, no sítio em que reside no bairro do Mondubim. O acervo soma mais de 700 obras das mais diversas épocas da história da arte cearense, além de livros e documentos.

Lançamento do V Encontro Mestres do Mundo

Terreirada da Dona Nice

Local: Minimuseu Firmeza – Via Férrea, 259, Mondubim

Data: 25 de fevereiro

Horário: 16 horas

o patético e o peripatético

Rui Pincel chegou esbaforido na Siqueira Campos e acercou-se do banco de praça ,onde já se digladiavam inúmeras opiniões sobre assuntos que se estendiam do plantio do catolé até a chegada do astronauta brasileiro na estação espacial.Todo mundo entendia de tudo naquele universo esdrúxulo e peripatético. O consenso , a unanimidade faziam-se artigos raros e inalcançáveis por aquelas bandas. Os ânimos muitas vezes acirravam-se , máxime quando se tocavam em pontos sensíveis como política, futebol e religião.O furdunço , a encrenca – havia um tácito acordo sobre isto—não extrapolavam, no entanto, o sagrado espaço da praça. Inimizade duradoura, ressentimentos perpétuos sempre se tinham como coisa de iniciantes, de aprendizes, até porque acabavam por prejudicar o fluxo de discussão normal do dia a dia . Rodinha de potoca, conversa de banco sabia-se totalmente incompatível com caras trombudas, com espíritos armados e esgrima de indiretas. Pincel, já meio truviscado, aproximou-se com calma daquele tribunal ao ar livre e pôs-se a observar atentamente as opiniões diversas e díspares . Não meteu a sua colher de pau no sarapatel servido em nenhum momento e, para os amigos mais antigos e próximos , aquilo era sinal inequívoco de que trazia consigo uma tese filosófica das mais elaboradas para defender na praça. Aguardou, com paciência, o arrefecimento das questões mais polêmicas e , só então, passou a explanar suas elucubrações com o ar sério e contrito de quem apresenta trabalho em banca de doutorado.
Lembram vocês da renhida luta das feministas pela igualdade dos gêneros? Pois bem, amigos, como vocês bem sabem toda solução de um problema cria invariavelmente pelo menos mais três. Houve um tempo em que homem ser sustentado por mulher era coisa inaceitável. Terminava por perder a identidade e não ser mais conhecido pelo nome, mas por : “Joca da Professora”, “Julim da Juíza”, “Tetéu da Doutora”.Pois o avanço feminino resolveu esta pendência para o nosso lado, afirma Pincel, como os direitos são iguais, já não existe nenhum problema em marido viver às custas da mulher. Depois do Gianechinni ,então, a coisa pegou, criou jurisprudência, qualquer “drome sujo” hoje canta de galo : — Quem quer ter galã em casa tem que pagar por isso ! Os mais tímidos , então, forjaram inclusive um álibi para levar todos os dias no bem-bom, na sombra e água fresca : –Por enquanto não estou trabalhando não, não existe emprego com salário justo para mim, resolvi estudar para concurso! Pronto! Aí não há necessidade de qualquer explicação mais detalhada, o malaca entrou numa categoria de elite e cada vez com maior contingente, o famoso “estudante pra concurso”. Criou-se o álibi perfeito, pois concurso tem todo tempo, com concorrência sempre expressiva , não se tornando nenhum desdouro levar pau. É só iniciar , imediatamente, os estudos para uma outra prova.Enquanto isto, a patroa vai pagando as continhas de final de mês.
A platéia abancada ouvia a tese de Pincel sem piscar, sem nenhum aparte, sem nenhuma questão de ordem. A partir daquele momento nosso narrador passou à parábola: — Vocês lembram de Zacarias de Sofia ? Casou com a professora que hoje figura no seu sobrenome e até hoje nunca deu um prego numa barra de sabão.Acorda no meio dia,toma uma cachaça danada e quenga até o dia 25 de cada mês. A partir daí, vira um santo até o dia 5, quando compra uma cervejinha, bota um disco de Roberto Carlos, veste a melhor roupa e espera a amaríssima Sofia que vem do BEC com o dinheiro do salário. Dançam rostinho colado os “Detalhes tão pequenos de nós dois” e até acabar o dinheiro fazem o mais feliz casal da cidade. Pois bem, não é que a turma deu pra encher o saco de Zacarias dizendo que ele era um parasito, não fazia porra nenhuma e morreria de fome se não fosse a mulher! Aí ele pegou ar na bomba, como Mercedes velho, cansado de ouvir os colegas dizerem que sua profissão era de “marido”, Zacarias usou o álibi universal do preguiçoso. Passou a informar para todo mundo que estava estudando para concurso. Já ia levando uns cinco anos nesta atividade estafante, quando finalmente resolveu se inscrever para o concurso de bombeiro. Todos os colegas se admiraram com a brusca coragem de Zacarias. O trabalho todos imaginavam ser de uma dureza tremenda: toque de recolher e despertar, treinamento militar para socorrer acidentados, apagar fogo na floresta e salvar velhinhas no meio das labaredas.
Dias depois os amigos foram surpreendidos com uma notícia terrível: Zacarias tentara suicídio e estava interno em estado crítico. D. Sofia não soube explicar o gesto tresloucado do marido. Após a alta da UTI, os colegas se acercaram de Zacarias ,com a consciência pesada de tê-lo pressionado a estudar e praticamente exigirem dele passar no teste. Isto, certamente, poderia ter levado o estudante ao desespero, na busca desesperada por uma profissão.Penalizados , junto do leito, desculparam-se:
— Olha, Zacarias, nos perdoe, concurso é difícil mesmo, a concorrência é enorme e não é nenhum desdouro a pessoa não passar. Você vai ter oportunidade de fazer muitos outros e logo, logo vai ser contemplado… Tire estas besteiras da cabeça,descanse, tudo vai dar certinho…
Segundo Pincel, Zacarias soprou por entre as gazes que cobriam seu rosto quase que por inteiro:
—- O problema não é esse não rapaz , vejam que azar do fio de uma égua, pois não é que eu passei no diabo do concurso de bombeiro…

J. Flávio Vieira

Caminhos da Arte discute arte e cultura na Periferia

1º curso caminhos da arte

Uma realização do Coletivo Camaradas

Desbravando as veredas da Arte

Aulas gratuitas sobre arte e cultura à população periférica. Essa será uma das primeiras ações do Coletivo Camaradas na cidade de Juazeiro do Norte.

Que no Cariri acontece uma fermentação singular de cultura e arte, isto muita gente já sabe. Mas faltam respostas quando se questiona: Por quais motivos? Quais são as perspectivas para a cultura regional? Qual a importância da arte? Como a arte e a cultura surgem? Como funciona o processo artístico?

Em dois dias de aulas gratuitas e lúdicas em parte, a população carente de Juazeiro do Norte terá a oportunidade de entender quais são os caminhos da arte e cultura universal. A iniciativa abrangerá estudantes do ensino médio e artistas populares. As Aulas serão mediadas pela escritora e integrante do Coletivo Camaradas, Vitória Régia.

A idéia é democratizar este conhecimento um tanto inacessível. Com o estilo de vida vigente nos dias atuais, a arte figura em segundo plano, daí não procurarmos uma formação nesta área. Em relação à autonomia de buscar livros que retratem o processo artístico, há a problemática dos preços e ainda, a falta de catalogação. Em síntese, a arte no país é cara e distante.

O curso tem fundamentação nas obras de Lévi Strauss e Ernst Fischer, que lançam olhares filosóficos, antropológicos e sociológicos sobre a arte, além de artigos de jornais e revistas nesta mesma linha. O primeiro curso acontecerá na segunda-feira, 5 de abril, na colina do horto e terá a duração de 90 min. por dia, iniciando as aulas às 4h30min. Provavelmente serão usadas as instalações da escola de 1° Grau Dr. Leão Sampaio.

Ficha de Inscrição obrigatória.

Mais informações com:

Vitória Régia Turin

(88) 8823-33327

E-mail: [email protected]

Site: http://caminhosdaculturacariri.blogspot.com/

É tempo de delicadeza

Na verdade espero que uma hora dessas anoiteça

Para que eu consagre a ti meu olhar de têmpera
No momento certo em que serei um espelho
Refletindo desejos em tua luz efêmera

Nas mãos trouxe um punhado de terra
Onde pisaram meus antepassados
No peito o sopro e cheiro dos meus pés de serra
Pra falar na língua dos encantados

Fundirei minha voz de tempestade
Na sagrada canção das seis horas
Da borra que sobrar da união de nossas realidades
Untarei teu peito, para reforjar os símbolos de outrora

Fique tranqüila, menina, é certeza
Teu carinho me invade
Não tema essa saudade
O amor é nossa fortaleza
Feche os olhos e adormeça
Não mais existe no mundo, a maldade
Vivamos a sutileza da felicidade
É tempo de delicadeza