Arquivos mensais: outubro 2009

Sou artista da rua
Entre os fragmentos da cidade
Encontro-me em cada pedaço
Pedras, terra e concreto armado
Relógios ditando o tempo
A vida em redemoinhos
Esfalto pondo caminhos
A cidade é a galeria sem fronteiras
Nela exponho telas da vida
Num trânsito humano
de retalhos desumanos
Nas entranhas das paredes,
Nos campos abandonados
Nas casas desguadadas
Obras de povo
Obras para o povo
Obras com o povo
A rua é o meio
O povo é o estopim

Alexandre Lucas

Carta Aberta

Aos participantes da Conferência Municipal da Cultura de Juazeiro do Norte

As conferências municipais da Cultura representam um marco na luta por políticas públicas no país e um espaço privilegiado para aprofundar, defender e ocupar as cavidades políticas que norteiam o Plano Nacional de Cultura e o termômetro das demandas dos segmentos ligados aos fazeres e pensares artísticos e culturais.
Reconhecer as Conferências Municipais como sendo as trincheiras de luta dos artistas, dos brincantes, dos escritores, dos poetas, dos produtores e dos que não tem acesso aos bens simbólicos é um passo adiante no vem sendo desenvolvido no país, aonde os movimentos sociais e os segmentos ligados diretamente e indiretamente a produção e fruição cultural e artística vem assumindo papel de protagonista e conquistando espaços nunca vistos na história deste país.
Atualmente vivemos a efervescência de uma política de descentralização de recursos públicos e de compartilhamento de responsabilidades dos poderes municipais, estaduais e nacional.
É neste clima de novidade, de democratização dos espaços de discussão e de participação que o movimento organizado joga papel impulsionador para consolidação e avanço das políticas públicas para a cultura, tendo como norte o empoderamento e a mobilização como ferramentas importantes desta luta política.
É preciso concatenamos com a conjuntura nacional e compreender o conceito bem sucedido do Programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura que é uma das inúmeras conquistas do campo cultural e que repercutem diretamente nos municípios cearenses e o Juazeiro do Norte é um dos exemplos da importância da injeção de recursos públicos de forma descentralizada.
A Conferência Municipal da Cultura de Juazeiro do Norte é um dos inúmeros palanques dos que pensam e fazem arte e cultura (todos fazem cultura) no Brasil. Aproveitemos essa trincheira, esse é o nosso palanque.

Alexandre Lucas
Coordenador Geral
Coletivo Camaradas

O CANTAR DO CORAÇÃO – Por Emerson Monteiro

A literatura dos interiores distantes traz em si um charme especial de quem sofre sozinho em meio às coisas que acontecem longe, no dia-a-dia do código interno da vida sob sete chaves, na alma calada, indagadora, febril, viajante nas encostas dos relevos imaginários, em sobrevoos de largas praias, no seio do coração, paixão crua de viver isolado e amar ainda assim sozinho.
E nisso o poeta vira doutor de ciência inatingível pelos dedos da fria realidade. Peregrino de estradas desertas, examina cada urze e cada pedra às margens. Mergulha nos prados da alma, abre portas de castelos infinitos, abraça o próprio peito e consigo as multidões, mártir da mesma ausência que confronta barreiras e o tempo, suas brisas abissais de madrugadas insondáveis.
Criar do nada, sentir o pulsar das veias e decodificar palavras guardadas em gavetas bolorentas, atirar às futuras gerações punhados de sementes douradas. O poeta e o território dos homens, missionário das grandes navegações do furor dos indivíduos tempestuosos, espécie de cobaia no seu estado mais puro de ausências.
Raimundo Elesbão de Oliveira nos conta tudo isso em versos dotados de afirmações interrogativas de momentos agitados do ser. Suas aventuras espirituais as deixou gravadas em forma de notícia-tradução aos pósteros que só hoje revelam passos que deu na memória de uma época que se foi, a outras gerações, em formato de livro.
Artistas sonham. Amam. Artistas nutrem ideias, utopias, realidades tangíveis. Não lhes cabe produzir bombas, metralhadoras, aviões de combate, tanques, fome, divisões.
Hoje, ao seu tempo, a literatura propicia trabalhar a ciência nos seus níveis tantos, rumo ao potencial da infinita criação, transformando-os em seres válidos, amigos, irmãos entre humanos, a fim de construir sociedade nova, sem ganância ou competição exacerbada, livre dos atuais derramamentos inúteis de sangue. Tudo perpassa o senso do estético e disponibiliza constante mudanças de inspiração. E sentar e transferir ao papel valores dignos, naturais, democráticos, das possibilidades em partilhar o amor com as outras criaturas, dando exemplo de clareza no que pese a luta insana cotidiana. A arte qual mágica de sonhos realizáveis pela força vital, a pleno dispor da fértil natureza, meios efetivos, abertos ao público em profusão de cores, distribuições, suportes.
Seus filhos e netos sentem a responsabilidade disso para com alguém inspirado, que foi o avô e pai consciente , a registrar contrito os refolhos grandiosos da paisagem íntima em palavras, gestos de interpretação, testemunhos inalienáveis do que presenciou no dedilhar das eras contínuas. Transferem com isso o compromisso de personalidade eminente para o seu meio, a cidade de Araripe, no Cariri cearense, com atitudes clássicas e visão avançada, chance única dos que viveram naquele contexto e não mais existem a não ser nas descrições esmeradas de Raimundo Elesbão, a deter a escritura de seu posto de observação, a corrosão da imperenidade dos séculos impacientes.
Falassem as pedras e restariam semelhante angústia de autores e suas palavras prenhes de poemas e extrema verdade.
Eis por tudo isso o que este livro (“A vida e o verso”, lançado no dia 24 de outubro de 2009, em Araripe CE) quer guardar, o melhor perfume notado de um senhor a um só tempo mestre, tabelião, conselheiro, filho, esposo, pai, avô, amigo, autor, em comunidade interiorana do sertão do Nordeste, escondida nos socavões da Serra do Araripe, cheia de tipos inesquecíveis, dignidade provinciana e inspiração à flor da pele, nos tantos mistérios de realidade multiforme. Estes versos lhes falarão disso com carinho e continuidade, esperança de que outros reavaliem o penhor do sonho de tempos ricos em paz e solidariedade br

História: Casarão de 178 anos é adquirido pela Prefeitura de Aurora

Prefeito Adailton Macedo anuncia compra do antigo Casarão do Cel. Xavier, o mais importante patrimônio histórico-arquitetônico do município de Aurora
Prestes a completar 126 anos de emancipação no próximo dia 10 de novembro, AURORA recebe um presente do mais significativos: a aquisição pela Prefeitura do antigo Casarão do Cel. Xavier- fundador da cidade, afirma secretário de Cultura.
Agora é fato. O antigo casarão do coronel Xavier localizado ao lado da matriz e que durante anos serviu a CNEC agora pertence efetivamente aos aurorenses, posto que acaba de ser comprado pela Prefeitura. O velho prédio representa o mais importante testemunho físico da história de Aurora. Sendo por sua vez a mais antiga edificação arquitetônica do município e região. Construído nos idos de 1831 pelo fundador de Aurora – o Cel. Fco. Xavier de Souza – em completo abandono o centenário prédio há muito vinha correndo risco de ruir ou mesmo de ser destruído pela especulação imobiliária. Por isso foi motivo de muitas preocupações, reivindicações e protestos pelos poucos que se preocupavam com a preservação da história do município.Em reportagem especial a Revista Aurora, ainda em 2007, já chamava a atenção para a problemática de abandono por que passava aquele valioso patrimônio da história aurorense. Quando ainda na campanha eleitoral o agora prefeito Adailton(então candidato) garantira ao professor José Cícero assim como aos que compunham a Revista Aurora e a comunidade acadêmica em geral que a compra e/ou tombamento do velho prédio seria uma das primeiras prioridade culturais da sua administração. O que felizmente se concretizou agora com a compra não apenas do solar do cel Xavier, como também ante a aquisição de um outro incalculável bem histórico – o casarão da Reffesa que totalmente reformado, hoje abriga a sede da Seculte.“ O futuro muito mais que o presente haverá de reconhecer essa atitude do prefeito Adailton, ao meu ver, uma das mais nobres e de profundo amor à história da sua terra, que corresponde a defesa e preservação do patrimônio arquitetônico – testemunho vivo de parte importante da história local”, disse o secretário José Cícero. “Recebi a notícia numa ligação telefônica do prefeito, depois, confesso que me emocionei e não me pergunte o porquê desta reação, por que não sei explicar… Foi algo por assim dizer, automático, acho que por ver finalmente um antigo sonho concretizado. Sou um homem de saudade, um inveterado romântico entusiasta da preservação da história dos povos, por ser ela o registro da própria vida social da civilização. Uma ponte a nos ligar com os acontecimentos do passado… Penso que se existe uma vida pregressa, eu presumo que vivi-a em torno destas memórias e dessas edificações que agora somos obrigados a preservar como forma de garanti-las para as novas gerações. De modo que não compreendo como outras pessoas não têm, e nunca tiveram a mesma sensibilidade do prefeito Adaitlon, que mesmo em meio a uma crise financeira, não perdeu de vista esta necessidade preservacionista da memória da sua terra. O descaso e a insensibilidade são dois dos grandes males que mais contribuem para a destruição da história de qualquer povo, de qualquer cidade e de qualquer nação. Por isso, temos que elevar e enaltecer atitudes e ações como esta do prefeito. Tenho certeza de que se os contemporâneo não enxergam a dimensão deste gesto, a posteridade haverá de o fazer… No mais, como tudo na vida gira em torno do efêmero e do transitório, é preciso como dizia Leonardo Boff “saber cuidar”. Sobretudo porque o que fica dos homens na sua passagem pela vida são as boas ações, notadamente as desprendidas, as que elevam e edificam a dignidade humana em todas as suas vertentes. De tal sorte que, defender e preservar a história dos que já se foram é uma atitude para poucos, por isso vibro e me emociono, além de, como secretário de cultura, em nome dos aurorenses agradeço ao prefeito por mais este gesto alvissareiro, ousado e cidadão. O casarão agora, mais do que nunca é, efetivamente de todos os filhos e amigos de Aurora. O desafio agora é conseguirmos recursos financeiros para a sua necessária revitalização. Precisamos reformá-lo preservando e recuperando toda a sua originalidade e transformá-lo numa casa de cultura, oficinas de artes e ofícios, museu histórico, enfim, torná-lo um espaço cultural democrático onde a cultura, o lazer e a história de Aurora promovam consciência, reflexão e cidadania”, finalizou o secretário da pasta José Cícero. “Quero dizer por fim que este meu estado de alegria e felicidade não pode caber só em mim” completou. O velho edifício com 178 anos de existência representa o mais antigo prédio de Aurora e de boa parte da região do Cariri.
Da: Redação: www.seculteaurora.blogspot.com
www.blogdaaurorajc.blogspot.com

SIDNEY ROCHA LANÇA LIVRO EM JUAZEIRO

No próximo sábado, dia 31 de outubro, a partir das 18h, na Solaris Vídeo (Manoel Barros), rua Padre Cícero, 1227, fone: 3512-4900, o escritor caririense Sidney Rocha estará lançando a sua festejada obra “Matriuska”, livro de contos que vem despertando interesse especial da crítica e do público pelo Brasil afora.
Será uma boa oportunidade para encontrar o (s) amigo (s) e conhecer de perto (quem ainda não o conheça), autor e obra,
o que pode ser visitado, também, em www.matriuska.com.br
Na ocasião, será exibido um curta metragem baseado nos contos.do livro.
O livro (“Matriuska”) será comercializado no Cariri pela Solaris Vídeo, à rua Padre Cícero, 1227, em Juazeiro do Norte, que apóia o evento juntamente com a FS Informática.

Fatinha Gomes fica em 2º Lugar no Festival Cariri da Canção

Fatinha contou com torcida organizada

Suavidade e encanto na voz da comunista cratense que vem tendo o seu trabalho reconhecido tanto no campo musical, como na sua atuação social.

A cantora Fatinha Gomes conseguiu a façanha de conquistar o segundo lugar no Festival Cariri da Canção. Interpretando a musica “A dama e o verso” de autoria de Luciana Dantas e musicada por Karine Cunha. Fatinha vem desde criança entranhada no mundo artístico, desbravando-se no estudo e na inquietação para aprender sobre música e outras tipologias. Ela conta que começou por iniciativa própria e com menos de 10 anos procurou participar dos cursos promovidos no Teatro Raquel de Queiroz e na Escola de Musica do Padre Ágio.

Uma poeta de poesia bem guardada que aguarda a coragem chegar para publicar seus versos, enquanto isso canta o povo do Cariri e é grata a nomes como Cleivan Paiva, Geraldo Júnior, Abidoral Jamacaru, Lifanco, Paulinho, Janinha, Beto Lemos, Carlos Gomide, Luciana Dantas, Ermano Morais e Flauberto Gomes e tantos outros músicos e compositores que fazem parte da sua trajetória musical.

Além de cantora, Fatinha Gomes é coordenadora de cultura do Coletivo Camaradas, pesquisa sobre musica e gênero, coordena o Projeto Fazendo Arte do Projeto Nova Vida, acadêmica de Pedagogia e militante do Partido Comunista do Brasil – PCdoB.

Classificação

1º. Lugar
Música: Falsa Memória
Autor: Márcio Holanda / Cláudio Mendes
Intérprete: Cláudio Mendes
Local: Fortaleza

2º. Lugar
Música: A Dama e o Verso
Autor: Luciana Dantas / Karine Cunha
Intérprete: Fatinha Gomes
Local: Crato

3º. Lugar
Música: Até Você Chegar
Autor: Nando Nuque
Intérprete: Nando Nuque
Local: Juazeiro do Norte/CE

Melhor Interprete: Nara Fídelis

Ex-governador ganha vaia Coletiva

O ex-governador do Estado do Ceará e pretenso candidato a sucessão estadual, Lucio Alcântara recebeu uma calorosa vaia do público ao ser convidado a entregar a premiação ao primeiro colocado do Festival Cláudio Mendes. A tentativas de emplacar Lúcio Alcântara na região do Cariri vem sendo frustradas, tendo a em vista, o seu desastroso governo. O ex-governador subiu e desceu ao palco respaldado por vaias e sentimentos de rejeição do povo do Cariri.

IMPORTANTE

O CUCA Cariri e a banda Sol Na Macambira convidam os músicos e da região do Cariri a participar da reunião de construção do Núcleo de Música da Rede Independente de Cultura Cariri. Que acontecerá neste sábado dia 24 de outubro, a partir das 16h no LAR ASSISTENCIAL FRANCISCO DE ASSIS- LAFA, Rua Abel Sobreira (próx. a Gigi) , bairro Pirajá, Juazeiro do Norte-CE.
Para maiores informaçoes ligue (88)8821-2644 e (88)88048881
[email protected]

RESTOS DE ONTEM – Por Emerson Monteiro

Um grande grupo de artistas invocou nesta quinta-feira a Lei de Liberdade de Informação para exigir do governo norte-americano que revele o nome das gravações que foram utilizadas durante os interrogatórios de suspeitos de terrorismo na prisão de Guantánamo ou em alguma das prisões secretas que a CIA espalhou pelo mundo durante o mandato de George W. Bush. James Taylor, Christina Aguilera, Britney Spears, Neil Diamond, AC/DC, Red Hot Chili Peppers e muitos outros lançaram um protesto contra o uso da música em torturas. (El País, 23/10/09).

Essa coisa de escrever impacta semelhante a vícios, mania dos dependentes compulsivos. No ar, um chamado qual das vezes em que chega o desejo de comer um doce de leite caseiro, uma goiabada, pensando no prazer do copo d’ água a lhe sequenciar. Ou mesmo de uma fruta tirada do pé, uma manga jasmim, um caju, cedo, de madrugada. E nisso o ímpeto de transmitir palavras impacientes, às vezes desobedientes, ânsia de lançar esporos ao vento das moções saboreadas e suaves.
Quase um “release” da função da psiquiatria, na vida de quem a pratica como instrumento de libertação, há que se conhecer de tudo, ou fazer espécie de esforço continuado de virar folhas secas das estradas e olhar o que se esconde embaixo, na busca constante dos “porquês” infinitos; há que se…
Nada vejo de oposto ao gesto puro e simples de virar essas páginas dos livros da vida, da história, no dia, a cada novo tempo. A propensão incontrolável de conhecer e apreciar o âmbito multiforme dos caminhos, nessa jornada em linha reta do berço ao túmulo, tantas vezes percorrida quantas necessárias, a formular os conceitos definidos da real libertação aos padrões além da dimensão gelada dos passos conhecidos.
Saber, saber e saber mais um pouco, até entornar o copo da seiva vital dos conexos… A revelação de todos os diademas do mistério e suas esferas longitudinais, ficcionais, imaginárias… Esgotar o possível nas malhas do indizível.
Saber jamais ofenderá. E saber de si próprio, nos divãs ou nos estádios, ou mesas de bar, cheiro a flores metálicas, trilha luminosa das matas do Inconsciente em chamas. O perfume apaixonado da mulher amada e seu hálito silvestre, permissivo, fagueiro..
Existe mais coisa que só se saberá no contato do diálogo. O atrito das humanas relações fala do silêncio que pode sorrir em gesto de matéria prima do definitivo querer. Quer-se, no entanto, extremar quando impõe nas costas de dois ou três pensadores o peso das respostas às perguntas que insistem rasgar a cada momento o tempo e a máscara da dor de toda gente, perante as interrogatórios da vida, nas paixões, nos desenlaces, tragédias, dramas, religiões, hecatombes, transmissões de pensamento, esculturas abandonadas nos campos destruídos pelas guerras sucessivas dessa velha humanidade de boca machucada aos urros da tortura e impulsos de vítimas e convulsões.
O mistério dorme nas teias da noite longa, em forma de espectros e monstros agressivos, nos frutos azedos da aventura inacabada. Caberão sempre outros dramas, no palco sumeriano, remelento, do paleolítico atualizado nas resenhas de hoje. Poucos desvelam suas mesmas faces das próprias limitações, contudo serão esses tais que romperão os laços derradeiros da Eternidade, nas luzes da alvorada festiva do depois.
Quero crer aqui vislumbrarmos as disciplinas válidas de quem pode nutrir de calma o ouvir das estrelas e seus representantes, até quando pacificarem o entendimento das luzes na ciência verdadeira.