Arquivos mensais: maio 2009

Manuel Bezerra ingressa no Coletivo Camaradas

O Estudo é essencial para compreensão do processo do artístico e o Coletivo Camaradas desenvolve estudos neste sentido.

O professor Manuel Bezerra irá integrar o Coletivo Camaradas. O qual se fortalecerá com a sua participação. O professor é um dos estudiosos da teoria marxista na área da cultura e educação e autor do livro “Escola – Pedagogia da Reprodução” e está organizando o seu segundo livro que tratará da questão da hegemonia política e do poder oligárquico. Na área da educação desenvolve um projeto de pesquisa que busca articular a educação pública no Brasil com os reflexos da crise do socialismo.
Para o professor, o Coletivo Camaradas é um importante instrumento para estimular o estudo e o debate de temas atuais e de importância para compreensão política, social e cultural, tanto da realidade local, quanto da realidade brasileira.
Natural de Brejo Santo, onde desenvolve um projeto de Cineclube, através da Associação dos Amigos da Cultura – AMIC que visa a formação de público para na linguagem do audiovisual. Atualmente o filósofo é professor do Departamento de Educação da Universidade Regional do Cariri – URCA, onde ministra disciplinas da área de ciências humanas.
Roda de Conversa sobre Arte e Marxismo

A segunda roda de conversa sobre a arte e marxismo realizada na ultima quinta-feira, dia 28, na Sala de Vídeo da URCA foi mediada pelo professor Manuel Bezerra que abordou aspectos da compreensão estética marxista. A próxima deverá ocorrer em junho e abordará aspectos da cultura e da cidade.

Arqueologia e paleontologia serão discutidas no Cariri


Mais de 190.000 visitantes estiveram no Museu de Paleontologia da URCA em Santana do Cariri, numa cidade de cerca de 7.000 mil habitantes.

Aprofundar e socializar a produção cientifica na área de paleontologia e arqueologia é um dos objetivos do Encontro Universitário de Paleontologia e Arqueologia do Cariri que será realizado no período de 08 a 10 de junho de 2009, na Universidade Regional do Cariri – URCA. O evento constará de palestras, mini-cursos e vivencias na Casa Grande e Mina de Calcário em Nova Olinda.

A região do Cariri é um dos locais importantes para a pesquisa cientifica nas áreas arqueológicas e paleontológicas. A primeira citação dos fósseis da Bacia do Araripe foi registrada em 1810 por João da Silva Feijó e cerca de 20 anos depois a ilustração desses fósseis foram publicadas por Spix & Martius em 1831. Diversos eventos científicos propiciaram a difusão de estudos e de descobertas sobre essas áreas do conhecimento, como é o caso do I e II Simpósios sobre Bacias Interiores do Nordeste em 1994 e 1997, a realização do XVI Congresso Brasileiro de Paleontologia em 1999 e o Simpósio Sobre Atualidades Paleontológicas em 2008, eventos que conseguiram potencializar a região como pólo de pesquisa cientifica paleontológica e arqueológica.

Para os organizadores, a conseqüência direta do evento é proporcionar aos acadêmicos e a comunidade em geral, o despertar sobre o estudo da Paleontologia, da Arqueologia, da evolução e biodiversidade na região do Cariri.

Até hoje, mais de 190.000 visitantes estiveram no Museu de Paleontologia da URCA em Santana do Cariri, numa cidade que tem apenas cerca de 7 mil habitantes. Número similar são as visitas à Casa do Homem Cariri em Nova Olinda, para conhecer os vestígios do povo Cariri, antes da chegada dos colonizadores portugueses. Entre estes visitantes, destacam-se inúmeros pesquisadores nacionais e estrangeiros. Esses dados demonstram a importância da região do Cariri para a cultura cearense e nordestina e a necessidade de fomento à pesquisa e divulgação cientifica sobre esse potencial regional que também é discutido na ótica do turismo cientifico.

O Encontro é realizado pela Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa – PRPGP, Grupo de Pesquisa Chapada do Araripe – GPCA e Laboratório de Pesquisa Paleontológica da URCA – LPPU.

Programação:

Inscrições

MANHÃ
08:00h as 11:00h SALÃO DA TERRA
NOITE
18:00h as 21:00h – C.A DE BIOLOGIA

Data de realização do evento: 8 a 10 de Junho de 2009
Local do Evento: Universidade Regional do Cariri – URCA

Palestras:
• História do Museu de Santana do Cariri: Dr. Plácido Cidade Nuvens – Reitor da Urca
• Legislação sobre o Tráfico de Fósseis: José Artur Andrade Ferreira Gomes, Geólogo – DNPM – CE/CPCA
• Arqueologia na Região do Cariri: Ms. Rosiane Lima Verde – Fundação Casa Grande
• Paleobotânica na Bacia do Araripe: Dr. Antônio Álamo Feitosa Saraiva – Professor de Botânica Criptogâmica da Urca
• Geopark Araripe: MS. Francisco Idalécio de Freitas – Geólogo do Geopark Araripe
• Paleoturismo – Com Enfoque na Região do Cariri: Dr. Alexandre Magno Feitosa Sales – Professor de Paleontologia da URCA

Mini-Cursos:
• Ambientes Sedimentares da Bacia do Araripe: Carlos Hindenburgo Nunes Holanda- Secretaria de Recursos Hídricos.
• Interpretação Paleoecológica: Dr. Maria Helena Hessel – UFC Cariri
• Replicação de Fósseis: Carlos Eduardo Sousa, Coord. Da Oficina de Réplicas – Museu de Paleontologia da Urca
• Preparação de Fósseis: Renan Bantim, Olga Alcântara e Nádia Amanda – URCA – Bolsistas de I.C/Funcap e CNPq.
• Introdução a Arqueologia: Ms. Rosiane Lima Verde – Fundação Casa Grande – Nova Olinda
• Biomecânica – O Voo dos animais: Dr. Hermínio da Silva. – Professor de Física da Urca.

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

• 8 de junho de 2009 – Segunda-Feira

08:00h – Credenciamento
08:00 as 08:15 – Apresentação Musical – Ana Paula Nogueira
08:30h – Palestra de Abertura: História do
Museu de Paleontologia da URCA – Plácido Cidade Nuvens – Reitor da URCA.
09:30h–Palestra: Legislação sobre o Tráfico
de Fosseis – Artur Andrade F. Gomes – DNPM
10:20h as 10:30h – Intervalo
10:30 as 11:20 – Palestra : Geopark Araripe
Francisco Idalécio de Freitas – Geopark Araripe.
14:00 às 17:00 – Mini Cursos e Credenciamento
14:30 – Filme

• 9 de junho de 2009 – Terça-Feira

08:30h Palestra Paleoturismo na Região do Cariri: Alexandre Magno Feitosa Sales- Urca
09:30h – Arqueologia na Região do Cariri: Roseane Lima Verde – Fundação Casa Grande
10:20 as 10:30 – Intervalo
10:30 as 11:20 – Paleobotânica da Bacia do Araripe: Antônio Álamo Feitosa Saraiva -Urca
14:00 as 17:00 – Mini Cursos
14:30 – Filme

• 10 de Junho de 2009 – Quarta-Feira

7:30 – SAÍDA PARA A VIVÊNCIA DE CAMPO EM FRENTE A PANIFICADORA P&C.
LOCAL DA VIVÊNCIA: Casa Grande (Nova Olinda- CE) e visita a Mina de Calcário (Geotope Nova Olinda).

Serviço:
Olga Alcântara (88) 8817-1458
Renam Bantim (88) 9909-8622
Aline Mounielle (88) 9222-4440
PRPGP (88)3102-1291

Curta-metragem caririense na Virada Cultural 2009

O Curta-metragem caririense “Também sou teu povo” foi exibido na programação da 5ª edição da Virada Cultural de São Paulo, evento que aconteceu nos dias 02 e 03 de maio.

Em recente viagem a São Paulo, o artista visual e documentarista Franklin Lacerda, durante participação no lançamento do Guia de Festivais do Kinoforun 2009 e o lançamento do Programa Rumos do Itáu Cultural, recebeu o convite para exibir o curta na programação de cinema do evento.

Franklin diz que o contato estreito que tem estabelecido com os realizadores dessa região e o Kinoforum, por suas participações em festivais representando o curta pelo país, têm viabilizado muitas parcerias na promoção da “cena” local, como o desenvolvimento dos projetos que tem realizalizado recentemente, a exemplo da Mostra Curtas Cariri(que já está na 3ª edição) e a curadoria do projeto Curta Muito com o CCBNB-Cariri.

O Curta-metragem foi realizado em 2006, através de uma capacitação em audiovisual pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura, percorreu muitos dos grandes festivais de curtas do Brasil e exterior e tem na direção Franklin Lacerda e Orlando Pereira.

*Virada Cultural:A Virada Cultural completa cinco anos. Realizada pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, tornou-se a grande festa da cidade de São Paulo. Está incorporada ao seu calendário por milhões de paulistanos que a acompanham todos os anos. Durante 24 horas ininterruptas os moradores da capital e os turistas — estima-se que, esse ano, serão algo em torno de 330 mil pessoas — se dividem entre centenas de atrações.

http://viradacultural.org/

** Kinoforum: Criada em 1995, a Associação Cultural Kinoforum, entidade sem fins lucrativos, realiza atividades e projetos e apóia o desenvolvimento da linguagem e da produção cinematográfica com destaque para a promoção do audiovisual brasileiro.

http://www.kinoforum.org/

O governo dos absurdos

Não! Assim já é demais! Um aquário que custará para nós R$250 milhões?! Inacreditavelmente um governo de absurdos.


O governador do estado do Ceará, Cid Gomes, manda mais uma de suas atitudes no mínimo revoltantes. A construção de um aquário marinho em Fortaleza, na praia de Iracema, que custará aos cofres estaduais nada menos que R$ 250 milhões, sobre a desculpa de incentivar o turismo regional. Segundo o projeto inicial será o maior aquário da America Latina e do Hemisfério Sul, coisa grande, digno de um estado rico. Ops! Estamos falando do Ceará!

Para incentivar o turismo, o estado precisa primeiro arrumar a casa, e quando digo isso, não é esconder a sujeira em baixo do tapete. É promover estratégias que visam, sobretudo, nossa população. Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apresentou dados assustadores (talvez nem tanto para alguns), eles revelam que de 2004 a 2008, o número de crianças exploradas aumentou 65%, e não é segredo para ninguém que o turismo sexual é uma das mazelas cearenses. O Ceará é o 6º estado brasileiro em número de denúncias de violência sexual. Isso é fruto de uma população carente, que se submete a níveis de humilhação para prover o sustento diário.

Férias no Ceará, mais uma promoção do governo do estado, que trouxe para algumas cidades, 17 shows de grandes bandas brasileiras como Paralamas do Sucesso, Biquíni Cavadão, Capital Inicial (nada contra as bandas) e algumas bandas de forró de qualidade duvidosa. O evento é mascarado sobre o objetivo de incentivar a cultura e o turismo, mas não beneficia os artistas locais tão pouco o turismo. Tudo pelo simples fato de que as bandas não são cearenses ou mesmo nordestinas, certo que a cultura é universal, mas se um o espetáculo predispõe-se a incentivar nossa cultura com o que as bandas do sudeste podem contribuir? O governo não enxerga o artista do Ceará! E outra, alguém acha que as apresentações tem um impacto significativo sobre o turismo? Pouco. Seria maior se fossem nossas bandas, assim as pessoas viriam conhecê-las, e não ver shows que já estão acostumados em suas cidades. Trocando em miúdos, dinheiro público jogado no lixo em detrimento aos incentivos de bandas de qualidade de nossa terra e artistas populares que sobrevivem, vergonhosamente para o povo cearense, às mínguas.

Além das Férias no Ceará o uso do dinheiro público para autorizações de obras (leia bem, autorização de obra. Irônico! Só o terreno nem mesmo um canteiro de obra) e outdoors fazem parte da obra humorística que o governo estadual vem apresentando. E o pior de tudo é o uso do nosso dinheiro para a contratação das chamadas pornobandas(bandas que trazem letra que incentivam a sexualidade e não reproduz a nossa cultura) que se apresentam nessas festanças. Pode ser citado como exemplo a festa que ocorreu em março deste ano na cidade de Barbalha, localizada no sul do estado, com uma gigantesca estrutura em prol da assinatura da ordem de construção da CEASA, que até alguns minutos atrás, quando passei por lá, só havia outdoor. Uma obra que saiu do papel aqui no Cariri, com custo de aproximadamente R$ 45 milhões, foi o Hospital Regional do Cariri, mas claro, antes disso muita festa e muito dinheiro público usado no palanque com a contratação de uma banda de forró para mobilizar a população.

Pão e circo, alguém sabe o que é isso?!

Outra que não faz tanto tempo assim foi um vôo oficial à Europa e, diga-se de passagem, custou R$ 388 mil ao estado(sem contar hospedagem), ou melhor, a nós. A bordo estavam Cid Gomes, a primeira-dama, a sogra, o secretário de Turismo e um assessor, com suas respectivas esposas, os quais ficaram hospedados nos melhores hotéis pelos 4 países que passaram em uma viajem mal esclarecida(Clique aqui para ler a nota do governador na íntegra).

Ainda tá faltando sobre o aeroporto regional do Cariri. Poxa vida! Eu já estou cansado de descrever tantos absurdos. Será que o governo do estado não está cansado de cometê-los? Mais do que cansado de escrever, estou cansado de assistir tamanho despreparo para um cargo de tamanha importância.

por Daniel Coriolano

Assinatura para início das obras do Hospital Regional do Cariri(obra em andamento)

Aviões do Forró

Outdoor do Hospital Regional do Cariri(obra em andamento)

Relacionados:

http://coletivocamaradas.blogspot.com/search?q=ferias+no+ceara

Reflexões sobre a Guerrilha!

Reflexões sobre a Guerrilha!
DE CONFRONTOS E EXTREMOS

En Passant: Pablo Emmanuel

Há uma passagem no “Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano”, escrito por Marighella, que certamente tenha tido sua base nas observações de Che, em seu livro “A Guerra de Guerrilhas”, que, aliás, é interessante do ponto de vista estratégico, segundo as experiências de Guevara na revolução cubana.
Discorre sobre como provocar uma ditadura até que ela monte um extenso aparato de repressão sobre a sociedade, a fim de que esta se volte contra o governo por se sentir alijada de garantias fundamentais. Assim, como afirma Che, a ditadura se desmascara, mostra-se como ela é. O que vem a gerar um descontentamento popular que poderia auxiliar as operações da guerrilha.
O general Médici, que, conforme muge o cabo Anselmo, era um “bonachão”, teve a perspicácia de manter a violência e, ao mesmo tempo, acelerar o desenvolvimento dependente e antinacionalista da economia, baseado na oferta de bens de consumo duráveis. Com a copa de 70, estava tudo perfeito. A anestesia para o povo foi daquela de deixá-lo praticamente em coma.
Durante a guerrilha urbana, ninguém da favela se levantou, preferindo a malandragem do samba na esquina, onde até uma caixinha de fósforos servia de percussão. O proletário estava com sono.
A classe média queria dirigir um Maverick e ver TV a cores.
E pronto.
Com a mídia amarrada, o governo lançou uma campanha terrível e eficiente de aniquilação moral da esquerda armada. Enquanto isto, braços paramilitares do Poder Executivo cometiam crimes tão brutais quanto as SS nazistas.
Não vivi aquele tempo, embora tenha nascido durante os eventos mais dramáticos, mas me arrisco a um palpite.
Talvez se, a partir de 1970, toda a guerrilha urbana se desmobilizasse das cidades para se infiltrar nas selvas do país, poderia formar um corpo muito maior e mais coeso do que o composto dentro das cidades, onde a luta era mais difícil e compartimentada.
Por outro lado, a guerrilha não dispunha de armamento de longo alcance. Para combate em selva, o fuzil é imprescindível. Um bom fuzil. Onde estava a Mãe Rússia que não mandou para os guerrilheiros do Brasil seus maravilhosos Kalashnikovs? Que conspiração comunista era essa afinal, em que os supostos principais interessados na posse do Brasil, que seriam os soviéticos, segundo a acusação de muitos na época, não se moviam um centímetro?
Dentro da cidade, eu concordo com o que disse Marighella sobre o uso de pistolas, revólveres e pequenas metralhadoras, enfim, armas curtas para ações rápidas.
Seria preciso assaltar pelo menos uns 20 quartéis no país para levar a fuzilaria toda, granadas, morteiros etc. Isso estava fora de cogitação, ainda mais depois que Lamarca deu um chão no arsenal de um regimento em Osasco. A vigilância se tornou implacável.
O pessoal da rede urbana talvez não tivesse condições para empreender longas marchas dentro das selvas, movimentar-se com rapidez. Talvez não tivéssemos a astúcia dos vietnamitas, por exemplo, que colocavam a resistência total como o princípio básico da sobrevivência dentro das matas, numa desenvoltura impressionante que tornou lendária a tática de guerras daquele povo.
Sei lá. Provavelmente, as Forças Armadas utilizariam bombas de fragmentação e NAPALM à larga se todas as guerrilhas fossem concentradas na Amazônia, sobretudo se Lamarca estivesse por lá, treinando militantes e camponeses que quisessem engajamento.
Segundo a tática maoísta, as cidades deveriam ser esmagadas por um cinturão formado pela guerrilha popular, sufocando, estrangulando, atacando os meios de comunicação. No Brasil não tinha gente o bastante para isto. Como arrebanhar da noite para o dia um jeca-tatu que está lá nos rincões fumando a palhinha dele, com as unhas pretas de terra e as mãos grossas como lixas?
A teimosia e a lamentável mania que a esquerda tinha de acusar outros grupos disto ou daquilo, fazendo juízos entre certos e errados, de modo dogmático, atomizavam seu aparato ideológico e militar. Havia vários raciocínios para um só objetivo, que nunca é alcançado quando um raciocínio se ocupa da destruição de um outro.
Imagino outra hipótese: a da participação armada dos trotskistas, se estivessem a fim mesmo. Na verdade, eles se abstiveram. Como seria a relação entre a linha de frente treinada em Cuba e o pessoal de Trotsky?
Eu quase tenho certeza de que, no final, os trotskistas seriam acusados pela derrota da esquerda e terminariam mortos como fizeram os comunistas contra os anarquistas na guerra contra Franco. Um banho de sangue entre as Brigadas Internacionais em uma das mais belas páginas da história da humanidade. Que desgraça!
Ramon Mercader, bandido stalinista que rachou a cabeça do velho judeu no México, por ordem do crapuloso Big Brother, terminou seus dias na ilha, sob a égide de Fidel. Provavelmente, trotskista não seria gente bem-vinda para o combate, de tal forma que esta facção se limitou a lutar através de jornais clandestinos, até criticando quem estava no combate aberto.
Alguns acusavam a ALN, por exemplo, de cair num tipo de terrorismo vulgar, de desvinculação das massas trabalhadoras, de lutar sem elas etc.
[Por falar na ALN, recordo-me da entrevista do infame cabo Anselmo que defende a tese segundo a qual o grupo de Marighella nada mais era do que o braço armado do PCB; que o Partidão não tinha ficado “neutro” na luta e que o rompimento de Marighella com o partido através daquela famosa carta era tudo farsa para que o PCB ficasse intacto e a ALN pudesse descer a madeira…]
Não há como intuir sobre o passado.
Ninguém sabe que rumo tomaria a luta armada se ela fosse essencialmente rural, sem braços nas cidades, onde ninguém quis se levantar para aderir.
De minha parte, eu não sei como procederia se vivo fosse naquelas condições. Acredito que não teria a energia [nervosa] necessária para enfrentar aquele aparato todo. Tenho respeito por aqueles que tiveram essa energia e morreram.
Reflito sobre a possibilidade de revolução, que acho ser remota aqui no Brasil, quase impossível, mesmo via eleições. Não sei até que ponto um companheiro meu não estaria disposto a me matar somente porque discordei de alguns questionamentos que foram lançados. Não sei até que ponto estaria seguro ao lado de alguém que só seria meu amigo enquanto pensasse politicamente como eu.
Eu sou comunista, não cultivo valores absolutos do stalinismo nem do trotskismo, e entendo ser melhor morrer ao lado de homens que são justos do que tomar um chão pela injustiça de um camarada de armas.
É uma honra aceitar esse tipo de morte. Porque, a rigor, a luta só é justa enquanto der combate às injustiças.
Os danos psicológicos do passado permanecem até hoje, para nossa desgraça.

Escrito por Luiz Aparecido

Xilogravuras do Brasil e da Argentina no CCBNB em Juazeiro

Arte e técnica de fazer gravuras em relevo sobre madeira, a Xilogravura será tema de uma exposição coletiva a ser aberta nesta terça-feira, 26, às 18 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri

A mostra exibirá obras de 29 xilogravuristas de sete estados brasileiros (Ceará, Paraíba, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul), um grupo de artistas paulistas (Espaço Coringa) e um argentino (Nicolás Robbio). Gratuita ao público, a exposição ficarão em cartaz no CCBNB-Cariri até o próximo dia 30 de junho (horário de visitação: terça-feira a sábado, de 13h às 21h).

Intitulada “Entre a Xilo e o Múltiplo: Clube de Colecionadores de Gravura do MAM”, a exposição resulta de parceria entre o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e o Centro Cultural Banco do Nordeste. Com curadoria de Cauê Alves, a exposição reunirá uma mostra representativa de gravuras realizadas por 29 dos mais importantes gravuristas do Brasil e da Argentina para o Clube de Colecionadores de Gravura do MAM.

O objetivo da mostra é apresentar, de modo didático, com matrizes originais e textos explicativos, as técnicas tradicionais da gravura (xilogravura, litografia, gravura em metal e relevo), bem como trabalhos contemporâneos que ampliam a noção tradicional dessa técnica.

Da exposição “Entre a Xilo e o Múltiplo: Clube de Colecionadores de Gravura do MAM”, participam os seguintes 29 gravuristas: Antonio Dias (PB), Athos Bulcão (RJ/1918 – DF/2008), Cildo Meireles (RJ), Daniel Senise (RJ), Espaço Coringa (SP), Fábio Miguez (SP), Efrain Almeida (CE), Hélio Vinci (SP), Hércules Barsotti (SP), José Damasceno (SP), José Marcionilo Pereira Filho – Nilo (CE), Judith Lauand (SP), Karin Lambrecht (RS), Laura Vinci (SP), Mabe Bethônico (MG), Marepe (BA), Nelson Leirner (SP), Nicolás Robbio (Argentina), Nuno Ramos (SP), Paulo Bruscky (PE), Paulo Climachauska (SP), Regina Johas (SP), Rivane Neuenschwander (MG), Roberto Bethônico (MG), Rubem Grilo (MG), Sérgio Sister (SP), Valeska Soares (MG), Vânia Mignone (SP) e Waltércio Caldas (RJ).

Do Cariri para o MAM e vice-versa (texto do curador Cauê Alves)

A história da arte, como se sabe, foi narrada por alguns teóricos, historiadores e críticos de arte como uma grande e coerente narrativa. Em geral, nestas narrativas a história foi compreendida a partir de um processo linear e progressivo, como se houvesse uma racionalidade que orientasse o fluxo do tempo.

Uma vez constatada a insuficiência destes modelos para a compreensão da arte contemporânea e, portanto, do fim das grandes narrativas, se reconheceu que o tempo não é homogêneo, constante e linear. A história da arte não funciona necessariamente por acumulação e progresso.

Se não há mais a concepção de que a arte se desenvolveu numa única tradição e nem a crença de que exista uma racionalidade imanente à história, então podemos perceber que uma série de tradições, de origem moderna ou não, populares ou eruditas, coexistem e habitam o mesmo espaço.

Ou melhor, como a própria história da arte nos mostra, classificações estanques ou definições precisas e fechadas do que seja ou não arte contemporânea talvez não tenham mais correspondência com a realidade.

É tendo como premissa essa amplitude de tradições e o diálogo constante entre elas que o Clube de Colecionadores de Gravura do Museu de Arte Moderna de São Paulo, junto com o Centro Cultural Banco do Nordeste, realizou a primeira etapa de mini-residências artísticas. O objetivo foi promover o encontro entre artistas que vivem na região do Cariri e o Clube de Gravura.

Durante o mês de agosto de 2008, Efrain Almeida, artista convidado pelo Clube de Gravura do MAM em 2008, a coordenadora de artes visuais do CCBNB, Jacqueline Medeiros, e o curador do Clube, Cauê Alves, estiveram na região do Cariri para estabelecer um diálogo próximo com os gravadores e preparar o início do projeto.

Efrain Almeida elaborou sua proposta de gravura a partir da parceria que construiu com um grande número de gravadores de Juazeiro, a maioria pertencente à Lira Nordestina. Além de ponto de encontro, troca e organização dos artistas, a Lira Nordestina, hoje pertencente à Universidade Regional do Cariri, é a mais antiga gráfica de cordel do Brasil.

A impressão que será feita para o Clube do MAM, é composta por um conjunto de auto-retratos dos artistas que ao gravarem seu traço na madeira, estão também representando seu rosto e sua identidade. O trabalho final será composto pelo conjunto de gravuras numa única folha de papel. Nele será possível reconhecer um panorama dos gravadores e da produção atual do Cariri, trabalho feito a partir de um intenso diálogo com Efrain Almeida e o Clube de Gravura.

A frutífera parceria entre o MAM e o CCBNB está se desenvolvendo a partir do convite feito pelo Clube de Gravura do MAM para que um artista de Juazeiro do Norte, José Marcionilo Pereira Filho, o Nilo, participasse do Clube de Gravura do MAM. Já neste ano, Nilo foi pela primeira vez para São Paulo conhecer as instituições culturais da cidade, o acervo do Museu e desenvolver seu projeto de gravura.

Ao trazer a rica tradição da xilogravura do Cariri ao MAM, o Clube de Gravura está não apenas fomentando a produção e difusão da gravura e do colecionismo de obras de arte, como refletindo sobre o complexo e intrincado circuito da arte contemporânea. Se as grandes narrativas históricas já não possuem validade, também há bastante tempo, pelo menos desde a arte pop, não se admite mais definições excludentes entre a arte popular e erudita. O trabalho desenvolvido por Efrain Almeida nos mostra que as fronteiras entre estas tradições continuam borradas.

Verdade inconveniente.

Prezados amigos e amigas,

Nunca fui de me calar diante do que considero injusto, muitas vezes me vi sozinha lutando por aquilo que acredito, mas nunca me arrependi de minhas lutas, de minhas convicções.
Acredito na igualdade entre as pessoas, em justiça para todos.
Obviamente todos devem estar se perguntando o motivo de tal desabafo, mas e que sinceramente cansei, não tenho mais força, o sistema me matou.
Há 10 anos moro no Crato e , há 10 anos assisto como alguns cratenses são xenofóbicos, se fecham em um grupinho e se sentem donos da verdades e da moral e dos bons costumes, se intitulam intelectuais e artistas mas nem se quer se vê estes a lutar pelo espaço de mostrar sua arte ou seu intelecto.
Quando a Gaby criou o OLHAR Casa das artes, fez por que queria que os artistas tivessem lá um apoio, uma casa , um espaço onde pudessem se apresentar, , alguns acreditaramnisso e lá estão até hoje, outros só foram lá para tirar dinheiro e visto que a proposta não era essa , zarparam.

Mas ai vem a pergunta teria o OLHAR casa das Artes sofrido tantas perseguições, descaso, se fosse conduzido por esse grupo de iluminados, alguns até bradam que são imortais??

Acredito que não, pois, assim como eu , Gaby e de fora, viemos com outros conceitos de cultura e mundo e só queremos dar ao Crato , aquilo que recebemos, pela sua radiante beleza geográfica, aquilo que recebemos de pessoas como Josenir Lacerda , Bastinha, Tranquilino Ripuxado , Aécio Ramos e até mesmo do carinhosamente apelidado Tio Dihelson.

Não é o fato de fecharem o bar do Olhar, mas e o fato de vocês que se dizem tão iluminados, nunca terem dado atenção a casa das artes, onde tem propostas de cursos, tem toda uma estrutura, mas não temo o apoio, o investimento.

Isso cansa , desanima, você começa a ver o quão tacanha são essas pessoas que se seguram e seus sobrenome de família, que acham que tem o direito sobre a cidade, e sinceramente nada fizeram ou fazem pela democratização e acesso a cultura, musica , arte.

Infelizmente vejo que essa e a mais dolorosa verdade , pois venho aqui denunciando a poluição sonora causada pela igreja da Sé eninguém foi lá verificar, mas sobre o OLhar houve uma perseguição, uma coisa de agirem de má fé, sinceramente, está ai a prova do que digo sobre o xenofobismo, sobre a hipocrisia, a falsa moral os dois pesos e duas medidas, cadê SEMACE? Cadê Secretaria de meio ambiente?

Cadê a zona de silêncio????

E me desculpem mesmo pelo desabafo, sei que aqui tem pessoas que sentem o mesmo, só não tem coragem de por para fora, de protestar contra essa realidade, essa triste injustiça.

Só quero deixar claro que essa e minha opinião, e não do OLHAR ou da Gaby.
Sinceramente espero que a sociedade acorde para ver o grande projeto que é o olhar casa das artes , o mais breve possível!

Filósofo Manuel Bezerra discute arte e marxismo com os Camaradas

A segunda Roda de Conversa sobre Arte e Marxismo será com o filósofo Manoel Bezerra Neto, autor do livro “Escola – Pedagogia da Reprodução”. A roda de conversa será dia 28 de maio, às 16 horas, na sala de vídeo da Universidade Regional do Cariri, Campos Pimenta. “Até que ponto o marxismo está comprometido com a estética e qual o espaço da estética no campo marxista”, esse é um dos questionamentos colocados pelo filosofo Manoel Bezerra. Na oportunidade será distribuido material de estudos de autoria do professor e filósofo.
Para o materialismo histórico e dialético representado por Marx e alguns autores marxistas, essencialmente antropocêntrico, a arte é um produto do trabalho espiritual-material humano, uma forma de conhecer, condensar e expressar aspectos de determinada visão de mundo, a partir de uma realidade histórica e socialmente datada. Desse modo, a arte, como uma forma ideológica, compõe a superestrutura social. Esses serão alguns dos questionamentos que deverão ser provocados durante o evento. O primeiro teve como mediador o professor doutor Roberto Siebra. Um dos objetivos do Coletivo Camaradas compreender o processo artístico e estétivo pelo viés do estudo marxismo.

Grupo de artistas criado em Fortaleza é inspirado no Coletivo Camaradas

Arte e Marxismo também será o foco Coletivo de Artistas de Fortaleza
No último sábado (16), esteve reunido no Comitê Municipal do PCdoB de Fortaleza o grupo que dará origem ao coletivo de artistas na capital. A idéia é aglutinar militantes, filiados e simpatizantes com atuação nos movimentos artístico e cultural, interessados em estudar arte sob a ótica marxista, na perspectiva de debatê-la entre os diferentes segmentos sociais e interferir propositivamente nas políticas culturais da cidade.

Essas foram algumas das idéias que surgiram durante a reunião, que teve como pauta principal o delineamento da atuação desse grupo formado por músicos, escritores, desenhistas, capoeiristas, MC´s, humoristas, teatrólogos, dançarinos, entre outros, que, embora embrionário, se inspira nas experiências do Coletivo Camaradas do Cariri.

Segundo Natanael Alves, o Natan, dirigente do PCdoB de Fortaleza, “essa ação corresponde aos anseios da direção municipal do partido que pretende reorganizar, através do núcleo dos movimentos sociais, a atuação política de seus quadros no movimento artístico”. Trata-se de uma reaproximação com o segmento que ajudou a construir a própria história do partido comunista no Brasil, quando organizou em suas fileiras nomes importantes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Clarice Lispector, Tarsila do Amaral, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Villa- Lobos, Jorge Amado, Raquel de Queiroz, Portinari, entre outros.

Para Antonio Filho, poeta, fotógrafo e escritor comunista, “o importante é que a atuação do grupo seja acertada, no sentido de contribuir para descentralizar as informações e facilitar o acesso aos bens culturais, patrimônio de todos”. O coletivo surge no momento em que a Conferência Nacional de Cultura e suas etapas preparatórias, municipal e estadual, que têm o objetivo de desenvolver políticas públicas de cultura e promover a participação social, se tornam pauta na cidade. Nesse sentido, o grupo inicia suas atividades com a tarefa de preparar a atuação marxista no processo de conferência, de forma a garantir uma intervenção qualificada e propositiva de seus membros.

Diante de tantos desafios, ficou acertado entre os presentes um encontro quinzenal para dar andamento às propostas. A próxima reunião está prevista para o dia 30 de Maio, às 10h, no Comitê Municipal do PCdoB de Fortaleza. A atividade é aberta e interessados podem participar independente da filiação partidária, o importante para o grupo é a afinidade com o tema e o compromisso de construir uma nova realidade cultural na cidade. Maiores informações podem ser obtidas através do telefone (85) 8631-7172 (Falar c/ Flaviene).

De Fortaleza
Flaviene Vasconcelos.
Estudante de Ciências Sociais e membro do coletivo de artistas