O Canoeiro – Um discurso fotográfico e militante

Embora suas múltiplas feições, oriundas da miscigenação de brancos, negros e índios, o brasileiro consiste em um único povo. Essa unidade foi por muitas vezes testada através de movimentos e insurreições separatistas que, apesar de derrotados, serviram para revelar uma característica marcante dessa mistura de raças e culturas: a bravura e a combatividade!

Foram homens e mulheres que de norte ao sul do país, impelidos por seus ideais, deram suas vidas em causas que acreditavam justas, revelando a coragem que lhes eram inerentes.

Hoje, o movimento separatista parece superado, no entanto, podemos ver a mesma coragem desses heróis nas expressões da luta cotidiana do cidadão brasileiro.

Foi assim que a obra o canoeiro foi concebida, no intuito de revelar através da fotografia como essas peculiaridades são oriundas do nosso processo de formação, que atravessando gerações se materializa na luta revolucionária ou na labuta diária. Sua execução ocorreu através da observação rotineira de um morador da cidade de Alcântara – Ma, de nome desconhecido, que sem proferir uma única palavra, mostrava muito dessas características “genuinamente”, se assim podemos falar, brasileiras.

Caboclo nordestino tem no rosto a marca da bravura indígena e a força dos negros escravos que ali viveram. Homem de poucas palavras traz no semblante um arcabouço da história do Brasil.

Flaviene Vasconcelos é estudante de Ciências Sociais da UFC e militante do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz.

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