Arquivos mensais: março 2009

De malas prontas neste sabado no Sesc Crato

A Cia Pé de Vento Teatro foi fundada em Florianópolis-SC em 1999, é fruto da união do espanhol Pepe Nuñez com as atrizes brasileiras Andréa Padilha e Vanderléia Will. Na química entre eles percebe-se um trabalho que se propõe recuperar na figura do palhaço a sua vertente mais ousada, critica, ácida, provocadora… assumindo o compromisso de transcender o mero papel de provocador de risadas e entretenimento, para ir fundo no papel de observador e critico da realidade.
Para isto desenvolvem uma linguagem universal que prescinde quase totalmente da palavra e busca atingir o Imaginário Coletivo através de situações, intenções e gestos tirados do cotidiano e da realidade em que vivemos, focando seu método na busca de uma Gramática da Ação Poética clara, simples e inteligente.
Pé de Vento Teatro vem conquistando grande sucesso junto ao público nos mais renomados festivais, mostras e circuitos de Teatro que vem participando no Brasil e países do exterior como Espanha, Portugal, Andorra, México, E.U.A, Argentina, Áustria…
ESPETÁCULO: DE MALAS PRONTAS
Cia Pé de Vento Teatro SC.
O espetáculo é uma comédia irreverente sem fala, que conta a história de duas mulheres obrigadas a compartilhar o mesmo banco de um aeroporto…
No desenrolar do espetáculo se percebe que compartilhar não é tão fácil assim e, os conflitos se sucedem velozmente até a situação chegar a um ponto sem retorno, e só há uma saída:
Serviço
DURAÇÃO: 55’
PÚBLICO: ADULTO
CATEGORIA: COMÉDIA
DIA: 04/04
Horário: 20ho
Local Sesc Crato
Entrada: 2 kg de alimentos

Carta de agradecimento.

“Caras(os) Amigas(os),

Venho, por meio desta, AGRADECER, de coração, as inúmeras manifestações de apoio a minha pessoa neste momento difícil de minha vida, em que me sinto ultrajada e  ofendida, além de sozinha, longe de casa, de meus familiares e daqueles amigos mais próximos e leais.

 

A solidão da produção científica aliada à dor e à sensação de momentânea impotência diante de tão absurdo incidente perpetrado covarde e estupidamente por um colega de trabalho contra mim, mexem com meu metabolismo e vem prejudicando minha saúde física e psicológica. No entanto, após o registro policial e o protocolo de pedido de providências junto à Reitoria, sinto alguma esperança de, pelo menos, abrir um canal de diálogo com aqueles a quem este tipo de prática causa indignação.

 

Por outro lado, como era de se esperar, e como sempre acontece em crimes de ameaça, sobretudo contra mulheres, o agressor agora vem a público tentar me desqualificar  e me transformar de vítima em algoz.

Em não podendo negar que telefonou para minha casa, obtendo o meu telefone com pessoa a quem eu estimava como amiga, o referido professor agora constrói sua defesa argumentando que me ligou para ter informações sobre uma conversa de que eu andaria procurando “amigos em comum” para saber se ele “lançava livros para um dia ser reitor.” Disse ele que conversou amistosamente comigo acerca desta questão. Sinto-me duas vezes aviltada.  A mentira que este senhor está construindo, com apoio de algumas colegas de departamento, mostram a justeza de minhas palavras escritas no cordel.

 

Aqueles(as) a quem devo ter atingido ao me reportar a irregularidades, acúmulo de cargos, nepotismo, favoritismo, desvio de verbas e perseguição, certamente estão auxiliando meu agressor na construção de sua insustentável tese de defesa.

 

Vê-se que o objetivo é me desqualificar e, com isto, apagar o assunto central desta questão: as irregularidades apontadas por mim e olvidadas pelas autoridades que se mantém em silêncio até o momento.

 

Quanto aos argumentos de que se utiliza o professor Reno – reincidente em ameaças e agressões a outros profissionais da URCA – devo dizer que jamais disputei nada com este colega. Tampouco me preocupo com o que o mesmo anda ou não fazendo academicamente. Até por que eu mesma já o ajudei quando fiz um projeto de curso no qual ele se especializou.

 

Assim sendo, quem me conhece sabe que não sou de medir competência com colega algum, até porque tenho sido abundantemente coroada de êxito em tudo que faço, seja pessoal ou profissionalmente. É do conhecimento público que fui aprovada em primeiro lugar para lecionar nesta instituição. Como também fui aprovada, em primeiro lugar, para estudar doutorado numa universidade pública, federal, que está entre as 100 melhores do mundo. Todos sabem que faço intercâmbio internacional com a melhor Universidade Pública das Américas, a UNAM e que sou uma professora dedicada e competente.

 

Ademais disto, tenho ajudado muita gente a obter qualificação, além de engrandecer  meu departamento com importantes e inovadores projetos de pesquisa e extensão. Jamais teria razões para disputar qualquer posição com este colega ou outro qualquer da nossa Instituição. Não sou candidata a Reitora ou a qualquer cargo institucional, até por que  meu doutorado é demasiado sério e exigente, onde é necessário muito estudo e muita produção a fim de que o seu resultado traga algo de importante para a URCA e o Cariri. TUDO ISTO DESCONSTITUI SEUS ARGUMENTOS.

 

Sendo assim, reafirmo tudo que narrei na carta, pois tenho provas de tudo o que aconteceu. Esta tentativa de negar o crime praticado demonstra a incapacidade de auto crítica ou retratação.

 

Chamo a atenção, mais uma vez, para a necessidade de refletirmos sobre AS IRREGULARIDADES PERPETRADAS DENTRO DA URCA, razão maior de tudo o que ora acontece, corroborado pela prática de sujeira e PERSEGUIÇAO. Por fim, ainda que todos capitulem e se acovardem, mais resoluta lutarei, posto que esta tem sido a minha mais nobre vocação.

 

Abraço amigo e saudações a quem tem coragem!” 

 

Salete Maria

Artistas e estudantes se mobilizam para criação do CUCA no Cariri

No Cariri será criado o Centro (Circuito) Universitário de Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes – CUCA da UNE, na verdade os CUCA´s tratam-se de coletivo de artistas e estudantes universitários que discutem e promovem ações que tem como intuito viabilizar a troca de experiência das manifestações artísticas e culturais desenvolvidas dentro e fora das universidades. Outro aspecto importante é o intercâmbio e a circulação nacional da produção de cada CUCA. O Instituto Cuca atualmente é Pontão de Cultura do Programa Cultura Viva do Minc. O Instituto também mantém o PIA – Programa de Interferência Ambiental, o qual funciona como rede-coletivo de intervenções urbanas, do qual o Coletivo Camaradas, tendo inclusive participando da 6º Bienal da UNE, no início deste ano em Salvador-BA.

Na Região do Cariri, a UNE vem mantendo contatos com artistas e estudantes desde 2008 para criação de um CUCA, tendo inclusive mantido contatos com a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri. Na oportunidade, a Pró-reitoria de Extensão, Arlene Pessoa se prontificou para ajudar na instalação do CUCA, tendo inclusive discutido a possibilidade de criação de um cine-clube, no Parque de Exposições aonde funciona o estande da URCA.

Nesta próxima sexta-feira, dia 03 de abril, a partir das 9h00, na Sala de Vídeo da Universidade Regional do Cariri será realizada uma reunião para discutir os rumos do CUCA na Região. A Comissão Pró-Criação do CUCA enfatiza que a reunião é aberta para artistas, grupos de reisados, companhias de dança e de teatro, coletivos, poetas, cineastas e estudantes das universidades e faculdades públicas e privadas da região do Cariri.


Serviço:

Instituto Cuca da UNE

Blog: www.cucadaune.blogspot.com

Professora da URCA é ameaçada por publicar cordel.

A Professora Salete Maria, da URCA, foi ameaçada após divulgar um cordel em que dá a sua opinião sobre a universidade. Onde é que nós vamos parar? Ameaças à liberdade de expressão da professora, incansável lutadora contra a homofobia, a violência contra a mulher e a opressão de classe. É preciso uma resposta enérgica contra essa tentativa de intimidação. 

Ajude a divulgar. 
 

“AO REITOR DA UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI-URCA
AOS COLEGAS DE UNIVERSIDADE,
AOS MEUS COLEGAS DE DEPARTAMENTO,
AOS MEUS ALUNOS E AMIGOS,
 
 
“Mais que as idéias, são os interesses que separam as pessoas.” 
(Alexis de Tocqueville)
 
                                                                                     
 A razão deste e-mail é para comunicar um fato por mim reputado como gravíssimo e pedir apoio e solidariedade urgentes.
 
Em face da circulação de um cordel redigido por mim intitulado CARTA ABERTA AO REITOR NO ANIVERSÁRIO DA URCA, onde, apesar de reconhecer alguns avanços desenvolvidos no governo Plácido, chamo a atenção do mesmo para muitas irregularidades existentes em sua gestão, (cordel publicado no meu blog www.cordelirando.blogspot.com, e também remetido para o próprio Reitor, por e-mail e para algumas pessoas amigas); RECEBI HOJE, 28 de março, por volta das 16h 20 min, um telefonema que  me deixou estarrecida. 
 
Trata-se de uma ligação efetuada pelo professor RENO GONDIM do Departamento de Direito da URCA. O referido professor, com quem sempre tive, até a data de hoje, excelente relação profissional e de amizade, é, atualmente, candidato a chefe do meu departamento. Pois bem. Estou, há mais de dois anos residindo em Salvador para fins de cursar doutorado e este professor nunca me fez um contato, nem por e-mail nem por telefone, sequer, para saber se eu estou bem, se tenho o que comer ou onde morar, já que não disponho de bolsa de estudos. 
 
No entanto, na tarde de hoje, creio que após ler o meu cordel, já que fez menção a ele, o referido professor me telefonou para (após certificar-se de que era eu quem havia atendido ao telefone) dizer que ia – palavras dele – ME COMER, ME FODER, ME ESTUPRAR, E EM SEGUIDA ACABAR COMIGO, JÁ QUE ERA ISTO QUE EU MERECIA. Disse ainda o professor que – palavras dele – SE PLACIDO NAO ERA HOMEM PARA FAZER ISTO, ELE ERA… ACRESCENTANDO QUE EU ERA PUTA E SAPATÁO PORQUE ELE AINDA NAO TINHA ME COMIDO(sic). 
 
Sem entender o que se passava, eu lhe perguntei se ele estava louco e se por acaso ele tinha praticado alguma irregularidade tão grave que o fizesse se sentir ofendido com minha literatura. Ele disse, aos berros e, aparentemente, muito transtornado, que eu IA PAGAR PELO QUE ESCREVI, falando ainda QUE ACABARIA COMIGO TAO LOGO EU BOTASSE MEUS PÉS NA URCA. Antes que eu desligasse, o referido professor ainda proferiu muitos palavrões e expressões desconexas.
 
Diante de tal situação, liguei imediatamente para a secretária da URCA, Fátima Cabral, a fim de saber se ela deu meu telefone ao professor, uma vez que somente ela e a professora Cileide dispõem do meu número, além de meus familiares, já que estou sem celular. Fátima Cabral me disse que não, mas que iria perguntar  a professora Cileide. Eu me lembro que o próprio professor falou no nome de Cileide. 
 
Uma vez contactada, esta professora confirmou ter dado o meu telefone pra ele e disse que o mesmo o pediu para “se comunicar comigo”, não informando sobre o quê. Assim, sendo, pretendo fazer um BOLETIM DE OCORRENCIA amanhã cedo, pois já é tarde e a delegacia fica muito longe de onde moro aqui em Salvador. 
 
Em face disto, esta carta também se configura como um comunicado formal ao Reitor da URCA, já que o meu cordel, embora em formato de carta aberta, tinha como destinatário o mesmo. Ademais, o professor Reno Gondim me telefonou pretendendo “fazer justiça ao Professor Plácido”. 
 
Este mesmo documento será endereçado ao Departamento de Direito, a cuja chefia o referido professor concorre como candidato único. 
 
Devo lembrar que, ao redigir meu cordel, exercitei minha liberdade de expressão e, como manda a lei e como sempre faço, o assinei, assumindo a responsabilidade por tudo que escrevi, uma vez que tenho como provar tudo que narrei.
 
Deste modo, vale lembrar também que nem no governo de André Herzog, do qual eu era oposição declarada, sofri tamanha PERSEGUIÇAO. Creio que a Universidade como um todo deve repudiar tal conduta, de modo solene e formal. Bem como deve adotar as medidas administrativas cabíveis. 
 
Ademais, em breve chego ao Cariri para ministrar aula na pós-graduação. Temo pelo que possa me acontecer. Vou pedir segurança ao coordenador de Curso e vou me acautelar porque penso que esta pessoa é capaz de tudo, uma vez que em lugar de discordar de meus argumentos no campo das idéias, escrever e assinar algo em contrário, opta por fazer terror e promover violência psicológica, por telefone, imaginando que, com isto, calo-me definitivamente.
 
Penso que a conduta deste professor denota e reflete um COMPORTAMENTO AUTORITARIO, PERSEGUIDOR, MACHISTA, HOMOFÓBICO, TRAIÇOEIRO  E  CRIMINOSO, que não deve ser olvidado nem tampouco relativizado por ninguém.
 
Por outro lado, não entendo sua manifestação, uma vez que eu não o citei e tampouco faço idéia do tipo de ofensa que eventualmente eu o fiz, já que o mesmo não ocupa, ainda, cargo superior neste IES.  O que será que o professor Reno pensa que eu sei a respeito dele? 
 
Indignada com tal atitude, mas percebendo que ela não é isolada, mas ao contrário, faz parte de uma política de intimidação e perseguição em curso na URCA desde há muito tempo, farei chegar às mãos do Reitor este meu relato. 
 
Creio que a Universidade é ambiente de debate e inclusive de discordâncias. Mas as pelejas devem acontecer no campo das idéias, dos pensamentos, dos argumentos, das tomadas de posições. E tem que ser de modo claro, expresso e não sorrateiro. 
 
Sinto-me ofendida como pessoa e como profissional que sou. PERSEGUIDA por conta de minhas posições que, na verdade deveriam orgulhar meus pares, já que não compactuo com coisas erradas e tampouco faço vistas grossas para elas.
 
Tenho medo de ir a Faculdade. Mas tenho coragem o suficiente para, diante do meu medo, não recuar, não retroagir, não desistir de lutar por uma URCA, UM CARIRI, UM BRASIL E UM MUNDO MELHOR.
 
Agradeço pela atenção e, caso entendam que mereço, também aceito, de coração, o vosso apoio.
 
Atenciosa e indignadamente, 
 
Salete MARIA da Silva” 

Diário do Nordeste Publica matéria sobre Exposição Cabaré

Veja no Diário do Nordeste: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=625968

Exposição conta história social da comunidade do Gesso
“Cabaré: Memórias de Uma Vida” ficará em exposição até o próximo dia 9 de maio, no Centro Cultural do BNB


Exposição resgata história de cabaré Foto: Elizangela Santos

Juazeiro do Norte. Imagens de um espaço que por décadas foi área de prostíbulo na cidade do Crato passaram a ser tema de exposição promovida pelo Centro Cultural Banco do Nordeste, em Juazeiro do Norte. “Cabaré: Memórias de Uma Vida”, uma iniciativa de trabalho do grupo Coletivo Camaradas, de atuação regional, faz um resgate da história da comunidade do Gesso, no Crato, dos antigos moradores da área. Um vídeo foi produzido com depoimentos das pessoas que convivem no local. São falas de adultos, crianças e adolescentes sobre o local e o cotidiano. A exposição permanecerá no Centro Cultural BNB até o próximo dia 9 de maio.

A idéia de registro da memória do antigo Cabaré nasceu com o projeto Agosto das Artes, no ano passado. Segundo o artista plástico Alexandre Lucas, esse foi o primeiro momento, realizado ainda com as primeiras filmagens. Também começaram a ser feitas oficinas e reuniões e com isso veio a proposta da exposição sobre o cabaré. Também foram feitos trabalhos de intervenção na área para se buscar os registros antigos. Cartazes com o nome “procura-se” foram espalhados pela comunidade.

São personagens de uma época, objetos, a mesa de bar, a cachaça. Um espaço. O cabaré do Crato foi criado em 1952 segundo os moradores. Já o memorialista Humberto Cabral afirma que isso aconteceu somente dez anos depois. A área foi imposta como prostíbulo por determinação judicial, já que muitos locais do Centro da cidade funcionavam como casas de prostituição. “Essa foi uma forma de sitiar as pessoas, com a retirada do centro”, explica Alexandre.

Para o integrante do Coletivo, por mais de 50 anos esse espaço ficou sem políticas públicas direcionadas para a melhoria da qualidade de vida dos moradores. Tanto que até a atualidade a população local ainda sofre com a falta de infra-estrutura adequada. Uma pequena área de quatro quarteirões, onde não existia saneamento, não haviam banheiros com condições adequadas. Eram buracos no chão.

A exposição traz uma memória social e mostra o patrimônio arquitetônico existente, as condições de moradias da comunidade. As únicas mulheres que circulavam eram as que residiam ou “trabalhavam” na zona de prostituição. As outras não iam ao local por medo de serem confundidas com as garotas de programa. E o trabalho continua com a exposição itinerante. São 8 mil cartões postais das imagens do local que estão circulando pela comunidade agora.

Abertura

Na abertura da Exposição “Cabaré: Memórias de Uma Vida”, os próprios moradores do Gesso estiveram presentes para sentirem-se identificados com a mostra. Foram levados para o BNB, num ônibus, cerca de 70 moradores. Os personagens principais. “A finalidade desse trabalho também foi evidenciar uma comunidade marginalizada, que por todos esses anos passou a ser estigmatizada”, ressalta Alexandre.

Os registros fotográficos da exposição ficaram a cargo dos integrantes do Coletivo, Constance Pinheiro, Mônica Batista, Fabiane Lemos e Fatinha Gomes, além de Samuel Gomes e Alexandre Lucas. O vídeo produzido tem uma duração de 15 minutos. Esse material será levado à própria comunidade com distribuição de algumas cópias. O filme também será disponibilizado na internet.

ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter

Mais informações:

Centro Cultural BNB
Rua São Pedro, 337 – Centro
(88) 3512.2855
Coletivo Camaradas
(88) 8801.8972 (Fatinha Gomes)

Duas exposições coletivas reúnem 39 dos mais expressivos xilogravuristas do Brasil e da Argentina

Arte e técnica de fazer gravuras em relevo sobre madeira, a Xilogravura será tema de duas exposições coletivas simultâneas a serem abertas na próxima terça-feira, 31, às 19 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108).
Juntas, as duas mostras exibirão obras de 37 xilogravuristas de sete estados brasileiros (Ceará, Paraíba, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul), um grupo de artistas paulistas (Espaço Coringa) e um argentino (Nicolás Robbio). Gratuitas ao público, as duas exposições ficarão em cartaz no CCBNB-Fortaleza até o próximo dia 3 de maio (horários de visitação: terça-feira a sábado, de 10h às 20h; domingo, de 10h às 18h).
Intitulada “Entre a Xilo e o Múltiplo: Clube de Colecionadores de Gravura do MAM”, a primeira exposição resulta de parceria entre o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e o Centro Cultural Banco do Nordeste. Com curadoria de Cauê Alves, a exposição reunirá uma mostra representativa de gravuras realizadas por 29 dos mais importantes gravuristas do Brasil e da Argentina para o Clube de Colecionadores de Gravura do MAM.
O objetivo da mostra é apresentar, de modo didático, com matrizes originais e textos explicativos, as técnicas tradicionais da gravura (xilogravura, litografia, gravura em metal e relevo), bem como trabalhos contemporâneos que ampliam a noção tradicional dessa técnica.
Por sua vez, a segunda exposição se denomina “Minha Vida na Xilogravura: Gravadores de Juazeiro”, e reunirá dez xilogravuristas cearenses, naturais de Juazeiro do Norte (região do Cariri, sul do Estado). Essa mostra apresentará gravuras que expressam as trajetórias desses dez artistas, porém mostrando temas diferentes das tradicionais imagens daquela região.
Da exposição “Entre a Xilo e o Múltiplo: Clube de Colecionadores de Gravura do MAM”, participam os seguintes 29 gravuristas: Antonio Dias (PB), Athos Bulcão (RJ/1918 – DF/2008), Cildo Meireles (RJ), Daniel Senise (RJ), Espaço Coringa (SP), Fábio Miguez (SP), Efrain Almeida (CE), Hélio Vinci (SP), Hércules Barsotti (SP), José Damasceno (SP), José Marcionilo Pereira Filho – Nilo (CE), Judith Lauand (SP), Karin Lambrecht (RS), Laura Vinci (SP), Mabe Bethônico (MG), Marepe (BA), Nelson Leirner (SP), Nicolás Robbio (Argentina), Nuno Ramos (SP), Paulo Bruscky (PE), Paulo Climachauska (SP), Regina Johas (SP), Rivane Neuenschwander (MG), Roberto Bethônico (MG), Rubem Grilo (MG), Sérgio Sister (SP), Valeska Soares (MG), Vânia Mignone (SP) e Waltércio Caldas (RJ).
Participam da exposição “Minha Vida na Xilogravura: Gravadores de Juazeiro” dez artistas caririenses, a saber: Abrahão Batista, Ailton Laurino, Cícero Lourenço, Cosmo Braz, Francorli, José Lourenço, Manoel, Naldo, Nilo e Stênio Diniz. Todos esses dez xilogravuristas estarão presentes à abertura da mostra no CCBNB-Fortaleza.

Do Cariri para o MAM e vice-versa (texto do curador Cauê Alves)
A história da arte, como se sabe, foi narrada por alguns teóricos, historiadores e críticos de arte como uma grande e coerente narrativa. Em geral, nestas narrativas a história foi compreendida a partir de um processo linear e progressivo, como se houvesse uma racionalidade que orientasse o fluxo do tempo.
Uma vez constatada a insuficiência destes modelos para a compreensão da arte contemporânea e, portanto, do fim das grandes narrativas, se reconheceu que o tempo não é homogêneo, constante e linear. A história da arte não funciona necessariamente por acumulação e progresso.
Se não há mais a concepção de que a arte se desenvolveu numa única tradição e nem a crença de que exista uma racionalidade imanente à história, então podemos perceber que uma série de tradições, de origem moderna ou não, populares ou eruditas, coexistem e habitam o mesmo espaço.
Ou melhor, como a própria história da arte nos mostra, classificações estanques ou definições precisas e fechadas do que seja ou não arte contemporânea talvez não tenham mais correspondência com a realidade.
É tendo como premissa essa amplitude de tradições e o diálogo constante entre elas que o Clube de Colecionadores de Gravura do Museu de Arte Moderna de São Paulo, junto com o Centro Cultural Banco do Nordeste, realizou a primeira etapa de mini-residências artísticas. O objetivo foi promover o encontro entre artistas que vivem na região do Cariri e o Clube de Gravura.
Durante o mês de agosto de 2008, Efrain Almeida, artista convidado pelo Clube de Gravura do MAM em 2008, a coordenadora de artes visuais do CCBNB, Jacqueline Medeiros, e o curador do Clube, Cauê Alves, estiveram na região do Cariri para estabelecer um diálogo próximo com os gravadores e preparar o início do projeto.
Efrain Almeida elaborou sua proposta de gravura a partir da parceria que construiu com um grande número de gravadores de Juazeiro, a maioria pertencente à Lira Nordestina. Além de ponto de encontro, troca e organização dos artistas, a Lira Nordestina, hoje pertencente à Universidade Regional do Cariri, é a mais antiga gráfica de cordel do Brasil.
A impressão que será feita para o Clube do MAM, é composta por um conjunto de auto-retratos dos artistas que ao gravarem seu traço na madeira, estão também representando seu rosto e sua identidade. O trabalho final será composto pelo conjunto de gravuras numa única folha de papel. Nele será possível reconhecer um panorama dos gravadores e da produção atual do Cariri, trabalho feito a partir de um intenso diálogo com Efrain Almeida e o Clube de Gravura.
A frutífera parceria entre o MAM e o CCBNB está se desenvolvendo a partir do convite feito pelo Clube de Gravura do MAM para que um artista de Juazeiro do Norte, José Marcionilo Pereira Filho, o Nilo, participasse do Clube de Gravura do MAM. Já neste ano, Nilo foi pela primeira vez para São Paulo conhecer as instituições culturais da cidade, o acervo do Museu e desenvolver seu projeto de gravura.
Ao trazer a rica tradição da xilogravura do Cariri ao MAM, o Clube de Gravura está não apenas fomentando a produção e difusão da gravura e do colecionismo de obras de arte, como refletindo sobre o complexo e intrincado circuito da arte contemporânea. Se as grandes narrativas históricas já não possuem validade, também há bastante tempo, pelo menos desde a arte pop, não se admite mais definições excludentes entre a arte popular e erudita. O trabalho desenvolvido por Efrain Almeida nos mostra que as fronteiras entre estas tradições continuam borradas.

A perda da consciência do tempo histórico.

Em sua obra, O desafio e o fardo do tempo histórico: o socialismo no século XXI. São Paulo: Boitempo, 2007, o filósofo István Mészáros aborda o problema da perda da consciência do tempo histórico. 

Para Mészáros, um exame dos desenvolvimentos teóricos do último século e meio revela que a concepção histórica ilustrada da tradição filosófica burguesa deu lugar ao ceticismo e ao pessimismo, cada vez mais difundidos. Todas as conquistas genuínas da tradição do Iluminismo no campo da teoria da história foram completamente subvertidas: no Iluminismo procurou-se traçar uma linha significativa entre a natureza que rodeia o ser humano e o mundo da interação societária produzido pelo homem, para tornar inteligíveis as especificidades, regidas por regras, do desenvolvimento sócio-histórico que emergem da busca dos objetivos humanos.

Levarmos em conta que a difusão do pessimismo e do ceticismo é atuante e desagregadora é o primeiro passo para refutarmos a idéia do presente eterno contida muitas vezes nessas duas posturas.   

A História tem um caráter radicalmente ilimitado, onde é repelido todo o desfecho ideológico determinista. Todo processo e estágio específico levado a cabo pela determinação histórica é apenas histórico. 

Para o professor Mészáros, houve nas últimas décadas um trinufalismo e a celebração das virtudes míticas de uma sociedade de mercado idealizada. Foi feito um uso propagandístico apologético a que serviu o conceito de um mercado totalmente fictício e o “fim da história” sob a hegemonia nunca mais desafiável dos princípios capitalistas liberais.

Mais eis que a História prega uma peça e insiste em se afirmar e mostrar a todos a que tentativas grosseiras de parar o relógio do tempo são infrutíferas.  “Tudo o que é sólido desmancha no ar”não é apenas um slogan. 

A aposta na máxima kantiana da “política moral” combinada com a ação de um “espírito comercial” não atingiu o que seus apologistas esperavam.
 
O ponto de vista do capital é outro, porém, as condições de atuação que se colocam nos dias atuais trazem problemas que se agudizam: irreformabilidade, incontrabilidade e destrutividade.  

Alcançar a consciência do tempo histórico em que vivemos é um passo que devemos dar na conquista da plena cidadania. 
 

Cordel manifesto de professora da URCA

CARTA ABERTA AO REITOR NO ANIVERSÁRIO DA URCA

Autora: Salete Maria

Magnífico Reitor

Receba esta cartinha
E dela seja leitor

Na data que se avizinha

Da URCA, o natalício

E “por dever de ofício”

Reflita uma coisinha


A melhor coisa do mundo

É não ter o rabo preso

Não fazer papel imundo

Nem na consciência peso

É poder dizer: “discordo”

Pois quanto mais cedo acordo

Meu cérebro não fica obeso


No governo de Herzog

Eu redigi dois cordéis

Também botei no meu blog

E divulguei em papéis

As irregularidades

E muitas iniqüidades

Daqueles tempos cruéis


Agora no seu mandato

Da “URCA do jeito certo

Não é meu desiderato

Ver o errado encoberto

Penso que ser coerente

Não é plantar a semente

E fugir para o deserto


É preciso cultivar

Aquilo que se plantou

Se for preciso arrancar

O mato ruim que gerou

Cortar a erva daninha

Fazer uma fogueirinha

E ver se o fogo pegou


Queimar as coisas erradas

Finalizando as mazelas

Não fazer vistas cerradas

Nem compactuar com elas

Tomar medida urgente

Na condição de gerente

Pra ver se dá cabo delas




É preciso tomar tento

Pra erros não repetir

Ficar bastante atento

Não cochilar, não dormir

Tampouco ser conivente

Ou mesmo ficar silente

Fechar a porta e sair


Senhor Reitor e amigo

Eu já lhe adverti

Já lhe mostrei o perigo

Dos desmantelos que vi

Mostrei-lhe a coisa ruim

Pro Senhor botar um fim

E boa-fé eu senti


Porém até esta data

Não vi profunda mudança

Nenhum registro em ata

Contra o mal que avança

Muita coisa piorou

E o Senhor não tomou

Das rédeas, a liderança


Por isto este cordel

Para que o Senhor leia

E tire da cara o véu

Ou o que lhe encandeia

E abra bem o seu olho

Botando as barbas de molho

Antes que isto dê cadeia


No seu governo de agora

Também tem corrupção

E ninguém mais ignora

Que tenha perseguição

Privilégio e nepotismo

Desmando e continuísmo

De cargo acumulação


E tem verba desviada

Pra favorecer amigo

Tem função que foi criada

Olhando só pro umbigo

Imoralidade tem

Muita maldade também

Causando choro e gemido

Tem irregularidade

A torto e a “Direito”

Em muita facilidade

Pra quem cultiva o mal feito

Redução de carga horária

Viagem e muita diária

Pra tudo “se dá um jeito”


Tem coisas nos bastidores

Mas também a céu aberto

Tem cargos de pró-reitores

Criados meio incorretos

Tem lama na FUNDETEC

Em Iguatu falta o MEC

Pra ver os erros de perto


Tem muito ad referendo

Quando a coisa convém

Muito processo perdendo

O objetivo que tem

Prazo não é respeitado

Tem parecer “fabricado”

Pra quem só disser amém


Tem rigores para uns

Pra outros, “deixa fazer”

Há proteção para alguns

Pra outros: “vão se foder”

A cartilha herzoguiana

Despótica, vil e tirana

É cartinha de ABC


A incompetência também

Faz o pacote completo

Erros crassos vão e vêm

São o hobby predileto

Dos que sem qualquer pudícia

Carregados de malícia

Contra a lei dão seu veto


E que dizer dos horrores

Que fazem pra aparecer?

Ocupando sem pudores

Funções que não podem ter

Tem professor graduado

Opinando em doutorado

De quem pede parecer




Ademais tem os conchavos

E os “acordos de paz”

Tem os “nove/doze avos”

Que com tudo se apraz

Corroborando a sujeira

Achando que é bobeira

Quando denúncia se faz


E alguém pode até dizer

Que critico porque quero

Um cargo pra “me fazer”

E deixar de lero-lero

Convites lhe recusei

Porque eu jamais lutei

Pra voltar a estaca zero


Digo-lhe que valorizo

A URCA onde estudei

E isto eu sempre friso

Ao ensinar o que sei

Esta Instituição

Mora no meu coração

E defendê-la é lei


Reconheço que você

Tem feito algum progresso

Sei que há muito por fazer

E lhe desejo sucesso!

Mas não precisa dinheiro

Para com coragem e zelo

Evitar um retrocesso


Celebro o que de bom

A URCA pôde ganhar

Isto demonstra o seu dom

De saber se articular

Mas, por favor, convenhamos

Nem só de parede e planos

Se faz um bom governar


Imagino que é difícil

Resolver tanta questão

Mas faça um sacrifício

E exija a união

Do povo que tá ganhando

E mal lhe assessorando

Sem mostrar nenhuma ação




Em prol do seu reitorado

Contribuo com projetos

Porém todos são barrados

Quando não estou por perto

Sinto na pele o problema

Acabe com este “esquema”

E faça do JEITO CERTO!


Quem avisa amigo é

E eu sou amiga sua

Por isto meto a colher

E também sento a pua

Pro Senhor ficar esperto

E a URCA DO JEITO CERTO

Não ser julgada na rua


Em breve volto pra casa

Pra continuar somando

Não pense que criei asa

Porque tô filosofando

Não vou arribar daí

Me demitir e partir

Como muitos tão pensando


Meu desejo é ajudar

E ver a URCA crescer

Cada vez mais elevar

Nosso nível do saber

Seja através da extensão

Ou na pós-graduação

Pesquisa temos que ter


Por isto, democratize

O debate e as instâncias

Pra que seu povo não pise

Com toda sua arrogância

Em quem ajudou você

A Reitor se eleger

E a plantar esperança


Por aqui eu me despeço

E lhe remeto um abraço

A única coisa que peço

É que desate o laço

Que prende sua ação

E impede a revolução

Em plenas águas de março!


Salete Maria, 2009


Vem aí a “Festa dos Taurinos”

Vem aí a segunda versão da “Festa dos Signos” dessa vez homenageando os Taurinos. Então, para os que nasceram entre os dia 21 de abril e 20 de maio, preparem-se, pois a festa vai rolar e será do papoco. A cor preferida do Taurino é o verde, então veja se você, caso seja Taurino, vai a festa com algo dessa cor. Não será obrigatório, mas ficaria muito bacana, fazendo parte da decoração que trabalharemos nessa cor básica. Venha, traga sua alegria, seus amigos, sua família, sua máquinha fotográfica, registre esse momento que sem dúvida será maravilhoso. Então dia 30 de abril a “Festa dos Taurinos” será dessa vez no Crato Tênis Clube. NOTA: Não é necessário que você seja Taurino para ir à festa, o que queremos é homenageá-los, e certamente você tem algum Taurino pertinho de você. Comemore com ele. Até lá!

O Canoeiro – Um discurso fotográfico e militante

Embora suas múltiplas feições, oriundas da miscigenação de brancos, negros e índios, o brasileiro consiste em um único povo. Essa unidade foi por muitas vezes testada através de movimentos e insurreições separatistas que, apesar de derrotados, serviram para revelar uma característica marcante dessa mistura de raças e culturas: a bravura e a combatividade!

Foram homens e mulheres que de norte ao sul do país, impelidos por seus ideais, deram suas vidas em causas que acreditavam justas, revelando a coragem que lhes eram inerentes.

Hoje, o movimento separatista parece superado, no entanto, podemos ver a mesma coragem desses heróis nas expressões da luta cotidiana do cidadão brasileiro.

Foi assim que a obra o canoeiro foi concebida, no intuito de revelar através da fotografia como essas peculiaridades são oriundas do nosso processo de formação, que atravessando gerações se materializa na luta revolucionária ou na labuta diária. Sua execução ocorreu através da observação rotineira de um morador da cidade de Alcântara – Ma, de nome desconhecido, que sem proferir uma única palavra, mostrava muito dessas características “genuinamente”, se assim podemos falar, brasileiras.

Caboclo nordestino tem no rosto a marca da bravura indígena e a força dos negros escravos que ali viveram. Homem de poucas palavras traz no semblante um arcabouço da história do Brasil.

Flaviene Vasconcelos é estudante de Ciências Sociais da UFC e militante do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz.