Campanha de guerra

Não digo para não doar sangue! Apenas questiono a prerrogativa.


Carnaval s.m. – Três dias de folia que antecedem a quaresma. Por volta de quarenta dias para a páscoa, data em que comemoramos a ressurreição de Cristo, vejo as campanhas de carnaval, e uma delas, que em outros carnavais passou sem maiores questionamentos pelo meu olhar distraído, agora não me deixa quieto. Nela diz para doarmos sangue em virtude do período festivo que se aproxima, assim haverá estoque suficiente de bolsas para as necessidades certas e conhecidas dos hemonúcleos durante o período. Irônico e trágico!

As coisas não andam muito sensatas e de vez em quando me encontro questionando situações comuns como essa. Carnaval é definido pelo dicionário como temporada de folia, mas pelo que vejo deve ser definido como “ocasião de folia e de necessidades extras de sangue”.

O carnaval como festa popular segue o espírito da coletividade com suas atribuições positivas e negativas. E como uma sociedade que mostra sua face de falta de educação (também no trânsito), altos índices de criminalidade e estímulo à apreciação de músicas “pornográficas” (até mesmo por parte do governo quando financia apresentações das “pornobandas”) pode não vivenciar isso? Ingenuidade não ter percebido antes.

É certo que os adjetivos expostos soam caricatos, e que sejam. Acredito também na face da sociedade e do carnaval onde a vontade e o trabalho caminham no sentido da construção de um bem-estar psicossocial.

Como doador, estudante de medicina e, portanto, agente da promoção da saúde, espero o dia em que campanhas de guerra(como podem ser as de doação de sangue) não precisem ser utilizadas em nosso carnaval.

Ainda ingênuo? Talvez…

Daniel Coriolano

[email protected]oo.com.br

Deixe uma resposta