Pensando a História

Renegado por séculos e séculos, o negro aparece no cenário brasileiro inicialmente como um indigente, como um ser sem alma, sem direitos. De origem africana é exportado como uma mercadoria valiosa para países de outros continentes. Ao chegar ao Brasil passa a ser relegado a uma vasta e única função, a de ser explorado pelo povo que aqui se constituía como o povo brasileiro.
Sua cultura passa a ser algo irrelevante, em que além de subjugada como inferior e errada, passa também, a ser vítima de um forte etnocídio. Novos princípios e valores, apesar da tentativa de resistência negra, são implantados na vida desse povo. Aos poucos uma cultura que permeava uma forma de compreensão do mundo é cruelmente substituída por uma cultura branca, ambas, entretanto, tão verdadeiras quanto qualquer outra. Em que orientando-se por um diagnóstico relativista, não existem culturas atrasadas, erradas ou inferiores, existem culturas, e todas elas são válidas, pois explicam e ordenam a realidade de cada uma das sociedades distribuídas no mundo.
No Brasil como já fora mencionado anteriormente, não foi bem isso o que aconteceu, tanto os negros como os índios foram vítimas de uma forte violência cultural. Atualmente sua descendência busca conquistar o seu espaço numa ala até certo ponto ainda fechada, pois apesar de válida, porém, sujeita à correção, a sociedade branca desencadeou um racismo e um preconceito que marca profundamente a cultura do povo que aqui se acentuou. Esse fato justifica-se na dificuldade encontrada muitas vezes pelo descendente negro em se assumir como tal. Costuma-se dizer que ele apresenta racismo contra si mesmo, o que é consequência de todos esses séculos de opressão. Pois como alguém que é renegado por tanto tempo pode esquivar-se completamente de sua história, e uma história sofrida, violenta e opressora e aceitar-se completamente?
As tentativas de desculpa para com essa etnia e que ao mesmo tempo tende a gerar uma consciência multiétnica vinculada ao dia da consciência negra, apresenta-se como uma política educacional importante. Entretanto, as informações colocadas devem ser muito bem explicitadas, pois a história para além de ser contada pelos livros, deve ser inspecionada e refletida. Pois se a educação não conseguir formar um cidadão critico da própria história, não estará mais que produzindo robores programados.

Cícera Andrade

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