Arquivos mensais: Janeiro 2009

Junior Erre um artista (des)colado

Colagem produzida no Cariri em Cartaz na Capital Cearense

RASGADOS E COLADOS

“Na série ‘RASGADOS e COLADOS’ Júnior Érre retrata todo o contexto social que emoldura a realidade criando, através de recortes e objetos diversos, um universo de imagens que mostram a singularidade do cotidiano, as transformações do mundo moderno, a cultura do povo, a beleza – implícita e explícita nas esquinas das cidades. Atribuindo novos significados ao que está posto ele invade o plano do visível para extrair o singular, o invisível e colá-los em outro contexto Provocando os nossos sentidos, questionando os conceitos estabelecidos ele oferece ao observador a oportunidade de ver uma outra face da história: aquela que nos faz pensar, refletir e projetar a nossa visão para além do que os nossos olhos sempre vêem tão de perto. Por isso ele utiliza a colagem e através da arte ele mostra a vida – em todos os ângulos, em todas as formas e por todos os olhos ”.

Otilia Aparecida – Curadora da exposição

Vanuzia Tavares faz performance na URCA

A poeta e acadêmica do curso de História Vanuzia Tavares faz apresentação performática na quarta-feira, dia 14, às 20 horas, na passarela superior do curso de História da URCA, no Campus do Pimenta. Com a Performance a “A querda” a artista recitará seus poemas e os lançaram ao público. Vanuzia vem ocupando as cenas marginais da poesia e os espaços convencionais, tendo feito apresentações no Performance Poética do Sesc, na Mostra DesUSA, em banzinhos alternativos e na Universidade Regional do Cariri. Natural da cidade do Rei do Baião, Exu, Pernambuco a poeta tem marcado o seu discurso poético pelo contemporâneo e o existencial.
A performance de Vanuzia Tavares faz parte do projeto Altar Poético desenvolvido pelo Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC, vinculado a Pro-Reitoria de Extensão da URCA.

Serviço:
Projeto Altar Poético
Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC/PROEX/URCA
Telefone: 3102-1212 ramal 2424.

Coletivo Camaradas comprova insegurança no Fundão










Patrimônio Histórico e Ecológico não tem segurança na cidade do Crato, conforme comprovam artistas e ativistas.

Uma ação de intervenção artística foi realizada no ultimo domingo, dia 11, no Parque Estadual do Sítio Fundão, na Cidade do Crato pelo Coletivo Camaradas. A intenção da intervenção foi comprovar a falta de segurança no local que vem sendo deteriorado por vândolos e pela ação do tempo. Além do patrimônio ecológico, o Parque conta com engenho de pau, desativado há 50 anos e puxado a bois, que encontroa-se em ruínas, bem como uma casa de taipa de dois andares e uma barragem com estrutura de pedra. O patrimônio pertenceu o ecologista Jéferson da Franca Alencar e tem uma área de 93,54 hectares, a qual é rica em biodiversidade e mata nativa, inclusive, com espécies remanescentes da Mata Atlântica. O trabalho dos Camaradas consistiu de pesquisas sobre o local e a importância enquanto patrimônio histórico e ecológico, através de informações colhidas em órgãos do Estado e Ecologistas, além da comprovação in lócus. O grupo chegou pela manhã do domingo e ficou até meio dia, neste período fez o registro fotográfico, produziu placas e montou a sua intervenção que consistiu em colocar uma caixa de descarga sobre a palavra segurança entre a casa de taipa e na entrada colocaram uma placa como os dizeres “Preserve o fundão” e ao lado sacolas com lixo recolhidos dentre do Parque pelos integrantes do Coletivo. Conforme informações dos Camaradas o piso superior da casa estar deteriorado e as janelas estão arrombadas, o banheiro foi destruído e uma mesa de cerca de 100 anos que servia como assento para colocar potes encontrava-se destruída, bem como pia quebrada, telhado e sistema hidráulico e elétrico deteriorado. A próxima a ação do Coletivo será em outra área ambiental, a qual não foi divulgada e eles afirmam que a intenção é promover o dialogo vivencial da arte com a sociedade, através destes trabalhos/ações da arte contemporânea.

Serviço:
Coletivo Camaradas
Blog: www.coletivocamaradas.blogspot.com
Email: [email protected]

O Cariri na VI Bienal da UNE

6ª BIENAL DE CULTURA DA UNE
Maior Festival Estudantil da America Latina

Cinco estudantes caririenses tiveram seus trabalhos selecionados para VI Bienal de Cultura da UNE. O evento é o maior festival estudantil da América Latina e acontecerá em Salvador – BA entre os dias 20 e 25 deste mês. A comissão organizadora recebeu 1.506 trabalhos das seguintes áreas: Artes Cênicas, Música, Ciência & Tecnologia, Literatura, Cinemas e Artes Visuais dos quais 153 foram selecionados. Foram 11 autores cearenses os escolhidos sendo 5 da região do Cariri. Daniel Victor Coriolano, acadêmico da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte (FMJ) foi selecionado para Mostra de Artes Visuas juntamente com a acadêmica Yasmine Morais Alves, discente do curso de letras da Universidade Regional do Cariri (URCA), Daniel Coriolano ainda foi selecionado para Mostra de Literatura, sendo único representante cearense nesta área. Márcio Roberto Silva acadêmico de psicologia da Faculdade Leão Sampaio foi adimitido para Mostra de Ciencia & Tecnologia como autor principal assim como as estudantes da URCA Clara Magda Barbosa, acadêmica de letras e Ingrid Mikaela Moreira, enfermagem. Alexandre Lucas, assessor técnico cultural do Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho (IEC), vinculado a Pró-Reitoria de Extensão da URCA, classificou de considerável o número de representantes caririenses selecionados. Mais uma vez nossa região mostra ao Brasil sua força cultural e artística também no âmbito estudantil.


Lista de selecionados em:
http://cucabienaldaune.blogspot.com
http://www.une.org.br

Fonte: http://www.medicinaearte.rg3.net/

O Fardo do Trabalho


Se você é um daqueles que trabalhou ou trabalha de segunda à sexta-feira e só sente bem quando está de folga ou passa mal quando no domingo à noite ouve a musiquinha do “Fantástico” da Rede Globo só por se lembrar que no outro dia é segunda-feira, não se assuste. Você faz parte de uma imensa multidão que ao trabalhar sente que algo não vai muito bem e que poderia ser mais feliz. 

Os motivos? Bem, os motivos são variados. Pode ser porque você acha que ganha menos do que merece. Pode ser que você tenha vocação para ser um artista mas só consegue sobreviver trabalhando de empacotador em um supermercado e não te dão uma chance. As razões são inúmeras. O problema acontece quando você sofre mas não entende o que está acontecendo consigo mesmo. 

Você sente uma raiva do seu trabalho. Mas o trabalho em si não tem culpa não. Trata-se de algo tão importante que já foi tema de estudo de vários filósofos, economistas, historiadores, sociólogos e outros pensadores.  Além de ser uma atividade inerente aos seres humanos, serve de base para concepções de mundo. Isso mesmo.     
        

Uma categoria axial do Materialismo Histórico é a categoria trabalho


Para a concepção materialista da história, a atribuição ontológica dos seres humanos é a de que são seres práticos, conscientes, que espiritualizaram sua materialidade.  Ao mesmo tempo que é uma capacidade em estado latente, torna-se ato volitivo e transformador do ser humano. 

Assim, Marx analisou a questão em O Capital: 

“Antes de tudo, o trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação, impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza. Desenvolve as potencialidades adormecidas e submete ao seu domínio o jogo das forças naturais.” 
(MARX, Karl.  O Capital – Crítica da Economia Política. Livro Primeiro – o processo de produção do capital, volume 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971, p.202)

Quando vamos ao estudo das sociedades constituídas historicamente, notamos que o trabalho humano assume diversas formas. De ação volitiva, transformadora da humanidade e de suas potencialidades se torna muitas vezes sinônimo de opressão , de desrealização do ser humano, de alienação. 

Um exemplo é o da escravidão. Outro, o do trabalho assalariado. Formas alienadas de trabalho humano, símbolos da opressão do homem pelo homem. 
 
Perceber a historicidade não só do conteúdo mas também das formas, eis uma feliz assertiva do Materialismo Histórico. É a desnaturalização das relações humanas como era propagada pela Economia Política Clássica. Um dos méritos do marxismo foi retirar o “véu” que encobria a questão do trabalho humano e da exploração como algo da “natureza humana”. 

Sobre isso, Lukács nos dá bem a importância: 

“(…) Marx opõe uma filosofia crítica, uma teoria da teoria, uma consciência da consciência. Essa filosofia crítica signifca – em muitos aspectos – uma crítica histórica. Ela dissolve sobretudo o caráter fixo, natural e não realizado das formações sociais; ela a desvela como surgidas historicamente e, como tal, submetidas ao devir histórico em todos os aspectos, portanto, como formações predeterminadas ao declínio histórico. Por conseguinte, a história não ocorre somente dentrodo domínio de validade dessas formas, segundo o qual a história significaria apenas as mudanças deconteúdos, de homens, de situações etc., comprincípios sociais eternamente válidos. Essas formas são ainda o objetivo ao qual aspira toda a história e, depois de realizadas, a história chegaria a um fim, pois já teria cumprido sua missão. Mas ela é, antes, justamente a história dessas formas, sua transformação como formas da reunião dos homens em sociedade, como formas que, iniciadas a partir de relações econômicas objetivas, dominam todas as relações dos homens entre si (e assim também as relações dos homens consigo mesmo, com a natureza etc.).” 
(LUKÁCS, Georg. História e Consciência de Classe: estudos sobre a dialética marxista. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p.135-136).   
 

Então, o que provoca essa dicotomia? Entre uma condição de libertadora da humanidade, transformadora dos seres, atividade essa que visa a satisfação das necessidades mais elementares dos seres humanos em uma atividade opressora, alienante? 

Essa é uma das perguntas que o marxismo busca responder. Essa é uma das questões centrais da concepção Materialista da História. Por isso talvez seja tão criticada e combatida. Não interessa a muitos que isso seja estudado, difundido e debatido. 

Cid Gomes não respeita os artistas do Ceará

Aqui é terra aonde floresce maracatu, repente, cantoria, rap, baião, forró, musica eletrônica, rock, chorrinho, reggae, samba, musical instrumental… Nesta terra produzimos música para alimentar o nosso povo…

O Governo Cid Gomes por inúmeras vezes vem marcando a sua gestão pelo continuo desrespeito aos artistas cearenses com uma política arbitraria, excludente e de financiamento descarado da indústria cultural.

No período da Expocrato 2008 , o Coletivo Camaradas e diversas personalidades do meio intelectual e artístico da região do Cariri posicionaram-se contra o processo sem critérios sociais para exploração do Parque de eventos (shows) da Expocrato. Na época colocava-se a necessidade de estabelecer uma quota para os artistas da região, respeitando a diversidade musical caririense. Esse terreiro de musica experimental, popular e erudita que é o Cariri. Através de uma Carta Aberta ao Governador os artistas caririenses colocaram suas reivindicações, a qual circulou nos diversos veículos de comunicação de massa e sendo entregue pessoalmente ao secretário de Cultura do Estado, professor Auto Filho. No entanto, o silêncio tomou conta do discurso do Governador.

Vale ressaltar que o Governo do Estado não pagou os cachês do artistas que se apresentaram no Palco Alternativo da URCA – Exprocrato julho/2008. (Valor do Cachê de cada banda R$ 500,00 menos os descontos ). Os artistas só não ficaram sem receber o pagamento porque a Administração da Universidade Regional do Cariri assumiu a dívida, mas o repasse nunca foi feito pela Secretaria de Cultura do Estado.

No mesmo período (julho/2008) diversos veículos de comunicação apontavam o Governo Cid envolvido no beneficiamento de bandas de forró em inaugurações em cidades do interior do Estado. As típicas bandas que promovem à socialização do machismo, da vulgarização sexual, da violência e da apologia às drogas. As “pornobandas”. As “grandes bandas” da industrial cultural que não representam a diversidade e a pluralidade musical do povo cearense.

Pela segunda vez a Secretaria de Turismo do Estado realiza o continuísmo inconseqüente com o dinheiro público, através do “Férias no Ceará”, que durante o mês de janeiro/2009 realiza 17 shows com bandas conhecidas nacionalmente, como Jota Quest, Biquíni Cavadão, Titãs, Arthur Moreira e Paralamas do Sucesso e as “pornôbandas”. O fato é que essa política do Pão e Circo do Governo Cid não beneficia a população e nem fortalece política de turismo ou de cultura no Estado. Rios de dinheiro público serão desperdiçados para atender as grandes empresas. Turista vem para o Ceará com o intuito de conhecer a produção local, portanto é equivocada a desculpa que esses eventos atraem turistas e outra coisa o povo cearense tem o direito conhecer o que é produzido no seu estado e na maioria das vezes a produção musical dos músicos cearenses não toca nas rádios e tvs que já são permeadas pelas indústrias das “pornobandas” e das grandes produtoras e na maioria dos casos poucos são os músicos e bandas do Estado que tem CDs produzidos.

O DINHEIRO DESPERDIÇADO com o “Férias no Ceará” daria para fazer circular em todo o estado uma diversidade de estilos e gostos musicais genuinamente cearenses ( com toda a estrutura que essas grandes bandas estão recebendo. Vale lembrar a imensa dificuldade que nossos artistas tem para produzir e fazer circular as suas músicas. Quantos CDS dariam para mandar fazer com esse dinheiro? Quantas instrumentos dariam para comprar? Quantos artistas poderia ganhar um justo cachê?

Por lado, a diversidade musical do Ceará marcada pela mesclagem e pluralidade resisti e frutifica uma produção artística ligada ao seu povo e sintonizada com o fazer musical local e universal que é desprezado e excluído pelo Governador, seja através dos “burrocraticos” editais de “incentivo a artes” que em nada incentiva (o ultimo edital de “incentivo” fazia exigências que privilegiava basicamente questões legais, em detrimento com o fator maior que deveria atentar, que era: o incentivo as artes). Ou pela via do beneficiamento das grandes produtoras e empresas de “música”.

É importante o intercâmbio musical para as camadas populares, a democratização do acesso do que é produzido em outros estados, mas é essencialmente necessário possibilitar que o povo conheça o que é produzido no seu Estado, como formar de fortalecer a identidade, a afirmação e o apoderamento cultural.

Como disse o grande poeta Patativa
“Por favô, não mexa aqui,
Que eu também não mêxo aí,
Cante lá que eu canto cá” .


Coletivo Camaradas
www.coletivocamaradas.blogspot.com
Mande a sua opinião para e-mail: [email protected]

A ORIGEM PAGÃ DO DIA DE REIS

A ORIGEM PAGÃ DO DIA DE REIS

As maiores e mais tradicionais festas do catolicismo popular têm suas origens nas festividades pagãs da antiguidade. Como exemplo, podemos citar os festejos do ciclo junino, em homenagem a Santo Antonio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29), que se originaram na tradição pagã dos povos da Europa, Ásia e África, que festejavam as divindades protetoras da fertilidade e da colheita quando se aproximava a chegada do verão no Hemisfério Norte e que foram transportadas para o calendário católico. Não é uma coincidência a data desses festejos. Os antigos rituais agrários, no Velho Mundo, por ocasião do solstício de verão, que ocorre entre os dias 22 e 23 de junho, marcavam o início da colheita.

Com relação ao Natal, ocorreu o mesmo fenômeno. Comemora-se o nascimento de Cristo, mas ninguém sabe ao certo o dia em que Jesus nasceu. Muitos pesquisadores acreditam, inclusive, que Cristo não nasceu no ano zero, e sim entre os anos 4 a 5 a.C. Como teria sido, então, escolhida a data de 25 de dezembro? Artigo publicado no dia 10 de dezembro de 2001, no Correio do Povo, divulga explicação do professor de Teologia da PUC-RS Luiz Carlos Susin e do Padre Roberto Paz, da Arquidiocese de Porto Alegre, que esclarece que no dia 25 de dezembro era realizada “uma festa conhecida, no Hemisfério Norte, como Festa da Luz, e comemorava o solstício de inverno, ou seja, quando o dia está no seu menor período. Mas, justamente neste dia, se comemorava o dia do Sol Invencível, que renascia no coração do inverno europeu.” Na pré-história, tradições do mundo pagão, como as festas em comemoração à fertilidade e à colheita, e em comemoração ao Sol, vindas do Oriente, foram totalmente incorporadas pelo Império Romano. Com o crescimento e a propagação do cristianismo, preferiu-se usar a Festa da Luz para celebrar aquele que no preceito católico é a Luz, Cristo. “A festa foi inculturada, como é tradição da Igreja de não destruir a cultura dos povos, mas de dar a ela um novo significado”, explica o padre Paz.

E foi apropriando-se e mudando o significado original das festividades pagãs que a Igreja Católica consolidou um calendário de poderosa influência no imaginário popular, voltado, obviamente, para a manutenção e fortalecimento da fé católica e para sua sobrevivência enquanto instituição.

Então, para comemorar o nascimento de Jesus, antigas festas de ritual pagão sofreram paulatinamente transformações. Somente no ano de 138 foram regulamentadas pelo Papa São Telésforo, mas foi o Papa Júlio I, no ano de 378, que fixou a data de 25 de dezembro como sendo a do nascimento do Menino Jesus, posto que até então não havia data fixa para a comemoração da chamada Natividade. As festas da Natividade foram tendo elementos introduzidos ao longo dos séculos, até que, por volta de 1.600 foram acrescentadas as figuras dos Três Reis Magos. Com isso surgiram os grupos de Folia de Reis, que saem cantarolando hinos e exaltando o nascimento de Jesus.

A Tiração de Reis, pelos Reisados do Cariri cearense, ou a Folia de Reis em diversas outras regiões brasileiras, pelos grupos de foliões, são tradicionalmente realizadas no período de 25 de dezembro a 6 de janeiro e, como fora mencionado, tem sua origem primária na Festa do Sol Invencível, comemorada pelos romanos e depois adotada pelos egípcios. A festa romana era comemorada em 25 de dezembro (calendário gregoriano) e a egípcia em 6 de janeiro. No século III ficou estabelecido que dia 25 de dezembro se festejaria o nascimento de Cristo e 6 de janeiro, dia dos Reis, homenageando os Reis Magos Gaspar, Melchior e Baltazar, que levaram ouro, incenso e mira, que representam, segundo a Igreja, as três dimensões de Cristo (realeza, divindade e humanidade). Durante 12 dias, a partir do Natal até 6 de janeiro, acontece a Tiração de Reis. Reisados, com seus brincantes, Catirinas e Mateus, tiram a jornada pelas ruas e casas das comunidades.

Importante aqui salientar o que afirmou o pesquisador e professor Oswald Barroso, em seu ensaio intitulado Os Reisados e o Reisado de Caretas: “(…) o Reisado é um folguedo do ciclo natalino, como diversos outros, entre os quais, os Presépios, os Pastoris, as Lapinhas etc. Representa o cortejo dos Reis Magos, em sua caminhada a Belém, como as Folias de Reis brasileiras, ou como os antigos ternos e ranchos de Reis portugueses. Que tem sua origem na aglutinação de diversas brincadeiras e folguedos tradicionais, entre os quais os Ranchos de Reis, os Congos, o Bumba-meu-Boi, as Rodas de São João (acrescentamos nós) etc., como pode aparecer com elementos de muitos outros folguedos, entre os quais os Guerreiros alagoanos, os Bois cearenses e o Cavalo Marinho pernambucano. Mas os Reisados têm a particularidade de, além de representar um cortejo de Reis que vão adorar o Menino Jesus, ter no episódio do Boi, seu entremês principal.”

O Dia de Reis tem, portanto, sentido católico-cristão com profunda marca pagã em sua origem, sendo, por isso mesmo, uma celebração popular que atende e ao mesmo tempo subverte a ordem religiosa institucional, posto que funde símbolos sagrados da cristandade com manifestações cômicas, satíricas e grotescas ancestrais, como que ajudando a fertilizar o mundo para o retorno à livre unidade homem-cosmos.

Por Cacá Araújo
Professor, Folclorista e Dramaturgo
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante
Crato – Ceará – Brasil

Potengi realiza Dia de Reis no Sassaré

Potengi realiza Dia de Reis no Sassaré

Mestre Luiz, líder e brincante do Reisado do Sassaré de Potengi realiza o tradicional Dia de Reis. O Reisado do Sassaré vem resistindo há mais de 60 anos e é um raros grupos de brincantes que fazem uso de mascaras, reisado de caretas como também é conhecido na tradição. O grupo já participou também de apresentações da banda Ferreros que é uma mistura de baião, hip hop, regional e rock e uma das inovações musicais do Cariri. Esse ano o Mestre Luiz ganha o apoio do departamento de Cultura da Prefeitura, através do atual Secretário de Cultura do Município, Jefferson Luiz “Bob”, o qual tem forte ligação com o reisado do Sassaré, por ser integrante da Banda ferreros e amigo pessoal do Mestre. Conforme Jefferson Luiz a intenção é fortalecer a atuação do reisado em Potengi enquanto expressão de resistência da cultura popular da terra dos ferreiros.
O Dia de Reis (dia 06 de janeiro) será comemorado no terreiro Capela do Sítio Sassaré, a partir das 17 horas.