Arquivos mensais: janeiro 2009

Coletivo Camaradas não fura com Secretário de Cultura do Ceará


Fórum de Circulação da Música Cearense e desburocratização dos editais de incentivo as artes são reivindicações do Coletivo Camaradas ao Secretário de Cultura.

Integrantes do Coletivo Camaradas viajaram duas horas e meia do Crato até Tarrafas aonde foi instalado o Governo Itinerante, no ultimo dia 27, para participar de audiência com o Secretário de Cultura do Estado, professor Auto Filho com o intuito de discutir políticas públicas para área cultural. Entretanto, o Secretário não se encontrava mais na cidade de Tarrafas quando os Camaradas chegaram, mas as reivindicações do Coletivo foram recebidas pela articuladora da Secult, Norma Santana, a qual manteve um dialogo de mais de 30 minutos, aonde foram abordadas várias temáticas num clima de cordialidade. O Coletivo Camaradas foi para audiência a convite do próprio Secretário, depois dele tomar conhecimento da atuação política do grupo e do posicionamento contrário a política financiamento e beneficiamento das grandes bandas que vem sendo desenvolvida pelo Governo Cid Gomes. Os camaradas foram convidados a contribuir com avanço de políticas públicas que favoreçam o povo cearense e entregaram durante a audiência um documento com as seguintes reivindicações: Criação de Fórum da Circulação da Musica Cearense e a desburocratização na politica de editais da Secult e como sugestão colocarão como modelo a política de edital implementada pelos centros Culturais do Banco do Nordeste e da Funarte, que conforme observação dos Camaradas é um exemplo desburocratizante e que possibilita que os artistas sejam beneficiados com recursos públicos. De acordo com o documento encaminhado ao Secretário a atual política de editais do Estado só beneficia os “profissionais de projetos” que entram como atravessadores fazendo da produção artística e cultural um comércio.

Crato, 27 de janeiro de 2009.
Ilmo. Sr.
Prof. Auto Filho
Secretário de Cultura do Estado do Ceará

Senhor Secretário,

Ao longo deste Governo verificamos uma forte tendência ao financiamento público de grandes bandas da indústria cultural de Massa, que estão indiscutivelmente a serviço do mercado em detrimento a vasta, plural e diversificada produção musical cearense que não encontram espaço para popularização (circulação) desta musicalidade.

Nesse sentido, o Coletivo Camaradas vem pautando o debate em torno da democratização tanto do acesso como da fruição da produção musical cearense numa perspectiva plural que possa abarcar ritmos e estilos sem o monopólio do mercado fonográfico e das grandes produtoras.

Isto posto, propomos a criação do FORUM DA CIRCULAÇÃO DA MÚSICA CEARENSE que possa discutir e deliberar sobre políticas públicas, que viabilizem circulação de espetáculos, veiculação da musica cearense nas emissoras de rádio e televisão, prensagem de CDs, eventos de formação, proposição de projetos de leis e demais questões pertinentes.

Defendemos que o acesso aos recursos públicos deve ser viabilizado de forma a garantir a desburocratização e a possibilidade dos artistas serem beneficiados. O que podemos observar é que atualmente os beneficiados com os editais de incentivo são “os profissionais de projetos” (os burocratas), que na maioria das vezes são atravessadores de recursos públicos para os artistas, pois os artistas são excluídos do processo. Por isso, recomendamos que a política de editais da Secult sejam baseadas nas experiências desenvolvidas pelos Centros Culturais do Banco do Nordeste e da Funarte. Ambas se baseiam em privilegiar o conteúdo do projeto (concepção) e caso o projeto seja aprovado é que as obrigações legais são exigidas para contratação. Entretanto, a Política da Secult se apresenta de forma inversa.

Assim sendo, o Coletivo Camaradas se coloca a disposição para construir uma política pública democrática e que atenda as necessidades do povo cearense.

Atenciosamente,

Coletivo Camaradas

Cariri deverá sediar primeiro CUCA da UNE no Estado

Por Alexandre Lucas

A União Nacional dos Estudantes – UNE vem há cerca de 10 anos desenvolvendo a rede dos Centros Universitários de Cultura e Arte – Cuca´s. O objetivo dos Cucas é contribuir para circulação e fruição da produção artística nacional produzida dentro e fora do espaço universitário. No período de 17 a 18 de janeiro foi realizado em Salvador – BA, o Encontro dos Cucas de diversos estados brasileiros e de 20 a 25 foi realizada a sexta edição da Bienal da UNE, na capital baiana, dentro deste processo a Universidade Regional do Cariri – URCA participou dos dois eventos e manteve contatos anteriores com a entidade, através da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX. Os contatos que vem sendo mantido visam a criação do CUCA Cariri, que funcionará no espaço do estande da URCA no Parque de Exposições do Crato, juntamente com o Conselho Municipal de Mulher, Grupo de Valorização Negra do Cariri – Grunec e o Centro Acadêmico de Ciências Sociais que já estão em funcionamento.
Para o coordenador do Instituto Cuca Alexandre Santini, existe uma relação dialética sobre o papel do CUCA para dentro e para fora do Movimento Estudantil. Especialmente nesse momento com a opção de um trabalho mais voltado para as comunidades e para os Pontos de Cultura. Ele frisa que é importante para o Ceará está incluído no circuito dos Cucas e demonstrou interesse em viabilizar esse trabalho na região do Cariri.
Os Cucas são constituídos de artistas e estudantes e visam ultrapassar as barreiras existentes entre a academia e as comunidades contribuindo também para uma política de extensão universitária.
Para a professora Arlene Pessoa, Pró-reitora de Extensão, uma das entusiastas pela criação do Cineclube da URCA, ela acredita que o CUCA poderá contribuir para um processo de fomento a cultura e ressalta que a PROEX oferecerá como contrapartida aos alunos envolvidos no projeto uma certificação como atividade complementar.
A primeira reunião para discuti a criação do CUCA será nesta sexta-feira, dia 30, as 15 horas, na Sala da Proex, Campus Pimenta.

O lutador.

Poema de autoria do filósofo comunista, Leandro Konder, inspirado na surra levada na adolescência e na frase: “Chega ou quer mais?”  

O lutador

O lutador 
Investe
Contra o oponente
Leva um soco
– peste! – 
Sente a dor
(um pouco)
e perde um dente. 
O lutador 
insiste
(o olho triste sem cor pisca). 
A mão avança e arrisca
um cruzado de esquerda. 
Pura perda. 
O adversário
– salafrário! – 
desvia
dança
faz que vai
não vai
E sorrindo feliz
martela-lhe o nariz
O lutador cai
!!!&&&???
O lutador levanta, 
limpa o rosto no braço, 
o pigarro na garganta, 
dá um passo à frente
e ataca novamente. 
Mas falha: 
O inimigo
– canalha! –
se esquiva
ao perigo
e passa à ofensiva. 
Consegue rodeá-lo
e golpeá-lo
no rim. 
O round chega ao fim, 
começa o intervalo. 
 

Neutrocovardia, um outro nome para conivência – Por Emerson Monteiro

Quase nunca as bases decidem mudanças e ficam perplexas diante dos acontecimentos. Salsas. Tangos. Rumbas. Cumbias. Rocks. Merengues. Teatros. Cinemas. Shows de sangria nas calçadas. Povo correndo. Sirenes gritando. Pavor. Desengonço. Trepidação de carros em disparada. Canhões. Movimentos de tropas. Torturas. Escamoteios. Foguetes. Violência. Violência em vários graus. Ignorância dos subúrbios em xeque. Esgotos a céu aberto. Crianças catando lixo envelhecido nas colinas de urubus em festa. Portas fechadas e dramas repetitivos nas telas de ricaços embrutecidos pela gorda indiferença. Os homens. As mulheres. Seres humanos que descem e sobem nos elevadores do poder, indiferentes aos apelos ensurdecidos de anúncios espalhados aos quatro ventos. Tortas recheadas de fel em doses duplas. Noites amarelecidas em lençóis mornos. Amargor na boca do estômago. Existências vazias. Tortos caminhos de iguais existências amorfas, melancólicas, ausentes de atitude. O calor das muriçocas em forma de ventiladores zoadentos. Luares românticos, ineficientes, suores de cólica. Impotência visceral. Apenas fatais e sujos magros heróis de fancaria. Vilões de si mesmos. Fantoches do destino. Profetas da carência de sentido em tudo no carrossel ensandecido. Poetas derrotistas da desesperança. Uma doença antiga, tão antiga quanto presente em todas as épocas da humanidade. A inútil dor alheia que não consome os outros, porém que mata sem pedir a conta dos circunstantes em volta, indecisos, covalentes de chanchada, adiposos asmáticos em turmas pecaminosas. Autores de bombardeios que assassinam crianças. Monstros noturnos que jogam nas mesmas máquinas eletrônicas que espalham a droga nos puteiros e nos salões ilustrados da burguesia subserviente. Valores espumosos das canastras das ruas descalças. Pruridos vãos dos traços cruéis nas superpotências e suas atitudes pecaminosas. Diante de tanto amargor, as traças carcomem os seus filhotes, exemplos de uma raça que se vitima, na fila dos amargurados torpores, hemoptises, flatulências, incólumes, no entanto, sintomas do mal dos milênios. Solidariedade vadia, leviandade doentia, justificativa injusta, toneladas de gastos e os pacientes alarmados batendo palmas ao espetáculo de pão azedo e circo silencioso, que repete a história das almas que se locupletam, os neutrocovardes decantados antigamente, criaturas esdrúxulas e nefastas, alimentadas de lama podre, resistentes aos instintos de conservação e sobrevivência da espécie.

Atuação do Coletivo Camaradas é reconhecida por Auto Filho


Atuação do Coletivo Camaradas é reconhecida por Auto Filho

Secretaria de Cultura do Estado responde ao Coletivo e pede apoio dos Camaradas.

Diante do posicionamento contundente do Coletivo Camaradas que desde o ano passado vem fazendo sérias e justas criticas ao Governo do Estado do Ceará em relação a sua política de beneficiamento de grandes produtoras e bandas de música em detrimento da produção musical cearense que se caracteriza pela pluralidade e diversidade. A ultima ação do Coletivo foi a divulgação de nota de repudio intitulada “Cid Gomes não respeita os artistas do Estado do Ceará”. Na qual critica o financiamento do “Férias no Ceará”, alertando que essa ação é desperdício de recursos públicos, pois no fomenta nem a cultura, nem o turismo no Estado e faz criticas a política de editais da Secult em que ressalta a burocratização para obtenção do financiamento público por parte dos artistas cearenses. O Coletivo pela segunda vez se colocou a disposição para contribui com a Secretaria de Cultura do Estado para construir uma política que respeite as resoluções da Constituinte Cultural e contribuía para emancipação do povo cearense.

Carta de Auto Filho ao Coletivo Camaradas
Ao Coletivo Camarada,
Em primeiro lugar, agradecemos a atenção dispensada ao nosso pedido de divulgação do esclarecimento da Secult.
Quanto à questão dos Editais, manifestamos nossa satisfação e concordância com a nova visão exposta nessa nova mensagem. E agradecemos as sugestões visando alterar os Editais da Secult. A partir disso, criamos uma comissão técnica para estudar mais detidamente os Editais das instituições citadas por vocês.
Como vocês gentilmente se colocaram à diposição, gostaríamos de receber contribuições críticas mais concretas para melhoria desses Editais na direção sugerida (menos burocráticos e mais colaborativos com os artistas).
Recebemos também com satisfação a conclamação para interagirmos com os “artistas caririenses”, não só “em defesa da participação da produção musical caririense durante a Expocrato”, mas inclusive na política cultural pública mais geral. Nesse sentido, fazemos o convite para que representantes do Coletivo se façam presentes nas reuniões do Fórum da Cultura que vamos fazer no dia 26 em Penaforte (das 14 às 16) e no dia 27 em Tarrafas (no mesmo horário), por ocasião da realização do Governo Itinerante nessas cidades.
Cordialmente,
Auto Filho

Serviço:
Coletivo Camaradas
Blog: www.coletivocamaradas.blogspot.com
Email: [email protected]