O povo sabe de si

Emerson Monteiro

Século inteiro veio de ser questionado em toda a órbita soviética, onde esforço de assumir direitos e anseios gerou uma nova classe no poder, sob as máscaras de tutora da grande sociedade, indo pouco além do oportunismo cruel, burocrata e alienante em que se tranformaram as democracias populares.
Grande mestra, a História, desde que atentos se postem os homens, ouvidos fixos nas entrelinhas dos palácios e das ruas.
Aventureiros perspicazes fazem ponto nos cavados de tempo, dando preferência às épocas obscuras, e lançam mãos de postos vitais, mostrando condecorações duvidosas, táticas perversas, impostores nos mercados da política, em geral porque tantos se recusam chegar na hora e assumir os necessários compromissos. De modo repetitivo, as massas reclamam alternância, mas não se oferecem para isso. Delas tem de vir no comando as lideranças anunciadas. Depois, ficou tarde, onde o preço explode nas convulsões indesejadas.
Daí aquele costume arraigado de achar que participação só gera aborrecimentos e que os políticos todos não merecem confiança, enquanto esses mesmos se revezam, eternizados em postos-chaves, crescendo os custos da indiferença, deteriorando as sapatas da pirâmide social, quais papéis mofados aos cantos de salões poeirentos, nos edifícios públicos, enquanto a miséria invade lares.
Temos de encostar de perto nos que se dizem nossos representantes, pois ninguém merece este título sem cumprir a obrigação de que foi incumbido. Apenas querer, prometer e sumir, pouco significa nos momentos críticos dos tempos atuais.
Olhos abertos nos partidos salvacionistas, que assumem de modo ostensivo a prerrogativa da credulidade, para depois se escafederem com a panela, nos corredores sombrios da corrupção. Prováveis homens de bem devem primeiro demonstrar suas intenções: antes disso que os vejamos tais suspeitos e demagogos em tese.
O jogo de cores/palavras dos meios modernos de transmitir mensagens se presta à mistificação, dosado pelos grupos que juntaram forças na sombra de regimes espúrios. O espaço forjado pela injustiça germina líderes postiços, como mercadoria de feira (tanto na extremidade esquerda, quanto na direita, conforme os gostos) para as lâminas maleáveis da propaganda paga, cabendo-nos avaliações e lucidez de escolha.
Nenhum homem isolado poderá sentir o sofrimento do povo inteiro, por mais vontadoso que seja. Cada um de nós sente proporcional a cada resistência. Deus nos livre dos falsos cristos e falsos profetas. O crescimento social se dará, queiram ou não os egoistas. Deixemos correr o barco, de preferência sob lideranças honestas e nos padrões regulares da sabedoria do povo, isento de dores importunas.
Assumir quem somos deve significar mérito, nas populações. Liberdade frutifica esperança e trabalho, sob qualquer hipótese. Guardemo-nos daqueles que indicam o abismo como fim útil do drama moderno.
Bem aqui, neste parágrafo, cabe um desfecho: o povo é senhor de si, não carecendo gestores, e ainda nos recorda, como aviso de algibeira, “os maus só parecem grandes porque os bons teimam em permanecer ajoelhados”.

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