Arquivos mensais: outubro 2008

Reunião na URCA discute Bienal da UNE

Começa mobilização no Cariri para Bienal da UNE. reunião acontece nesta terça feira, dia de novembro

O tema da décima Bienal é Raízes do Brasil: Formação e sentido do povo brasileiro

Artistas e estudantes da região do Cariri estão se mobilizando para participar da 6ª Bienal de Cultura da União Nacional dos Estudantes – UNE que será realizada no período de 20 a 25 de janeiro, na capital baiana, Salvador. A Bienal é considerada um dos maiores eventos estudantis de arte da América Latina. Nesta terça-feira, dia 04 de novembro, acontecerá na sala de vídeo da URCA, a partir das 19 horas, reunião com a participação de Nah Vieira – da Base da UNE e uma das articuladoras da Bienal no Estado.
A Bienal reúne trabalhos das diversas linguagens artísticas: música, artes plásticas , artes cênicas, literatura, audiovisual, dança e trabalhos científicos. A região do Cariri já participou de edições anteriores. As inscrições já estão abertas e o regulamento e as fichas de inscrição encontram-se disponível no site da UNE: www.une.org.br

Serviço:

6ª. Bienal de Cultura da UNE
Período: 20 a 25 de janeiro de 2009
Salvador Bahia
Site da UNE: www.une.org.br
Nah Vieira (85)88525714 – Diretora Estadual de Cultura da UJS e da Base da UNE

Abertas as inscrições para a 6ª Bienal de Cultura da UNE

Evento receberá trabalhos de artes cênicas, música, literatura, ciência e tecnologia, cinema e artes visuais

Já pensou em participar do maior festival de arte estudantil da América Latina? Ter seu trabalho publicado, apresentá-lo para estudantes de todo o Brasil e ainda debater a formação e sentido do povo brasileiro com intelectuais, artistas e estudiosos, tudo isso regado a apresentações artísticas de todos os tipos? Pois então se prepare, porque a partir de hoje (25.08) estão abertas as inscrições para a 6ª Bienal de Cultura da UNE.

O maior festival de arte estudantil da América Latina receberá trabalhos nas seguintes áreas: artes cênicas, música, literatura, ciência e tecnologia, cinema e artes visuais. Esta edição do evento terá a participação não apenas de universitários, mas também de secundaristas e pós-graduandos.

Para participar basta ler o regulamento, preencher a ficha de inscrição e enviar o trabalho que será apresentado juntamente com o comprovante de pagamento da taxa de inscrição (emita aqui seu boleto) no valor de R$10,00, para o seguinte endereço: Centro Universitário de Cultura e Arte da Bahia, Av. Reitor Miguel Calmon, s/n. Vale do Canela – PAC (Pavilhão de Aulas do Canela) – CEP 40110-100 – Salvador, Bahia. Para as inscrições feitas por Correio será válida a data de postagem. O prazo termina dia 15 de novembro.

A divulgação dos trabalhos selecionados será feita pela internet, no sitio da UNE, a partir do dia 20 de dezembro de 2008, e os materiais enviados para julgamento não serão devolvidos.

O estudante que tiver seu trabalho selecionado para apresentação no evento estará isento do pagamento da taxa de inscrição. No caso de trabalhos coletivos, que forem selecionados, cada integrante deverá pagar a taxa de inscrição no valor de R$ 10,00.

Para participar das atividades, o valor é de R$ 50,00. Os soteropolitanos pagarão uma taxa de R$ 15,00. Estudantes da UFBA e da UCSAL que inscreverem trabalhos pagarão R$ 5,00 e para alunos de demais unidades de ensino (médio, superior ou pós graduação) do estado na mesma condição o valor é de R$ 10,00. Vale lembrar que o custo de alojamento e alimentação não estão incluídos neste valor e que todos os inscritos na 6ª Bienal terão acesso às instalações, shows e demais atividades do evento.

Ao enviar seu trabalho para a 6ª Bienal da UNE, escreva no envelope a área escolhida. As inscrições que não contiverem todo o material solicitado no regulamento serão automaticamente eliminadas, portanto leia com atenção!

Não se esqueça de enviar a cópia do depósito bancário do valor da inscrição e o documento disponibilizando o trabalho sob a licença Creative Commons (clique aqui e veja o modelo)

Garanta sua participação no maior festival de arte estudantil da América Latina. Inscreva-se e organize desde já sua Caravana rumo a Salvador! Outras informações: (71) 3283.7688.

Voltando à Bahia de todos os santos
A 6ª edição da Bienal vai comemorar o 10º aniversário do Festival e também marcará a volta do evento a Salvador, já que em 1999 aconteceu na capital baiana a primeira edição da Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE, vinte anos após a UNE ter sido colocada na clandestinidade pela ditadura militar.

Outro fator marcante desta Bienal será a importância da cidade-sede em relação ao tema “Raízes do Brasil – formação e sentido do povo brasileiro”, que pretende discutir a formação do povo brasileiro de um ponto de vista contemporâneo.

Fonte: www.une.org.br

O povo sabe de si

Emerson Monteiro

Século inteiro veio de ser questionado em toda a órbita soviética, onde esforço de assumir direitos e anseios gerou uma nova classe no poder, sob as máscaras de tutora da grande sociedade, indo pouco além do oportunismo cruel, burocrata e alienante em que se tranformaram as democracias populares.
Grande mestra, a História, desde que atentos se postem os homens, ouvidos fixos nas entrelinhas dos palácios e das ruas.
Aventureiros perspicazes fazem ponto nos cavados de tempo, dando preferência às épocas obscuras, e lançam mãos de postos vitais, mostrando condecorações duvidosas, táticas perversas, impostores nos mercados da política, em geral porque tantos se recusam chegar na hora e assumir os necessários compromissos. De modo repetitivo, as massas reclamam alternância, mas não se oferecem para isso. Delas tem de vir no comando as lideranças anunciadas. Depois, ficou tarde, onde o preço explode nas convulsões indesejadas.
Daí aquele costume arraigado de achar que participação só gera aborrecimentos e que os políticos todos não merecem confiança, enquanto esses mesmos se revezam, eternizados em postos-chaves, crescendo os custos da indiferença, deteriorando as sapatas da pirâmide social, quais papéis mofados aos cantos de salões poeirentos, nos edifícios públicos, enquanto a miséria invade lares.
Temos de encostar de perto nos que se dizem nossos representantes, pois ninguém merece este título sem cumprir a obrigação de que foi incumbido. Apenas querer, prometer e sumir, pouco significa nos momentos críticos dos tempos atuais.
Olhos abertos nos partidos salvacionistas, que assumem de modo ostensivo a prerrogativa da credulidade, para depois se escafederem com a panela, nos corredores sombrios da corrupção. Prováveis homens de bem devem primeiro demonstrar suas intenções: antes disso que os vejamos tais suspeitos e demagogos em tese.
O jogo de cores/palavras dos meios modernos de transmitir mensagens se presta à mistificação, dosado pelos grupos que juntaram forças na sombra de regimes espúrios. O espaço forjado pela injustiça germina líderes postiços, como mercadoria de feira (tanto na extremidade esquerda, quanto na direita, conforme os gostos) para as lâminas maleáveis da propaganda paga, cabendo-nos avaliações e lucidez de escolha.
Nenhum homem isolado poderá sentir o sofrimento do povo inteiro, por mais vontadoso que seja. Cada um de nós sente proporcional a cada resistência. Deus nos livre dos falsos cristos e falsos profetas. O crescimento social se dará, queiram ou não os egoistas. Deixemos correr o barco, de preferência sob lideranças honestas e nos padrões regulares da sabedoria do povo, isento de dores importunas.
Assumir quem somos deve significar mérito, nas populações. Liberdade frutifica esperança e trabalho, sob qualquer hipótese. Guardemo-nos daqueles que indicam o abismo como fim útil do drama moderno.
Bem aqui, neste parágrafo, cabe um desfecho: o povo é senhor de si, não carecendo gestores, e ainda nos recorda, como aviso de algibeira, “os maus só parecem grandes porque os bons teimam em permanecer ajoelhados”.

Começa mobilização no Cariri para Bienal da UNE

Começa mobilização no Cariri para Bienal da UNE

Artistas e estudantes da região do Cariri estão se mobilizando para participar da 6ª Bienal de Cultura da União Nacional dos Estudantes – UNE que será realizada no período de 20 a 25 de janeiro, na capital baiana, Salvador. A Bienal é considerada um dos maiores eventos estudantis de arte da América Latina. Nesta terça-feira, dia 04 de novembro, acontecerá na sala de vídeo da URCA, a partir das 19 horas, reunião com a participação de Nah Vieira – da Base da UNE e uma das articuladoras da Bienal no Estado.

A Bienal reúne trabalhos das diversas linguagens artísticas: música, artes plásticas , artes cênicas, literatura, audiovisual, dança e trabalhos científicos. A região do Cariri já participou de edições anteriores. As inscrições já estão abertas e o regulamento e as fichas de inscrição encontram-se disponível no site da UNE: www.une.org.br

Serviço:

6ª. Bienal de Cultura da UNE

Período: 20 a 25 de janeiro de 2009

Salvador Bahia

Site da UNE: www.une.org.br

Nah Vieira (85)88525714 – Diretora Estadual de Cultura da UJS e da Base da UNE

Índios Kariri se reúnem com movimentos sociais

Movimentos sociais discutem questão indígena no Crato nesta
quarta-feira, dia 29, na Universidade Regional do Cariri – URCA, às 9
horas, na sala de Vídeo do Campus Pimenta, a intenção da reunião é
fortalecer a luta dos índios Kariri pelo seu reconhecimento
antropológico pela Funai e dar continuidade ao processo de organização
e de defesa de políticas públicas. Na cidade do Crato, os Kariri
residem na comunidade do sitio Poço Dantas, no distrito de Monte
Alverne e desde o ano passado, eles auto se reconhecem índios.
Diversas entidades e órgãos governamentais estão empenhados em
contribuir para a causa indígena no Cariri. Como a URCA, através da
Pró-Reitoria de Extensão, Instituto Ecológico e Cultural Martins
Filho e Centro de Educação, Funasa, Casa Lilás, Conselho da Mulher,
Secretaria de Cultura e da Educação do Crato, Recid, ACB, Caritas
Diocesana e o Instituto da Memória do Povo Cearense – IMOPEC. A
reunião é aberta para novos parceiros.

Serviço:
Informações adicionais no Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho
– IEC – Campus Pimenta – Telefone: (88)3102-1212 ramal 2424 falar com
Alexandre Lucas
Ou Professora indígena Ana Débora (88)9248-0873

Saramago: Crime (financeiro) contra a humanidade

Pensava escrever no blog sobre a crise económica que nos lançaram para cima quando tive que me dedicar a cumprir um compromisso com outros meios de comunicação. Deixo aqui o que penso e que já foi publicado em Espanha, no jornal Público, e em Portugal, no semanário Expresso.

A história é conhecida, e, nos antigos tempos de uma escola que a si mesma se proclamava como perfeita educadora, era ensinada aos meninos como exemplo da modéstia e da discrição que sempre deverão acompanhar-nos quando nos sintamos tentados pelo demónio a ter opinião sobre aquilo que não conhecemos ou conhecemos pouco e mal. Apeles podia consentir que o sapateiro lhe apontasse um erro no calçado da figura que havia pintado, porquanto os sapatos eram o ofício dele, mas nunca que se atrevesse a dar parecer sobre, por exemplo, a anatomia do joelho. Em suma, um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar. À primeira vista, Apeles tinha razão, o mestre era ele, o pintor era ele, a autoridade era ele, quanto ao sapateiro, seria chamado na altura própria, quando se tratasse de deitar meias solas num par de botas. Realmente, aonde iríamos nós parar se qualquer pessoa, até mesmo a mais ignorante de tudo, se permitisse opinar sobre aquilo que não sabe? Se não fez os estudos necessários, é preferível que se cale e deixe aos sabedores a responsabilidade de tomar as decisões mais convenientes (para quem?).

Sim, à primeira vista, Apeles tinha razão, mas só à primeira vista. O pintor de Filipe e de Alexandre da Macedónia, considerado um génio na sua época, esqueceu-se de um aspecto importante da questão: o sapateiro tem joelhos, portanto, por definição, é competente nestas articulações, ainda que seja unicamente para se queixar, sendo esse o caso, das dores que nelas sente. A estas alturas, o leitor atento já terá percebido que não é propriamente de Apeles nem de sapateiro que se trata nestas linhas. Trata-se, isso sim, da gravíssima crise económica e financeira que está a convulsionar o mundo, a ponto de não escaparmos à angustiosa sensação de que chegámos ao fim de um época sem que se consiga vislumbrar qual e como seja o que virá a seguir, após um tempo intermédio, impossível de prever, para levantar as ruínas e abrir novos caminhos. Como assim? Uma lenda antiga para explicar os desastres de hoje? Por que não? O sapateiro somos nós, nós todos que assistimos, impotentes, ao avanço esmagador dos grandes potentados económicos e financeiros, loucos por conquistarem mais e mais dinheiro, mais e mais poder, por todos os meios legais ou ilegais ao seu alcance, limpos ou sujos, correntes ou criminosos. E Apeles? Apeles são esses precisamente, os banqueiros, os políticos, os seguradores, os grandes especuladores, que, com a cumplicidade dos meios de comunicação social, responderam nos últimos trinta anos aos nossos tímidos protestos com a soberba de quem se considerava detentor da última sabedoria, isto é, que ainda que o joelho nos doesse não nos seria permitido falar dele, denunciá-lo, apontá-lo à condenação pública. Foi o tempo do império absoluto do Mercado, essa entidade presuntivamente auto-reformável e autocorrectora encarregada pelo imutável destino de preparar e defender para todo o sempre a nossa felicidade pessoal e colectiva, ainda que a realidade se encarregasse de o desmentir a cada hora.

E agora? Irão finalmente acabar os paraísos fiscais e as contas numeradas? Irá ser implacavelmente investigada a origem de gigantescos depósitos bancários, de engenharias financeiras claramente delituosas, de investimentos opacos que, em muitíssimo casos, não são mais que maciças lavagens de dinheiro negro, de dinheiro do narcotráfico? E já que falamos de delitos… Terão os cidadãos comuns a satisfação de ver julgar e condenar os responsáveis directos do terramoto que está sacudindo as nossas casas, a vida das nossas famílias, o nosso trabalho? Quem resolve o problema dos desempregados (não os contei, mas não duvido de que já sejam milhões) vítimas do crash e que desempregados irão continuar a ser durante meses ou anos, malvivendo de míseros subsídios do Estado enquanto os grandes executivos e administradores de empresas deliberadamente levadas à falência gozam de milhões e milhões de dólares a coberto de contratos blindados que as autoridades fiscais, pagas com o dinheiro dos contribuintes, fingiram ignorar? E a cumplicidade activa dos governos, quem a apura? Bush, esse produto maligno da natureza numa das suas piores horas, dirá que o seu plano salvou (salvará?) a economia norte-americana, mas as perguntas a que terá de responder são estas: Não sabia o que se passava nas luxuosas salas de reunião em que até o cinema já nos fez entrar, e não só entrar, como assistir à tomada de decisões criminosas sancionadas por todos os códigos penais do mundo? Para que lhe serviram a CIA e o FBI, mais as dezenas de outros organismos de segurança nacional que proliferam na mal chamada democracia norte-americana, essa onde um viajante, à entrada do país, terá de entregar ao polícia de turno o seu computador para que ele faça copiar o respectivo disco duro? Não percebeu o senhor Bush que tinha o inimigo em casa, ou, pelo contrário, sabia e não lhe importou?

O que está a passar-se é, em todos os aspectos, um crime contra a humanidade e é desta perspectiva que deveria ser objecto de análise em todos os foros públicos e em todas as consciências. Não estou a exagerar. Crimes contra a humanidade não são somente os genocídios, os etnocídios, os campos de morte, as torturas, os assassínios selectivos, as fomes deliberadamente provocadas, as poluições maciças, as humilhações como método repressivo da identidade das vítimas. Crime contra a humanidade é o que os poderes financeiros e económicos dos Estados Unidos, com a cumplicidade efectiva ou tácita do seu governo, friamente perpetraram contra milhões de pessoas em todo o mundo, ameaçadas de perder o dinheiro que ainda lhes resta e depois de, em muitíssimos casos (não duvido de que eles sejam milhões), haverem perdido a sua única e quantas vezes escassa fonte de rendimento, o trabalho.

Os criminosos são conhecidos, têm nomes e apelidos, deslocam-se em limusinas quando vão jogar o golf, e tão seguros de si mesmos que nem sequer pensaram em esconder-se. São fáceis de apanhar. Quem se atreve a levar este gang aos tribunais? Ainda que não o consiga, todos lhe ficaremos agradecidos. Será sinal de que nem tudo está perdido para as pessoas honestas.

Fonte: blog Caderno de Saramago – 19 de outubro de 2008

José Saramago: 10 anos de Nobel e uma carta de Álvaro Cunhal

O rosto de Marx continuava a olhar-lhe com toda a veemência do passado enquanto José Saramago discursava, há três semanas, na sala do Centro de Trabalho do PCP (Partido Comunista Português), na Avenida da Liberdade, em Lisboa. O “camarada Zé” estava às voltas com 300 comunistas, reunidos em homenagem aos dez anos da premiação do escritor com o Nobel de Literatura.

Saramago: comunista ‘com orgulho’ Também para comemorar seu feito, será construída neste ano em Azinhaga do Ribatejo — aldeia natal de Saramago — uma estátua em sua homenagem. Mas foi entre seus pares, na sala do PCP, que a emoção foi maior. Dos militantes ao secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, sem contar os vários dirigentes históricos do PCP, como Domingos Abrantes e Albano Nunes — todos eles lá estavam, de pé, para abraçar Saramago.

Antes da homenagem, foi feita a leitura de um trecho de Memorial do Convento. Sofia Ferreira ofereceu ao escritor um ramo de flores. Já o fadista Carlos do Carmo, encarregado de cantar um fado em homenagem a Saramago, contou como escolheu musicar uma ”poesia do Zé” — Aprendamos o Rito, do livro Poemas Possíveis.

Carmo destacou ainda como a “bomba atômica Pilar” suavizara a relação de ambos. Mulher do escritor, Pilar del Rio declarou da Espanha — onde ela vive — ao Rádio Clube: ”O Nobel é o reconhecimento da Academia Sueca por uma obra que já antes foi reconhecida pelo público”.

Num discurso de três páginas, Jerónimo de Sousa tratou Saramago como “grande escritor”, ressaltando as posições ideológicas do autor de Ensaio sobre a Cegueira. “Creio que a sua condição de comunista e a grandeza da sua obra literária não são facilmente dissociáveis”, disse o dirigente do PCP. “Sem essa condição, a massa humana de muitos dos seus livros não se moveria com o mesmo fulgor — e não se sentiria em muitos deles o penoso, trágico, exultante, contraditório, luminoso, sombrio, incessante movimento da história.”

Lembrando-se da vitória

Na parte final da cerimônia, Saramago agradeceu as palavras de Jerónimo e fez questão de se apresentar, ”com orgulho”, como um comunista. O próprio escritor, militante desde a década de 1960, fez uma revelação. Lembrou que, nos anos 80, Álvaro Cunhal foi “submetido a uma operação de alto risco”. Para o caso de não sobreviver, o grande dirigente comunista escreveu ”algumas cartas” a ”várias pessoas”, incluindo a ele, José Saramago. ”Felizmente, para todos e para ele, Cunhal sobreviveu, viveu e trabalhou, e as cartas foram destruídas.”

Desconhecia-se o conteúdo da mensagem que cabia ser enviada ao escritor — mas Saramago revelou ter tido conhecimento do que o líder histórico do PCP lhe escreveu. “O camarada Álvaro Cunhal dizia que estava convencido de que eu nunca abandonaria o partido”, afirmou o Nobel da Literatura, ouvido em silêncio. “Ele tinha razão — e aqui estou”, acrescentou Saramago, recebendo então uma ruidosa e emocionada salva de palmas de militantes e amigos do PCP.

O autor português declarou ter escrito, num dos volumes de Cadernos de Lanzarote, quando se comentava a hipótese de receber o Nobel, que jamais “abandonaria as suas convicções políticas e ideológicas” para receber o prêmio. “As coisas correram bem: eu não abandonei as minhas convicções e recebi o Prêmio Nobel.”

Também relembrou o que sentiu quando foi informado de que ganhara o Nobel. Após um momento de incredulidade, a notícia caíra como uma bomba nas redações: o prêmio, naquele ano de 1998, ia para um escritor português — o primeiro (e até agora único) da língua portuguesa a ganhar tal distinção. O agraciado chamava-se José Saramago, na época com 76 anos. Após a estupefação inicial, houve uma onda de entusiasmo e orgulho.

Naquele exato momento, Saramago estava em Frankfurt, na Alemanha. Sozinho, num corredor do aeroporto, com uma capa de chuva no braço, murmurou para si mesmo: “Tenho o Prêmio Nobel. E quê? Não nasci para isto”. Ao receber a premiação na Academia Sueca, a 7 de dezembro de 1998, Saramago se recordou do avô, Jerônimo Melrinho: ”O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever”.

Passada uma década, o autor reconheceu que merece o prêmio “no plano cívico”. Já no plano literário, disse primeiro preferir que “as pessoas julguem” — e depois arrematou que fez jus ao prêmio. “Aqui entre nós, acho que sim”, afirmou o escritor, de novo muito aplaudido, apesar de admitir correr o risco de voltarem a dizer que é vaidoso.

Vitória surpresa?

Embora falada por 200 milhões de pessoas, a língua portuguesa ficara sempre fora das escolhas do comitê sueco — e o fato de o voto ser secreto diminuía ainda mais as esperanças. Sabia-se que o brasileiro Jorge Amado tinha andado pela lista de favoritos num e noutro ano, bem como o português Ferreira de Castro, o autor de A Selva — romance que teve grande popularidade internacional nos anos 30. Mas nenhum deles foi escolhido.

Por isso, parecia tão inacreditável que um português vencesse o Nobel. Havia mais um fator que aumentava o descrédito, mesmo entre os especialistas. É que, nos anos anteriores à vitória de Saramago — durante quase toda a década de 90 —, tinham vencido escritores relativamente desconhecidos. Em 1997, por exemplo, triunfou o italiano Dario Fo — ainda hoje uma escolha difícil de compreender.

Na realidade — agora é fácil percebê-lo —, o Nobel de 1998 não deveria ter surpreendido ninguém. Saramago era um escritor internacional, muito traduzido e lido no estrangeiro, popular não apenas na língua portuguesa. A composição do júri também mudara recentemente — e talvez esse elemento tenha sido importante.

Comparando os premiados até 1997 com os que se seguiram a 1998, o júri se tornou, neste último ano, mais favorável ao estilo pós-moderno, com técnica inovadora e conteúdo mais profundo — os casos de Saramago, Günter Grass, Imre Kertész ou Orhan Pamuk.

Autor controverso

Quando venceu o Nobel, José Saramago tinha uma obra consolidada, com um punhado de romances de grande impacto: Memorial do Convento (1982), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984); mas também O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), alvo de uma violenta polêmica, após a exclusão da lista de candidatos ao Prêmio Europeu da Literatura; e aquele que para muitos analistas é talvez o melhor livro do escritor, o Ensaio sobre a Cegueira.

O estilo poético e original fora desenvolvido num livro de 1977, Manual de Pintura e Caligrafia, e aperfeiçoado em Levantado do Chão (1980). Lançados quando Saramago já contava com mais de 55 anos, os dois livros lhe deram fama nacional.

Quando ganhou o Nobel, Saramago tinha 76 anos. Era um autor controverso, que não recusava discussões políticas, comunista assumido, protagonista dos anos turbulentos da revolução. E José Saramago continuou a escrever, desmentindo o mito de que ganhar aquele prêmio marca o fim de uma carreira. A prova é que, em breve, publicará A Viagem do Elefante.

Fonte: www.vermelho.org.br

Hoje tem Cinetério na Praça Cristo Reis no Crato, a partir das 22 horas

Hoje tem Cinetério na Praça Cristo Reis no Crato, a partir das 22 horas

Acontece hoje, dia 22, a partir das 22 horas, na Praça Cristo Reis no Crato, mais uma edição do Projeto Cinetério, o qual tem o objetivo de democratizar o cinema para o grande público e valorizar a praça com equipamento público de interação e integração das pessoas.

O Projeto é realizado pelo professor Cláudioreis e tem o apoio da Urca, através da Pró-Reitoria de Extensão – Proex, Sesc, Secretária de Cultura e de pessoas ligadas ao fazer artístico da região.

Estamira é o filme de hoje
um filme como poucos. O diretor Marcos Prado faz uma denuncia social corajosa.

Diferente de todos esses filmes medíocres que não acrescentam nada na vida das pessoas, o documentário Estamira de Marcos Prado chega com um toque singular e reflexivo. É possível ter dignidade mesmo quando se vive num “lixão”? O que é insano e o que é razão quando o que se tem para comer são restos podres e mofados? Quem é Deus nesse mundo tão cruel e hipócrita? Essas indagações fazem parte do imaginário do documentário vencedor de 23 prêmios, entre eles nacionais e internacionais.

O cenário é no Aterro Sanitário do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, lá por dia mais de oito mil toneladas de lixo são jogadas nos mais de 1.200.000 metros quadrados. Uma situação deplorável que mistura humanos com animais carniceiros, e os dois buscam a mesma coisa: sobreviver.

Apesar do vídeo ter só sonoras, não dá aquela vontade de ir embora do cinema. Pelo contrário, instiga – se ainda mais a cada cena. O filme é bem singular, corajoso e com uma linguagem muito própria. Ausente de qualquer “estrelismo” de diretor.

O filme é livre, entra fielmente como um observador do cotidiano, da vida, do pensamento e do comportamento daquela senhora revoltosa, doente, louca e cheia de tormentos e crenças. E mostra a realidade “assim como ela é”, sem maquiagem ou panos quentes. Escancara a opinião de uma mulher que para muitos é apenas uma pobre coitada, com problemas mentais e que não presta para nada. E que na realidade, é tudo ao contrário.

Não é possível classificar o filme facilmente ou colocar rótulos ou estereótipos. Cada cena nos convida a entrar ainda mais naquele mundo varrido de Estamira, e a cada passo entendemos os motivos que levaram uma senhora de 63 anos, estar há 20, vivendo no lixão. Sim, por que para ela, estar no aterro todo dia é um emprego como qualquer outro. É dali que ela tira o que comer, o que vestir, a decoração de sua casa. E todo o resto. Ali ela tem amigos de trabalho e até possíveis maridos.

O filme tem vários sentidos… Cada um deles bem complexos que nos transmitem divergentes sensações. Realmente, Marcos Prado não teve medo de arriscar e explorou muito bem cada cena. A construção do filme é tão bem elaborada e tão sólida que mesmo a cena mais bizarra não nos remete a pensar coisas do tipo: coitada ou que tolice!.

Estamira é por si superior. Em nenhum momento o filme nos passa essa sensação de dó e piedade. Mas sim, o de indignação e horror pelo que acontece com inúmeras pessoas no mundo inteiro que não tem a mínima condição de viver dignamente.

O filme pode não ter nada disso. Mas Estamira está nos cinemas nacionais e internacionais, e uma vez vista, fica a sensação de que estas imagens e a dialética não tem nada de insano.

Oi abre inscrições para seu programa de patrocínios culturais

O edital para seleção dos projetos estará disponível de 15 de outubro a 30 de novembro

A Oi lança no dia 15 de outubro o edital para seleção dos projetos culturais que serão patrocinados pela empresa no próximo ano. O Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados 2009 destinará recursos para o financiamento, total ou parcial, de projetos aprovados em leis de incentivo à cultura nos estados da sua área de atuação, incluindo São Paulo, onde a Oi passou a operar este mês.

Desde 2001, através do Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da empresa, a Oi investiu mais de R$ 170 milhões na cultura brasileira. Desse total, cerca de R$ 100 milhões foram desembolsados apenas nos últimos três anos, principalmente por meio do programa de patrocínios incentivados. Mais de 550 projetos em segmentos variados, como teatro, dança, festivais, artes visuais e cinema já foram contemplados, atingindo um público estimado de 9,5 milhões de espectadores.

Apoiado em conceitos como identidade, acesso, desenvolvimento, expressão e inovação, o programa considera fundamentais aspectos como a capacidade de geração de novas platéias, de renda, de criação de novas oportunidades de trabalho e de formação de artistas. As inscrições para o processo de seleção estarão disponíveis de 15 de outubro a 30 de novembro através do site www.oifuturo.org.br ou www.oi.com.br. Artistas e produtores culturais podem concorrer com mais de um projeto.

Seguindo o mesmo modelo das últimas edições, o Oi Futuro será responsável pela gestão do programa. As propostas serão avaliadas por comissões especializadas em cada uma das áreas culturais e o resultado será divulgado até março de 2009. Os projetos terão a confirmação do patrocínio condicionada à apresentação dos certificados válidos nas Leis de Incentivo à Cultura.

Em 2008, foram selecionadas peças de teatro, mostras de cinema, filmes, shows, festivais de dança e espetáculos de cultura popular como: “SP Arte”; “15º Panorama Percussivo Mundial (Perc PAN)”; “Prêmio Bahia de Todos os Rocks”; “Festival DoSol”, no Rio Grande do Norte; “Festival do Rio”; “Circuito Itinerante de Cinema de Belém”; “Panorama de Dança”, no Rio de Janeiro; Festival Internacional de Teatro”, Minas Gerais; filme “Feliz Natal”; peça “Dragão Verde”; livro e dvd “Os Novos Baianos e Outros Versos”; “Fórum Internacional de Dança”, em Minas Gerais, entre outros.

Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados 2009

Inscrições: de 15 de outubro até 30 de novembro de 2009

www.oi.com.br ou www.oifuturo.org.br

Mais informações: [email protected]