Texto inédito de Brecht

Publicado originalmente no Portal Vermelho, no dia 23 de junho de 2008

“Pesquisador encontra texto inédito de Bertolt Brecht
Um texto desconhecido do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) foi redescoberto 90 anos após sua publicação, por um pesquisador da localidade de Augsburgo, no sul da Alemanha. O texto — um relato sobre uma festa de fim de curso na escola feminina municipal — foi aparentemente publicado pelo jovem Brecht em 1918, no jornal local Augsburger Neuesten Nachrichten.
Embora a reportagem tenha sido publicada sem estar assinada, o diretor do Centro de Pesquisas sobre Brecht de Augsburgo, Jürgen Hillesheim, atribuiu sua autoria ao conhecido dramaturgo, informou o jornal dominical Welt am Sonntag. No artigo, Brecht critica a sociedade alemã em um momento em que o país havia acabado de virar uma república, após a abdicação de seu imperador.

Com o texto, escrito quando Brecht começava a se tornar um grande autor e tinha recém-concluído sua primeira grande obra — o poema A Lenda do Soldado Morto —, o dramaturgo tentou impressionar Paula Banholzer, que tinha 16 anos. A jovem, filha de um médico e uma das que estava terminando seus estudos, havia dois anos estava sendo cortejada por Brecht, disse Hillesheim ao Welt am Sonntag.

Nascido na Baviera e batizado como Eugen Berthold Friedrich Brecht, o dramaturgo estudou Medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Filho da burguesia, sofreu, como todos em seu país, a sensação de desolamento de encarar um país completamente destruído pelo conflito bélico.

Depois da guerra, mudou-se para Berlim, onde o influente crítico, Herbert Ihering, chamou-lhe a atenção para a apetência do público pelo teatro moderno. Já em Munique, suas primeiras peças — Baal (1918/1926) e Tambores na Noite (1918-1920) — foram levadas ao palco, e Brecht conheceu Erich Engel, com quem veio a trabalhar até ao fim da sua vida. Em Berlim, a peça Im Dickicht der Städte, protagonizado por Fritz Kortner e dirigido por Engel, tornou-se seu primeiro sucesso.

O totalitarismo afirmava-se como a força renovadora que não só iria reerguer o país, como se outorgava a missão de reviver o Sacro Império Romano-Germânico. Mas, ao mesmo tempo, chegavam à Alemanha influências da recém formada União Soviética, com sua bem-sucedida implantação de um regime socialista, o que significava esperança para um povo sofrido como o da Alemanha naquele período.

É a este último grupo que Brecht vai se unir, na ânsia de debelar o seu desespero existencial. No entanto, depois de Hitler eleito em 1933, Brecht não estava totalmente seguro na Alemanha Nazista, exilando-se na Áustria, Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Inglaterra, Rússia e finalmente nos Estados Unidos. Recebeu o Prêmio Lênin da Paz em 1954.

Da Redação, com informações da Efe e da Wikipedia”

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