Arquivos mensais: junho 2008

Carta de Dada Petrole apoia luta contra exclusão


Alexandre, Dihelson e todos os artistas do Crato e Cariri,

primeiramente quero agradecer pelas postagens e informativas sobre essa reflexão dos artistas cratenses no que diz respeito a situação da expocrato.
A legitimidade dessa temática e sua problemática sao do meu conhecimento e mesmo estando tao longe do Cariri a minha preocupação tem crescido de ano pra ano.
É gritante a conseqüência da difusão desses grupos musicais na sociedade brasileira. Todo ano quando vou ao Brasil vejo como esses grupos se profissionalizam em marketing e em falta de compromisso para com uma sociedade mais saudável e digna. Os argumentos dos empresários, dos músicos, dos selos, produtores e consumidores dessa mordaz musicalidade, sao os mais diversos, mas de uma coisa todas eles comungam, a falta de compromisso e engajamento para com a sociedade brasileira. É válido relembrar que todos aqueles nazistas que até o ano de 1945 trabalhavam cumprindo as ordens de Hitler, estavam alí muitas vezes fazendo aquilo como profissionais da sua área, cumprindo o seu papel, e quanto mais profissionais eles eram, mais eles cresciam naquela hierarquia e automaticamente maior era a destruição. Quem acreditar que aqueles soldados se livram da suas covardias perante aquela sociedade, somente ,devido ao fato deles destruírem sob o cumprimento de ordens, pode ser que essa pessoa tenha a síndrome da corrupção, que por sua vez ronda a sensatez da humanidade.
Acredito que a sociedade nao somente a caririense, mas a de todo o estado do Ceará, precisa de uma nova concepção de apoio e financiamento a produção de musica e as formas de difundi-la.
Ja basta de consumirmos tanto lixo sem sermos perguntados se queremos consumir ou nao, ja basta saber que nao é ilegal a produção das letras e performance de palco daquelas acéfalas bandas que conseguem um renome nacional vendendo putrefatos. Já basta ver que essas músicas continuam impunemente poluindo as ruas e as nossas mentes através daqueles carros com seus aparelhos de sons desacatados. Já basta ver que há gente entre nós que gosta de ouvir e dançar essas baboseiras e que há meninas que cantam em coro aqueles textos onde elas sao chamadas de putas e sao tratadas como objeto ainda de menos valor que os debilóides dos seus namorados por uma noite. A sociedade brasileira nao merece isso! Quem nao conseguir enxergar o quanto essas músicas contribuem para escassez da serenidade, do respeito, da ética, do bom senso e da lealdade, significa que essa pessoa, sem dúvida, perdeu a sensibilidade dos principais valores que cada um de nós deveria ter.
Seria utópico acreditar que um dia seria possível acabar com esse vírus da futilidade que engoliu o Brasil desde o tempo dele em cima da garrafa até hoje. Na verdade, é positivo que hajam essas diferenças entre as pessoas, elas causam questionamentos, dao uma dinâmica especial e até desdobram a nossa tolerância. Por outro lado é importantíssimo que algumas pessoas tomem um partido (nao partidário), se unam e se organizem em nome da cultura, da arte e da honestidade perante o seu hábitat e os seus valores. No caso do Cariri, a sua música e a expocrato, acredito de coração, que vocês teriam mais êxito nessa luta, se concentrassem o foco no objetivo principal, a “EXPOCRATO”, ja que tentar lutar em nome do Juáforro e da festa de Sto. Antônio ao mesmo tempo, desgastaria a expressão e representatividade desse grito. O mais viável é tratar um assunto de cada vez buscando soluções sólidas que proliferem uma justiça cultural, onde a formação de um ser humano consciente e de senso crítico, seja mais importante do que o lucro da máquina cultural, que por sua vez é sim, ao lado da corrupção, um dos elementos mais maléficos contra a sociedade brasileira. A responsabilidade de mudança, de intervenção e melhoramento da sociedade, encontra-se em cada um de nós, em cada um de vocês, independente da sua função ou do seu status na sociedade.
Vale ressaltar que esse apelo nao está ligado a gêneros musicais, nao tenho nada contra o forró, nem rock, nem música sertaneja do sudeste, nem contra o funk ou o pop, a minha causa está ligada a qualidade, ou melhor, contra a falta de qualidade e compromisso para com a proliferação do bem, ja que acredito meramente que essa responsabilidade é um dever de cada um de nós, inclusive daqueles que menos se sentem responsáveis por essas questões ou que talvez nem sequer chegaram um dia a pensar que se pode ter lucros também através de coisas boas!

Diga Sim ao retorno daquela Expocrato, onde os grupos musicais também contribuíam para o nosso crescimento e a nossa formação e diga nao a imposição de consumo automatizado da indústria do lixo musical. Vamos a luta!

Em nome da cultura do Cariri, desejo garra e sorte a todos que abraçarem essa causa

Um grande abraço para as pessoas de bem que fazem essa região.

Atenciosamente
Dada Petrole

Contra a exclusão no Palco Principal da Expocrato –

Todos contra a Farra da Violência da Indústria Cultural

Comentários de Cacá Araújo

A Exposição do Crato é um dos maiores mostruários da cultura nordestina. Ocorre que vem sofrendo um violento processo de degenerescência que compromete a legitimidade do que se mostra durante o evento, em termos de arte e cultura.

A Exposição é mais um momento de afirmação cultural que se desperdiça, ao lado de outros como a Festa de Barbalha e o Juá Forró. Mas, como todo evento é um desaguadouro, resultado de um movimento ou da falta dele. Hoje é fruto da articulação do empresariado especulador que se embrenha na poluidora indústria cultural. É igualmente resultante da falta de um amplo e permanente movimento em defesa da arte, dos artistas e da cultura produzida no Cariri.

Fui membro da equipe que concebeu e realizou o Encontro de Cultura realizado na Exposição do Crato de 1997 (a última verdadeiramente pública, ou seja, não-privatizada). Nunca se viu igual demonstração da vitalidade cultural do Crato, do Cariri e do Nordeste por estas bandas.

O manifesto do Coletivo Camaradas é um importante ponto de partida para uma valorosa jornada em defesa do povo e de sua cultura. Contém com a minha modesta mas dedicada colaboração.

Um abraço.

Cacá Araújo

Comentários de José Wilton Soares e Silva

Amigos,

Escrevo pouco para o Blog, mas o acompanho diuturnamente. Parabenizo pelo espaço aberto à luta dos artistas caririenses por espaço na Expocrato. Há tempos não consigo ver o Crato dentro desse evento. Alguém já atentou pra isso?
Quero levar ao conhecimento de vocês que essa luta é antiga e desleal para com os artistas caririenses. Digo-lhe mais, com os artistas de renome no Nordeste. Onde anda Dominguinhos, Alceu Valença, Elba Ramalho, Zé ramalho, e outros tantos que fazem do Nordeste uma vitrine para o país? Por que não temos espaço para Sanfoneiro Carneirinho, Flávio Leandro, Joãozinho do Exu, Herdeiros do Rei? Onde está o espaço e o reconhecimento para o grande sanfoneiro cratense OSWALDINHO que hoje lota as melhores casas de forró na capital? È HORA DE REPENSARMOS A EXPOCRATO.
Referente ao Trio Elétrico, não sei quem o colocou dentro do Parque, mas sei quem o tirou. Fiz parte da comissão que levou pedradas por causa disso, pois estava junto com Antenor Muniz Gomes de Matos, então presidente da festa, que com muita valentia enfrentou as “feras” que defendiam a permanência do trio no parque. Bradavam aos quatro cantos que nós íamos acabar com a festa da exposição. Justiça se faça. Com muita luta ele conseguiu extirpar essa ferida da nossa festa. Prá se ter uma idéia o cachê do trio representava 28% da verba da expocrato na época do prefeito José Aldegundes.
Conseguimos contratar equipamentos e shows locais e nacionais com 20% dessa verba.
Isso prova que é possível colocar o Crato dentro da exposição. A Comissão vende o espaço de shows, então vai uma sugestão: Parte do dinheiro do arrendamento da parte de shows (parte de baixo) seria utilizada para os shows locais. Poderíamos fazer um grande espetáculo com bons equipamentos e cachês dignos.
Concordo com o fato de que o menor culpado nisso tudo é Ricardo Quental. Culpá-lo é igual a culpar o leitor do medidor da Coelce pela falta de energia na rua. Sei que ele é sensível à nossa queixa, mas… Ele está no lugar e no papel de empresário.
Vamos ao lugar certo, resta-nos lutar junto à Comissão Organizadora do evento por esse espaço. Parabéns pelo início da luta. Quero me engajar nessa briga. Contem comigo. Gostaria de saber qual o próximo passo. O que ficou agendado nessa briga?

Dedê

José Wilton Soares e Silva

Artigo de Dihelson Mendonça fortalece discurso contra a farra da Indústria Cultural

Esta é sem dúvidas, uma semana muito movimentada no sentido das tentativas de finalmente obtermos aquilo que se luta há décadas na nossa região: A Democratização dos meios de comunicação dando espaço a todos os estilos musicais. É sabido por muitos que a indústria do Forró eletrônico criou uma espécie de cartel, ou rede de pornografia radiofônica que induz o povo ao primitivismo, ou se preferirem, à bestialidade, ao alcoolismo e à banalização da mulher. É tarefa daqueles que ainda possuem cabeça, tentar reverter essa situação, e salvar a nossa juventude desses “porcos” da mídia e promotores de eventos. Recentemente um primeiro passo sério foi dado pelo grupo “Coletivo camaradas” em reunião na câmara dos vereadores do Crato. Mas o movimento não deve se limitar apenas à expocrato, e sim a toda essa bandalheira, esse câncer que se apoderou dos microfones do Rádio Caririense. Parece existir alguns pontos a serem esclarecidos sobre a reivindicação dos artistas locais para a ExpoCrato, devido a alguns comentários escritos lá no BLOG DO CRATO, então resolvi escrever essa pequena nota sobre o que eu e muitos de nós pensamos sobre o assunto:

Quando colocamos uma campanha nas ruas que se propõe a reivindicar espaços democráticos na mídia e na Expocrato, não estamos com isso almejando o monopólio. Pelo contrário, estamos lutando pela quebra de um monopólio já exercido pelas estações de rádio em sua programação, e que somente privilegia UM SÓ TIPO de música no Ceará.

Queremos a mídia de forma a dar espaços igualitários a todos os tipos de música, seja MPB, o Baião, o frevo, o Maracatu, o Sertanejo, e até o própria música brega, pois deve haver espaços para todos. O que não se pode tolerar é ligar qualquer meio de comunicação, seja rádio ou TV, e constatar que muitas vezes, uma mesma música está a tocar em todas elas, numa clara formação de cartel, pago por aqueles descompromissados com a verdadeira arte e a cultura. Músicas essas, em sua maioria de letras pornográficas, que incitam os jovens ao alcoolismo, a banalização do papel da mulher na sociedade, a falta de respeito ao ser humano de forma geral.

Quem defender esse tipo de música e comportamento da mídia, só pode ser uma pessoa sem qualquer formação cultural de arte da música e da literatura, pois que não se deve fazer apologia ao crime, às drogas nem à falta de respeito ao ser humano. E haverá hoje, droga maior para a sociedade do que aquilo que se chama de forró eletrônico ? Basta ver o tipo de festa e os tipos de crimes praticados por aqueles que frequentam, consomem e se mantém nesse vício.

Não obstante, se quisermos uma sociedade democrática, e uma mídia que dê espaços a todos, teremos que aceitar que mesmo essas “anomalias musicais” possam ter seu espaço. Deste modo, a música se mantém um veículo muito democrático, pois há música para todos os gostos. E mesmo sabendo que é uma indústria por trás disso tudo que fomenta na cabeças das pessoas esse tipo de diversão neandertalóide, é dever nosso lutar pelo direito de evoluir, que é o grande diferencial entre os seres racionais e irracionais, posto que essa diferença entre racionais e irracionais é a própria evolução em todos os seus aspectos.

Portanto, é extremamente legítima a luta dos nossos colegas de classe, artistas, que foram até a câmara dos vereados dia 18 próximo passado, reivindicar espaços para outros estilos de música no palco principal, e como eles mesmos se referiram no manifesto, contra a “farra da violência”.

Abraços sinceros,

Dihelson Mendonça
Em perpétua luta contra o Cartel da Mídia que promove a pornografia no Rádio.
www.blogdocrato.com

Diário do Nordeste publica matéria sobre Exclusão na Expocrato

Grupos lutam por apresentação no palco principal

Artistas locais prepararam documento no qual criticam o privilégio de atrações nacionais na Exposição

Crato. Iniciados os preparativos para a 57ª Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato) que será realizada de 13 a 20 de julho. Cerca de 300 operários estão trabalhando dentro do parque na construção e montagem de barracas, estandes, pavilhões e espaços para novos restaurantes e pizzarias. No entanto, na prévia da exposição uma polêmica se inicia: artistas locais denunciam que a organização do evento está privilegiando bandas nacionais, em detrimento dos grupos regionais que, tradicionalmente, integram também a programação no palco principal do evento.

Os artistas regionais estão assinando um documento que será enviado ao governador do Estado, Cid Gomes, e ao Grupo Gestor da Expocrato, solicitando espaço no palco principal e criticando a “valorização da industrial cultural que alimenta a farra da violência”.

O Coletivo Camaradas, grupo de artistas e poetas, se reuniu, ontem, na Câmara Municipal, com o objetivo de elaborar um documento que, segundo Alexandre Lucas, coordenador do grupo, será assinado por artistas regionais, criticando o critério de contratação de artistas por parte do poder público para eventos regionais.

O documento denuncia que o poder público “vem tratando a questão com descaso e incompetência, privilegiando grupos econômicos e interesses alheios à população”. O poder público, de acordo com o grupo, “vem financiando a farra da violência produzida pela indústria cultural, contribuindo para o processo de desumanização e alienação do povo”.

Os artistas dizem ainda que para o grande público só resta uma opção: músicas que fazem apologia à vulgarização sexual, ao machismo, à homofobia, à bestialidade, à violência e às drogas. Ao fazer esta crítica, o grupo de artistas regionais exige espaço no palco principal da Exposição Agropecuária.

Alexandre Lucas esclarece, entretanto, que a crítica não é direcionada exclusivamente à Expocrato. A reclamação é contra todos os eventos patrocinados pelo poder público, entre os quais, a Festa de Santo Antônio de Barbalha e o Juaforró, de Juazeiro do Norte.

O músico Luciano Brayner, integrante do grupo Zambeiros do Cariri, critica o que ela chama de política cultural para a região. Para Luciano, não existe uma articulação regional. O trabalho é feito isoladamente pelos próprios artistas. “Não existem sequer Conselhos Municipais de Cultura”, lamenta.

A empresa Luan Promoções e Eventos Ltda foi contratada para responder pelos shows na Expocrato. Entre as atrações estão a banda Asas de Águia e Zezé de Camargo e Luciano. O investimento, de acordo com o representante desta empresa, Ricardo Quental, fica em torno de R$ 1,7 milhão. Somente com o cachê dos artistas e bandas serão gastos R$ 800 mil.

O palco principal, a ser armado pela Luan, será localizado na parte baixa do parque. Será cercada com madeirite. Naquele espaço, se apresentarão as principais bandas e artistas contratados. Este ano, a organização abriu espaço para cinco bandas regionais que farão apresentações antes do show principal.

“Estamos contratando atrações que trazem público. Quem tem obrigação de abrir espaço para grupos musicais alternativos é o poder público”, diz Ricardo Quental, acrescentando que está pagando R$ 250 mil pelo espaço. Quental esclarece que sua atividade é exclusivamente empresarial.

A parte de cima é destinada a pavilhões de animais, estandes comerciais e industriais, restaurantes e apresentações de artistas regionais, grupos folclóricos e bandas. O presidente do Grupo Gestor da Expocrato, Francisco Leitão de Moura, disse que vai disponibilizar R$ 10 mil para os grupos folclóricos que deverão se apresentar todas as noites dentro do parque.

Movimentação

Francisco Leitão de Moura estima que o evento vai movimentar recursos em torno de R$ 50 milhões. “No ano passado, foram contabilizados R$ 34 milhões”, lembra Leitão, acrescentando que a Expocrato vem crescendo de um ano para o outro.

Este ano, além da exposição agropecuária, haverá uma Exposição Pan-Americana de Cães. Está confirmada também a cobertura do Canal do Boi, com a realização de leilões. A estimativa, segundo Leitão, é a inscrição de mais de cinco mil animais e um público de 50 mil pessoas por dia.

Enquete
O que você acha da organização do evento?

Ricardo Quental
Representante da Luan Promoções
‘Contratamos atrações que trazem público. A obrigação de abrir espaço pra grupos alternativos é do poder público.’

Luciano Brayner
Integrante do Zabumbeiros
‘O trabalho é feito isoladamente pelos próprios artistas. Não existem sequer Conselhos Municipais de Cultura.’

Alexandre Lucas
Coordenador do Camaradas
‘A reclamação é contra os eventos patrocinados pelo poder público, como a festa de Santo Antônio e o Juaforró.’

Antônio Vicelmo
Repórter

Mais informações:
A Expocrato acontecerá no Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcante
Avenida Maildes Siqueira, s/n
(88) 3523.2120

Fonte: Diário do Nordeste

Carta Aberta ao Governador do Estado do Ceará

Contra a exclusão dos artistas do Palco Principal da Expocrato

Artistas da região do Cariri reuniram-se na noite, do dia 18, na Câmara Municipal do Crato para discutir sobre exclusão do segmento musical caririense no PALCO PRINCIPAL DA EXPOCRATO. De acordo com os artistas é preciso criar uma politica musical para as festas públicas, estabelcendo critérios de seleção para contratação de artistas e bandas. O evento contou ainda com a participação da imprensa através da jornalista Lorena Tavares (TV Verde Vale) e do Antônio Vicelmo (Diário do Nordeste e Rádio Educadora).

Uma carta aberta será encaminhada ao Governador do Estado do Ceará, Cid Ferreira Gomes para tanto estão sendo recolhidas assinaturas e a carta está sendo divulgada pelos diversos meios de comunicação. Os participantes do movimento entendem que a responsabilidade é do Governador que não estabelceu critérios para a concessão na exploração da Programação da Expocrato ao tercerizar a festa.

Divulgue a carta aberta abaixo – Envie pelo orkut, msn, contatos de e-mails, faça cópias, recolha assinaturas. Informações adcionais – Entre em contato pelo blog.

Crato, 18 de junho de 2008.
Exmo. Sr.
Cid Ferreira Gomes
Governador do Estado Ceará

Excelentíssimo Governador,

Nós do Coletivo Camaradas juntamente com músicos, produtores culturais e artistas de diversas linguagens entendemos que as festas populares que fazem parte do calendário turístico dos municípios, a exemplo de Festa de Santo Antônio (Barbalha), Juá Forró (Juazeiro do Norte) e Expocrato (Crato) devem ser pensadas com o intuito de fortalecimento da identidade e diversidade artístico-cultural e geração de renda do nosso povo.

Lamentavelmente, o Poder Público vem tratando a questão com descaso e incompetência, privilegiando grupos econômicos e interesses alheios à população.

É preciso estabelecer uma política musical clara, no âmbito dos poderes municipais e estadual que possa pautar as festas populares pela inclusão, valorização ( pagamento de justo cachê), publicidade dos artistas locais e pela diversidade, tendo como critério a seleção pública dos artistas e grupos.

Vale ressaltar que o poder público vem financiando a farra da violência produzida pela indústria cultural, contribuindo para o processo de desumanização e alienação da população. Para o grande público só resta uma opção: músicas que fazem apologia a vulgarização sexual, ao machismo, a homofobia, a bestialidade, a violência e as drogas ( exemplos típicos e vergonhosos: “beber, cair e levantar”, “chupa que é de uva”, “vou jogar uma bomba no cabaré”, “lapada na rachada”, senta que é de menta”, “dança do siri”, “risca faca” dentre tantas outras coisas que chamam de música).

O momento é propicio para essa discussão. Véspera de Expocrato e os artistas da região do Cariri estão “fora” do PALCO PRINCIPAL deste evento. Neste sentido exigimos do Governo do Estado do Ceará abertura imediata de seleção pública para as atrações da Expocrato com reserva mínima de 50% da programação para os Artistas e grupos caririenses.

Queremos o PALCO PRINCIPAL, pois o caldeirão cultural do Cariri respira e produz cotidianamente uma música a serviço da humanização e fincada na identidade local, numa mistura de diversidades musicais, esse sim deve ser o norte das grandes atrações da Expocrato. Não refutamos, por outro lado os Palcos Alternativos ( da Expocrato – não privatizada – Os palcos da URCA, Prefeitura e Fundação Mestre Eloi), que ao longo dos anos garantiram a participação dos grandes nomes da musica caririense com ínfimos cachês e reduzido público.

Artistas se unem contra exclusão no PALCO PRINCIPAL da Expocrato

Reunião – Dia 18, às 18h30, na Câmara Municipal

Os artistas da região do Cariri realizam encontro nesta quarta-feira, dia 18, às 18h30, na Câmara Municipal do Crato para discutir a exclusão músicos locais no Palco Principal da Expocrato. A iniciativa é do Coletivo Camaradas e encontro deverá resulta em um documento que será encaminhado ao Governo do Estado e aos Organizadores evento. A questão principal é a apresentação no Palco Principal, pois nos outros espaços da “Expocrato não privatizada” os artistas da região vem participando, como é o caso do Palco da URCA, da Prefeitura e da Fundação Mestre Eloi.
Para os Camaradas o Poder público vem financiado a violência ao promover festas publicas com bandas da indústria cultural, tendo em vista a apologia que essas bandas fazem a violência, a banalização sexual, ao machismo, a homofobia e as drogas.

É preciso construir uma política musical para o grande público, pois a população não tem acesso a diversidade musical e é obrigada a ser condicionada as músicas da indústria cultural.

Projeto Curta Muito

O projeto Curta Muito é uma ação do Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil – CCBNB, e consiste na exibição de curtas – metragens em espaços públicos. A ação tem a intenção de promover uma difusão dos produtos audiovisuais e também na formação de platéia para essa área.

Neste momento o Coletivo Malungo tem mantido parceria com o CCBNB para a execução desta ação na região do Cariri para oportunizar o melhor aproveitamento dos equipamentos culturais. Em sua segunda exibição na região, o projeto Curta Muito, será apresentada a Mostra Vídeo nas Aldeias que conta com a produção de Curtas metragens frutos das capacitações da ONG Vídeo nas Aldeias.

O Projeto Vídeo nas Aldeias promove, há quatorze anos, o encontro do índio com sua imagem. Sua proposta é tornar o vídeo um instrumento de expressão da sua identidade, refletindo a sua visão sobre si mesmo e sobre o mundo. Ao equipar comunidades indígenas com aparelhos de vídeo, o projeto estimulou o intercâmbio de imagens e de informações entre os povos.

Maiores informações:

www.videonasaldeias.org.br

www.coletivomalungo.wordpress.com

ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DAS ARTES

Prezados,

Acontecerá, na próxima segunda-feira, dia 9 de junho, às 19 horas, no
auditório do prédio da Associação Cearense de Imprensa – ACI (Rua
Floriano Peixoto, 735, Centro)- a Assembléia Geral Extraordinária das
Artes, que reunirá artistas, estudantes, produtores, técnicos,
pesquisadores, instituições, empresas produtoras e entidades
representativas do audiovisual, teatro, dança, circo, fotografia,
música e demais linguagens artísticas do Estado do Ceará.

Tal iniciativa – fruto de uma parceria entre a ACCV, SATED, IFOTO e
outras entidades, inclusive do interior do Estado – visa não só
enfatizar para toda a sociedade cearense o repúdio de sua classe
artística contra a proposta de “edital unificado” apresentada pela
Secult, mas propor, de forma plural e democrática, o início de uma
série de debates com o poder público instituído sobre a efetivação de
uma política que almeje não a estagnação e o retrocesso, mas o
desenvolvimento crescente e sustentável do setor cultural em nosso
Estado.

Pelas implicações que a Assembléia Geral Extraordinária das Artes
poderá desencadear para o panorama cultural cearense, convocamos a
presença de TODOS no referido evento.

Atenciosamente,

Duarte Dias
Diretor-Presidente da ACCV