Justiça seja feita

Emerson Monteiro

Em 14 de março de 1997, tomava posse na reitoria da Universidade Regional do Cariri a professora Maria Violeta Arraes para um mandato pró-tempora, no qual permaneceu até o final do primeiro semestre de 2003, perfazendo assim seis anos e alguns meses nas funções antes desempenhadas pelos profs. Antônio Martins Filho, Manoel Edmilson do Nascimento e José Teodoro Soares.

Personalidade forte de cearense nascida em Araripe, município do entorno da Chapada, início do sertão, dona Violeta Arraes marcou sua permanência à frente da Urca com o zelo de líder dedicada, criativa, sensível, votada ao desenvolvimento regional, suscitando, através da expansão do Ensino Superior, as contingências responsáveis pela ampliação do espaço físico e das inovações imprescindíveis à atualização do corpo acadêmico. Por seu intermédio se deram concursos públicos necessários à formação do quadro de professores, criação de novos cursos e estudos aprofundados de uma reforma estatutária modernizadora da autarquia estadual, no formato de congêneres melhor aquinhoadas.

Senhora de patrimônio aprimorado nas lutas democráticas pela autodeterminação dos povos nos valores definitivos da cidadania de nossa gente, manteve apreciável histórico de realizações, inclusive no Exterior, com livre trânsito junto a próceres políticos e meios artístico-culturais do Brasil e de outras nações, sábios, pesquisadores, dirigentes, realizadores, artistas e intelectuais de escol.

No decorrer de seu período à frente da Universidade do Cariri, Dona Violeta exercitou com soberania sua devoção à mística de ações pautadas pela correção. Influente perante as autoridades estaduais e federais, conseguiu os recursos de soerguer o aparato físico dos campi, em época oportuna, dado o rápido crescimento do número de alunos, propiciando acompanhamento dos avanços registrados na sua história. Ela agiu com entusiasmo e coração, nos moldes técnicos e de bom gosto que se pode dizer proficientes.

Com o mínimo de senso de justiça, portanto, torna-se, nesta ocasião de sua perda, lhe tributarmos nosso preito de gratidão a quem se rendeu às suas raízes caririenses e aceitou retornar à província interiorana para conduzir o processo de consolidação da Instituição de Ensino Superior do Cariri; reforma e ampliação do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri; instalação da Bacia-Escola do Araripe; aquisição do campus do Crajubar, em Juazeiro do Norte; ampliação e reforma das instalações dos campi do Pimenta e do de São Miguel, em Crato; além da criação do curso de graduação em Enfermagem, na área de Saúde; e dos cursos de Licenciatura Plena para professores do Ensino Fundamental; cursos de pós-graduação nas áreas de Maio Ambiente, Educação, Economia, Geografia, Letras, História e Paleontologia; e dos cursos de mestrado em Sociologia, Direito, Desenvolvimento Regional e Letras; dentre outras tantas realizações apreciáveis.

Sabe-se que uma universidade requer sucessivas gerações a fim de padronizar métodos e tradicionalizar formas de saber. A sólida contribuição que Violeta Arraes veio oferecer ao Cariri, em termos de construtora desse perfil, galvanizando assim o respeito e a integração dos princípios civilizatórios regionais, garantia de tudo aquilo que se realiza para a continuação do nosso futuro.

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