O jugo da informação

Emerson Monteiro

Dentre os estresses atuais, a sobrecarga da informação que se consome a cada dia estabelece um peso substancial. A insistência dos assuntos cotidianos impõe submissão aos consumidores das notícias a ponto de gerar dependência, o que, quando ausente, ocasiona espécie nova de síndrome de abstinência, em forma de vazio agressivo, notado em todo o corpo social, de proporções incalculáveis.
Há que existir gente sendo presa fácil de autoridades sendo acusadas disso ou daquilo, acidentes de todo gênero, balas perdidas, seqüestros, escândalos a todo gosto, atentados, várias qualidades de desastres ambientais, atos terroristas, protestos, o que alimenta bem mais do que a ordem natural das coisas.
Esse tal homem nutrido nos cochos da mídia torna-se, pois, impotente, fraco, esquálido em face dos dramas apresentados a pratos cheios pelas usinas de comunicação, que quase reclama algum silêncio para refletir e digerir a carga que lhe jogam aos ombros. E ele mesmo, suspirante nos intervalos dos finais de semana, dependente, corre às locadoras e se reabastece de filmes de espécie semelhante à matéria da semana, em produções de terror, violência, sexualidade exacerbada, marcas dolorosas de violência e tragédia persistente, para suprir a suspensão parcial do jornalismo sensacionalista na calma domingueira.
Bicho acirrado na ritmo dos acontecimentos estonteantes de mundo em velocidade catastrófica, sobretudo através da televisão, esse modelo especulativo da civilização de massa, traz consigo as apreensões do medo instintivo do rebanho que compõe, ancas ferradas nas tatuagens modernas das tantas tribos espalhadas nos grotões do globo.
Dons quixotes da produção industrial, esses sanchos panças dos engarrafamentos citadinos andam lentos, ferrenhos compradores dos crediários e das promoções de ponta de estoque. Vibriões da impossibilidade material, transportam nas extremidades dos nervos das contas bancárias o que lhes toca do PIB nacional e repetem com eficiência os “slogans” das lojas de departamento e as vinhetas dos planos de saúde, o que contém normas para chegar a campeões de bilheteria, finalistas de campeonatos e ganhadores de prêmios lotéricos.
Ricos os seres humanos desta hora. Desconhecem aonde vão e nem disso quererem saber, pois depositaram nas mãos dos chefes políticos e economistas de plantão a entrega dos seus sonhos. Dormem em paz, por isso, ainda que devam mergulhar de cabeça no mistério da existência.
“Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”, dizem judiciosas as Escrituras Sagradas.

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