Coletivo Camaradas abre inscrições para grupo de poesia na Comunidade do Gesso

 

Incentivar à leitura, o protagonismo infantil e o envolvimento através da poesia são questões que vêm sendo trabalhadas no Gesso, a partir do Programa Território da Palavra, que visa contribuir para que a localidade seja uma comunidade leitora.

O Coletivo Camaradas está com inscrições abertas para o grupo de poesia que será criada com crianças da Comunidade. Ele se reunirá semanalmente para conhecer escritoras e escritores, ver vídeos, fazer leituras, participar de eventos literários e de artes, escrever poemas e realizar intervenções artísticas.

Crianças a partir de 9 anos poderão participar do grupo. As inscrições são realizadas na sede do Coletivo Camaradas e as vagas são limitadas.

Luciana Bessa

Para a coordenadora da Roda de Poesia do Coletivo Camaradas, a doutoranda em Letras pela Universidade Federal do Ceará, Luciana Bessa, o grupo é um instrumento potente para democratizar o acesso à literatura e de permitir a socialização das crianças. Ela destaca também a importância para o desenvolvimento da escrita, leitura e a criatividade. “Essa é uma estratégia para ampliar a visão de  mundo e empoderamento social” frisa a doutoranda.

 

Marta Regina

A coordenadora do Poste Poesia, a mestre em História, Marta Regina defende que a arte deve fazer parte da vida das pessoas e destaca que é  fundamental pensar um fazer artístico e literário neste sentido. O Poste Poesia, que é desenvolvido na Comunidade do Gesso, é umas das ações que fazem parte  do Programa Território da Palavra e  já é replicado em diversos estados brasileiros através de uma articulação do Coletivo Camaradas.

Coletivo Camaradas divulga listagem de vídeos selecionados para Mostra IP  2018

Vídeos de 18 estados brasileiros foram selecionados para  Mostra Nacional de Vídeos sobre Performances e Intervenções – Mostra IP 2018.

A Mostra idealizada pelo Coletivo Camaradas  (CE) esse ano conta com a realização conjunta dos seguintes coletivos: LEVE Arte Contemporânea (CE), Coletivo Tensoativo  (AP), Coletivo Intrânsito (SP), Plataforma La Plataformance (SP), Coletivo Casa Núcleo (PB), Coletivo Nos (BA), Coletivo Dodecafônico  (SP), Coletivo, Cartográfico  (SP), Coletivo Psicodélico ( AP ), Coletivo Dama Vermelha (CE), Companhia Brasileira de Teatro Brincante  (CE) e Coletivo  Cerebral  (CE).

 

Os vídeos selecionados poderão ser exibidos em cerca de 10 estados do país inscritos para sediar a Mostra IP esse ano.

 

Segue a lista dos vídeos selecionados pela seguinte ordem: nome do vídeo, nome do artista/coletivo, cidade e estado

Requiem 1:55

Mariana Rocha

Belo Horizonte – MG

 

4’33

Ericsson Castro

São Paulo -SP

 

Meu Cu é Uma Festa

Élle de Bernardini

Santa Maria-  RS

 

D de Desejo

Wellington Costa

Matriz de Camaragibe- AL

 

ONZE   WE

Danças Urbanas

Ipatinga – MG

 

Além de Nós

Lui Mendes e grupo “Volver”

Florianópolis-SC

 

Semen-te

  1. Angel

Osasco-           SP

 

Balança

Ariane Ventos

Jaguariúna – SP

 

Meu corpo resiliente

Pedro Caetano

Niterói-RJ

 

Sagração

Olga Lamas

Salvador- BA

 

Sirva-se

Olga Lamas

Salvador- BA

 

Lavagem

Gameleira Artes Integradas

Salvador-BA

 

Cidade Afogada

Raiça Bomfim

Salvador-BA

 

Até ver

Ariane Ventos

Jaguariúna- SP

 

Happiness

Cristos

Goiânia-GO

 

The Theather Dance

Cristos

Goiania-GO

 

dobrar vento e papel n°1

Daniel Santiso e Max William Morais

Rio de Janeiro-RJ

 

dobrar vento e papel n° 3

Daniel Santiso e Max William Morais

Rio de Janeiro-RJ

 

Todo preto sabe sambar

Jorge Kildery Jeffe Grochovs

Curitiba-PR

 

Cama, mesa e banho

Nanda Boaventura Jeffe Grochovs

São Paulo-SP

 

Keila Serruya

Picolé da Massa

Manaus-AM

 

AQUI

Picolé da Massa

Manaus -AM

 

Performance “Serviçal”

Jefferson Skorupski

Madalena-CE

 

RESERVADO

FELIPE BITTENCOURT

SÃO PAULO- SP

 

PORTAL

FELIPE BITTENCOURT

São Paulo-SP

 

Dodoiévisck

Dodoiévisck

São Pulo-SP

 

Helga Wozel

ExCompanhia de Teatro

São Paulo-SP

Balões na Neve

ExCompanhia de Teatro

São Paulo-SP

 

EL CAPITAL HA DEVALUADO NUESTRA MANERA DE AMAR

Nora Chernajovsky

BUENOS AIRES           ARGENTINA

 

Desnudamentos Políticos VOTE NU

Natasha de Albuquerque

Brasília           Distrito Federal

 

Dança das cadeiras

Corpos Informáticos

Lago Oeste-DF

 

Bicycle Wheel Tattoo ou V. no Cubo Branco

Verônica Vaz

Porto Alegre-RS

 

Cerco

Jordi Tasso

Porto Alegre- RS

 

VISOES

GYZA

SAO PAULO- SP

deSgustação

Leonardo Fabiano

Maringá-PR

 

Pára-Nóia Cotidiana

Fransuel Becker

Goiânia-GO

 

Pau de Arara (Maldição 263)

Fransuel Becker

Goiânia-GO

 

Estudo para abrir caminhos, 2018.

Rastros de Diógenes

Rio de Janeiro-RJ

 

Projeto Invasões #01  b1b2

Salvador- BA

 

Livre Iniciativa

Emerson Kennedy

Matriz de Camaragibe-         AL

 

Mata Redonda

Eri Lee

Matriz de Camaragibe-         AL

 

Performance Corpo Terra

Flaviane Damasceno

São João de Meriti- RJ

 

Amor

Júlia Profeta

São Paulo-SP

 

De quando se preenche um Estado vazio

Marcela Antunes

Rio de Janeiro- R J

 

HOMEM NU & INVISÍVEL

MASSAPE

Campina Grande-PB

 

Identidade

Natã Ferreira

Natal-RN

 

Beta vulgaris

Julie Dias

São Paulo-SP

 

Exercício da ânsia

Julie Dias

São Paulo-SP

 

Passa 1

Camila Lacerda

Belo Horizonte- MG

 

O que se dissolve em veiculo liquido

Sue Nhamandu

São Paulo-SP

 

Balanço

Rodrigo Melo

Curitiba- PR

 

humanX

Manifesto Errante

Coletivo ASCO

Fortaleza / Russas- CE

 

Aurora (ou Pra onde vamos agora?)

Débora Oliveira

São Paulo-SP

 

Mulher Bomba Passeia

Luciana Ramin e Nina Caetano

São Paulo-SP

 

Larápios

Zarabatana LAB         Rio

de Janeiro-RJ

 

Desviados

Transeuntes

São Paulo-SP

 

Vida Vai – e – Vem ou Vida Leva – e – Traz

Claudia Piassi e Edu Guimarães

São Paulo-SP

 

16

Fernando Hermógenes

São Joaquim de Bicas – MG

 

Líquido Zero

Julie Dias

São Paulo-SP

 

Atravessamento

Kelly Saura

Rio de Janeiro-RJ

 

Casulo

Kelly Saura

Rio de Janeiro-RJ

 

Cartas

Kelly Saura

Olinda-PE

 

Revelação 8:7-13; 9; 10

Ique in Vogue

São Paulo-SP

 

Form to form

Noara Quintana

Florianópolis-SC

 

Passagem

Naldo Martins

Macapá- AP

 

Respiro

Naldo Martins

Macapá-AP

 

Dói

Angélica R. Kauffmann

Curitiba           – PA

 

eterno retorno | autoconstrução

cristiana nogueira

macapá           – AP

 

Andre Luiz

André Rodrigues

Rio de Janeiro-RJ

 

Já temos assento

Mariana Maia

Rio de Janeiro-RJ

 

“PÓS GURU”

Candé Costa

Rio de Janeiro-RJ

 

Basta de violência

Coletivo Marias

Crato-CE

 

P.U.T.A.S

Coletivo Marias

Crato- CE

 

Abertas inscrições para expositores na Mostra do Brincar no Crato

CHAMADA PÚBLICA 01/2018

Chamada Pública Simplificada
para Expositores brinquedistas e ou Luthiers na I Mostra do Brincar.

I – A MOSTRA DO BRINCAR

1.1. A Mostra do Brincar é uma iniciativa do Coletivo Camaradas que visa construir com diversas instituições momentos de reflexão e de imersão lúdica, no período de 22 a 26 de agosto de 2018, no Território Criativo do Gesso, na cidade do Crato-CE;

1.2. A Mostra será constituída de vivências com grupos da tradição popular, oficinas de construção de brinquedos, jogos, passeio ciclístico, brincadeiras, intervenções urbanas, feira de sustentabilidade e rodas de conversa, numa combinação de trocas de saberes populares e científicos;

1.3. A Mostra é parte integrante das proposições do Prêmio Culturas Populares – edição 2017, do Ministério da Cultura.


II – DA CHAMADA PARA EXPOSITORES BRINQUEDISTAS E OU LUTHIERS

2.1. Por esta Chamada Pública Simplificada, o Coletivo Camaradas criará
um BANCO DE CADASTRO de expositores para compor a Mostra – edição 2018 dentro da Feira de Sustentabilidade -Trocaria no Gesso, que compõe a programação do evento;

2.2. O Banco de Cadastro é um instrumento que servirá para articular a participação de
expositores e compor a programação da Feira de forma colaborativa e voluntária;

2.3. Poderão participar da Mostra do Brincar expositores e apresentações convidadas
que não estejam inscritas no banco de cadastro.


III – DAS INSCRIÇÕES

 

3.1. As inscrições acontecerão no período de 02 junho a 15 de agosto de 2018, de forma gratuita e online pelo endereço eletrônico: https://goo.gl/forms/o17szkEfR63B1m4h2

3.2. Poderão se inscrever: coletivos de brinquedistas, Luthiers, grupos literários, artistas, artesões, escritores, designers;

3.3. Os expositores serão selecionados pela comissão organizadora da Mostra do Brincar constituída pelo Coletivo Camaradas e organizações parceiras que levarão em consideração, prioritariamente, os seguintes critérios:

a) Garanta da presença, na Feira, de uma maior diversidade possível de produções;

b) Priorização do trabalho coletivo autogestionário, fundado em valores como solidariedade, autogestão, cooperação, autonomia, democracia, direitos humanos, respeito ao meio ambiente e consumo consciente.


IV – DA CONTRAPARTIDA DO 
COLETIVO CAMARADAS E RESPONSABILIDADES DO EXPOSITOR

 

4.1. O Coletivo Camaradas disponibilizará barracas e cavaletes para exposição dos materiais;

4.2. A comissão organizadora poderá reunir mais de um grupo/expositor em cada barraca, a depender de questões logísticas, de afinidade de produtos;

4.3. O próprio expositor ficará responsável pela organização e ornamentação do espaço
(barraca);

4.5. Cada expositor deverá ficar responsável pela limpeza do seu espaço e o cuidado com o material emprestado.


V DO RESULTADO

 

5.1. O resultado será divulgado no dia 16 de agosto no site do Coletivo Camaradas,www.camaradas.org

5.2. No dia 18 de agosto às 10h, na sede do Coletivo Camaradas será realizada reunião com os expositores selecionados para esclarecimentos sobre a Feira e a Mostra do Brincar.

Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora da Mostra do Brincar.

Crato, CE, 02 de julho de 2018.
Comissão Organizadora da Mostra do Brincar.

Coletivo Camaradas

Ricardo Alves

Coordenador da Feira de Sustentabilidade – Trocaria

Comunidade do Gesso deverá construir barracão comunitário até agosto

O Coletivo Camaradas pretende construir este ano o Barracão Comunitário na comunidade do Gesso. A intenção é que o equipamento esteja pronto para a Mostra do Brincar que será realizada no período de 22 a 26 de agosto.

O Barracão consiste numa tenda de alvenaria, medindo uma circunferência de 10m. O equipamento idealizado pelo Coletivo Camaradas servirá para práticas lúdicas, artísticas, culturais, esportivas, reuniões, oficinas e feiras. O projeto arquitetônico foi projetado pelo arquiteto Alexandre Lúcio Nunes.

A obra deverá ser construída a partir de uma parceria entre Coletivo Camaradas, Prefeitura Municipal do Crato e Universidade Federal do Cariri – UFCA e empresas privadas. A mão de obra para construção do barracão será da própria comunidade.

De acordo com o pedagogo Alexandre Lucas, que integra o Camaradas, o equipamento é um importante instrumento de integração comunitária e de diálogos com as mais diversas instituições, artistas, ativistas e pesquisadores locais e nacionais. Lucas destaca que está sendo mantido uma articulação com a gestão municipal para viabilizar a aquisição do material e com a UFCA discute-se o apoio financeiro para subsidiar o pagamento da mão de obra. Entretanto, o Camaradas deverá fazer campanha para arrecadação de materiais e recursos, tendo em vista que a parceria não deverá suprir todas as necessidades da construção.

Prefeito do Crato recebe demandas para  I Mostra do Brincar

O Coletivo Camaradas encaminhou para o Prefeito Municipal do Crato, José Ailton Brasil,   na última segunda-feira, 18,  ofício para ser despachando com as secretarias municipais de Cultura, Educação, Meio Ambiente e  Desenvolvimento Territorial ,  Esporte e Infraestrutura. O documento pede melhorias para Comunidade do Gesso, que receberá  a I  Mostra do Brincar,  a ser realizada no período de 22 a 26 de agosto/2018.

Dentre as solicitações estão calçamento, ampliação da capacidade de iluminação, limpeza e capinagem, reparo e manutenção da quadra do Gesso, além do apoio para construção do barracão comunitário, materiais e cachês para as apresentações artísticas.

A Mostra do Brincar será  realizada em parcerias com universidades, coletivos, escolas, instituições culturais, secretarias municipais e estaduais e deverá reunir pesquisadores, artistas, mestres da cultura popular, educadores e a comunidade durante cinco dias recheados de maratonas de brincadeiras, contação de histórias, apresentações de grupos da cultura popular, intervenções urbanas, batalhas de rap, oficinas de jogos e brincadeiras populares.

Mostra do Brincar será realizada no Crato

Universidades, escolas, instituições culturais, secretarias, grupos da tradição popular, pesquisadores, artistas, educadores e coletivos estarão realizado no período de 22 a 26 de agosto, na Comunidade do Gesso, em Crato, a I Mostra do Brincar. O evento tem o objetivo de refletir sobre a cultura lúdica e a ocupação criativa da cidade, além da realização de uma série de atividades envolvendo brincadeiras e jogos numa troca de saberes populares e científicos.

A ação idealizada pelo Coletivo Camaradas faz parte das propostas que proporcionou o reconhecimento da organização pelo Ministério da Cultura, a partir do Prêmio Culturas Populares com o projeto da “Brinquedoteca Popular”.

As atividades da Mostra deverão ser realizada nas escolas do entorno e no largo do Gesso.

O Coletivo Camaradas tem a intenção de construir até o evento um Barracão Comunitário, uma espécie de tenda de alvenaria com 10 metros de diâmetro que ficará de forma permanente na comunidade, que servirá para abrigar diversas ações realizadas na localidade.   O Coletivo Camaradas pretende construir o equipamento com o apoio da Incubadora de Empreendimentos Populares e Solidários – ITEPS da Universidade Federal do Cariri – UFCA e da Prefeitura Municipal do Crato, sendo a mão de obra para construção do barracão dos próprios moradores comunidade.

A Mostra prevê a realização de cerca de 10 oficinas, maratonas de brincadeiras, passeio ciclístico “Mungaga”, Mostra de Cinema de Animação Lula Gonzaga, rodada de contação de histórias, distribuição de mudas frutíferas e medicinais, Feira de Brinquedos e Jogos, intervenções urbanas, roda de poesia, batalha de rap e apresentações do grupo da tradição popular.

O Coletivo como eu vejo: Uma militância além do Gesso

Cíntia Gomes – integrante do Coletivo Camaradas

Maria Cíntia Gomes*

Neste texto proponho uma reflexão sobre o Coletivo Camaradas que transcende os padrões acadêmicos em que me encontro enquanto graduanda no Curso de Licenciatura em Pedagogia e que se encontra na minha subjetividade, pois enquanto pessoa humana  almejo um mundo de empatia e de solidariedade em que todos sejamos reconhecidos dentro das nossas diferenças sem que isto nos torne superiores uns aos outros.  A minha pouca experiência no Coletivo Camaradas me faz pensar que este sonho não é impossível e nem tão distante, pois vi que existem pessoas engajadas na construção do Socialismo no Brasil e na resinificação social de muitas vidas que se encontram marginalizadas no Cariri cearense.

Sabemos que a estigmatização social e a marginalidade não são fenômenos recentes na nossa história e a luta pela superação desses mecanismos ultrapassam os séculos de nossas narrativas e rompem a cultura do silenciamento que atinge as classes populares de forma tão violenta. O desvelamento deste sistema marcado pelo patriarcado, pelo machismo, pela superioridade da cultura eurocêntrica e pela heteronormatividade  que constrange nossas representações, nossa liberdade e a maneira de existir que pertence a cada um de nós é um elemento fundamental para o combate a este sistema social que a nós está posto, entendendo que a construção de uma consciência crítica nos dá possibilidade de encarar esses padrões com a força necessária para desconstruí-los.

Os caminhos para se chegar a esta consciência crítica que potencializa a busca pela transformação social são diversos, o que não quer dizer que sejam fáceis. O Coletivo Camaradas surge na Comunidade do Gesso em uma conjuntura específica do local, que recebe reflexos do longo processo de estigmatização social decorrente de padrões estabelecidos socialmente baseados em princípios e valores hierarquizantes, neste sentido a cultura política adotada pelo Coletivo, enquanto Movimento Social, consiste na produção de propostas e ações conscientizadoras através da Arte Política. Uma arte que incomoda, que nos instiga, que nos faz refletir e que contribui para a desnaturalização de certos estigmas sociais. A Arte Política é um mecanismo de produção de novas narrativas acerca da própria comunidade e é um instrumento de luta emancipatório e humanizador que visa desenvolver o sentimento de pertencimento comunitário e a partir dele a valorização da própria identidade dos moradores que constroem o Gesso.

O papel que o Coletivo Camaradas desempenha no cenário de lutas pela busca da democratização social tem efeitos que vão além das questões estruturais da comunidade, isso é perceptível principalmente na concepção de infância construída com base no protagonismo infantil, onde as crianças da comunidade são vistas como sujeitos políticos, participativos e produtores de cultura tendo um lugar reservado no palco de reivindicações, neste sentindo há uma construção de identidade pautada em princípios que consideram as especificidades de cada sujeito sem interpretá-las como aspectos de dominação. As ações desenvolvidas pelas pessoas que fazem o Coletivo são fundamentais não só para o Gesso mais para todas as pessoas oprimidas pelo sistema, por isso é necessário unir forças para potencializar a emancipação humana e o sentimento de coletividade transposta na filosofia do Ethos Ubuntu que nos sugere a cultura do compartilhamento e de comunidade fruto da nossa afrodescendência que nos foi silenciada.

O além do Gesso sugerido no título desta pequena reflexão enfatiza a grande rede de relações que estabelecemos neste intervalo de nossa existência. As pessoas que passam pelo Coletivo Camaradas, mesmo as que não permanecem, a elas são acrescidas novos valores, novas concepções e novas visões de mundo que serão compartilhadas mais adiante com novas pessoas e assim por diante. O Coletivo como eu vejo é um grande palco de lutas que possibilita a livre expressão do nosso ser e do nosso existir, não é preciso incorporar personagens para subir a este grande palco basta ser quem somos ao passo que sentimos as dores, as angústias e os ensejos dos nossos companheiros. É preciso nos construir coletivamente para que possamos ser a força uns dos outros nesta narrativa.

 

*Graduanda em Pedagogia pela Universidade Regional do Cariri – URCA e integrante do Coletivo Camaradas

Coletivo Camaradas:  Vamos nos escrever

Por Alexandre Lucas*

É a partir da escrita que documentamos e damos elasticidade  a dimensão histórica e social da vida humana. Escrever é criar memória, história, ampliar visão social, reproduzir ideologia, formar, organizar e registrar compreensões de mundo. No Coletivo Camaradas, precisamos estar atentos  para importância da nossa escrita como forma de  construirmos uma  trama da nossa narrativa de organização.

Precisamos exercitar constantemente a nossa narrativa  e reflexão  sobre as nossas formas de organização e posicionamento diante das conjunturas.  Essa é uma contribuição que dá sustância ao nosso  próprio entendimento enquanto organização política de lado definido, ou seja, de esquerda e marxista.  A escrita sobre a nossa organização serve como bússola para orientar o trabalho político de cada militante. Militante sem norte político é agrupamento escasso de forma e conteúdo.

Duas questões se apresentam como importantes nesta construção: a criação de conteúdos a partir das demandas do cotidiano, registros das ações e  articulações e por outro lado a produção da pesquisa científica, ambos fazem para parte do mesmo contexto de edificação  da nossa narrativa e da luta na disputa de ideias.

A nossa prática política exige a dimensão científica como elemento de compreensão do que somos e do que queremos construir, sem perder o foco que enquanto organização marxista disputamos um projeto de sociedade e que na luta cotidiana enfrentamos as batalhas no campo da organização popular e das ideias.

Quando escrevemos sobre quem somos e o que queremos ser e construir,    estamos definindo a ocupação de um espaço político, com identidade e consistência. Entretanto, vale destacar que definir o que o somos e  o queremos, nos remete a uma reflexão mais profunda  do que a relação empírica, não  se trata apenas de descrever, mas de contextualizar o nosso lugar, saber e fazer dentro  de uma aspecto macro, o que numa compreensão dialética nos remete a relação de conjugar a teoria versus  prática para apreender uma nova ideia e nova pratica.

Ao escrever sobre nós, damos vazão para que nossas vozes sejam ampliadas e que nossa experiência seja replicada e isso faz com que as bandeiras  políticas  que defendemos ocupem as discussões nas esferas acadêmicas e no campo da luta popular.  A nossa escrita é base necessária para combustão da nossa agitação e propaganda e alimento para  subsidiar a luta pela disputa de um projeto de sociedade e do enfrentamento das lutas de  ideias.

*Pedagogo e integrante do Coletivo Camaradas.

Coletivo Camaradas pretende construir barracão comunitário no Gesso

O trabalho que vem sendo desenvolvido na Comunidade do Gesso pelo Coletivo Camaradas é um exemplo de ocupação criativa do espaço público com o intuito de pensar urbanismo e desenvolvimento social.

O grupo que já criou na comunidade um “terreiro”, que consiste num piso de cimento e alguns postes com refletores, vem servindo para diversas apresentações e diálogos com outras instituições. Conforme os integrantes do Coletivo Camaradas, esse espaço serve para fazer com que a comunidade seja percebida de forma positiva e contribui para a democratização do acesso a arte.

O Coletivo Camaradas quer construir mais um equipamento na Comunidade do Gesso. O novo desafio do grupo é levantar um “barracão comunitário”, uma tenda de alvenaria circular medindo 10 metros. O equipamento terá função multifuncional, servindo desde reuniões, encontros, cursos, feiras e espaço para o brincar. A intenção é que o equipamento seja construído ao lado da quadra.

Atualmente falta um espaço para as  crianças brincarem na comunidade. A quadra construída recentemente ainda não dispõe de luz e coberta. De acordo com a gestão municipal o projeto de cobertura e iluminação foi encaminhado para os tramites legais.

O Coletivo Camaradas encaminhará documento a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Territorial para firmar parceria com o Governo Municipal.

O Barracão Comunitário  deverá ser financiado a partir de doações de material de construção e ações de arrecadação de recursos financeiros.  O projeto arquitetônico do equipamento foi elaborado  pelo arquiteto e urbanista Alexandre Lúcio Nunes.

Curso sobre protagonismo comunitário para jovens será realizado no Crato

Natália Pinheiro é um exemplo de jovem protagonista, poeta, estudante de história e militante do Coletivo Camaradas.

O Coletivo Camaradas e o Centro de Referência de Assistência Social – CRAS Vila Alta estão organizando o curso “Protagonismo Comunitário para Jovens” destinado para estudantes das escolas do entorno da Comunidade do Gesso. O curso tem como objetivo contribuir para a formação dos jovens de sentido de possibilitar diálogos e interações  com a diversidade dos movimentos sociais da região do Cariri.

O curso deverá ter como conteúdo programático, a história,   pautas e as metodologias de organização dos movimentos sociais e  as atividades formativas serão mediadas pelos representantes de associações de bairros, coletivos, organizações juvenis, sindicais e professores universitários.

Os jovens terão como desafio na conclusão do curso, pensar no desenvolvimento de uma intervenção social na comunidade do Gesso.

Nesta segunda-feira, dia 16, às 15h, no Laboratório de Criatividade do Coletivo Camaradas, na Comunidade do Gesso, haverá uma reunião do planejamento do curso com a participação de representantes entidades dos movimentos sociais do Cariri.